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quarta-feira, 3 de junho de 2020

Santo António, um exemplo para o nosso tempo.

Vaticano: Papa convida católicos a imitar exemplo de Santo António

Jun 3, 2020 - 12:01 (Ecclesia)

Carta assinala 800 anos da vocação franciscana do santo português


Cidade do Vaticano, 03 jun 2020 (Ecclesia) – O Papa convidou os católicos a imitar a vida de Santo António, numa mensagem enviada ao ministro-geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais por ocasião dos 800 anos da vocação franciscana do santo português.

Francisco dirige-se em particular aos “religiosos e devotos franciscanos de Santo António espalhados pelo mundo”, para que possam “experimentar a mesma santa inquietação que o levou pelas estradas do mundo a testemunhar, com palavras e obras, o amor de Deus”.

A carta, divulgada pelo portal de notícias do Vaticano, destaca o exemplo do religioso português perante “as dificuldades das famílias, os pobres e desfavorecidos”, bem como a “paixão pela verdade e justiça”.

O Papa considera que a vida de António, “santo antigo, mas tão moderno”, ainda hoje pode “suscitar um generoso compromisso de doação, em sinal de fraternidade”.

“É necessário ver o Senhor no rosto de cada irmão e irmã, oferecendo a todos consolação, esperança e a possibilidade de encontrar a Palavra de Deus sobre a qual ancorar a própria vida”, escreve.

Francisco recorda que há 800 anos, em Coimbra, o jovem Fernando, natural de Lisboa, ao saber do martírio de cinco franciscanos, mortos por causa da fé cristã no Marrocos, decidiu “transformar a sua vida”.

O religioso deixou a sua terra e embarcou numa viagem, “símbolo do seu próprio caminho espiritual de conversão”, explica.

“Primeiro foi para Marrocos, determinado a viver corajosamente o Evangelho nos passos dos franciscanos ali martirizados; depois desembarcou na Sicília, após um naufrágio nas costas da Itália, como acontece hoje com tantos dos nossos irmãos e irmãs”, escreve o pontífice.

O Papa considera que foi um “desígnio providencial de Deus” que levou António ao encontro de Francisco de Assis.

Fernando Martins de Bulhões nasceu, em Lisboa, por volta de 1195; depois de ter recebido a primeira instrução junto à Sé, aos 15 anos, entra no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde prossegue a sua formação; ingressaria depois no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, sendo ordenado sacerdote, aos 25 anos.

Em fevereiro de 1220, chegam ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, as relíquias dos cinco missionários franciscanos que tinham sido martirizados, em Marrocos; o religioso troca o mosteiro de Santa Cruz pelo pobre ermitério de Santo Antão dos Olivais, muda de nome e assume o de António.

Instituições religiosas e públicas nas cidades de Coimbra e Lisboa estão a celebrar Jubileu dos 800 anos de Santo António como franciscano.

OC


quarta-feira, 12 de junho de 2024

 SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA

Um português italiano, e um italiano português, é hoje celebrado em Itália e Portugal: em Portugal como Santo António de Lisboa, em Itália como Santo António de Pádua. De Lisboa, porque lhe deu o nascimento; de Pádua, porque lhe deu a sepultura… Reparai, diz o evangelista, que António foi luz do mundo. Foi luz do mundo? Não tem logo que se queixar Portugal. Se António não nascera para o Sol, tivera a sepultura onde teve o nascimento; mas como Deus o criou para luz do mundo, nascer numa parte e sepultar-se noutra é obrigação do Sol. Profetizando Malaquias o nascimento de Cristo, diz que nasceria como sol de justiça. E que fez Cristo como sol, e como justo? Como sol mudou os horizontes, como justo deu a cada um o seu. Como sol mudou os horizontes, porque nasceu num lugar e morreu noutro: como justo deu a cada um o seu, porque a Belém honrou com o berço, a Jerusalém com o sepulcro. Assim também Santo António. Se Lisboa foi a aurora do seu oriente, seja Pádua a sepultura do seu ocaso”. (Sermões de Roma, ed. Difel, 2009, p. 189-190)

LEITURA I    Sir 39, 8-14 (gr. 6-11) 

Sirac convida-nos a mergulhar mais profundamente na palavra de Deus para alcançar a inteligência que vem do Espírito. O verdadeiro conhecimento vem de Deus e adquire-se na reflexão e meditação das Escrituras. Não é um conhecimento humano nem fundado nas ciências humanas, mas um penetrar no mistério de Deus. A sabedoria divina é útil para ensinar os homens e para louvar a Deus na oração. Aquele que medita a palavra não será esquecido porque a sua vida e as suas palavras se tornam fecundas como chuva e transformam aqueles que o escutam. Estas palavras, tão apropriadas à vida de Santo António, servem-nos de estímulo para continuar na leitura, meditação e aprofundamento da palavra de Deus.

aliturgia.com

Aquele que medita na lei do Altíssimo, se for do agrado do Senhor omnipotente, será cheio do espírito de inteligência. Então ele derramará, como chuva, as suas palavras de sabedoria e na sua oração louvará o Senhor. Adquirirá a retidão do julgamento e da ciência e refletirá nos mistérios de Deus. Fará brilhar a instrução que recebeu e a sua glória estará na lei da aliança do Senhor. Muitos louvarão a sua inteligência, que jamais será esquecida. Não desaparecerá a sua memória e o seu nome viverá de geração em geração. As nações proclamarão a sua sabedoria e a assembleia celebrará os seus louvores. 

EVANGELHO    Mt 5, 13-19

O texto faz parte do Sermão da montanha. Jesus apresenta aos discípulos e às multidões uma nova maneira de viver. A sabedoria de Deus, quando atua no homem, faz com que veja novas realidades e as deseje com o seu coração. Desta forma o homem torna-se um sinal, sal e luz. Sal que dá sabor ao mundo e luz que indica o caminho. Jesus insiste com os discípulos para que a sua luz brilhe, que não se esconda, mas brilhe no mundo para que se vejam as boas obras e provoquem o louvor. O contrário será arriscar ser o menor no Reino dos Céus. Ou seja, o cumprimento dos mandamentos até à mais pequena letra é a garantia do Reino.

aliturgia.com

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Tenho que fazer o caminho da minha vida. Ninguém me livra dessa realidade. Posso fazê-lo sem sabor, sem sentido, sem direção, sem luz, às apalpadelas. Mas posso também encontrar o sabor, o sentido, a direção para o meu caminho e tornar-me sal e luz para outros, se escutar a palavra e nela encontrar os mandamentos de Deus. Posso ser sal e luz se viver e ajudar a viver a palavra de Deus. Posso ser oportunidade para que todos glorifiquem o Pai que está nos céus. Depende de mim unicamente.

aliturgia.com

No Evangelho de hoje (cf. Mt 5, 13-16), Jesus diz aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra [...] Vós sois a luz do mundo» (vv. 13.14). Ele usa uma linguagem simbólica para indicar àqueles que pretendem segui-lo, alguns critérios para viver a presença e o testemunho no mundo.

Primeira imagem: o sal. O sal é o elemento que dá sabor, que conserva e preserva os alimentos contra a corrupção. Portanto, o discípulo é chamado a manter longe da sociedade os perigos, os germes corrosivos que poluem a vida das pessoas. Trata-se de resistir à degradação moral, ao pecado, dando testemunho dos valores da honestidade e da fraternidade, sem ceder às lisonjas mundanas do arrivismo, do poder e da riqueza. É “sal” o discípulo que, não obstante os fracassos diários – porque todos nós os temos – se levanta do pó dos próprios erros, recomeçando com coragem e paciência, todos os dias, a procurar o diálogo e o encontro com os outros. É “sal” o discípulo que não busca o consentimento nem o elogio, mas que se esforça por ser uma presença humilde e construtiva, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir. E há tanta necessidade desta atitude!

A segunda imagem que Jesus propõe aos seus discípulos é a da luz: «Vós sois a luz do mundo». A luz dissipa a escuridão e permite ver. Jesus é a luz que dissipou as trevas, mas elas ainda permanecem no mundo e nas pessoas individualmente. É tarefa do cristão dispersá-las, fazendo resplandecer a luz de Cristo e anunciando o seu Evangelho. Trata-se de uma irradiação que pode derivar até das nossas palavras, mas deve brotar principalmente das nossas «boas obras» (v. 16). Um discípulo e uma comunidade cristã são luz no mundo quando orientam os outros para Deus, ajudando cada um a experimentar a sua bondade e misericórdia. O discípulo de Jesus é luz quando sabe viver a sua fé fora dos espaços restritos, quando contribui para eliminar preconceitos, para eliminar calúnias e para fazer entrar a luz da verdade nas situações corrompidas pela hipocrisia e pela mentira. Fazer luz. Mas não se trata da minha luz, é a luz de Jesus: nós somos instrumentos para que a luz de Jesus chegue a todos.

 Jesus convida-nos a não ter medo de viver no mundo, embora às vezes nele haja condições de conflito e de pecado. Diante da violência, da injustiça e da opressão, o cristão não pode fechar-se em si mesmo, nem esconder-se na segurança do próprio espaço; nem sequer a Igreja pode fechar-se em si mesma, não pode abandonar a sua missão de evangelização e de serviço. Na Última Ceia Jesus pediu ao Pai para não tirar os discípulos do mundo, para os deixar aqui, no mundo, mas para os proteger contra o espírito do mundo. A Igreja dedica-se com generosidade e ternura aos pequeninos e aos pobres: este não é o espírito do mundo, esta é a sua luz, é o sal. A Igreja escuta o grito dos últimos e dos excluídos, porque está consciente de que é uma comunidade peregrina, chamada a prolongar na história a presença salvífica de Jesus Cristo.

Que a Virgem Santa nos ajude a ser sal e luz no meio do povo, levando a todos, com a vida e a palavra, a Boa Nova do amor de Deus.

Papa Francisco

(Angelus, 9 de fevereiro de 2020)

sábado, 13 de junho de 2026

Hoje é dia Santo António

 SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA


Santo António morreu a 13 de junho de 1231, nas proximidades de Pádua, ainda muito jovem, mas já rodeado de grande fama de santidade. A rapidez da sua canonização, ocorrida menos de um ano depois, mostra bem o impacto que teve no coração do povo cristão. Com o passar dos séculos, a sua figura tornou-se uma das mais populares da Igreja, cercada por tradições de devoção, lendas piedosas e expressões culturais profundamente enraizadas. Em Portugal, especialmente em Lisboa, o seu nome associa-se às festas populares de junho, aos manjericos, às marchas e aos casamentos de Santo António; no entanto, a sua popularidade não se explica apenas pelo folclore, mas pela memória viva de um homem que soube unir contemplação, caridade e palavra profética. É também por isso que continua a ser invocado como intercessor dos pobres, das famílias, das mulheres sem recursos para casar, e até de quem procura o que perdeu. Para além dessas tradições, o seu legado maior permanece na proposta de uma vida cristã feita de humildade, fidelidade ao Evangelho e atenção concreta aos mais frágeis. Celebrar Santo António é recordar que a santidade pode ser, ao mesmo tempo, profundamente espiritual e profundamente humana.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

A um português italiano, e a um italiano português, celebra hoje Itália e Portugal. Portugal a Santo António de Lisboa, Itália a Santo António de Pádua. De Lisboa, porque lhe deu o nascimento; de Pádua, porque lhe deu a sepultura… Reparai, diz o evangelista, que António foi luz do mundo. Foi luz do mundo? Não tem logo que se queixar Portugal. Se António não nascera para o Sol, tivera a sepultura onde teve o nascimento; mas como Deus o criou para luz do mundo, nascer numa parte e sepultar-se noutra é obrigação do Sol. Profetizando Malaquias o nascimento de Cristo, diz que nasceria como sol de justiça. E que fez Cristo como sol, e como justo? Como sol mudou os horizontes, como justo deu a cada um o seu. Como sol mudou os horizontes, porque nasceu num lugar e morreu noutro: como justo deu a cada um o seu, porque a Belém honrou com o berço, a Jerusalém com o sepulcro. Assim também Santo António. Se Lisboa foi a aurora do seu oriente, seja Pádua a sepultura do seu ocaso”. (Sermões de Roma, ed. Difel, 2009, p. 189-190).

   Padre António Vieira, "Sermões de Roma" 

sábado, 13 de junho de 2020

DOMINGO XI DO TEMPO COMUM



Hoje, as leituras, que nos são propostas para a liturgia dominical, fazem ligação com a vida do Santo que acabámos de festejar de forma mais interior, do que o habitual, pois os festejos exteriores estavam confinados: Santo António. Nascido em berço nobre, destinado a carreira gloriosa, segundo a visão dos que lhe eram mais próximos, optou por se deixar transformar pela Graça de Deus, procurando outro tipo de “glória”. Foi, de facto, no seu tempo, um verdadeiro missionário do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, pelo seu testemunho de vida e pelo profundo conhecimento das escrituras, espalhou, pelo mundo então conhecido, o Amor infinito de Deus por todos e por cada um, mas preferencialmente pelos mais pobres. Quantas almas não terão chegado ao conhecimento de Deus através do testemunho deste santo!
As leituras de hoje são um apelo ao anúncio vivo, porque vivido no concreto da vida e por isso testemunhado, do Amor, que é Deus, que nos ama infinitamente, a cada um dos que fazem parte da nossa labuta diária.


Na 1ªleitura (Ex 19, 2-6a) Deus envia Moisés com uma missão muito especial: anunciar ao povo eleito, o povo de Israel, que Ele, Deus, continua a Sua relação de Amor com eles, pelo que lhes propõe que, ao longo do caminho, sejam fiéis, que guardem a Sua Aliança e que se deixem amar por Ele. É exatamente isso o que o Senhor nos pede hoje a nós, seres viventes deste séc.XXI, que também queiramos ser amados por Ele, “O Amor” sem fim, entregando-nos de coração, por inteiro, a Ele e só a Ele. 
“Naqueles dias, os filhos de Israel partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam, em frente da montanha. Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe: «Assim falarás à casa de Jacob, isto dirás aos filhos de Israel: ‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’».”


Na 2ªleitura (Rom 5, 6-11) S.Paulo desperta-nos para a dimensão do amor de Deus por cada um de nós. Traz-nos Jesus como Aquele que se dá todo por nós, quando ainda éramos fracos e pecadores. É assim, tal qual somos, imperfeitos, que Jesus nos ama  gratuita e infinitamente, para que n’Ele nos tornemos perfeitos, para que vivamos no Amor. Deixemos que Jesus nos estreite nos seus braços e entreguemo-nos de coração, deixando cair tudo o que d’Ele nos afasta. Se assim fizermos, também nós seremos reconciliados com Deus, e n’Ele  amaremos o nosso próximo. 
“Irmãos: Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconci­liados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.”


No evangelho (Mt 9, 36 – 10, 8) somos desafiados a fazer como os apóstolos, como Santo António e tantos outros santos e santas de Deus: responder sim ao chamamento que Jesus nos faz para anunciarmos com a nossa vida, em tudo o que somos e na forma como vivemos, o Amor infinito de Deus por cada ser criado. 
“Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».”



Santo António roga por nós, para que sejamos fiéis à Graça de Deus que recebemos no Batismo e nos deixemos transformar, pela ação do Espírito Santo, em verdadeiras testemunhas de Jesus vivo e ressuscitado. 
Senhor, a messe é grande e os operários são poucos. Enviai Senhor operários para a vossa messe.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

 FESTA DE SANTO ANTÓNIO

Deus eterno e omnipotente: Vós quisestes que o vosso povo encontrasse em Santo António um grande pregador do Evangelho e um poderoso intercessor. Concedei-nos a graça de pôr em prática os seus  ensinamentos, para que mereçamos tê-lo como guia e protetor em toda a nossa vida. Por Cristo, Senhor nosso. Ámen.

LEITURA I    Sir 39, 8-14 (gr. 6-11) 

Sirac convida-nos a mergulhar mais profundamente na palavra de Deus para alcançar a inteligência que vem do Espírito. O verdadeiro conhecimento vem de Deus e adquire-se na reflexão e meditação das Escrituras. Não é um conhecimento humano nem fundado nas ciências humanas, mas um penetrar no mistério de Deus. A sabedoria divina é útil para ensinar os homens e para louvar a Deus na oração. Aquele que medita a palavra não será esquecido porque a sua vida e as suas palavras se tornam fecundas como chuva e transformam aqueles que o escutam. Estas palavras, tão apropriadas à vida de Santo António, servem-nos de estímulo para continuar na leitura, meditação e aprofundamento da palavra de Deus.

aliturgia.com

Aquele que medita na lei do Altíssimo, se for do agrado do Senhor omnipotente, será cheio do espírito de inteligência. Então ele derramará, como chuva, as suas palavras de sabedoria e na sua oração louvará o Senhor. Adquirirá a retidão do julgamento e da ciência e refletirá nos mistérios de Deus. Fará brilhar a instrução que recebeu e a sua glória estará na lei da aliança do Senhor. Muitos louvarão a sua inteligência, que jamais será esquecida. Não desaparecerá a sua memória e o seu nome viverá de geração em geração. As nações proclamarão a sua sabedoria e a assembleia celebrará os seus louvores. 

EVANGELHO    Mt 5, 13-19

O texto faz parte do Sermão da montanha. Jesus apresenta aos discípulos e às multidões uma nova maneira de viver. A sabedoria de Deus quando atua no homem faz com que veja novas realidades e as deseje com o seu coração. Desta forma o homem torna-se um sinal, sal e luz. Sal que dá sabor ao mundo e luz que indica o caminho. Jesus insiste com os discípulos para que a sua luz brilhe, que não se esconda, mas brilhe no mundo para que se vejam as boas obras e provoquem o louvor. O contrário será arriscar ser o menor no Reino dos Céus. Ou seja, o cumprimento dos mandamentos até à mais pequena letra é a garantia do Reino.

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Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Tenho que fazer o caminho da minha vida. Ninguém me livra dessa realidade. Posso fazê-lo sem sabor, sem sentido, sem direção, sem luz, às apalpadelas. Mas posso também encontrar o sabor, o sentido, a direção para o meu caminho e tornar-me sal e luz para outros, se escutar a palavra e nela encontrar os mandamentos de Deus. Posso ser sal e luz se viver e ajudar a viver a palavra de Deus. Posso ser oportunidade para que todos glorifiquem o Pai que está nos céus. Depende de mim unicamente.

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No Evangelho de hoje (cf. Mt 5, 13-16), Jesus diz aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra [...] Vós sois a luz do mundo» (vv. 13.14). Ele usa uma linguagem simbólica para indicar àqueles que pretendem segui-lo, alguns critérios para viver a presença e o testemunho no mundo.

Primeira imagem: o sal. O sal é o elemento que dá sabor, que conserva e preserva os alimentos contra a corrupção. Portanto, o discípulo é chamado a manter longe da sociedade os perigos, os germes corrosivos que poluem a vida das pessoas. Trata-se de resistir à degradação moral, ao pecado, dando testemunho dos valores da honestidade e da fraternidade, sem ceder às lisonjas mundanas do arrivismo, do poder e da riqueza. É “sal” o discípulo que, não obstante os fracassos diários – porque todos nós os temos – se levanta do pó dos próprios erros, recomeçando com coragem e paciência, todos os dias, a procurar o diálogo e o encontro com os outros. É “sal” o discípulo que não busca o consentimento nem o elogio, mas que se esforça por ser uma presença humilde e construtiva, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir. E há tanta necessidade desta atitude!

A segunda imagem que Jesus propõe aos seus discípulos é a da luz: «Vós sois a luz do mundo». A luz dissipa a escuridão e permite ver. Jesus é a luz que dissipou as trevas, mas elas ainda permanecem no mundo e nas pessoas individualmente. É tarefa do cristão dispersá-las, fazendo resplandecer a luz de Cristo e anunciando o seu Evangelho. Trata-se de uma irradiação que pode derivar até das nossas palavras, mas deve brotar principalmente das nossas «boas obras» (v. 16). Um discípulo e uma comunidade cristã são luz no mundo quando orientam os outros para Deus, ajudando cada um a experimentar a sua bondade e misericórdia. O discípulo de Jesus é luz quando sabe viver a sua fé fora dos espaços restritos, quando contribui para eliminar preconceitos, para eliminar calúnias e para fazer entrar a luz da verdade nas situações corrompidas pela hipocrisia e pela mentira. Fazer luz. Mas não se trata da minha luz, é a luz de Jesus: nós somos instrumentos para que a luz de Jesus chegue a todos.

 Jesus convida-nos a não ter medo de viver no mundo, embora às vezes nele haja condições de conflito e de pecado. Diante da violência, da injustiça e da opressão, o cristão não pode fechar-se em si mesmo, nem esconder-se na segurança do próprio espaço; nem sequer a Igreja pode fechar-se em si mesma, não pode abandonar a sua missão de evangelização e de serviço. Na Última Ceia Jesus pediu ao Pai para não tirar os discípulos do mundo, para os deixar aqui, no mundo, mas para os proteger contra o espírito do mundo. A Igreja dedica-se com generosidade e ternura aos pequeninos e aos pobres: este não é o espírito do mundo, esta é a sua luz, é o sal. A Igreja escuta o grito dos últimos e dos excluídos, porque está consciente de que é uma comunidade peregrina, chamada a prolongar na história a presença salvífica de Jesus Cristo.

Que a Virgem Santa nos ajude a ser sal e luz no meio do povo, levando a todos, com a vida e a palavra, a Boa Nova do amor de Deus.

Papa Francisco

(Angelus, 9 de fevereiro de 2020)

sábado, 13 de junho de 2015

S. António de Lisboa, Doutor da Igreja


Hoje é dia de S.António e em Portugal, como aliás no mundo inteiro, há um carinho imenso por este santo. 


S. António nasceu em Lisboa, em 1195. No batismo, recebeu o nome de Fernando. Em 1210 entrou para os Cónegos Regulares de S. Agostinho, no mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa. Dois anos depois, desejando uma vida mais recolhida, transferiu-se para o Mosteiro de S. Cruz, em Coimbra. Ordenado sacerdote, em 1220, ao ver os restos mortais dos primeiros mártires franciscanos, mortos em Marrocos, sentiu um novo apelo vocacional e mudou-se para a Ordem dos Frades Menores, tomando o nome de António. Em 1221 participou no “Capítulo das Esteiras”, junto à Porciúncula, e viu Francisco de Assis. Depois de alguns anos no escondimento e na oração, começou a pregar com grande sucesso e frutos. Converteu hereges em Itália e em França. Morreu aos 33 anos de idade, perto de Pádua, onde foi sepultado. No dia do Pentecostes de 1232, um ano depois da sua morte, foi canonizado pelo Papa Gregório IX.



Santo António, rogai por nós.

sábado, 12 de junho de 2021

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Hoje é dia de S.António e em Portugal, como aliás no mundo inteiro, há um carinho, uma ternura e uma devoção imensos por este santo, que importa celebrar para procurarmos fazer como ele: entregarmo-nos na totalidade do nosso ser, de coração e alma, a Deus e partilhar tudo o que somos e temos com o nosso próximo.  

S. António nasceu em Lisboa, em 1195. No batismo, recebeu o nome de Fernando. Em 1210 entrou para os Cónegos Regulares de S. Agostinho, no mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa. Dois anos depois, desejando uma vida mais recolhida, transferiu-se para o Mosteiro de S. Cruz, em Coimbra. Ordenado sacerdote, em 1220, ao ver os restos mortais dos primeiros mártires franciscanos, mortos em Marrocos, sentiu um novo apelo vocacional e mudou-se para a Ordem dos Frades Menores, tomando o nome de António. Em 1221 participou no “Capítulo das Esteiras”, junto à Porciúncula, e viu Francisco de Assis. Depois de alguns anos no escondimento e na oração, começou a pregar com grande sucesso e frutos. Converteu hereges em Itália e em França. Morreu, ainda muito novo, perto de Pádua, onde foi sepultado. No dia do Pentecostes de 1232, um ano depois da sua morte, foi canonizado pelo Papa Gregório IX. 

As leituras deste domingo despertam-nos para a necessidade de confiarmos plenamente na presença de Deus em nós. Ainda que a semente seja minúscula, se a deitarmos à terra e a rodearmos dos cuidados necessários, Deus fará com que frutifique. Os frutos não nos pertencem, mas sim ao Senhor da seara. Façamos a nossa parte, depois descansemos e confiemos n’Aquele que é todo Amor, Deus, pois Ele fará sempre o que é melhor para todos e cada um dos Seus filhos, que Ele ama infinitamente.


Na 1ªleitura (Ez 17, 22-24) , Deus anuncia-nos, através do profeta Ezequiel, a vinda do Seu Único Filho, em quem somos convidados a confiar totalmente. E, como sempre, Deus cumpriu a Sua promessa e Jesus veio e continua, ainda hoje (e para sempre), no meio de nós, habita cada coração sincero que se lhe entrega sem reservas. Ele nunca nos deixa sós, se O desejarmos realmente. Se queremos ser verdadeiramente amados, arrisquemos, não temos nada a perder! 

“Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».” 


Na 2ªleitura (2 Cor 5, 6-10) S.Paulo, que todo se entregou ao Senhor, de alma e coração, mostra-nos que, ainda que preferisse ver, no imediato, Deus face a face, põe em primeiro lugar fazer a vontade de Deus e assim continua a sua missão de nos anunciar Deus Amor, vivo e ressuscitado no meio de nós. Aprendamos, deste grande homem, e de tantos outros santos, como por exemplo, Santo António, a confiar totalmente no Amor infinito de Deus, por cada um de nós. 

Irmãos: Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.”


No Evangelho (Mc 4, 26-34) é o próprio Jesus que nos explica, por parábolas, o que é o Reino de Deus e como devemos fazer a nossa parte, semeando, plantado e cuidando da semente, mas confiando sempre no Senhor e deixando Deus ser Deus. Só Ele, que nos ama muito para além do que possamos imaginar, é o Senhor da Vida, só Ele tudo pode, só Ele é o princípio e o fim de todas as coisas, por isso o que é que arriscamos ao descansar n’Ele? Repousemos a nossa cabeça no Seu peito e entreguemo-nos de coração. Deixemos que nos estreite nos Seus braços e nos ame.

“Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.”

Senhor, que eu faça a minha parte e nunca, mas nunca mesmo, duvide do Teu Amor.

domingo, 20 de setembro de 2015

Leitura faseada da carta pastoral, para o próximo biénio, do Bispo de Leiria Fátima (I)
 Carta Pastoral 2015-2017 – No Centenário das Aparições
Maria, Mãe de Ternura e de Misericórdia 
† António Marto
Leria, 15 de setembro de 2015,
Memória de Nossa Senhora das Dores


Caríssimos diocesanos
Irmãs e irmãos no Senhor Jesus

Ao iniciar esta carta de apresentação do percurso pastoral da nossa diocese para o próximo biénio, desejo, antes de mais, saudar-vos fraternalmente no Senhor. Foi bom e belo o percurso destes dois últimos anos dedicados à pastoral familiar, que culminou na grande Festa das Famílias. “A alegria e a beleza de viver em família” à luz da fé tocou muitos corações, despertou entusiasmo, animou grande número de famílias, suscitou dedicação e empenho nas comunidades, abriu e potenciou caminhos de serviço pastoral em relação aos vários âmbitos e situações familiares.
Todo este dinamismo não pode abrandar agora, quando entramos num novo biénio dedicado a Nossa Senhora. Ela foi mulher, esposa, mãe e cuidou da família de Nazaré, vivendo mesmo situações de provação. Por isso, ela é modelo, guia e amparo para as nossas famílias. Uma genuína e sólida espiritualidade mariana é uma forte ajuda para “a alegria e a beleza de viver em família” na companhia de Maria, Mãe de Ternura e de Misericórdia.

sábado, 9 de outubro de 2021

Mensagem para o dia anual da Diocese de Leiria Fátima

 


Um ano Eucarístico e Sinodal

Mensagem para o dia anual da Diocese de Leiria Fátima, 3 de outubro de 2021

Caríssimos Diocesanos,

A todos vós, fiéis leigos, pessoas consagradas e presbíteros:

Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, de Jesus Cristo e do Espírito Santo!

Como é do vosso conhecimento, na nossa Diocese de Leiria-Fátima estamos a viver um triénio pastoral dedicado à “Eucaristia, encontro e comunhão com Cristo e os irmãos”.

Acolhendo o convite do Senhor Ressuscitado para a sua ceia, onde se dá a nós como “o Pão da vida”, empenhamo-nos por “redescobrir a Eucaristia como encontro com Cristo e fonte de vida cristã, desenvolver o sentido comunitário e impulsionar o testemunho e missão na sociedade.

1. Ao encontro de Cristo, “Pão da vida” na Eucaristia

No primeiro domingo de outubro (dia 3), celebramos como é habitual o Dia da Igreja Diocesana. Fazemo-lo no início do segundo ano do referido triénio, centrando-nos na “preparação espiritual e prática da Eucaristia como encontro com Cristo vivo”. Por isso, entre os subsídios e atividades propostas, permito-me recomendar, de modo particular, a prática da leitura orante (lectio divina) da Palavra de Deus para cada domingo e a audição do respetivo podcast, publicados semanalmente, e a utilização das catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia, enriquecidas com textos da Palavra de Deus, orações e elementos pedagógicos, pelo diretor do Serviço Diocesano da Catequese, P. José Henrique Pedrosa. São subsídios importantes que nos ajudam a dar a primazia à Palavra de Deus na vida da Igreja, da família e de cada um de nós e a pôr Jesus Cristo no centro da nossa vida de fé.

2. O Caminho Sinodal em Igreja

Sob o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, o Papa Francisco convocou o Sínodo dos Bispos, com a sua assembleia em 2023. Ele deseja, no entanto, que toda a Igreja seja desde já envolvida no caminho sinodal, pois, segundo as suas palavras, «o caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio». Na sua essência, o processo sinodal, significa o caminhar juntos e em conjunto como povo de Deus em comunhão. Isto implica que todos os fiéis somos corresponsáveis na vida e missão da Igreja através das diversas modalidades de participação. Deve ser, pois, “um evento espiritual de discernimento” através da participação, da escuta uns dos outros, do diálogo, da análise, da avaliação das opções, para assim discernir o que o Espírito Santo sugere à Igreja em ordem à sua missão neste tempo e neste mundo. «Cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo», como diz o Papa.

O processo começa já este ano e a sua abertura, pelo Santo Padre, terá lugar em Roma, no próximo dia 10 de outubro. A nossa Diocese participará também neste caminho sinodal, que, entre nós, terá início com um encontro e celebração, no dia 17 de outubro, na Sé. Está nomeado um responsável, o P. José Augusto Rodrigues, que já constituiu uma equipa de colaboradores, para dinamizar e coordenar a participação diocesana.

3. Celebração do Dia da Diocese a nível paroquial

Por este motivo, não haverá a habitual celebração comum presidida por mim, no dia da Igreja diocesana. Será feita a nível paroquial. Confio aos pastores, especialmente aos párocos, o zelo pastoral para aproveitar as indicações do Departamento diocesano de Liturgia. Esta deverá ser uma oportunidade para tomar consciência mais profunda da nossa pertença à Igreja e dar graças a Deus por esta família. Dela somos membros e nela participamos na missão comum de testemunhar e anunciar o Evangelho do amor de Deus por todos. Neste dia, recolhe-se também o contributo financeiro dos fiéis para o sustentamento da Diocese.

O ano pastoral que agora começa será assim um ano eucarístico e sinodal. Connosco estão os nossos padroeiros, Nossa Senhora de Fátima e S. Agostinho, e os santos Pastorinhos. Sob a sua proteção, caminharemos e cresceremos firmes na fé, na esperança e no amor.

Leiria, 7 de setembro de 2021.

† Cardeal António Marto, Bispo de Leiria-Fátima