sábado, 24 de janeiro de 2015

III Domingo do Tempo Comum


Regra geral a ligação entre a primeira leitura e o evangelho é fácil de perceber, mas na liturgia da palavra deste 3º domingo, senti dificuldades em ver qual era o tema comum. Efetivamente S. Marcos no evangelho continua com a temática do chamamento dos primeiros apóstolos e, na 1ª leitura, o profeta Jonas fala-nos da conversão dos habitantes de Nínive. Então qual a relação entre estas duas leituras?


Na 1ª leitura o apelo à conversão, feito pelo profeta Jonas, foi escutado pelo ninivitas:
"Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno." (Jn 3,1-5.10)



No evangelho é Jesus quem faz esse apelo e são os primeiros apóstolos quem aceita o convite e O segue:
"Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho. 
Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: "Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens". Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. 
Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus. "

S. Mc1,14-20. 
Conclusão: nas duas leituras foi feito apelo à conversão de coração e ambas apresentam respostas positivas. Assim, os que nos precederam na fé, contribuiram para que chegasse até nós a certeza do Amor de Deus por todos e por cada ser humano. Basta abrir o coração e dizer um sim contínuo, verdadeiro e consequente a Deus.


E é sempre assim, quando alguém abre o coração e se deixa atrair pelo Amor de Deus, nada fica igual. Deus todo se dá a quem n'Ele confia e se lhe entrega, sem colocar entraves de qualquer espécie. 
Hoje o Senhor continua a chamar cada um de nós, que recebeu o sacramento do batismo. Lá, no nosso local de trabalho, na nossa família, na comunidade de que fazemos parte, Jesus continua a convidar-nos a dar testemunho do Amor infinito de Deus, por cada uma das suas criaturas. A uns é pedido que deixem tudo para O anunciarem, a outros que permaneçam, mas a entrega pedida é sempre total, para que o Reino cresça e um dia, na plenitude dos tempos, Deus seja tudo em todos.


Dá-nos a graça de sermos sempre fiéis ao batismo, ao chamamento que de Ti recebemos. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015



II Domingo do Tempo Comum


Neste domingo as leituras convidam-nos a escutar o chamamento de Deus. Na 1ª leitura percebemos, através de Samuel (1Sam 3,3b-10.19), que Deus quer encontrar-se com cada um de nós, mas como andamos distraídos, ou demasiado ocupados, não conseguimos escutá-Lo. Só que que Deus nunca desiste, continua a insistir até O identificarmos e, quando o sentimos connosco então deixa-nos livres de optar por Ele. E Samuel escolheu o Senhor!


Na 2º leitura S.Paulo relembra-nos que, quando dizemos sim a Deus, todo o nosso ser fica envolvido nesta resposta. Nada em nós fica separado deste amor, incluindo o nosso corpo. Tudo lhe é entregue, porque ao respondermos a um amor assim, tão grande, tão total, tão único, não há meias entregas, ou nos damos na totalidade, ou então provavelmente não chegou a haver verdadeiro encontro. 



Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: "Eis o Cordeiro de Deus". Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: "Que procurais?". Eles responderam: "Rabi - que quer dizer 'Mestre' - onde moras?". Disse-lhes Jesus: "Vinde ver". Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: "Encontrámos o Messias" - que quer dizer 'Cristo' -; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: "Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas" - que quer dizer 'Pedro'. 

Jo 1,35-42. 
No Evangelho o chamamento que Jesus faz ao primeiros discípulos é contextualizado num momento , num tempo concreto. Também hoje  Jesus continua a chamar na realidade da vida de cada um de nós. Mas o que mais me impressiona em S.João é a forma como o que é chamado se torna ele próprio anunciador da Boa Nova e, pelo seu testemunho, conduz outros a Jesus. Em André e Pedro é visível a ação de Jesus naqueles que lhe respondem "sim".

Senhor, envia sobre mim o Espírito Santo, para que eu Te responda sim, em cada momento da vida.

sábado, 10 de janeiro de 2015

BATISMO DO SENHOR


A liturgia inicia o tempo comum, após as celebrações  do Natal, com o Batismo de Jesus. Depois de festejarmos o nascimento do Menino Deus confirmamos a nossa fé ao contemplarmos o mistério do Batismo do Filho de Deus. Já era santo e imaculado pela sua condição divina, mas quis assumir na totalidade a sua condição humana e, por isso, submeteu-se ao batismo de João Batista, tal como qualquer judeu do seu tempo. E nós beneficiamos desse seu ato de amor, porque, a partir desse momento, n'Ele os céus se abriram e restabeleceu-se a Aliança do Pai com esta humanidade de ontem, de hoje e de sempre. O menino do presépio é agora um jovem e n'Ele Deus continua a manifestar o seu profundo Amor por cada um de nós, seus filhos no Filho. N'Ele Deus vai-se-nos revelando.


Diz  Santo Hipólito de Roma numa das suas homilias (sec.IV) "Vede, bem–amados meus, quão numerosos e importantes bens teríamos perdido se o Senhor tivesse cedido ao convite de João e não tivesse recebido o baptismo. Anteriormente, os céus estavam fechados e a nossa pátria do alto era inacessível; depois de termos descido até ao fundo, já não podíamos voltar às alturas. Mas o Senhor não Se limitou a receber o baptismo: renovou o homem velho (cf Rom 6,6) e confiou-lhe de novo o ceptro da adopção divina; pois de imediato «os céus abriram-se», as realidades visíveis reconciliaram-se com as invisíveis, as hierarquias celestes encheram-se de alegria, os doentes da Terra ficaram curados, e o que estava oculto revelou-se. […] Era preciso abrir a Cristo, o Esposo, as portas da câmara nupcial. Enquanto o Espírito descia sob a forma de uma pomba e a voz do Pai ressoava em toda a parte, era necessário que «se levantassem as portas do céu» (cf Sl 23,7). […]
Peço-vos que me escuteis atentamente […]: vinde, todas as tribos das nações, ao banho da imortalidade! Através desta mensagem de alegria, anuncio-vos a vida, a vós que permaneceis ainda na noite da ignorância. Vinde da servidão para a liberdade, da tirania para a realeza, do que é perecível para o que é imperecível. Quereis saber como chegar? Pela água e pelo Espírito Santo (Jo 3,5). Esta água, que participa no Espírito, rega o paraíso, deleita a terra, fecunda o mundo […], engendra o homem para a vida, fazendo-o renascer; foi nesta água que Cristo foi baptizado e foi sobre ela que desceu o Espírito." 


As leituras deste domingo convergem todas para o batismo de Jesus, daí que hoje opte por selecionar o Evangelho, de entre as 3 leituras e o salmo, pois este testemunha a concretização da promessa do Servo Salvador anunciada na 1ª leitura e o início da ação messiânica de Jesus explicado por S.Pedro na 2ª leitura.

"Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: "Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo".
Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: "Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência". 
Mc 1,7-11


Imagens apresentadas no Evangelho (adaptado das meditações do Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS)

- "Os céus abriram-se": Deus reconcilia o céu e a terra; restabelece-se a Aliança entre os homens e Deus; Deus põe fim ao longo silêncio dos profetas e aproxima-se do povo.
- A "Pomba": Lembra a pomba mensageira de vida e de paz,que pousou sobre a Arca de Noé.
- "A Voz do céu" apresenta e confirma o "Servo" fiel e predileto de Deus. Deus revela-nos Jesus como o Messias...
- Um novo Josué: Tal como Josué, depois de atravessar o Jordão, recebe o Espírito de Deus para conduzir o Povo para a Terra Prometida, assim Jesus recebe no Batismo o Espírito ao sair das águas no Rio Jordão,  para conduzir os homens à verdadeira liberdade, isto é à salvação. 


Senhor, que infundiste em mim o Teu Santo Espírito no dia do meu Batismo, renova no meu coração as promessas que então foram feitas pelos meus pais e padrinhos. Habita-me Senhor e converte-me a Ti.

sábado, 3 de janeiro de 2015

FESTA DA EPIFANIA


Com a celebração do que popularmente chamamos "Dia de Reis" termina o tempo litúrgico do Natal. Diz a tradição que estes reis vieram de muito longe até Belém adorar o Deus Menino. Guiados pela estrela e atraídos pela verdadeira Luz, que é Jesus, estes magos que representam todos os povos,que personificam cada um de nós, numa atitude de fé, reconhecem Deus no bebé deitado na manjedoura e revelam-nos a presença de Deus feito homem no meio de nós. 




Neste domingo, em que Deus se manifesta aos homens, na 1ª leitura (Is 60,1-6) o profeta Isaías anuncia que chegou a Luz a Jerusalém e que sobre esta cidade brilha a glória do Senhor e, por isso,para lá se dirigirão povos de todo o mundo e afluirão as riquezas da terra. Efetivamente que maior tesouro poderia ter esta parte do globo terrestre do que aquele que lhe foi dado por Deus: ser o berço do Seu Único Filho! 




Na 2ª leitura S.Paulo desperta-nos para o facto de, pela ação do Espírito Santo,  termos recebido a graça de conhecer que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, que veio ao Mundo para salvar todos os homens, sejam eles judeus, ou não. Hoje, pela fé, sabemos que somos muito amados por Deus, que nos adotou como filhos no Seu Único Filho.


"Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. 
Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas:
 os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho."

Ef 3,2-3a.5-6


O Evangelho leva-nos a contemplar o presépio e a louvar a Deus pelas maravilhas que fez e continua a fazer em nosso favor. É um Deus que se faz um de nós, sujeito a todas as contingências inerentes à condição humana, mas não deixando nunca de ao mesmo tempo  ser uma das Pessoas da Santíssima Trindade. Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus que veio ao mundo para nos salvar.
Só Deus ama assim desta forma total e infinita, a ponto de dar Seu Filho por nosso amor! Foi este Deus que aprendemos a conhecer com Jesus.




Senhor  eu te louvo e bendigo por nos amares tanto. Bendito sejas hoje e sempre, pelos séculos sem fim.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

SANTA  MARIA, MÃE DE DEUS


Hoje celebramos três  evocações: a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, o primeiro dia do novo ano civil e, a partir de 1968, o Dia Mundial da Paz, em que o papa Paulo VI propôs que neste dia se rezasse pela paz no mundo. 



No início do ano de 2015, na 1ªleitura começamos por invocar e receber as bênçãos de Deus para o novo ano: 

"O Senhor disse a Moisés: Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo:'O Senhor te abençoe e te proteja.O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável.O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz'.Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e Eu os abençoarei."
Nm 6,22-27


Na solenidade de Maria, Mãe de Deus, somos convidados a contemplar Aquela que toda se entregou ao projeto amoroso de Deus em  favor desta humanidade: o envio ao mundo do Seu próprio Filho para redenção do Homem. N'Ele todos e cada um de nós já não é escravo, mas  filho de Deus, como nos diz S.Paulo na 2ªleitura (Gl 4,4-7)


O Evangelho (Lc 2, 16-21.) coloca-nos no presépio e na continuação da contemplação do mistério do Menino Deus. Revemo-nos nos pastores que vão visitar o menino que nasceu e saem louvando a Deus pelas maravilhas que n'Ele identificam, como sendo as que lhes foram anunciadas. São os primeiros anunciadores da boa nova! Surpreendemo-nos com a atitude da Mãe, que guardava no seu coração todos os acontecimento misteriosos que vivia e presenciava. Oramos com  José e Maria, todos entregues a Deus, que em silêncio meditavam e interiorizavam o mistério do nascimento do Salvador: "O Verbo fez-se carne e habitou entre nós".


"O Senhor nos abençoe e nos proteja.O Senhor faça brilhar sobre nós a sua face e nos seja favorável.O Senhor volte para nós os seus olhos e nos conceda a paz". Amen