sábado, 17 de fevereiro de 2018

I DOMINGO DA QUARESMA


Iniciámos o tempo quaresmal na passada 4ªfeira, com a celebração da imposição das cinzas, que nos introduz no tempo favorável, na época da salvação, com um convite muito forte à conversão, à renovação interior e à solidariedade para com todos, principalmente para com os mais frágeis e desprezados, marginalizados e doentes.


As leituras de hoje continuam a chamar-nos à conversão de coração, introduzindo-nos numa caminhada espiritual que, ao longo dos próximos 40 dias, tem como objetivo a preparação para a grande festa da Páscoa, a nossa festa maior, em que Jesus vence a morte e nos abre, pelo Seu Santo Espírito, a mente e o coração, ao Amor infinito de Deus por cada um de nós. Como Deus nos ama! Bendito e louvado seja Deus, hoje e sempre, pelos séculos sem fim!


Na 1ªleitura (Gen 9, 8-15) percebemos que, desde sempre, Deus quis fazer “Aliança” com o ser humano e, por Jesus, Seu Único e Amado Filho, Ele concluiu-a, de uma vez para sempre, fazendo-se um com toda a humanidade e, ao mesmo tempo, com cada um. Com Noé e o dilúvio, somos projetados para o nosso batismo, a partir do qual  recebemos o Espírito Santo, que nos dá a vida em Deus, que nos habita e nos faz filhos no Filho. O Amor de Deus, por cada um de nós, vem de longe, de muito longe, de onde ainda nenhum de nós existia… a não ser no pensamento de Deus.


Na 2ªleitura (1 Pedro 3, 18-22) S.Pedro ajuda-nos a entender melhor a primeira (Gen 9, 8-15) e assegura-nos que, se por ocasião do dilúvio, no tempo de Noé, se salvaram apenas oito pessoas, no batismo em Jesus Cristo, que ressuscitou e está à direita do Pai, toda a humanidade foi salva.
"Caríssimos: Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito. Foi por este Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte e tinham sido outrora rebeldes, quando, nos dias de Noé, Deus esperava com paciência, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, oito apenas, se salvaram através da água. Esta água é figura do Baptismo que agora vos salva, que não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso para com Deus de uma boa consciência; ele vos salva pela ressurreição de Jesus Cristo, que subiu ao Céu e está à direita de Deus, tendo sob o seu domínio os Anjos, as Dominações e as Potestades." 
1 Pedro 3, 18-22 



No evangelho (Mc 1, 12-15) Jesus, depois do Seu Batismo e de vencer as Tentações, inicia a Sua vida pública anunciando o Reino de Deus e apelando ao arrependimento  e à conversão.«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». 
Escutemos o apelo de Jesus, entreguemos-Lhe tudo o que temos e somos, deixando-nos amar por Ele. 


Senhor, que o meu coração acolha a Tua Palavra e se deixe converter por Ti.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018



O tempo de Quaresma é propício para corrigir os acordes dissonantes da nossa vida cristã e acolher a notícia sempre nova, feliz e esperançosa da Páscoa do Senhor. Na sua sabedoria materna, a Igreja propõe-nos prestar especial atenção a tudo o que possa arrefecer e oxidar o nosso coração crente.
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO 
PARA A QUARESMA DE 2018

«Porque se multiplicará a iniquidade,
vai resfriar o amor de muitos» (Mt 24, 12)


Amados irmãos e irmãs!
Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão»,que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.
Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12).

Mensagem do bispo de Leiria-Fátima para a Quaresma

Igreja em caminho rumo ao fogo da Páscoa

Mensagem do Bispo Diocesano para a Quaresma de 2018

Igreja em caminho
rumo ao fogo da Páscoa
† António Marto
Leiria, 9 de fevereiro de 2018

No próximo dia 14 de fevereiro vamos iniciar a caminhada da Quaresma rumo ao fogo da Páscoa. Não entraremos em 40 dias de tristeza e de austeridade. Ao contrário, é uma bela ocasião para um renascimento espiritual, pessoal, familiar e social. Em verdade, não nos põe fora do mundo. Antes, mergulha-nos no coração do mundo para que estejamos aí presentes à maneira de Jesus Cristo.
Nesta perspetiva, o Papa Francisco convida-nos a viver este tempo com alegria e verdade, deixando-nos inspirar pela afirmação de Jesus: “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12). É uma advertência forte e atual que leva o Papa a interrogar: “Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?”.

O vírus do resfriamento do amor nos corações e nas relações
De facto, nas páginas dos jornais e nos écrans da televisão é-nos mostrada até à saciedade a difusão da iniquidade sob as mais variadas formas de violência, de injustiça, de pobreza imerecida, de desonestidade e corrupção, de solidão. São sintomas de um vazio espiritual, de uma mentalidade de indiferença em relação a Deus e ao outro. Esta indiferença é um vírus que contagia perigosamente o nosso tempo e ameaça resfriar o amor nos corações e nas relações, até se perder o sentido de humanidade comum e solidária. O Papa aponta os sinais mais evidentes desta falta de amor nas comunidades: “são eles a apatia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário”.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM
-Dia Mundial do Doente-


Hoje celebra-se o XXVI Dia Mundial do Doente na Igreja e o Papa Francisco, na sua mensagem,  centra-o  na Cruz, mas na sua dimensão dinâmica de evangelização e de encontro entre a Mãe “Maria” e os seus filhos muito amados : Mater Ecclesiae: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua» (Jo 19, 26-27). É, pois nos braços da Nossa Mãe, Mãe da Igreja, que estreitamos o nosso coração, pedindo-lhe a Sua bênção e que nos conduza ao Seu Filho. Senhora da Saúde, rogai por nós!


As leituras, deste domingo, continuam a conduzir-nos pelos caminhos duros da vida. Hoje a dimensão do sofrimento apresentada é a dos excluídos, devido à lepra, seja qual for a forma exterior de que esta se revista. Sim, porque na sociedade, dos nossos dias, sofremos de muitos modos de exclusão, de marginalização, de “putrefação”, ou de esquecimento e afastamento, ou seja, de tantas formas de “lepra”. Querida Mãe vela e intercede por nós!


Na 1ªleitura (Lev 13, 1-2.44-46) percebemos como a lei, em nome de um bem maior, acaba por, na sua aplicação ser tão desumana. Felizmente Jesus consegue sobrepor o Amor, à letra da lei. Quando os homens, a legislar, se esquecem de que também são seres humanos, aqueles a quem a lei se destina, podem cometer grandes atentados à dignidade humana. "O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’. Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento»."


 Na 2ªleitura (1 Cor 10, 31 – 11, 1)  S.Paulo convida-nos a fazer tudo para glória de Deus, tal como ele fez.“Irmãos: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”






No evangelho, vemos, uma vez mais, o agir de Deus. Jesus revela-nos o Pai: primeiro escuta o pedido do leproso, ou melhor, escuta o homem que suplica. Nunca fica indiferente perante aquele que se lhe dirige de “coração nas mãos”. Depois, é a confiança, a fé de quem reconhece que Jesus é o Senhor da Vida. Por fim, é o Amor misericordioso de Deus que Jesus nos traz, que com toda a ternura e carinho lhe diz “Quero, fica limpo”. Como ficar calado, quando se sentiu totalmente amado em Deus! Por certo, o seu coração não conseguia conter tanta alegria e felicidade. É assim que somos convidados a anunciar o Amor de Deus, com este entusiasmo e alegria que brota de um coração que se sente amado por Deus, sejam quais forem os caminhos por onde andarmos.
"Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte."
Mc 1, 40-45


Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Mãe da Igreja, rogai por nós.
Saúde dos enfermos, rogai por nós.