sábado, 13 de dezembro de 2014

III DOMINGO DO ADVENTO

Na caminhada para o Natal este é um domingo especial, pois, embora ainda em tempo de arrependimento e conversão, como preparação para o grande dia que celebraremos a 25 de dezembro, somos convidados a: alegrarmo-nos na luz que brilhará mais nesse dia, fazer festa,  antecipar a alegria de podermos viver aqui e agora o acontecimento único da manifestação de Deus aos homens. Alegremo-nos sempre porque Jesus já resplandece em nós, porque Jesus, o Filho Único de Deus, já veio, já nos habita e é, em cada um de nós, essa alegria profunda do Amor infinito de Deus por toda a Humanidade. 
Todas as leituras, incluindo o salmo responsorial, conduzem-nos a esta vivência na verdadeira alegria do nascimento do Menino Deus.  


Na 1ª leitura  (Is 61,1-2ª.10-11) o profeta Isaías, mensageiro da esperança, ao anunciar a salvação prometida por Deus, suscita no povo, regressado do exílio e ainda desanimado, uma verdadeira manifestação de alegria, louvor e agradecimento ao Senhor que os libertou e é a sua esperança numa nova vida.


Na 2º leitura S. Paulo exorta-nos a sermos alegres (1Ts 5,16-24). Depois explica-nos que a alegria vem do Espírito Santo "Não apagueis o Espírito...", assenta na oração "rezai sem cessar"e testemunha-se numa vida moral irrepreensível.


O Evangelho faz-nos escutar com muita atenção S.João Batista, pois tudo o que diz tem uma finalidade bem clara que é conduzir-nos à razão de ser da nossa alegria: Jesus, o Filho de Deus. E todos sabemos que não se poupa a esforços para anunciar a todos que Ele já veio, já vive entre nós e batiza no Espírito Santo!
"Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?». Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». «És o Profeta?».Ele respondeu: «Não». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?». «Não sou», respondeu ele. Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?». Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque batizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes: «Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia,
além do Jordão, onde João estava a batizar."
Jo 1,6-8.19-28


Senhor, envia sobre mim o Teus Santo e Divino Espírito. Só em Ti a alegria das festas que se aproximam será verdadeira!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM 

SANTA MARIA 



Se o Senhor veio ao meio dos homens, se Ele vem ainda, é por meio de Maria. N’Ela se cumpre, na verdade, o mistério do Advento.Mais do que qualquer outro tempo do Ano Litúrgico, o Advento é tempo de Maria, pois é nele que A vemos em mais íntima relação com o Seu filho, ao Qual está unida «por vínculo estreito e indissolúvel» (LG. 53).
Embora, na sua origem e no seu princípio, a Solenidade da Imaculada Conceição, que vem do século XI, não nos apareça em ligação com o Advento, contudo ela é uma verdadeira festa do Advento. Ela é a aurora que precede, anuncia e traz em si o Dia novo, que está para surgir no Natal.
Enaltecendo a Virgem Maria, esta Solenidade, em vez de nos desviar do Mistério de Cristo, leva-nos, pelo contrário, a exaltar a obra da Redenção, ao apresentar-nos Aquela que foi a primeira a beneficiar dos seus frutos, tornando-se a imagem e o modelo segundo o qual Deus quer refazer o rosto da Humanidade, desfigurado pelo pecado.
Assim como na aurora se projecta a luz do sol, de cujos raios ela tira a vida, assim em Maria Imaculada se reflecte o poder do Salvador que está para vir: a Seus méritos Ela deve, com efeito, o ter sido «remida de modo mais sublime» (LG. 53).Festa de Advento, a Solenidade da Imaculada Conceição constitui uma bela preparação para o Natal.

Secretariado Nacional de Liturgia


«Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria.Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo:«Como será isto, se eu não conheço homem?».O Anjo respondeu-lhe:«O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:«Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

 Lc 1, 26-38

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres». Mãe Santíssima, rogai por nós.
II DOMINGO DO ADVENTO

Chegámos à 2ª semana do Advento e começamo-la com um dia santo extremamente significativo: a festa da Imaculada Conceição. Nesta altura, em que esperamos a vinda do Menino Deus, esta solenidade tem um significado especial. Mas, centremo-nos nas leituras deste domingo.


Na 1ª Leitura (Is 40,1-5.9-11),Isaías "consola" os exilados na Babilónia: anuncia o perdão de Deus e um novo caminho de vida e salvação, com o regresso do povo à pátria.Será um novo Êxodo, uma nova caminhada espiritual, durante a qual eles poderão fazer uma nova experiência do amor e da bondade de Deus e redescobrir os caminhos da Comunhão e da Aliança.


Na 2ª Leitura S. Pedro aponta para a Parusia, a segunda vinda de Jesus, despertando-nos para a forma como devemos preparar esse momento: "vigilantes": Vivendo no dia a dia de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. (2 Pd 3,8-14) Esta Vinda dá uma perspetiva diferente à nossa vida: Temos um futuro a conquistar já nesta terra.


No Evangelho, S. João Batista aponta o caminho para acolher o Messias Libertador (Mc 1,1-8) e dá-nos A "Boa Notícia" que começa com um grande chamamento à conversão: Deus já voltou seu coração para nós, resta-nos "voltar" o nosso para ele. Denuncia o pecado,anuncia o perdão e dispõe o homem a converter-se... 
O Sacramento da Penitência é um gesto que manifesta a vontade de conversão e a esperança dos tempos novos. É um encontro privilegiado com o Deus que salva e perdoa.
                                                                                                           Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS

"Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: 
«Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. 
Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». 
Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados. 
Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 
João vestia-se de pelos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 
E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 
Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo» 
(Mc 1,1-8)
 

Senhor, Pai Santo concede-me o dom da conversão.

sábado, 29 de novembro de 2014


I DOMINGO DO ADVENTO - Ano B

E cá estamos numa nova etapa da nossa vida, mas sem fazermos compartimentos estanques, afinal no último domingo o Senhor dizia-nos para vigiarmos e hoje faz o mesmo. Mas a realidade é mesmo esta, iniciamos hoje um novo Ano Ano Litúrgico, o ano B. E começamo-lo com o tempo do Advento. É um tempo favorável que o Senhor nos dá, para nos aproximarmos mais d'Ele e desta vez através da ternura do Menino Deus. É o Filho de Deus que, dia a dia ,nos vais desafiando a abrir o coração de par em par a Deus, que é sempre fiel ao amor infinito que nutre por cada um de nós. 
Este é verdadeiramente um tempo de conversão e de esperança, como nos diz Isaías na 1ª leitura (Isaías 63,16b-17.19b.64,2b-7), quando afirma "Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. " ..."Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai, e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos. "


S. Paulo  na 1ª Carta aos Coríntios 1,3-9. escreve também na mesma linha e termina de uma forma linda ao dizer:"Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor." Sim , Deus é sempre fiel a este grande amor que nos tem e, por isso é que o caminho de conversão e vigilância que nos é proposto tem sentido e vale mesmo a pena esperar pela manifestação de Deus n'Aquele que já tendo nascido, de novo renasce no mais íntimo de cada um de nós. Só neste Menino o mistério profundo de Deus enamorado de cada homem se vai revelando! Que esta certeza, de ser amado assim por Deus, chegue ao coração de todos os homens, em todos os lugares desta aldeia global, que é hoje o mundo.


"Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tomai cuidado, vigiai, pois não sabeis quando chegará esse momento.  Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 

O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!" 

Mc 13,33-37
Vigiemos, pois, é o Senhor que no-lo pede! Assim o nosso coração estará sempre pronto para O receber.








Jesus Menino, eu te peço que me ensines a abrir sempre o meu coração ao Pai, a deixar-me habitar por Ele em cada momento e a confiar totalmente n'Ele. Mãe ajuda-me a estar vigilante. 

domingo, 23 de novembro de 2014

XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM 
Solenidade de Cristo Rei


Chegámos ao último domingo do "ano litúrgico A". A Igreja escolheu a festa de Cristo Rei para terminar este ano.Só em Jesus tudo ganha um sentido novo. 
Disse o nosso pároco na missa que esta é uma festa com raízes muito especiais em Portugal, que se manifestaram mais claramente na construção do Santuário de Cristo Rei em Almada. Embora a sua construção tenha decorrido num tempo especial da nossa história, a existência e manutenção deste santuário testemunha a devoção e carinho de todo um povo ao Coração de Jesus:


"Cristo continua a abraçar o nosso país, a tê-lo no Seu Coração, numa atitude de acolhimento infinito, de perdão incondicional. A imagem de Cristo Rei, para além de recordar este lado humano e divino de Deus, chama todos os homens a um compromisso de paz e de amor. Tal como Deus usou de misericórdia para connosco, assim devemos nós fazer para com os demais. Construir o Santuário espiritual é a tarefa que temos pela frente, com as celebrações dos 50 anos queremos relançar os grandes princípios que estiveram na sua origem, adaptados ao mundo actual. Nos últimos anos temos dado alguns passos neste sentido, pequenos, mas suficientes para afirmarmos aos nossos visitantes que Cristo Rei não é um miradouro mas um Santuário, que para além de ser uma resposta da fidelidade de Portugal ao Céu, é sinal de que Deus a todos quer chegar com o Seu abraço e a todos quer amar com o Seu Coração. O trabalho a realizar é longo, as dificuldades estão à vista, mas desistir deste grande objectivo nunca." 
Pe. Sezinando Luis Felicidade Alberto -  http://www.cristorei.pt/dynamicdata/Cinquentenario.aspx

As leituras de hoje falam-nos do Reino de Deus, como uma realidade que Jesus semeou e que os seus discípulos são chamados a levar a todas as épocas e espaços, atingindo o seu tempo definitivo no mundo que há de vir.

"Eis o que diz o Senhor Deus: "Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas e me interessarei por elas. Como o pastor se preocupa com o seu rebanho, quando se encontra entre as ovelhas dispersas, assim me preocuparei Eu com o meu. Reconduzi-lo-ei de todas as partes por onde tenha sido disperso, num dia de nuvens e de trevas. Sou Eu que apascentarei as minhas ovelhas, sou Eu quem as fará descansar - oráculo do Senhor DEUS. Procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei a que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça." "Quanto a vós, minhas ovelhas, assim fala o Senhor DEUS: Eis que vou julgar entre ovelhas e ovelhas - entre carneiros e bodes." 

Ez 34, 11-12.15-17

Na primeira leitura o profeta Ezequiel revela-nos Deus como um Rei Pastor totalmente dedicado ao bem das suas ovelhas. 


Na segunda leitura (1Cor 15,20-26.28) S. Paulo fala-nos de um Rei soberano vencedor da morte e do pecado. Verdadeiramente o Senhor é rei num trono de glória muito diferente do habitual: a Cruz. Aí Ele é o Rei.


No Evangelho é-nos apresentado, através da parábola do "Filho do Homem", o Rei como um juíz que separa os justos dos injustos. Ele não julga nem condena ninguém, cada um de nós é que será colocado num ou noutro lado, consoante realiza ou não as obras de Misericórdia, que o Senhor usa como critério de distinção entre uns e outros!


Senhor, que eu não passe ao lado, indiferente ao sofrimento do meu irmão, mas abra o meu coração e responda de acordo com a Tua vontade.                                                    

domingo, 16 de novembro de 2014

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM


Estamos quase no fim do tempo comum, o que quer dizer que muito em breve iniciaremos um novo ano litúrgico. Ao aproximar-se o fim desta caminhada ao longo do ano A, Jesus vai-nos preparando para predispormos o nosso coração e o abrirmos ao Senhor que virá. Só n'Ele e em Igreja, sob a ação do Espírito Santo, faremos frutificar os dons que nos deu e continua a dar, para crescimento do Seu Reino.
A 1ª leitura fala-nos da verdadeira felicidade, daqueles que vivem apoiados no Senhor e apresenta-nos imagens lindas da mulher que tem a sua vida centrada em Deus . Sim, quem assim vive faz render tudo o que recebe do Criador, em suma, é feliz e espalha a felicidade em seu redor.


"Quem poderá encontrar uma mulher virtuosa? O seu valor é maior que o das pérolas. Nela confia o coração do marido, e jamais lhe falta coisa alguma. Ela dá-lhe bem-estar e não desventura,em todos os dias da sua vida. Procura obter lã e linho e põe mãos ao trabalho alegremente. Toma a roca em suas mãos, seus dedos manejam o fuso. Abre as mãos ao pobre e estende os braços ao indigente. A graça é enganadora e vã a beleza; a mulher que teme o Senhor é que será louvada. Dai-lhe o fruto das suas mãos, e suas obras a louvem às portas da cidade."
                                                                                                     Prov 31,10-13.19-20.30-31

S.Paulo, na 2ª leitura 1Ts 5,1-6 fala  da 2ª vinda do Senhor e de como devemos esperar e preparar esse momento: vigilantes e sóbrios na presença do Senhor.
               
           
No Evangelho Jesus conta-nos uma parábola que se destina também a todos nós hoje. Nela "o "Senhor" representa Jesus, que antes de deixar este mundo,para viajar de volta ao Pai, deixou os seus "Bens" aos discípulos; os Talentos são os "bens" que Jesus deixou na sua Igreja: o Evangelho, a sua mensagem de salvação; o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos, o seu amor pelos pobres, a sua atenção para os doentes...; os Servos, depositários desses bens,são os discípulos de Jesus, somos todos nós, que devemos produzir na medida de nossas possibilidades..." Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS

A ninguém Deus pede mais do que aquilo que pode dar e a todos recompensa com um amor igualmente infinito, como só Deus é, Amor que se dá continuamente.

Senhor ilumina-me, para que eu ponha os talentos que me deste a render a cem por cento.

domingo, 9 de novembro de 2014

XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Festa da Dedicação da Basílica de 
S. João de Latrão


Hoje estamos mais em união com o Santo Padre, pois celebramos a festa da Igreja Mãe de todas as igrejas do mundo, uma vez que S.João de Latrão é a catedral do papa, como bispo de Roma. Esta festa  convida-nos a tomar consciência de que a Igreja, simbolizada e representada pela Basílica de S.João de Latrão, é hoje, no meio do mundo, a morada de Deus, o testemunho vivo da caminhada de Deus no meio dos homens.





"Irmãos: Vós sois o edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica,  pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. 
Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 
Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós."
 
1ª Cor 3,9-11.16-17. 

Homilia retirada do site http://santuariodefatima.org.br/ :

"Esta solenidade traz-nos à mente e ao coração três aspetos da nossa fé:
Primeiro - Todo o templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo: ele, no seu corpo ressuscitado, é o verdadeiro templo, do qual o Templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei… Mas Jesus estava a falar do templo do seu corpo”. É do corpo ressuscitado do Senhor, verdadeiro templo, que brota a água da vida, a água, que é símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo… Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio crescerá toda espécie de árvores frutíferas… que servirão de alimento e as suas folhas serão remédio”. A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito de Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que nele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância! Por tudo isso, veneramos e respeitamos os nossos templos: eles são imagem do próprio corpo ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, todas as igrejas são dedicadas a Deus, como Cristo, que foi todo consagrado ao Pai.
Segundo - A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!” Os nossos templos são chamados “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. A Igreja somos nós, a Igreja é cada um de nós, chamados a assumir a nossa parte na edificação do Reino de Deus. Na Igreja, não somos espetadores; somos atores, somos participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo Batismo, que nos fez membros do Corpo de Cristo e, em cada Eucaristia, vamo-nos tornando sempre mais corpo de Cristo, até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!
Terceiro - A Basílica do Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da Cidade e do mundo”. Compreendamos! A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside a todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as Igrejas da terra. Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna da máxima beatitude, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”... O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro! Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Francisco. Convida-nos a estreitar os nossos laços com Roma e com o Papa, a retomar a nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja. Num mundo tão complexo, com tantas ideias, opiniões e modas, num cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade, sem nenhum enraizamento na Tradição Apostólica, difundindo-se pela força do dinheiro e com a conivência dos meios de comunicação, ávidos de lucro, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados – num mundo assim, reafirmemos a nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e o seu Bispo, a quem Cristo entregou de modo particular as chaves do Reino e deu a missão de confirmar na fé os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estarmos naquela comunhão que Cristo sonhou para a sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.

Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amén."

Fonte : http://santuariodefatima.org.br/dedicacao-da-basilica-de-latrao-2.html