domingo, 23 de Novembro de 2014

XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM 
Solenidade de Cristo Rei


Chegámos ao último domingo do "ano litúrgico A". A Igreja escolheu a festa de Cristo Rei para terminar este ano.Só em Jesus tudo ganha um sentido novo. 
Disse o nosso pároco na missa que esta é uma festa com raízes muito especiais em Portugal, que se manifestaram mais claramente na construção do Santuário de Cristo Rei em Almada. Embora a sua construção tenha decorrido num tempo especial da nossa história, a existência e manutenção deste santuário testemunha a devoção e carinho de todo um povo ao Coração de Jesus:


"Cristo continua a abraçar o nosso país, a tê-lo no Seu Coração, numa atitude de acolhimento infinito, de perdão incondicional. A imagem de Cristo Rei, para além de recordar este lado humano e divino de Deus, chama todos os homens a um compromisso de paz e de amor. Tal como Deus usou de misericórdia para connosco, assim devemos nós fazer para com os demais. Construir o Santuário espiritual é a tarefa que temos pela frente, com as celebrações dos 50 anos queremos relançar os grandes princípios que estiveram na sua origem, adaptados ao mundo actual. Nos últimos anos temos dado alguns passos neste sentido, pequenos, mas suficientes para afirmarmos aos nossos visitantes que Cristo Rei não é um miradouro mas um Santuário, que para além de ser uma resposta da fidelidade de Portugal ao Céu, é sinal de que Deus a todos quer chegar com o Seu abraço e a todos quer amar com o Seu Coração. O trabalho a realizar é longo, as dificuldades estão à vista, mas desistir deste grande objectivo nunca." 
Pe. Sezinando Luis Felicidade Alberto -  http://www.cristorei.pt/dynamicdata/Cinquentenario.aspx

As leituras de hoje falam-nos do Reino de Deus, como uma realidade que Jesus semeou e que os seus discípulos são chamados a levar a todas as épocas e espaços, atingindo o seu tempo definitivo no mundo que há de vir.

"Eis o que diz o Senhor Deus: "Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas e me interessarei por elas. Como o pastor se preocupa com o seu rebanho, quando se encontra entre as ovelhas dispersas, assim me preocuparei Eu com o meu. Reconduzi-lo-ei de todas as partes por onde tenha sido disperso, num dia de nuvens e de trevas. Sou Eu que apascentarei as minhas ovelhas, sou Eu quem as fará descansar - oráculo do Senhor DEUS. Procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei a que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça." "Quanto a vós, minhas ovelhas, assim fala o Senhor DEUS: Eis que vou julgar entre ovelhas e ovelhas - entre carneiros e bodes." 

Ez 34, 11-12.15-17

Na primeira leitura o profeta Ezequiel revela-nos Deus como um Rei Pastor totalmente dedicado ao bem das suas ovelhas. 


Na segunda leitura (1Cor 15,20-26.28) S. Paulo fala-nos de um Rei soberano vencedor da morte e do pecado. Verdadeiramente o Senhor é rei num trono de glória muito diferente do habitual: a Cruz. Aí Ele é o Rei.


No Evangelho é-nos apresentado, através da parábola do "Filho do Homem", o Rei como um juíz que separa os justos dos injustos. Ele não julga nem condena ninguém, cada um de nós é que será colocado num ou noutro lado, consoante realiza ou não as obras de Misericórdia, que o Senhor usa como critério de distinção entre uns e outros!


Senhor, que eu não passe ao lado, indiferente ao sofrimento do meu irmão, mas abra o meu coração e responda de acordo com a Tua vontade.                                                    

domingo, 16 de Novembro de 2014

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM


Estamos quase no fim do tempo comum, o que quer dizer que muito em breve iniciaremos um novo ano litúrgico. Ao aproximar-se o fim desta caminhada ao longo do ano A, Jesus vai-nos preparando para predispormos o nosso coração e o abrirmos ao Senhor que virá. Só n'Ele e em Igreja, sob a ação do Espírito Santo, faremos frutificar os dons que nos deu e continua a dar, para crescimento do Seu Reino.
A 1ª leitura fala-nos da verdadeira felicidade, daqueles que vivem apoiados no Senhor e apresenta-nos imagens lindas da mulher que tem a sua vida centrada em Deus . Sim, quem assim vive faz render tudo o que recebe do Criador, em suma, é feliz e espalha a felicidade em seu redor.


"Quem poderá encontrar uma mulher virtuosa? O seu valor é maior que o das pérolas. Nela confia o coração do marido, e jamais lhe falta coisa alguma. Ela dá-lhe bem-estar e não desventura,em todos os dias da sua vida. Procura obter lã e linho e põe mãos ao trabalho alegremente. Toma a roca em suas mãos, seus dedos manejam o fuso. Abre as mãos ao pobre e estende os braços ao indigente. A graça é enganadora e vã a beleza; a mulher que teme o Senhor é que será louvada. Dai-lhe o fruto das suas mãos, e suas obras a louvem às portas da cidade."
                                                                                                     Prov 31,10-13.19-20.30-31

S.Paulo, na 2ª leitura 1Ts 5,1-6 fala  da 2ª vinda do Senhor e de como devemos esperar e preparar esse momento: vigilantes e sóbrios na presença do Senhor.
               
           
No Evangelho Jesus conta-nos uma parábola que se destina também a todos nós hoje. Nela "o "Senhor" representa Jesus, que antes de deixar este mundo,para viajar de volta ao Pai, deixou os seus "Bens" aos discípulos; os Talentos são os "bens" que Jesus deixou na sua Igreja: o Evangelho, a sua mensagem de salvação; o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos, o seu amor pelos pobres, a sua atenção para os doentes...; os Servos, depositários desses bens,são os discípulos de Jesus, somos todos nós, que devemos produzir na medida de nossas possibilidades..." Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS

A ninguém Deus pede mais do que aquilo que pode dar e a todos recompensa com um amor igualmente infinito, como só Deus é, Amor que se dá continuamente.

Senhor ilumina-me, para que eu ponha os talentos que me deste a render a cem por cento.

domingo, 9 de Novembro de 2014

XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Festa da Dedicação da Basílica de 
S. João de Latrão


Hoje estamos mais em união com o Santo Padre, pois celebramos a festa da Igreja Mãe de todas as igrejas do mundo, uma vez que S.João de Latrão é a catedral do papa, como bispo de Roma. Esta festa  convida-nos a tomar consciência de que a Igreja, simbolizada e representada pela Basílica de S.João de Latrão, é hoje, no meio do mundo, a morada de Deus, o testemunho vivo da caminhada de Deus no meio dos homens.





"Irmãos: Vós sois o edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica,  pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. 
Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 
Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós."
 
1ª Cor 3,9-11.16-17. 

Homilia retirada do site http://santuariodefatima.org.br/ :

"Esta solenidade traz-nos à mente e ao coração três aspetos da nossa fé:
Primeiro - Todo o templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo: ele, no seu corpo ressuscitado, é o verdadeiro templo, do qual o Templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei… Mas Jesus estava a falar do templo do seu corpo”. É do corpo ressuscitado do Senhor, verdadeiro templo, que brota a água da vida, a água, que é símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo… Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio crescerá toda espécie de árvores frutíferas… que servirão de alimento e as suas folhas serão remédio”. A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito de Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que nele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância! Por tudo isso, veneramos e respeitamos os nossos templos: eles são imagem do próprio corpo ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, todas as igrejas são dedicadas a Deus, como Cristo, que foi todo consagrado ao Pai.
Segundo - A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!” Os nossos templos são chamados “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. A Igreja somos nós, a Igreja é cada um de nós, chamados a assumir a nossa parte na edificação do Reino de Deus. Na Igreja, não somos espetadores; somos atores, somos participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo Batismo, que nos fez membros do Corpo de Cristo e, em cada Eucaristia, vamo-nos tornando sempre mais corpo de Cristo, até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!
Terceiro - A Basílica do Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da Cidade e do mundo”. Compreendamos! A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside a todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as Igrejas da terra. Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna da máxima beatitude, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”... O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro! Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Francisco. Convida-nos a estreitar os nossos laços com Roma e com o Papa, a retomar a nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja. Num mundo tão complexo, com tantas ideias, opiniões e modas, num cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade, sem nenhum enraizamento na Tradição Apostólica, difundindo-se pela força do dinheiro e com a conivência dos meios de comunicação, ávidos de lucro, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados – num mundo assim, reafirmemos a nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e o seu Bispo, a quem Cristo entregou de modo particular as chaves do Reino e deu a missão de confirmar na fé os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estarmos naquela comunhão que Cristo sonhou para a sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.

Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amén."

Fonte : http://santuariodefatima.org.br/dedicacao-da-basilica-de-latrao-2.html

domingo, 2 de Novembro de 2014

TODOS OS SANTOS


Neste fim de semana conjugaram-se duas celebrações que tocam profundamente o sentir do povo cristão. Por um lado, apesar de termos perdido o feriado de 1 de novembro, como este ano calhou num sábado, foi possível celebrar no próprio dia a festa de Todos os Santos, como fazíamos noutros tempos . Por outro lado, este ano o dia 2 de novembro  - dia dos Fiéis Defuntos - foi neste domingo o que permitiu que a romagem aos cemitérios tivesse mais autonomia e impacto do que quando calha durante a semana. 


Das leituras, do Dia de Todos os Santos, salta à vista que Deus chama à santidade todos e cada um de nós, mostrando-nos que em Jesus e só n'Ele isso é possível. E, se tivéssemos dúvidas, bastaria olhar para tantos dos santos que veneramos, porque até nós chegou o testemunho do que fizeram ao longo das suas vidas, e para aqueles que connosco convivem e são um exemplo vivo do que é viver em  e por Jesus Cristo, os santos dos nossos tempos.

"Caríssimos: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus.E somo-lo de facto.Se o mundo não nos conhece,é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser.Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus,porque O veremos tal como Ele é.Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo,para ser puro, como Ele é puro."
1 Jo 3, 1-3

Verdadeiramente somos chamados a viver nesta esperança de que um dia veremos Deus face a face, tal qual Ele é. E, par que tal aconteça, Jesus no evangelho aponta-nos o caminho: viver as bem aventuranças.


Senhor eu creio em Ti, na Igreja e nos seus Santos. Aumenta Senhor a minha fé.

domingo, 26 de Outubro de 2014

 XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM


As leituras de hoje reportam-nos ao tema da Aliança de Deus com o Seu povo. É todo um caminho feito ao longo de muitos anos, mas sempre com um denominador comum: o Amor de Deus pelo povo escolhido. 
O sacerdote hoje na Missa disse, entre outras coisas, algo que espero nunca esquecer. Há famílias onde o pai diz aos filhos:  na nossa família o único mandamento que existe é amarmos-nos uns aos outros como Deus nos amou. E comentou que tudo corria bem, pois todos os elementos da família se respeitavam e cumpriam os seus deveres e respirava-se amor por todos os lados. Continuando explicou, mas noutras famílias onde o pai disse exatamente o mesmo aos seus filhos, estes não o entenderam e tudo corria mal. Então o pai teve que usar mais mandamentos para se conseguir chegar àquele que era o único importante. Assim somos muitos de nós, pois precisamos de etapas intermédias para chegarmos ao principal. Não fazemos tudo bem logo à primeira.  Aconteceu também o mesmo com o povo judeu a quem Deus deu a lei de Moisés que tem 10 mandamentos e não os 613 da lei judaica criada pelos homens (juízes...).
Não sei se entendi tudo bem, mas uma coisa eu percebi - Deus ama-nos de todas as formas e os 10 mandamentos são um caminho para chegarmos ao único mandamento que verdadeiramente interessa: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.


"Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas»."
                                                                                                               Mt 22, 34-40

Senhor, eu te agradeço o Amor que tens por cada um de nós, teus filhos muito amados, em Jesus Cristo. Só em Ti, Senhor, é possível amar e ser amado!

domingo, 19 de Outubro de 2014

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Neste domingo, em que o Papa Paulo VI foi beatificado, nada melhor do que a homilia do Papa Francisco para nos ajudar a compreender a Palavra que Jesus nos dirige nas leituras de hoje.


"Naquele tempo,os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?».
Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo».Eles apresentaram-Lhe um denário, e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César».
Disse-lhes Jesus: «Então, daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»."
Mt 22,15-21




Vejamos o que nos explica o Papa Francisco na homilia da beatificação do Papa Paulo VI e simultaneamente missa do encerramento do Sínodo extraordinário sobre a família (19 de outubro de 2014

"Acabámos de ouvir uma das frases mais célebres de todo o Evangelho: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21).
À provocação dos fariseus, que queriam, por assim dizer, fazer-Lhe o exame de religião e induzi-Lo em erro, Jesus responde com esta frase irónica e genial. É uma resposta útil que o Senhor dá a todos aqueles que sentem problemas de consciência, sobretudo quando estão em jogo as suas conveniências, as suas riquezas, o seu prestígio, o seu poder e a sua fama. E isto acontece em todos os tempos e desde sempre.
A acentuação de Jesus recai certamente sobre a segunda parte da frase: «E [dai] a Deus o que é de Deus». Isto significa reconhecer e professar – diante de qualquer tipo de poder – que só Deus é o Senhor do homem, e não há outro. Esta é a novidade perene que é preciso redescobrir cada dia, vencendo o temor que muitas vezes sentimos perante as surpresas de Deus.
Ele não tem medo das novidades! Por isso nos surpreende continuamente, abrindo-nos e levando-nos para caminhos inesperados. Ele renova-nos, isto é, faz-nos «novos» continuamente. Um cristão que vive o Evangelho é «a novidade de Deus» na Igreja e no mundo. E Deus ama tanto esta «novidade»!
«Dar a Deus o que é de Deus» significa abrir-se à sua vontade e dedicar-Lhe a nossa vida, cooperando para o seu Reino de misericórdia, amor e paz.
Aqui está a nossa verdadeira força, o fermento que faz levedar e o sal que dá sabor a todo o esforço humano contra o pessimismo predominante que o mundo nos propõe. Aqui está a nossa esperança, porque a esperança em Deus não é uma fuga da realidade, não é um álibi: é restituir diligentemente a Deus aquilo que Lhe pertence. É por isso que o cristão fixa o olhar na realidade futura, a realidade de Deus, para viver plenamente a existência – com os pés bem fincados na terra – e responder, com coragem, aos inúmeros desafios novos.
Vimo-lo, nestes dias, durante o Sínodo Extraordinário dos Bispos: «sínodo» significa «caminhar juntos». E, na realidade, pastores e leigos de todo o mundo trouxeram aqui a Roma a voz das suas Igrejas particulares para ajudar as famílias de hoje a caminharem pela estrada do Evangelho, com o olhar fixo em Jesus. Foi uma grande experiência, na qual vivemos a sinodalidade e acolegialidade e sentimos a força do Espírito Santo que sempre guia e renova a Igreja, chamada sem demora a cuidar das feridas que sangram e a reacender a esperança para tantas pessoas sem esperança.
Pelo dom deste Sínodo e pelo espírito construtivo concedido a todos, – com o apóstolo Paulo – «damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações» (1 Tes 1, 2). E o Espírito Santo, que nos concedeu, nestes dias laboriosos, trabalhar generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, continue a acompanhar o caminho que nos prepara, nas Igrejas de toda a terra, para o Sínodo Ordinário dos Bispos no próximo Outubro de 2015. Semeámos e continuaremos a semear, com paciência e perseverança, na certeza de que é o Senhor que faz crescer tudo o que semeámos (cf. 1 Cor 3, 6).
Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI, voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: «Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (...) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade» (Carta ap. Motu próprio Apostolica sollicitudo).
A respeito deste grande Papa, deste cristão corajoso, deste apóstolo incansável, diante de Deus hoje só podemos dizer uma palavra tão simples como sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja!
No seu diário pessoal, depois do encerramento da Assembleia Conciliar, o grande timoneiro do Concílio deixou anotado: «Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço não tanto por qualquer aptidão que eu possua ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades actuais, mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva» (P. Macchi, Paolo VI nella sua parola, Brescia 2001, pp. 120-121). Nesta humildade, resplandece a grandeza do Beato Paulo VI, que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor.
Verdadeiramente Paulo VI soube «dar a Deus o que é de Deus», dedicando toda a sua vida a este «dever sacro, solene e gravíssimo: continuar no tempo e dilatar sobre a terra a missão de Cristo» (Homilia no Rito da sua Coroação, Insegnamenti, I, (1963), 26), amando a Igreja e guiando-a para ser «ao mesmo tempo mãe amorosa de todos os homens e medianeira de salvação» (Carta enc. Ecclesiam suam, prólogo)."


Senhor, eu te louvo e bendigo por todas as graças que tenho recebido de Ti. Só Tu és o meu Deus.

sábado, 11 de Outubro de 2014

XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM


E depois da Palavra nos ter chegado através da imagem da Vinha, hoje é-nos transmitida recorrendo à  simbologia do banquete. O Senhor, sempre atento às necessidades do seu povo, prepara e oferece-lhes o melhor que há, num banquete sem igual. E abre o banquete a todos,não deixa ninguém de fora, o convite é para chegar à humanidade inteira. 
No evangelho deste domingo, a mensagem transpõe-nos, quase automaticamente, para o que nos foi dito por Jesus no domingo passado. Na verdade, Deus continua a fazer o convite a todos para fazerem parte do Seu reino ,sem excluir ninguém, mas, a partir do momento em que se aceita a chamada, a adesão tem de ser sincera e de coração, na totalidade do nosso ser.


Na liturgia  de hoje a 1ª e a 2ª leituras parece que estão em ligação uma com a outra. Isaías apresenta-nos um Deus que prepara um banquete, com manjares suculentos, para todos os povos e termina com um hino de louvor ao amor de Deus que nos salvou. S. Paulo, por sua vez, fala-nos da confiança que tem em Deus e conclui a louvar e dar Glória ao nosso Deus, porque n'Ele tudo pode. Isto sim é viver completamente entregue a Deus. Quanta fé testemunham estas palavras:

"Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Amen."

Filip 4, 12-14.19-20



Glória a Ti Senhor, porque nos sustentas e sustens em cada momento da nossa vida. Bendito e louvado sejas hoje e sempre, pelos séculos sem fim.