S.PEDRO E S.PAULO, ROGAI POR NÓS
sábado, 27 de junho de 2026
DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje projetam-nos para o Amor maior, isto é, para Aquele em quem o Amor é de tal maneira intenso, infinito e total, que se transmite apenas porque Ele é. Dito de outra forma, se permanecermos em Deus, se nos deixarmos habitar por Ele, e só por Ele, entraremos na dinâmica do Amor, pois é Ele quem ama em nós. Este é, para mim, o maior desafio da nossa vida, enquanto cristãos, deixarmo-nos amar totalmente por Deus. Quando Deus, e só Ele, for a razão de ser da nossa vida, o nosso amor primeiro, Aquele por quem vale a pena viver e existir, então n’Ele será possível amar, viver no amor, no concreto da vida, junto do nosso próximo, seja ele (a) quem for, mesmo quando humanamente não gostamos deste(a) ou daquele(a).
Ó Amor Eterno, faz de cada um de nós, teus
filhos no Filho, transmissores do Amor, de Ti, junto do nosso próximo, junto de
cada um(a) que colocas nos nossos caminhos de cada dia.
Na 1ªleitura (2 Reis 4,
8-11.14-16a) é Eliseu quem nos demonstra,
através do testemunho de vida de “uma distinta senhora” que todo o que acolhe o
próximo, seja ele quem for, mas mais ainda, se for um homem de Deus, entra na
dinâmica da comunicação da vida, do Amor de Deus, pois a verdade é que é Deus
quem, em cada um(a), se comunica e Deus é a Vida, o Amor.
“Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora, que o convidou com insistência a comer em sua casa. A partir de então, sempre que por ali passava, era em sua casa que ia tomar a refeição. A senhora disse ao marido: «Estou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, é um santo homem de Deus. Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto com paredes de tijolo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Quando ele vier a nossa casa, poderá lá ficar». Um dia, chegou Eliseu e recolheu-se ao quarto para descansar. Depois perguntou ao seu servo Giezi: «Que podemos fazer por esta senhora?». Giezi respondeu: «Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada». «Chama-a» – disse Eliseu. O servo foi chamá-la e ela apareceu à porta. Disse-lhe o profeta: «No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços».”
Na 2ªleitura (Rom 6, 3-4.8-11) S.Paulo centra-nos no Amor, na verdadeira Vida,
pois, diz-nos ele, fomos batizados em Cristo Jesus, que ressuscitou dos mortos
e nos resgatou para a vida em Deus, para o Amor. Que, em Jesus ressuscitado,
também cada um de nós viva uma vida nova, pela glória do Pai.
“Irmãos: Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos; sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.”
No evangelho (Mt 10, 37-42) Jesus aponta a fasquia para a dimensão maior da
nossa vida: amar primeiro a Deus e só depois, n’Ele, amar o pai, a
mãe, os filhos, o próximo, seja ele(a) quem for. Só Deus é Amor e n’Ele podemos
amar todos os que o Senhor colocar no nosso caminho, porque o Seu Amor é sempre
total e infinito por cada ser criado, nunca se esgota e está sempre disponível,
assim o queiramos receber e testemunhar junto de todos, mas principalmente com
os mais fracos e desprotegidos ou abandonados.
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».”
Senhor, que Tu sejas o meu único amor, o centro, a razão de ser da minha vida.
Amados irmãos e irmãs, bom dia!
No Evangelho
deste domingo (cf. Mt 10,
37-42)
ressoa fortemente o convite a viver plenamente e sem hesitação a nossa adesão
ao Senhor. Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do
Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço.
O primeiro
pedido exigente que Ele faz àqueles que O seguem é que coloquem o amor a Ele
acima dos afetos familiares. Ele diz: «Quem amar o pai ou a mãe, [...] o filho
ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim» (v. 37).
Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe
que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro lugar, podem desviar do
verdadeiro bem. Vemo-lo: acontecem algumas corrupções nos governos precisamente
porque o amor à parentela é maior do que o amor à pátria, e dão cargos aos
parentes. O mesmo acontece com Jesus: não é bom quando o amor [aos familiares]
é maior do que [o amor a] Ele. Todos nós poderíamos dar muitos exemplos a este
respeito. Sem mencionar as situações em que os afetos familiares se misturam
com escolhas opostas ao Evangelho. Quando, por outro lado, o amor aos pais e
filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente
fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela. Neste
sentido Jesus diz esta frase. Recordemos também como Jesus admoesta os doutores
da lei que fazem faltar o necessário aos pais com a pretensão de o oferecer ao
altar, de o dar à Igreja (cf. Mc 7,
8-13).
Repreende-os! O verdadeiro amor a Jesus exige um amor autêntico aos pais e aos
filhos, mas se procurarmos primeiro o interesse familiar isto leva sempre pelo
caminho errado.
Então Jesus
diz aos seus discípulos: «Quem não tomar a sua cruz para Me seguir, não é digno
de mim» (v. 38).
É uma questão de O seguir no caminho que Ele próprio percorreu, sem procurar
atalhos. Não há amor verdadeiro sem cruz, ou seja, sem um preço a pagar
pessoalmente. E dizem-no muitas mães, muitos pais, que tanto se sacrificam
pelos filhos e suportam verdadeiras dificuldades e cruzes, porque amam. E
carregada com Jesus, a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre ao nosso
lado para nos apoiar na hora da prova mais dura, para nos dar força e coragem.
Também não é necessário preocupar-se por preservar a própria vida, com uma
atitude temerosa e egoísta. Jesus admoesta: «Aquele que tenta conservar para si
a vida, perdê-la-á, e quem tiver perdido a própria vida por Minha causa – isto
é, por amor, por amor a Jesus, por amor ao próximo, pelo serviço aos outros -
encontrá-la-á» (cf. v. 39).
Este é o paradoxo do Evangelho. Mas temos, graças a Deus, também muitos
exemplos como este! Vemo-lo nestes dias. Quantas pessoas, quantas pessoas
estão a carregar cruzes para ajudar os outros! Sacrificam-se para ajudar o
próximo em necessidade (...) Mas com Jesus é sempre possível.
Encontramos a plenitude da vida e da alegria através da doação de nós
mesmos pelo Evangelho e pelos irmãos, com abertura, aceitação e benevolência.
Ao fazê-lo,
podemos experimentar a generosidade e a gratidão de Deus. Jesus lembra-nos:
«Quem vos recebe, a Mim recebe [...]. Quem der de beber a um destes pequeninos
[...] não perderá a recompensa» (vv.
40; 42).
A generosa gratidão de Deus Pai tem em conta até o mais pequeno gesto de amor e
serviço aos seus irmãos. Nestes dias ouvi um sacerdote dizer que estava
comovido porque na paróquia uma criança se aproximou dele e disse-lhe: “Padre,
estas são as minhas poupanças, são poucas, são para os teus pobres, para
aqueles que hoje estão em necessidade (...)”. É pouco mas é
muito! É uma generosidade contagiosa, que ajuda cada um de nós a sentir
gratidão para com aqueles que se preocupam com as nossas necessidades. Quando
alguém nos oferece um serviço, não devemos pensar que tudo nos é devido. Não,
muitos serviços fazem-se por gratuidade. Pensai no voluntariado, que é uma das
maiores realidades que existem na sociedade italiana. Os voluntários... e quantos
deles perderam a vida (...)! Faz-se por amor, simplesmente por
serviço. A gratidão, o reconhecimento, é antes de mais um sinal de boas
maneiras, mas é também um distintivo do cristão. É um sinal simples mas genuíno
do reino de Deus, que é reino de amor gratuito e reconhecido.
Maria
Santíssima, que amou Jesus mais do que a sua própria vida e o seguiu até à
cruz, nos ajude a colocarmo-nos sempre diante de Deus com o coração disponível,
deixando que a Sua Palavra julgue o nossos comportamentos e as nossas escolhas.
sábado, 20 de junho de 2026
DOMINGO XII DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje levam-nos a abrir caminhos de reflexão e aprofundamento das razões da nossa fé, no viver de cada dia. Somos interpelados, no mais fundo do nosso ser cristão, sobre o que nos leva a optar por um, ou por outro modo de atuar na relação com os que connosco vivem, convivem ou, simplesmente, se cruzam nos nossos caminhos. E quando surgem obstáculos, dificuldades, zombarias, ou perseguições, face à coerência de testemunho de vida, com o essencial da nossa fé, como fazemos, em quem nos apoiamos, a quem nos agarramos? Senhor, que nesses momentos nunca duvidemos do Teu Amor e nos deixemos habitar totalmente por Ti. Que sejas Tu, e só Tu, a força em quem sempre nos apoiemos, a razão de ser da nossa vida.
Na 1ªleitura (Jer 20, 10-13) o
profeta Jeremias abre a sua alma e ajuda-nos a olhar, de frente e com toda a
verdade, para aqueles momentos da nossa vida em que sentimos dificuldade em dar
testemunho do Amor, na relação com os que nos rodeiam. Mas também nos auxilia
no encontro com o Único em quem podemos confiar, em todas as situações da nossa
vida, sejam elas quais forem: Deus Uno e Trino, O Amor sem fim por todos e por
cada um de nós.
“Disse Jeremias: «Eu ouvia as invetivas da multidão: ‘Terror por toda a parte! Denunciai-o, vamos denunciá-lo!’. Todos os meus amigos esperavam que eu desse um passo em falso: ‘Talvez ele se deixe enganar e assim o poderemos dominar e nos vingaremos dele’. Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida. Senhor do Universo, que sondais o justo e perscrutais os rins e o coração, possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa. Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos».
Na 2ªleitura (Rom
5, 12-15) S.Paulo ao
alertar-nos para a nossa condição de pecadores, fá-lo desafiando-nos a
contemplar quem é maior do que o pecado, Aquele que venceu a morte e em quem
podemos entregarmo-nos completamente, porque Ele nos ganhou para Deus, no Amor.
Ele é o Amor gratuito por todos e cada um, deu a Sua vida por cada um de nós,
quando ainda éramos pecadores. Então, porque será que ainda temos medo? O que
continua a impedir-nos de n’Ele confiarmos totalmente, de a Ele nos entregarmos
com tudo o que somos e temos? Ajuda-nos Senhor, a aprender a viver de Ti, no
concreto da vida! Sto.António (13-06), S.João Batista (24-06), S.Pedro e
S.Paulo (29-06) intercedei por nós.
“Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens.
No evangelho (Mt 10, 26-33) é Jesus quem
nos diz diretamente “Não temais”. Depois, explica-nos que somos demasiado
preciosos para Deus, que Ele nos ama infinitamente, muito mais do que às aves
do céu e que nem uma deles cairá por terra, sem o consentimento de Deus Pai.
Efetivamente, em Jesus, também cada um de nós é filho querido do Pai. Não deu
Jesus a Sua vida para que encontrássemos o Amor, que é Deus? Arrisquemos,
entreguemo-nos de coração. Jesus, e só Ele, será sempre a nossa força!
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».
Senhor Jesus, tende misericórdia de nós.
Que sejas Senhor o único amor da minha vida.
Que eu nunca, mas nunca mesmo, duvide do Teu Amor.
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia, feliz domingo!
No Evangelho
de hoje, Jesus repete três vezes aos seus discípulos: «Não tenhais medo» (Mt 10, 26.28.31).
Pouco antes, falou-lhes das perseguições que terão de suportar por causa do
Evangelho, uma realidade ainda hoje atual: a Igreja, de facto, desde o início
conheceu, juntamente com as alegrias - e foram tantas! -, muitas perseguições.
Parece paradoxal: o anúncio do Reino de Deus é uma mensagem de paz e de
justiça, fundada na caridade fraterna e no perdão e, no entanto, encontra
oposições, violências e perseguições. Jesus, porém, diz para não temermos: não
porque no mundo tudo correrá bem, não, mas porque para o Pai somos preciosos e
nada do que é bom se perderá. Por isso, diz-nos para não deixarmos que o medo
nos detenha, mas para temermos outra coisa, apenas uma coisa. O que nos diz
Jesus que devemos temer?
Descobrimo-lo
através de uma imagem que Jesus utiliza hoje: a imagem de “Geena” (cf. v. 28).
O vale de “Geena” era um lugar que os habitantes de Jerusalém conheciam bem:
era o grande depósito de lixo da cidade. Jesus fala dele para dizer que o
verdadeiro medo que se deve ter é o de deitar fora a própria vida.
Jesus diz: «Sim, temei isto». Como se dissesse: não é tanto ter medo de sofrer
incompreensões e críticas, de perder o prestígio e as vantagens económicas para
permanecer fiel ao Evangelho, mas de desperdiçar a existência perseguindo
coisas banais, que não enchem a vida de sentido.
E isto é
importante para nós. De facto, também hoje, podemos ser ridicularizados ou
discriminados se não seguirmos certos modelos em voga, que, no entanto, colocam
muitas vezes no centro realidades de segunda categoria: por exemplo, seguir
coisas em vez de pessoas, desempenhos em vez de relações. Vejamos alguns
exemplos. Estou a pensar nos pais, que precisam de trabalhar para sustentar a
família, mas não podem viver só para o trabalho: precisam de tempo para estar
com os filhos. Penso também num sacerdote ou numa religiosa: devem empenhar-se
no seu serviço, mas sem se esquecerem de dedicar tempo a estar com Jesus, caso
contrário caem na mundanidade espiritual e perdem o sentido de quem são. E
penso ainda num jovem ou numa jovem, que tem mil compromissos e paixões:
escola, desporto, interesses diversos, telemóveis e redes sociais,
mas precisa de encontrar pessoas e realizar grandes sonhos, sem perder tempo
com coisas que passam e não deixam marca.
Tudo isto,
irmãos e irmãs, implica alguma renúncia perante os ídolos da eficácia e do
consumismo, mas é necessário para não nos perdermos nas coisas, que depois são
deitadas fora, como se fazia no Geena de então. E no Geena de hoje, as pessoas
acabam muitas vezes por: pensar nos últimos, muitas vezes tratados como
material de descarte e objetos indesejados. Permanecer fiéis ao que conta
custa; custa ir contra a maré, custa libertar-se dos condicionamentos do
pensamento comum, custa ser afastado por aqueles que “seguem a onda”. Mas não
importa, diz Jesus: o que importa é não deitar fora o bem maior, a vida. Só
este facto já nos deve assustar.
Perguntemo-nos
então: eu, do que tenho medo? De não ter aquilo de que gosto? De não atingir os
objetivos que a sociedade impõe? Do julgamento dos outros? Ou de não agradar ao
Senhor e não colocar o seu Evangelho em primeiro lugar? Maria, sempre Virgem, Mãe
sábia, ajuda-nos a sermos sábios e corajosos nas escolhas que fazemos.
sábado, 13 de junho de 2026
DOMINGO XI DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje são um apelo ao anúncio vivo, porque vivido no concreto da vida e por isso testemunhado, do Amor, que é Deus, que nos ama infinitamente a nós e a cada um dos que fazem parte da nossa labuta diária.
“Naqueles dias, os filhos de Israel partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam, em frente da montanha. Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe: «Assim falarás à casa de Jacob, isto dirás aos filhos de Israel: ‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’».”
Na 2ªleitura (Rom 5, 6-11) S.Paulo
desperta-nos para a dimensão do amor de Deus por cada um de nós. Traz-nos Jesus
como Aquele que se dá todo por nós, quando ainda éramos fracos e pecadores. É
assim, tal qual somos, imperfeitos, que Jesus nos ama gratuita e
infinitamente, para que n’Ele nos tornemos perfeitos, para que vivamos no Amor.
Deixemos que Jesus nos estreite nos seus braços e entreguemo-nos de coração,
deixando cair tudo o que d’Ele nos afasta. Se assim fizermos, também nós
seremos reconciliados com Deus, e n’Ele amaremos o nosso
próximo.
“Irmãos: Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.”
No evangelho (Mt 9, 36 – 10, 8) somos
desafiados a fazer como os apóstolos, como Santo António e tantos outros santos
e santas de Deus: responder sim ao chamamento que Jesus nos faz para
anunciarmos com a nossa vida, em tudo o que somos e na forma como vivemos, o
Amor infinito de Deus por cada ser criado.
“Naquele
tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam
fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus
discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor
da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus
doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar
todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos:
primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e
João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho
de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O
entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não
sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide
primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai
que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos,
sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».”
Senhor, a messe é grande e os operários são poucos. Enviai Senhor operários para a vossa messe.
Queridos
irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho de
hoje recorda-nos a importância da missão, à
qual todos somos chamados, cada um segundo a própria vocação, nas situações
concretas em que o Senhor o colocou.
Jesus envia
os seus discípulos. (...)
Ao mesmo
tempo, Jesus diz: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao
dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
Por um lado,
como um semeador, Deus saiu pelo mundo para semear com generosidade e colocou
no coração do homem e da história o desejo do infinito, de uma vida plena, de
uma salvação que o liberte. Por isso, a seara é grande: o Reino de Deus, como
uma semente, germina no solo e as mulheres e os homens de hoje, mesmo quando
parecem dominados por tantas outras coisas, esperam uma verdade maior, procuram
um sentido mais pleno para as suas vidas, desejam a justiça, levam dentro de si
um anseio de vida eterna.
Por outro
lado, são poucos os operários que vão trabalhar no campo semeado pelo Senhor e
que, além disso, são capazes de reconhecer, com os olhos de Jesus, o bom trigo
que está pronto para a colheita. Há algo
grande que o Senhor quer fazer na nossa vida e na história da humanidade, mas
poucos são aqueles que se apercebem disso, que param para acolher o dom, que o
anunciam e o levam aos outros.
Queridos
irmãos e irmãs, a Igreja e o mundo não precisam de pessoas que cumprem os seus
deveres religiosos mostrando a sua fé como um rótulo exterior; precisam, pelo
contrário, de operários desejosos de trabalhar no campo da missão, de
discípulos apaixonados que testemunhem o Reino de Deus onde quer que estejam.
Talvez não faltem os “cristãos de ocasião”, que só de vez em quando dão lugar a
algum sentimento religioso ou participam em algum evento; mas poucos são
aqueles que estão prontos a trabalhar todos os dias no campo de Deus,
cultivando no seu coração a semente do Evangelho para depois a levar à vida
quotidiana, à família, aos locais de trabalho e de estudo, aos vários ambientes
sociais e àqueles que se encontram em necessidade.
Para fazer
isso, não são necessárias muitas ideias teóricas sobre conceitos pastorais: é
preciso, acima de tudo, rezar ao Dono da messe. Com efeito, em primeiro lugar
está a relação com o Senhor, cultivando o diálogo com Ele. Então, será Ele que
nos tornará seus operários e nos enviará ao campo do mundo como testemunhas do
seu Reino.
Peçamos à
Virgem Maria – Ela que participou na obra da salvação oferecendo generosamente
o seu “Eis-me aqui” – que interceda por nós e nos acompanhe no caminho do
seguimento do Senhor, para que também nós possamos tornar-nos operários alegres
do Reino de Deus.
Papa Leão XIV
(Angelus, 6 de julho de 2025)
Hoje é dia Santo António
PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA
Santo António morreu a 13 de junho de 1231, nas proximidades de Pádua, ainda muito jovem, mas já rodeado de grande fama de santidade. A rapidez da sua canonização, ocorrida menos de um ano depois, mostra bem o impacto que teve no coração do povo cristão. Com o passar dos séculos, a sua figura tornou-se uma das mais populares da Igreja, cercada por tradições de devoção, lendas piedosas e expressões culturais profundamente enraizadas. Em Portugal, especialmente em Lisboa, o seu nome associa-se às festas populares de junho, aos manjericos, às marchas e aos casamentos de Santo António; no entanto, a sua popularidade não se explica apenas pelo folclore, mas pela memória viva de um homem que soube unir contemplação, caridade e palavra profética. É também por isso que continua a ser invocado como intercessor dos pobres, das famílias, das mulheres sem recursos para casar, e até de quem procura o que perdeu. Para além dessas tradições, o seu legado maior permanece na proposta de uma vida cristã feita de humildade, fidelidade ao Evangelho e atenção concreta aos mais frágeis. Celebrar Santo António é recordar que a santidade pode ser, ao mesmo tempo, profundamente espiritual e profundamente humana.
sábado, 6 de junho de 2026
DOMINGO X DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje são apelo a uma verdadeira conversão de coração. É verdade que a conversão é um dom de Deus, mas, por outro lado, também implica que o homem se Lhe entregue totalmente, que n’Ele coloque toda a sua vida, toda a sua confiança. Deus, que é todo misericórdia, perdão, amor conhece bem a sinceridade (ou não) do nosso arrependimento e renovará a nossa vida, como fez com Abraão, que acreditou contra toda a esperança.
A 1ª leitura (OS 6, 3-6) do profeta Oseias enquadra-se numa situação em
que o povo (Efraim, Judá) não se converteu verdadeiramente ao Senhor, mas
tentou manipulá-L’O. Deus conhece muito bem cada um de nós, no mais profundo
dos nossos sentimentos, não se deixa enganar. O profeta apresenta-nos a
resposta de Deus aos falsos arrependimentos.
"Procuremos conhecer o Senhor. A sua vinda é certa como a aurora. Virá
a nós como o aguaceiro de Outono, como a chuva da Primavera sobre a face da
terra. «Que farei por ti, Efraim? Que farei por ti, Judá?» – diz o Senhor – «O
vosso amor é como o nevoeiro da manhã, como o orvalho da madrugada que logo se
evapora. Por isso os castiguei por meio dos Profetas e os matei com palavras da
minha boca; e o meu direito resplandece como a luz. Porque Eu quero a
misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os
holocaustos»."
Na 2ª leitura (Rom 4, 18-25) S.Paulo mostra-nos que ter fé, é “estar plenamente
convencido que Deus é capaz de cumprir o que tinha prometido” e, depois, agir
em conformidade, como fez Abraão. Em Jesus, que, por cada um de nós, na Cruz
morreu, mas depois ressuscitou, esta fé é possível. Acreditemos como Abraão,
Paulo, …, todos os santos.
Irmãos: Contra toda a esperança, Abraão acreditou que havia de tornar-se
pai de muitas nações, como tinha sido anunciado: «Assim será a tua
descendência». Sem vacilar na fé, não tomou em consideração nem a falta de
vigor do seu corpo, pois tinha quase cem anos, nem a falta de vitalidade do
seio materno de Sara. Perante a promessa de Deus, não se deixou abalar pela
desconfiança, antes se fortaleceu na fé, dando glória a Deus, plenamente
convencido de que Deus era capaz de cumprir o que tinha prometido. Por este
motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça». Não é só por causa dele que
está escrito «Foi-lhe atribuído», mas também por causa de nós, que acreditamos
n’Aquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, Nosso Senhor, que foi entregue à
morte por causa das nossas faltas e ressuscitou para nossa justificação.
O enquadramento do evangelho (Mt 9,
9-13) faz-nos lembrar a primeira leitura
no que toca à atitude do povo, que podemos comparar com a dos fariseus. No
entanto, Mateus, vai mais longe ao revelar-nos a atitude de Jesus em relação
aos pecadores: prefiro a misericórdia ao sacrifício.
“Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele
levantou-se e seguiu Jesus. Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de
Mateus, muitos publicanos e pecadores vieram sentar-se com Ele e os seus
discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos: «Por que motivo é
que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?». Jesus ouviu-os e
respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os
doentes. Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».”
Senhor concede-me o dom da
conversão.
Queridos
irmãos e irmãs!
No centro da
liturgia da palavra deste domingo está uma expressão do profeta Oseias que
Jesus retoma no Evangelho: "Porque Eu quero a misericórdia e não os
sacrifícios, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos" (Os 6, 6).
Trata-se de uma palavra-chave, uma daquelas que se introduzem no coração da
Sagrada Escritura. O contexto, no qual Jesus a utiliza, é a vocação de Mateus,
cuja profissão é "publicano", ou seja cobrador de impostos da parte
das autoridades imperiais romanas: por isso mesmo, ele era considerado pelos
judeus um pecador público. Chamando-o precisamente quando estava sentado no
banco dos impostos, esta cena foi bem ilustrada através de um celebérrimo
quadro de Caravaggio, Jesus apresentou-se na sua casa com os discípulos e
pôs-se à mesa com outros publicanos. Aos fariseus escandalizados responde:
"Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
(...) Porque não vim chamar os justos, mas os pecadores" (Mt 9, 12-13).
O evangelista Mateus, sempre atento ao elo entre o Antigo e o Novo Testamento,
a este ponto põe na boca de Jesus a profecia de Oseias: "Ide aprender o
que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício"".
É tão grande a
importância desta expressão do profeta que o Senhor a cita novamente noutro
contexto, a propósito da observância do sábado (cf. Mt 12, 1-8).
Ainda neste caso Ele assume a responsabilidade da interpretação do mandamento,
revelando-se como "Senhor" das mesmas instituições legais.
Dirigindo-se aos fariseus, acrescenta: "E, se compreendêsseis o que
significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício", não teríeis
condenado os que não têm culpa" (Mt 12,
7).
Então, neste oráculo de Oseias, Jesus, Verbo feito homem, por assim dizer,
reencontrou-se plenamente; fê-lo com todo o seu coração e realizou-o com o seu
comportamento, mesmo à custa de ferir a suscetibilidade dos chefes do seu povo.
Esta palavra de Deus chegou-nos, através dos Evangelhos, como uma das sínteses
de toda a mensagem cristã: a verdadeira religião consiste no amor a Deus e ao
próximo. Isto é o que dá valor ao culto e à prática dos preceitos.
Agora,
dirigindo-nos à Virgem Maria, peçamos a sua intercessão para viver sempre na
alegria da experiência cristã. Mãe Misericordiosa, Nossa Senhora suscite em nós
sentimentos de abandono filial em Deus, que é misericórdia infinita; nos ajude
a fazer nossa a oração que Santo Agostinho enuncia numa conhecida passagem das
suas Confissões: "Tem piedade de mim, Senhor! Aqui estão, não
escondo as minhas feridas: tu és o médico, eu o doente; tu és o misericordioso,
eu o miserável... Cada esperança minha se coloca na tua grande
misericórdia" (X,
28.29; 39.40).
Papa Bento XVI
(Angelus, 8 de junho de 2008)





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