sábado, 1 de agosto de 2026

DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM

Hoje as leituras convidam-nos a procurar o único alimento que sacia verdadeiramente e, ao mesmo tempo, desafiam-nos a reparti-lo com os que o Senhor coloca nos caminhos da nossa vida.  Só Deus nos ama infinitamente, só Ele nos saciará em plenitude. 

Na 1ªleitura (Is 55, 1-3) o profeta Isaías desperta-nos para o único caminho que vale a pena percorrer, para a única Aliança que merece o nosso acordo e assinatura: o Amor de Deus, gratuito, ilimitado e misericordioso, sempre atento às necessidades e sofrimentos dos Seus filhos. É o Senhor quem primeiro todo Se dá e Se faz encontro connosco. Se O quisermos aceitar e d’Ele viver, só temos de prestar ouvidos e escutar o que nos diz. 

“Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.”

Na 2ªleitura (Rom 8, 35.37-39) recebemos de S.Paulo um testemunho de fé impressionante. É também assim, com o testemunho dos que nos antecederam na fé, que nos sentimos questionados na firmeza, na profundidade e nos fundamentos do nosso ser cristão. Eu creio em Ti, Senhor, mas aumenta a minha fé! Bendito e louvado sejas Senhor, nos Teus Anjos e nos Teus Santos. 

"Irmãos: Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor."

No evangelho (Mt 14, 13-21) S. Mateus coloca-nos a ir ao encontro, à procura de Jesus. Depois, um com os outros, no meio da multidão, escutamo-l’O, deixamos que nos cure e nos alimente. Mas, também estamos lá, como os discípulos e aí, como eles, damo-nos conta de que está a anoitecer e a multidão não tem onde ir comer. É então que o Senhor também nos diz, a cada um de nós, hoje: "dai-lhes vós de comer". E Jesus do “quase” nada alimenta uma multidão! Cabe-nos fazer a nossa parte! Tudo o mais é obra de Deus. 

"Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças."

Senhor, que os meus ouvidos Te escutem e o meu coração se abra à Tua Palavra. Ilumina-me Divino Espírito Santo!

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Neste domingo, o Evangelho apresenta-nos o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes (cf. Mt 14, 13-21). Jesus realizou-o na margem do lago da Galileia, num lugar isolado onde se tinha retirado com os seus discípulos, depois de ter recebido a notícia da morte de João Baptista. No entanto, foi seguido e alcançado por numerosas pessoas; e vendo-as, Jesus sentiu compaixão por elas e curou os doentes até à noite. Então os discípulos, preocupados porque a noite já caía, sugeriram-lhe que despedisse a multidão para que todos pudessem ir aos povoados a fim de comprar algo para comer. Mas Jesus, tranquilamente, retorquiu: «Dai-lhes vós mesmos de comer!» (Mt 14, 16); e, depois de ter mandado trazer cinco pães e dois peixes, abençoou-os e começou a parti-los e a oferecê-los aos discípulos, que depois os distribuíram ao povo. Todos ficaram saciados e ainda sobejou muita comida!

Neste acontecimento podemos ler três mensagens. A primeira é a compaixão. Diante da multidão que o segue e — por assim dizer — «não o deixa em paz», Jesus não reage com irritação, não diz: «Estas pessoa incomodam-me!». Não, não. Mas reage com um sentimento de compaixão, porque sabe que não o procuram movidos pela curiosidade, mas pela necessidade. Mas prestemos atenção: compaixão — aquilo que Jesus sente — não é simplesmente sentir piedade; é algo mais! Significa com-padecer-se, ou seja, identificar-se com o sofrimento alheio, a ponto de o carregar sobre si. Assim é Jesus: sofre juntamente com cada um de nós, padece por nós. E o sinal desta compaixão são as numerosas curas por Ele levadas a cabo. Jesus ensina-nos a antepor as necessidades dos pobres às nossas. Por mais legítimas que sejam, as nossas exigências nunca serão tão urgentes como as carências dos pobres, que não dispõem do necessário para viver. Nós falamos com frequência dos pobres. Mas quando falamos dos pobres sentimos porventura que aquele homem, aquela mulher, aquelas crianças não dispõem do necessário para viver? Não têm o que comer, nem o que vestir, não têm a possibilidade de obter os remédios necessários... E também as crianças que não têm a possibilidade de ir à escola. E por isso as nossas exigências, embora sejam legítimas, jamais serão tão urgentes como as dos pobres, que não dispõem do necessário para viver.

A segunda mensagem é a partilha. A primeira é a compaixão, aquilo que Jesus sentia, e a segunda é a partilha. É útil confrontar a reação dos discípulos, diante de pessoas cansadas e famintas, com a de Jesus. São diferentes. Os discípulos pensam que é melhor despedir a multidão, para que possa ir comprar algo para comer. Jesus, ao contrário, diz: Dai-lhes vós mesmos de comer! Dois motivos diversos, que refletem duas lógicas opostas: os discípulos raciocinam segundo o mundo, pelo que cada qual deve pensar em si mesmo; raciocinam como se dissessem: «Arranjai-vos sozinhos!». Mas Jesus raciocina em conformidade com a lógica de Deus, que é a da partilha. Quantas vezes nos voltamos para o outro lado, para não ver os irmãos necessitados! E este olhar para o outro lado é um modo educado, com luvas brancas, de dizer: «Arranjai-vos sozinhos!». E isto não é de Jesus: isto é egoísmo. Se Ele tivesse despedido as multidões, muitas pessoas ficariam sem comer. Ao contrário, aqueles poucos pães e peixes, compartilhados e abençoados por Deus, foram suficientes para todos. Mas atenção! Não se trata de uma magia, mas de um «sinal»: um sinal que nos convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos faz faltar o «pão nosso de cada dia», se nós soubermos compartilhá-lo como irmãos.

Compaixão e partilha. E a terceira mensagem: o prodígio dos pães prenuncia a Eucaristia. Vê-se isto no gesto de Jesus, que «abençoou» (v. 19) antes de partir os pães e de os distribuir à multidão. É o mesmo que fará Jesus na última Ceia, quando instituirá o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia, Jesus não oferece um pão, mas o pão de vida eterna, doa-se a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por amor a nós. Contudo, nós devemos frequentar a Eucaristia com os sentimentos de Jesus, ou seja, com a compaixão e com a vontade de compartilhar. Quem se aproxima da Eucaristia sem ter compaixão pelos necessitados e sem compartilhar, não se sente bem com Jesus.

Compaixão, partilha, Eucaristia. Eis o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho. Um caminho que nos leva a enfrentar as necessidades deste mundo com fraternidade, mas que também nos conduz mais além desta terra, porque começa em Deus Pai e para Ele retorna. Que a Virgem Maria, Mãe da Providência Divina, nos acompanhe ao longo desta vereda.

Papa Francisco
(Angelus , 3 de agosto de 2014)