sábado, 7 de novembro de 2026

  XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Nas leituras deste domingo somos confrontados connosco próprios, fundamentalmente na forma como: procuramos o Senhor, no dia a dia da vida; nos deixamos alimentar por Ele; nos disponibilizamos para O encontrarmos em cada um daqueles que Ele coloca nos nossos caminhos; nos preparamos para o encontro definitivo em que O veremos face a face.

Na 1ª leitura (Sab 6, 12-16) o autor sagrado projeta-nos  claramente para Jesus, que vive nos que O procuram, que Se antecipa e dá a conhecer aos que O desejam, que habita os que lhe abrem o coração e se deixam transformar por Ele. Deixemo-nos iluminar, amar por este Amor sem fim, que é Jesus Cristo, a Sabedoria de Deus.

“A Sabedoria é luminosa e o seu brilho é inalterável; deixa-se ver facilmente àqueles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram. Antecipa-se e dá-se a conhecer aos que a desejam. Quem a busca desde a aurora não se fatigará, porque há de encontrá-la já sentada à sua porta. Meditar sobre ela é prudência consumada e quem lhe consagra as vigílias depressa ficará sem cuidados. Procura por toda a parte os que são dignos dela: aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vem ao seu encontro em todos os seus pensamentos.”

Na 2ªleitura (1 Tes 4, 13-18) S.Paulo situa-nos, mais uma vez, na razão de ser da nossa esperança, da nossa fé, Jesus Ressuscitado. Se com Jesus vivermos, com Ele havemos de ressuscitar um dia e n’Ele seremos conduzidos a Deus. Jesus é a nossa força, a nossa esperança, a certeza do Amor Infinito de Deus, Uno e Trino, vivo e presente em cada ser por Si criado. Que graça única é esta de sermos, em Jesus, filhos amados de Deus. Bendito e louvado sejas Senhor, hoje e sempre, pelos séculos sem fim.

“Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. Eis o que temos para vos dizer, segundo uma palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.”

No evangelho (Mt 25, 1-13) Jesus ajuda-nos a refletir sobre a forma como vivemos a nossa fé, no dia a dia da vida: como é que espelhamos e espalhamos Deus Amor em tudo o que somos e fazemos; de que forma testemunhamos o nosso “ser cristão” na relação com os que vivem, convivem, ou se cruzam nos nossos caminhos; como  e com que cuidado preparamos as nossas candeias para a chegada do Amado,…. Só o Amor de Deus poderá alimentar e encher  as nossas almotolias! Deixemos que o Senhor nos habite por inteiro, pois n’Ele, Amor Infinito, a Luz nunca se extinguirá.

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo. Cinco eram insensatas e cinco eram prudentes. As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias. Como o esposo se demorava, começaram todas a dormitar e adormeceram. No meio da noite ouviu-se um brado: ‘Aí vem o esposo; ide ao seu encontro’. Então, as virgens levantaram-se todas e começaram a preparar as lâmpadas. As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se’. Mas as prudentes responderam: ‘Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores’. Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. Mais tarde, chegaram também as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta’. Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço’. Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».

Senhor, que eu nunca deixe de Te procurar, de Te desejar e de me abrir à Tua Luz.

Prezados irmãos e irmãs

As Leituras bíblicas da Liturgia dominical de hoje convidam-nos a prolongar a reflexão sobre a vida eterna, iniciada por ocasião da Comemoração de todos os fiéis defuntos. Sobre este ponto é evidente a diferença entre os que creem e aqueles que não creem, ou poder-se-ia igualmente dizer, entre os que esperam e aqueles que não esperam. Com efeito, são Paulo escreve aos Tessalonicenses: «Não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como fazem os outros homens que não têm esperança» (1 Ts 4, 13). A fé na morte e ressurreição de Jesus Cristo marca, também neste campo, uma linha divisória decisiva. É ainda são Paulo quem recorda aos cristãos de Éfeso que, antes de receber a Boa Notícia, estavam «sem a esperança da promessa e sem Deus neste mundo» (Ef 2, 12). Com efeito, a religião dos gregos, os cultos e os mitos pagãos não eram capazes de esclarecer o mistério da morte, a tal ponto que uma antiga inscrição dizia: «In nihil ab nihilo quam cito recidimus», que significa: «No nada, a partir do nada, quão cedo decaímos». Se eliminamos Deus, se tiramos Cristo, o mundo cai no vazio e na escuridão. E isto encontra conformação também nas expressões do niilismo contemporâneo, um niilismo muitas vezes inconsciente, que infelizmente contagia numerosos jovens.

O Evangelho de hoje é uma célebre parábola, que fala de dez virgens convidadas para uma festa de bodas, símbolo do Reino dos céus, da vida eterna (cf. Mt 25, 1-13). É uma imagem feliz, com a qual contudo Jesus ensina uma verdade que nos põe em questão; com efeito, daquelas dez virgens, cinco entram na festa porque, quando o esposo chega, têm óleo para acender as próprias lâmpadas; enquanto as outras cinco permanecem fora porque, insensatas, não tinham trazido óleo. O que representa este «óleo», indispensável para serem admitidas no banquete nupcial? Santo Agostinho (cf. Discursos 93, 4) e outros antigos autores veem nisto um símbolo do amor, que não se pode comprar, mas que recebemos como dom, conservamos no íntimo e praticamos com as obras. A verdadeira sabedoria consiste em aproveitar a vida mortal para realizar obras de misericórdia, porque depois da morte isto já não será possível. Quando formos despertados para o juízo final, isto acontecerá com base no amor praticado na vida terrena (cf. Mt 25, 31-46). E este amor é dom de Cristo, efundido em nós pelo Espírito Santo. Quem crê em Deus-Amor tem em si uma esperança invencível, como uma lâmpada com a qual atravessar a noite para além da morte, e chegar à grande festa da vida.

A Maria, Sedes Sapientiae, peçamos que nos ensine a verdadeira sabedoria, aquela que se fez carne em Jesus. Ele é o Caminho que conduz desta vida para Deus, para o Eterno. Ele fez-nos conhecer o rosto do Pai, e ofereceu-nos uma esperança cheia de amor. Por isso, a Igreja dirige-se com estas palavras à Mãe do Senhor: «Vita, dulcedo et spes nostra». Aprendamos dela a viver e a morrer na esperança que não desilude. 

Papa Bento XVI
(Angelus, 6 de novembro de 2011)

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Comemoração dos Fiéis Defuntos

Queridos irmãos e irmãs,

reunimo-nos neste lugar para celebrar a comemoração de todos os fiéis defuntos, em particular aqueles que estão aqui sepultados e, com carinho especial, os nossos entes queridos. Eles deixaram-nos no dia da sua morte, mas trazemo-los sempre connosco na memória do coração. E esta memória permanece viva, todos os dias, em tudo o que vivemos. Frequentemente, encontramos algo que nos faz lembrar deles, imagens que nos remetem para o que com eles vivemos. Tantos lugares, e até mesmo os aromas das nossas casas, nos falam daqueles que amámos e que nos deixaram, mantendo viva em nós a sua memória.

Porém, hoje não estamos aqui simplesmente para lembrar aqueles que já partiram deste mundo. A fé cristã, fundada na Páscoa de Cristo, ajuda-nos a viver a memória não apenas como uma lembrança do passado, mas sobretudo como uma esperança futura. Não se trata tanto de olhar para trás, trata-se antes de olhar para a frente, para a meta do nosso caminho, para o porto seguro que Deus nos prometeu, para a festa sem fim que nos espera. Lá, em torno do Senhor Ressuscitado e dos nossos, saborearemos a alegria do banquete eterno. Naquele dia – ouvimos na leitura do profeta Isaías – «no monte Sião, o Senhor do universo preparará para todos os povos um banquete de carnes gordas. […] Aniquilará a morte para sempre» (Is 25, 6.8).

Esta “esperança futura” anima a nossa memória e a nossa oração no dia de hoje. Não se trata de uma ilusão que serve para aplacar a dor da separação das pessoas amadas, nem de um simples otimismo humano. É a esperança fundada na ressurreição de Jesus, que venceu a morte e abriu, também a nós, a passagem para a plenitude da vida. Ele – como recordava numa catequese recente – é «o ponto de chegada do nosso caminho. Sem o seu amor, a viagem da vida tornar-se-ia um perambular sem meta, um erro trágico com um destino fracassado. […] O Ressuscitado garante a meta, conduz-nos para casa, onde somos esperados, amados, salvos» (Audiência Geral, 15 de outubro de 2025).

E esta meta final, o banquete em torno do qual o Senhor nos reunirá, será um encontro de amor. Por amor, Deus nos criou; no amor do seu Filho, Ele nos salva da morte; na alegria do amor com Ele e com os nossos, Ele deseja que vivamos para sempre. Por isso mesmo, só quando vivemos no amor e praticamos o amor uns para com os outros, em particular para com os mais fracos e os mais pobres, caminhamos em direção à meta e antecipamo-la, num vínculo inquebrantável com aqueles que nos precederam. Com efeito, Jesus convida-nos com estas palavras: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36).

A caridade vence a morte. Na caridade, Deus reunir-nos-á com os nossos entes queridos. Se caminhamos na caridade, a nossa vida torna-se uma oração que se eleva ao Céu e nos une aos defuntos, aproxima-nos deles, esperando reencontrá-los na alegria da eternidade.

Queridos irmãos e irmãs, enquanto a dor da ausência de quem já não está entre nós permanece gravada nos nossos corações, confiemo-nos à esperança que não engana (cf. Rm 5, 5); olhemos para Cristo Ressuscitado e pensemos nos nossos falecidos revestidos já da sua luz; deixemos ressoar em nós a promessa da vida eterna que o Senhor nos faz. Ele aniquilará a morte para sempre. Ele a venceu para sempre, abrindo uma passagem de vida eterna – isto é, fazendo Páscoa – no túnel da morte, para que, unidos a Ele, também nós possamos entrar nele e atravessá-lo.

Ele espera por nós e, quando O encontrarmos, no final desta vida terrena, alegrar-nos-emos com Ele e com os nossos queridos que nos precederam. Que esta promessa nos sustente, enxugue as nossas lágrimas e volte o nosso olhar para a frente, para aquela esperança futura que não morre.

Papa Leão XIV

(Cemitério de Verona- Homilia da Santa Missa, 2 de novembro de 2025)

Semana de oração pelos Seminários 2026 - Oração in CEVM


Seminário de Leiria promove 24 horas de adoração ao Santíssimo pelas vocações sacerdotais - REDE (Revista Digital)