terça-feira, 26 de maio de 2026
sábado, 23 de maio de 2026
DOMINGO DE PENTECOSTES
Com a celebração de Pentecostes terminamos o tempo Pascal. O grande dia de Páscoa chegou ao fim e começa o tempo comum, que é o tempo, por excelência, da missão da Igreja - anunciar a todos os homens a Boa Nova do Reino: Jesus Ressuscitou, vive em cada batizado, quer viver em quem se disponha a recebê-lo e O deseje de coração sincero.
Na 1ªleitura (Atos 2, 1-11) S.Lucas,
que coloca este dia a acontecer 50 dias após a ressurreição de Jesus, dá-nos
conta da transformação dos apóstolos sob a ação do Espírito Santo e de como, os
que os ouviam, os entendiam, apesar de serem oriundos de países com idiomas
diferentes. Abramos também nós o coração à ação do
Espírito Santo a fim de que os nossos medos e angústias deem lugar às
maravilhas do Senhor, junto dos que nos são próximos.
“Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no
mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a
forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então
aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma
sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar
outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam
em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do
céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois
cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados,
diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve
cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes
da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da
Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma,
tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas
nossas línguas as maravilhas de Deus».”
Na
2ªleitura (1 Cor 12, 3b-7.12-13) S.Paulo leva-nos a reviver o nosso batismo e a
reencontrar aí, no Espírito Santo que então recebemos, o fundamento do nosso
ser comunidade. Só, pela ação do Espírito Santo em nós, seremos capazes de ver
no outro a imagem de Deus e de o amar como só Deus ama e assim n’Ele
partilharemos, em comunidade, os dons que o Senhor nos dá.
“Irmãos:
Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo. De
facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há
diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas
é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do
Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e
todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também
sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens
livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a
todos nos foi dado a beber um único Espírito.”
No
evangelho (Jo 20,
19-23) S.João, que coloca todos os acontecimentos pascais a
terem lugar num mesmo dia, o primeiro da semana, desafia-nos a deixarmo-nos
conduzir pelo Espírito Santo, vivendo numa mesma confiança em Jesus
ressuscitado. É pela ação do Espírito Santo que recebemos a Paz de Jesus e
seremos anunciadores do Amor de Deus por todos os homens em geral e por cada um
em particular. Assim nos deixemos repassar e inundar pelo Espírito Santo.
“Na tarde
daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os
discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no
meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as
mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus
disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também
Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o
Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e
àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».”
Enviai Senhor
o Vosso Espírito e renovai os nossos corações.
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, Solenidade de Pentecostes, o Evangelho leva-nos ao Cenáculo, onde os apóstolos se tinham refugiado depois da morte de Jesus (Jo 20, 19-23). O Ressuscitado, na noite de Páscoa, apresenta-se precisamente naquela situação de medo e angústia e, soprando sobre eles, diz: «Recebei o Espírito Santo»(v.22). Assim, com o dom do Espírito, Jesus quer libertar os discípulos do medo, este medo que os mantém fechados em casa, e liberta-os para que possam sair e tornar-se testemunhas e anunciadores do Evangelho. Reflitamos um pouco sobre aquilo que o Espírito faz: liberta do medo.
Os discípulos tinham fechado as portas, diz o Evangelho, «por temor» (v.19). A morte de Jesus tinha-os perturbado, os seus sonhos tinham sido desfeitos, as suas esperanças tinham desaparecido. E fecharam-se em si mesmos. Não apenas naquela sala, mas dentro, no coração. Gostaria de sublinhar este facto: fechados dentro. Quantas vezes também nós nos fechamos em nós mesmos? Quantas vezes, por causa de uma situação difícil, de um problema pessoal ou familiar, do sofrimento que nos marca ou por causa do mal que respiramos à nossa volta, caímos lentamente na perda da esperança e na falta de coragem para continuar? Muitas vezes isto acontece. E então, como os apóstolos, fechamo-nos dentro, barricando-nos no labirinto das preocupações.
Irmãos e
irmãs, este “fecharmo-nos dentro” acontece quando, nas situações mais difíceis,
deixamos que o medo se apodere de nós e faça a “levante a voz” dentro de nós.
Quando o medo entra, fechamo-nos. A causa, portanto, é o medo: medo de não ser
capaz de enfrentar, de estar sozinho para enfrentar as batalhas diárias, de
correr riscos e depois ficar desiludido, de fazer escolhas erradas. Irmãos e
irmãs, o medo bloqueia, o medo paralisa. E também isola: pensemos no medo do
outro, dos estrangeiros, dos diferentes, dos que pensam de forma diferente. E
pode até haver medo de Deus: que me castigue, que se ressinta de mim... Se
dermos espaço a estes falsos medos, as portas fecham-se: as do coração, as da
sociedade e até as da Igreja! Onde há medo, há fechamento. E isto não é bom.
Contudo, o Evangelho oferece-nos o remédio do Ressuscitado: o Espírito Santo. Ele liberta das prisões do medo. Ao receberem o Espírito - que hoje celebramos - os apóstolos deixam o cenáculo e saem pelo mundo para perdoar os pecados e anunciar a boa nova. Graças a Ele, os receios são vencidos e as portas abrem-se. Pois é isto que o Espírito faz: faz-nos sentir a proximidade de Deus e, assim, o seu amor afasta o temor, ilumina o caminho, consola, sustenta na adversidade. Diante dos medos e dos fechamentos, invoquemos então o Espírito Santo para nós, para a Igreja e para o mundo inteiro: a fim de que um novo Pentecostes afaste os receios que nos assaltam e reacenda o fogo do amor de Deus.
Maria Santíssima, a primeira a ser repleta do Espírito Santo, interceda por nós.
Papa Francisco
(Regina Caeli - 28 de maio de 2023)
sábado, 16 de maio de 2026
DOMINGO VII DA PÁSCOA
SOLENIDADE
DA ASCENSÃO DO SENHOR
Hoje, centramo-nos na festa da Ascensão, dia para o qual Jesus nos tem vindo a preparar desde a Sua Ressurreição, até hoje, deixando-nos as Suas instruções e recomendações finais. Na solenidade de hoje celebramos a partida de Jesus para o Pai. Do Céu saiu, para lá volta, e para aí nos atrai, através da ação do Espírito Santo, que nos move a fazer o bem, a testemunhar a presença de Jesus entre nós, a anunciá-l’O onde nos movemos e existimos.
Na
1ªleitura (Atos
1, 1-11) o autor projeta-nos para a
Ascensão de Jesus. Ao mesmo tempo, desafia-nos a, sobre a ação do
Espírito Santo, continuarmos, hoje, no nosso tempo, a ação evangelizadora dos
primeiros cristãos, dos que conheceram e conviveram com Jesus, o Filho de Deus,
que encarnou entre nós. Deixemos que o Espírito Santo, que recebemos no dia do
nosso batismo, nos preencha por inteiro e nos transforme, no nosso dia a dia,
no concreto da vida, em verdadeiros anunciadores da Boa Nova do Amor, que quer
comunicar-se, revelar-se, amar a todos, sem exceção.
“No meu
primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a
ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter
dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi
também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas,
aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia
em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém,
mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar.
Na verdade, João batizou com água; vós, porém, sereis batizados no Espírito
Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a
perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele
respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai
determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que
descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia
e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e
uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto
Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que
disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus,
que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir
para o Céu».”
Na
2ªleitura (Ef
1, 17-23) S.Paulo exorta-nos a
glorificar Jesus e a contemplar, na Sua Ascensão, a volta da humanidade para o
Pai.
“Irmãos:
O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito
de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do
vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os
tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza
do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força
que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita
nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo
o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há de
vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça
de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em
todos.”
“Naquele
tempo, os Onze discípulos partiram para a Galileia, em direção ao monte que
Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.
Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre
convosco até ao fim dos tempos».”
Senhor
Jesus, que eu me deixe habitar pelo Espírito Santo, na totalidade do meu ser.
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, em
Itália e em muitos outros países, celebra-se a Ascensão do Senhor. É uma festa
que conhecemos bem, mas que pode suscitar algumas perguntas, pelo menos duas. A
primeira: por que festejar a partida de Jesus da terra? Poderia parecer que a
sua partida é um momento triste, não propriamente um motivo de alegria! Por que
festejar uma partida? Primeira pergunta. Segunda pergunta: o que está a fazer
Jesus agora no céu? Primeira pergunta: porquê festejar? Segunda pergunta: o que
está a fazer Jesus no céu?
Por
que festejamos? Porque com a Ascensão
aconteceu uma coisa nova e bela: Jesus levou a nossa humanidade, a nossa carne
para o céu – pela primeira vez! – ou seja, levou-a a Deus. Aquela
humanidade, que ele assumira na terra, não ficou aqui. Jesus ressuscitado não
era um espírito, não, tinha o seu corpo humano, a carne, os ossos, tudo, ali,
com Deus, estará para sempre. Podemos dizer que a partir do dia da Ascensão, o
próprio Deus, “mudou”: desde então, já não é apenas um espírito, mas, por
quanto nos ama, tem em si a nossa própria carne, a nossa humanidade! Pois o
nosso lugar é indicado, o nosso destino está ali. Assim escrevia um antigo Pai
na fé: «Notícia maravilhosa! Aquele que se fez homem por nós [...], para nos
fazer seus irmãos, apresenta-se como homem diante do Pai, para levar consigo
todos os que estão unidos a ele» (S.
Gregório de Nissa, Discurso sobre a Ressurreição de Cristo, 1).
Hoje celebramos “a conquista do céu”: Jesus que regressa ao Pai, mas com a
nossa humanidade. E assim o céu já é um pouco nosso. Jesus abriu a porta e o
seu corpo está lá.
Segunda
pergunta: o que está a fazer Jesus no céu? Ele representa-nos
perante o Pai, mostra-lhe continuamente a nossa humanidade, mostra-lhe as
feridas. Gosto de pensar que Jesus, diante do Pai, mostrando-lhe as chagas,
reza assim. “Eis o que sofri pelos homens: faz alguma coisa!”. Mostra-lhe o preço
da redenção, e o Pai comove-se. Gosto de pensar nisto. É assim que Jesus reza.
Ele, não nos deixou sozinhos. De facto, antes de ascender, disse-nos, como
relata o Evangelho de hoje: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).
Ele está sempre connosco, olha para nós, está «sempre vivo para interceder» (Hb 7, 25)
em nosso favor. Para mostrar as feridas ao Pai, por nós. Numa palavra,
Jesus intercede; está no melhor “lugar”, diante do Pai seu e nosso,
para interceder por nós.
A intercessão
é fundamental. Também para nós esta fé é útil: ajuda-nos a não perder a
esperança, a não desanimar. Perante o Pai, há alguém que lhe mostra as feridas
e intercede. Que a Rainha do Céu nos ajude a interceder com a força da oração.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
À imagem e semelhança de Deus – Trindade! (III) - Pe Manuel Armindo Janeiro - Facebook
Para que todos cumpram a
sua humanidade!!
A recuperação teológica e pastoral da dimensão
trinitária do mistério de Deus é decisiva para entender e viver o caminho
sinodal da Igreja, pois nos mostra que “caminhar juntos” não é estratégia do
momento, mas exigência do reflexo que somos da comunhão e reciprocidade vividas
intimamente em Deus – Trindade Santíssima. O Papa Francisco dizia-nos que este
é o estilo de vida que Deus espera da Igreja no Terceiro Milénio.
A fé num “Deus uno em três Pessoas” implica reconhecer
que Deus é unidade e diversidade, e que, por isso mesmo, em nós, antes da
distinção pelos dons e carismas recebidos, há uma radical e igual dignidade de
batizados, que não permite discriminações e a todos chama à participação
corresponsável na missão da Igreja; é, pois, necessário o diálogo, a formação,
a conversão de relações e de processos pela escuta recíproca para que os fiéis
participem no discernimento comunitário.
Contudo, embora se deva apelar e dar espaço ao
contributo de cada fiel, a verdade é que o protagonismo na Igreja não é
individual, mas de todo o Povo Santo de Deus. Assim como na Trindade toda a Sua
ação a nosso favor é coletiva, assim também a ação da Igreja no mundo é obra
comum, participando cada um segundo o dom recebido. Neste sentido, a missão da
Igreja sinodal é fazer transbordar para o mundo a comunhão trinitária e dela
ser sinal no meio de todos os povos e nações.
A Igreja vive deste dinamismo da comunidade eterna de
amor que é a Trindade e procura imitá-La, trabalhando para que, entre todos, a
igualdade e a diferença convivam em harmonia. Se, em Si mesma, a Trindade é
mistério de mútuo acolhimento e doação recíproca, para nós, além de modelo
inspirador de um novo estilo de relações, Ela é fonte de vida e missão,
levando-nos a viver para os irmãos, especialmente para os que mais
precisam.
Tal como a Trindade Santíssima, que pela incarnação do
Filho saiu de Si mesma para assumir a nossa frágil natureza humana, carente de
salvação, e Se derramou em nossos corações no dia do nosso batismo, com ternura
e misericórdia sem limites, assim também a Igreja é desafiada a sair de si
mesma para fazer o mesmo, refletindo na história o amor de Deus. Cumprimos este
mandato, quando vivemos em comunhão e juntos escutamos o Espírito Santo que nos
convoca para a missão.
Se a reciprocidade amorosa de Deus – Trindade faz com
que cada uma das pessoas divinas seja o que é – Pai, Filho e Espírito Santo –,
também nos fará plenamente filhos adotivos se vivermos ao Seu jeito, à Sua
Imagem e semelhança, em recíproco acolhimento e doação. O mesmo se diga da
Igreja: ela cumpre-se na missão de anunciar, com a vida e a palavra – a boa
nova do projecto de Deus – Trindade. Que o dinamismo trinitário de Deus informe
o nosso caminho sinodal.
Publicado em 11/maio/2026
sábado, 9 de maio de 2026
DOMINGO VI DA PÁSCOA
Os
textos da liturgia de hoje dão continuidade aos de domingo passado, centrando-nos
no essencial da nossa fé: “Deus-Trindade
– em que o Pai se dá totalmente ao Filho e o Filho totalmente ao Pai, sendo a
relação de ambos o próprio Espírito Santo, plenitude de entrega recíproca”. Hoje somos conduzidos por Jesus através dos
ensinamentos que nos deixou nas suas palavras de despedida, na Última Ceia
com os discípulos.
Na 1ªleitura (Atos 8,
5-8.14-17) vemos
como o Espírito Santo age em Filipe que leva o anúncio de Jesus, o Messias, aos
habitantes da Samaria. O testemunho de Filipe, na sua fidelidade ao Espírito
Santo, foi essencial, para que os samaritanos pudessem, também eles, aderir a
Jesus Ressuscitado e receber o Espírito Santo.
“Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o
Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe,
ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos
impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram
curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam
em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus,
enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para
que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só
estavam batizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles
recebiam o Espírito Santo.”
Na 2ª leitura (1 Pedro 3,
15-18) é S.Pedro quem continua a
demonstrar-nos, através do seu testemunho, o quanto o Espírito Santo pode
transformar um coração. O apóstolo desafia-nos a sermos, também nós, hoje,
testemunhas do Amor de Deus, não impondo nada a ninguém, antes respeitando a
natureza de cada um, mas, ao mesmo tempo, deixando que o Espírito Santo,
através do nosso testemunho, junto dos que privam connosco, no dia a dia da
vida, chegue ao coração dos que O buscam de verdade.
“Caríssimos: Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a
responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança. Mas seja com
brandura e respeito, conservando uma boa consciência, para que, naquilo mesmo
em que fordes caluniados, sejam confundidos os que dizem mal do vosso bom
procedimento em Cristo. Mais vale padecer por fazer o bem, se for essa a
vontade de Deus, do que por fazer o mal. Na verdade, Cristo morreu uma só vez
pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus.
Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito.”
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis
os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito,
para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode
receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita
convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.
Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós
vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e
Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me
ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a
ele».
Vem, Espírito Santo, habita-me, inunda o meu coração e faz de mim verdadeira testemunha do Amor de Deus.
Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho de
hoje, sexto domingo da Páscoa, fala-nos do Espírito Santo, a quem Jesus
chama Paráclito (cf. Jo 14,
15-17). Paráclito é
uma palavra que vem do grego e significa, ao mesmo tempo, consolador e advogado.
Isto é, o Espírito Santo nunca nos deixa sozinhos, está ao nosso lado, como um
advogado que assiste o réu, estando ao seu lado. E sugere-nos a forma de nos
defendermos perante aqueles que nos acusam. Lembremo-nos de que o grande
acusador é sempre o demónio, que coloca os pecados dentro de nós, o desejo de
pecar, a maldade. Reflitamos sobre estes dois aspetos: a sua proximidade a nós
e a sua ajuda contra aqueles que nos acusam.
A sua proximidade:
o Espírito Santo, diz Jesus, «permanece convosco e está em vós» (cf. v. 17).
Nunca nos abandona. O Espírito Santo quer estar connosco: não é um hóspede de
passagem que vem fazer-nos uma visita de cortesia. É um companheiro de vida,
uma presença estável, é Espírito e deseja habitar no nosso espírito. É paciente
e fica connosco inclusive quando caímos. Fica porque nos ama verdadeiramente:
não finge que nos ama e depois deixa-nos sozinhos nas dificuldades. Não. É
leal, é transparente, é autêntico.
Aliás, quando
nos encontramos na provação, o Espírito Santo consola-nos, trazendo-nos o
perdão e a força de Deus. E quando nos confronta com os nossos erros e nos
corrige, fá-lo com gentileza: na sua voz que fala ao coração há sempre o timbre
da ternura e o calor do amor. Certamente, o Espírito Paráclito é exigente,
porque é um amigo verdadeiro, fiel, que nada esconde, que nos sugere o que
mudar e como crescer. Mas, quando nos corrige, nunca nos humilha nem infunde
desconfiança; ao contrário, transmite-nos a certeza de que com Deus podemos
vencer, sempre. Esta é a sua proximidade. É uma bonita certeza!
Segundo
aspeto, o Espírito Paráclito, é o nosso advogado e defende-nos.
Defende-nos diante daqueles que nos acusam: diante de nós mesmos, quando não
nos amamos e não nos perdoamos, até ao ponto de nos dizer que somos fracassados
e inúteis; diante do mundo, que descarta quem não corresponde aos seus esquemas
e modelos; diante do demónio, que é por excelência o “acusador” e o divisor (cf. Ap 12, 10) e
faz de tudo para que nos sintamos incapazes e infelizes.
Perante todos
estes pensamentos acusadores, o Espírito Santo sugere-nos como devemos reagir.
De que modo? O Paráclito é Aquele que «nos recorda tudo o que Jesus nos disse» (cf. Jo 14, 26).
Por isso, recorda-nos as palavras do Evangelho e permite que
respondamos ao demónio acusador não com as nossas palavras, mas com as palavras
do Senhor. Sobretudo, recorda-nos que Jesus falou sempre do Pai que está nos
céus, fez com que o conhecêssemos e revelou-nos o seu amor por nós, que somos
seus filhos. Se invocarmos o Espírito, aprendemos a acolher e a recordar a
realidade mais importante da vida, que nos protege das acusações do mal. E qual
é essa realidade mais importante da vida? O facto de sermos filhos amados de
Deus. Somos filhos amados de Deus: esta é a realidade mais importante, e o
Espírito recorda-nos isso.
Irmãos e
irmãs, perguntemo-nos hoje: invocamos o Espírito Santo, rezamos-Lhe com
frequência? Não nos esqueçamos d’Aquele que está perto de nós, aliás, dentro de
nós! E depois, escutamos a sua voz, quando nos encoraja e quando nos corrige?
Respondemos com as palavras de Jesus às acusações do mal, aos “tribunais” da
vida? Lembramo-nos de que somos filhos amados de Deus? Que Maria nos torne
dóceis à voz do Espírito Santo e sensíveis à sua presença.






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