DOMINGO XII DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje levam-nos a abrir caminhos de reflexão e aprofundamento das razões da nossa fé, no viver de cada dia. Somos interpelados, no mais fundo do nosso ser cristão, sobre o que nos leva a optar por um, ou por outro modo de atuar na relação com os que connosco vivem, convivem ou, simplesmente, se cruzam nos nossos caminhos. E quando surgem obstáculos, dificuldades, zombarias, ou perseguições, face à coerência de testemunho de vida, com o essencial da nossa fé, como fazemos, em quem nos apoiamos, a quem nos agarramos? Senhor, que nesses momentos nunca duvidemos do Teu Amor e nos deixemos habitar totalmente por Ti. Que sejas Tu, e só Tu, a força em quem sempre nos apoiemos, a razão de ser da nossa vida.
Na 1ªleitura (Jer 20, 10-13) o
profeta Jeremias abre a sua alma e ajuda-nos a olhar, de frente e com toda a
verdade, para aqueles momentos da nossa vida em que sentimos dificuldade em dar
testemunho do Amor, na relação com os que nos rodeiam. Mas também nos auxilia
no encontro com o Único em quem podemos confiar, em todas as situações da nossa
vida, sejam elas quais forem: Deus Uno e Trino, O Amor sem fim por todos e por
cada um de nós.
“Disse Jeremias: «Eu ouvia as invetivas da multidão: ‘Terror por toda a parte! Denunciai-o, vamos denunciá-lo!’. Todos os meus amigos esperavam que eu desse um passo em falso: ‘Talvez ele se deixe enganar e assim o poderemos dominar e nos vingaremos dele’. Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida. Senhor do Universo, que sondais o justo e perscrutais os rins e o coração, possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa. Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos».
Na 2ªleitura (Rom
5, 12-15) S.Paulo ao
alertar-nos para a nossa condição de pecadores, fá-lo desafiando-nos a
contemplar quem é maior do que o pecado, Aquele que venceu a morte e em quem
podemos entregarmo-nos completamente, porque Ele nos ganhou para Deus, no Amor.
Ele é o Amor gratuito por todos e cada um, deu a Sua vida por cada um de nós,
quando ainda éramos pecadores. Então, porque será que ainda temos medo? O que
continua a impedir-nos de n’Ele confiarmos totalmente, de a Ele nos entregarmos
com tudo o que somos e temos? Ajuda-nos Senhor, a aprender a viver de Ti, no
concreto da vida! Sto.António (13-06), S.João Batista (24-06), S.Pedro e
S.Paulo (29-06) intercedei por nós.
“Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens.
No evangelho (Mt 10, 26-33) é Jesus quem
nos diz diretamente “Não temais”. Depois, explica-nos que somos demasiado
preciosos para Deus, que Ele nos ama infinitamente, muito mais do que às aves
do céu e que nem uma deles cairá por terra, sem o consentimento de Deus Pai.
Efetivamente, em Jesus, também cada um de nós é filho querido do Pai. Não deu
Jesus a Sua vida para que encontrássemos o Amor, que é Deus? Arrisquemos,
entreguemo-nos de coração. Jesus, e só Ele, será sempre a nossa força!
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».
Senhor Jesus, tende misericórdia de nós.
Que sejas Senhor o único amor da minha vida.
Que eu nunca, mas nunca mesmo, duvide do Teu Amor.
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia, feliz domingo!
No Evangelho
de hoje, Jesus repete três vezes aos seus discípulos: «Não tenhais medo» (Mt 10, 26.28.31).
Pouco antes, falou-lhes das perseguições que terão de suportar por causa do
Evangelho, uma realidade ainda hoje atual: a Igreja, de facto, desde o início
conheceu, juntamente com as alegrias - e foram tantas! -, muitas perseguições.
Parece paradoxal: o anúncio do Reino de Deus é uma mensagem de paz e de
justiça, fundada na caridade fraterna e no perdão e, no entanto, encontra
oposições, violências e perseguições. Jesus, porém, diz para não temermos: não
porque no mundo tudo correrá bem, não, mas porque para o Pai somos preciosos e
nada do que é bom se perderá. Por isso, diz-nos para não deixarmos que o medo
nos detenha, mas para temermos outra coisa, apenas uma coisa. O que nos diz
Jesus que devemos temer?
Descobrimo-lo
através de uma imagem que Jesus utiliza hoje: a imagem de “Geena” (cf. v. 28).
O vale de “Geena” era um lugar que os habitantes de Jerusalém conheciam bem:
era o grande depósito de lixo da cidade. Jesus fala dele para dizer que o
verdadeiro medo que se deve ter é o de deitar fora a própria vida.
Jesus diz: «Sim, temei isto». Como se dissesse: não é tanto ter medo de sofrer
incompreensões e críticas, de perder o prestígio e as vantagens económicas para
permanecer fiel ao Evangelho, mas de desperdiçar a existência perseguindo
coisas banais, que não enchem a vida de sentido.
E isto é
importante para nós. De facto, também hoje, podemos ser ridicularizados ou
discriminados se não seguirmos certos modelos em voga, que, no entanto, colocam
muitas vezes no centro realidades de segunda categoria: por exemplo, seguir
coisas em vez de pessoas, desempenhos em vez de relações. Vejamos alguns
exemplos. Estou a pensar nos pais, que precisam de trabalhar para sustentar a
família, mas não podem viver só para o trabalho: precisam de tempo para estar
com os filhos. Penso também num sacerdote ou numa religiosa: devem empenhar-se
no seu serviço, mas sem se esquecerem de dedicar tempo a estar com Jesus, caso
contrário caem na mundanidade espiritual e perdem o sentido de quem são. E
penso ainda num jovem ou numa jovem, que tem mil compromissos e paixões:
escola, desporto, interesses diversos, telemóveis e redes sociais,
mas precisa de encontrar pessoas e realizar grandes sonhos, sem perder tempo
com coisas que passam e não deixam marca.
Tudo isto,
irmãos e irmãs, implica alguma renúncia perante os ídolos da eficácia e do
consumismo, mas é necessário para não nos perdermos nas coisas, que depois são
deitadas fora, como se fazia no Geena de então. E no Geena de hoje, as pessoas
acabam muitas vezes por: pensar nos últimos, muitas vezes tratados como
material de descarte e objetos indesejados. Permanecer fiéis ao que conta
custa; custa ir contra a maré, custa libertar-se dos condicionamentos do
pensamento comum, custa ser afastado por aqueles que “seguem a onda”. Mas não
importa, diz Jesus: o que importa é não deitar fora o bem maior, a vida. Só
este facto já nos deve assustar.
Perguntemo-nos
então: eu, do que tenho medo? De não ter aquilo de que gosto? De não atingir os
objetivos que a sociedade impõe? Do julgamento dos outros? Ou de não agradar ao
Senhor e não colocar o seu Evangelho em primeiro lugar? Maria, sempre Virgem, Mãe
sábia, ajuda-nos a sermos sábios e corajosos nas escolhas que fazemos.



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