sexta-feira, 16 de outubro de 2026
sábado, 10 de outubro de 2026
XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Deixando o tema da vinha, que nos acompanhou nos últimos domingos, Jesus apresenta-nos hoje o Reino dos Céus, recorrendo a uma parábola que tem como personagem principal um rei que prepara um banquete para celebrar as núpcias do seu filho e nos convida, a todos, para a festa. Respondamos ao convite que o Senhor nos faz para participarmos na Eucaristia, no banquete do Senhor.
Na 1ª leitura (Is 25, 6-10a), toda ela em linguagem festiva, de ânimo e esperança para o povo de Israel, mas também para
nós, hoje, escutamos Isaías. Nesta o profeta fala-nos da promessa de Deus de preparar um
banquete para todos os povos, com suculentos manjares e com vinhos deliciosos,
fazendo-nos presente o milagre do Amor Vivo no meio de nós, que é cada
Eucaristia.
“Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos
um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de
boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há de tirar o véu que cobria
todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para
sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer
da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou.
Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o
Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque
nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte».”
Na 2ªleitura (Filip 4, 12-14.19-20) S.Paulo, numa linguagem muito bela e, ao mesmo tempo, pessoal, vivencial,
forte e profunda, dá-nos testemunho de que é possível viver em Jesus a tempo
inteiro. Por outro lado, agradece aos Filipenses a ajuda que recebeu deles.
Apoiado em Deus e atento aos irmãos, eis como vive Paulo.
“Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na
abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter
fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo
posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar parte na
minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas
necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. Glória a
Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Ámen.”
No Evangelho (Mt
22, 1-14) é o próprio Jesus quem nos convida, por meio da parábola que nos conta, a
participar no banquete que o Pai nos prepara em cada Eucaristia. Festejamos
Jesus ressuscitado, vivo no meio de nós. E, sempre que o nosso coração se abre,
sob a ação do Espírito Santo, e se deixa inundar do Amor de Deus, participamos
em cheio neste banquete de manjares suculentos e vinho puríssimo, preparado
para nós desde toda a eternidade. Deixemo-nos cativar pelo Seu convite de amor
infinito.
“Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos
anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode
comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou
os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou
ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu
banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às
bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o
seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e
mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que
acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos:
‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às
encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.
Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus
e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para
ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e
disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou
calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o
às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos
são os chamados, mas poucos os escolhidos».”
Senhor, Pai Santo eu te louvo e bendigo pelo dom da Eucaristia. Que eu me
coração se deixe repassar por Ti e assim eu responda ao Teu convite de Amor.
Amados irmãos
e irmãs, bom dia!
O Evangelho de
hoje fala-nos de um rei que prepara um banquete de núpcias para o seu filho
(cf. Mt 22, 1-14). É um homem poderoso, mas é sobretudo um pai generoso,
que convida a participar na sua alegria. Em particular, revela a bondade do seu
coração no facto de não obrigar ninguém, mas convida todos, mesmo que este modo
de agir o exponha à possibilidade de rejeição. Reparemos: ele prepara um
banquete, oferecendo gratuitamente a oportunidade de se encontrar, de
festejar. É isto que Deus prepara para nós: um banquete, para estarmos em
comunhão com Ele e uns com os outros. E nós, todos nós, somos portanto os
convidados de Deus. Mas um banquete de núpcias exige tempo e participação
da nossa parte, requer um “sim”: ir, responder ao convite do Senhor, Ele
convida, mas deixa-nos livres.
É este o tipo
de relação que o Pai nos oferece: chama-nos a estar com Ele, deixando-nos a
possibilidade de aceitar ou não. Não nos propõe uma relação de sujeição, mas de
paternidade e de filiação, necessariamente condicionada pelo nosso livre
consentimento. Deus é muito respeitador da liberdade, muito respeitador. Santo
Agostinho usa uma expressão muito bonita a este respeito, dizendo: «Deus, que
te criou sem ti, não te pode salvar sem ti» (Sermo CLXIX, 13). E
certamente não porque não tenha capacidade para isso - Ele é omnipotente! - mas
porque, sendo amor, respeita plenamente a nossa liberdade. Deus propõe-se, não
se impõe, nunca.
Voltamos assim
à parábola: o rei - diz o texto - «mandou os seus servos chamar os convidados
para o casamento, mas eles não quiseram vir» (v. 3). Aqui está o drama
da história: o “não” a Deus. Mas porque recusam os homens o seu convite? Será
porventura um convite desagradável? Não, e, no entanto, - diz o Evangelho –
«não se importaram e foram uns para o seu campo, outros para os seus negócios»
(v. 5). Não se importaram, porque pensavam nos seus próprios assuntos. E aquele
rei que é pai, Deus, o que faz? Não desiste, continua a convidar, aliás alarga
o convite, até encontrar quem o aceite, entre os pobres. Entre eles, que sabem
que não têm muito, vêm em grande número, até encherem a sala (cf. vv. 8-10).
Irmãos e
irmãs, quantas vezes não atendemos ao convite de Deus porque estamos ocupados
com os nossos assuntos! Muitas vezes lutamos para ter o nosso tempo livre,
mas hoje Jesus convida-nos a encontrar o tempo que liberta: o tempo a
dedicar a Deus, que alivia e cura o nosso coração, que aumenta em nós a paz, a
confiança e a alegria, que nos salva do mal, da solidão e da perda de sentido.
Vale a pena, porque é bom estar com o Senhor, dar-se-Lhe. Onde? Na Missa, na
escuta da Palavra, na oração e também na caridade, pois ajudando quem é fraco
ou pobre, fazendo companhia a quem está só, escutando quem pede atenção,
consolando quem sofre, estamos com o Senhor, presente em quem está em
necessidade. Muitos, porém, pensam que estas coisas são “perda de tempo” e
fecham-se no seu mundo privado; é triste. E isto gera tristeza. Quantos
corações tristes! Porque estão fechados.
Perguntemo-nos
então: como respondo eu aos convites de Deus? Que espaço lhe dou nos meus dias?
A qualidade da minha vida depende dos meus negócios e do meu tempo livre ou do
meu amor ao Senhor e aos irmãos, especialmente aos mais necessitados?
Maria, que com um "sim" abriu espaço para Deus, nos ajude a não sermos surdos aos seus convites.
(...) "No entanto, o
Senhor apresenta uma condição: usar o hábito nupcial. E voltemos à parábola. Quando o salão está cheio, o rei chega e cumprimenta
os convidados da última hora, mas vê um deles sem o hábito nupcial, uma espécie
de capa que cada convidado recebia de presente à entrada. As pessoas iam como estavam, como podiam vestir-se, sem hábito de festa.
Mas à entrada era-lhes dada uma espécie de capa, um presente. Aquele convidado,
ao recusar o presente, auto-excluiu-se: assim o rei mais não pode fazer do que
mandá-lo embora. Este homem aceitou o convite, mas
depois decidiu que para ele ele não significava nada: era uma pessoa
auto-suficiente, não tinha desejo de mudar ou de deixar que o Senhor o mudasse.
O hábito nupcial - esta capa - simboliza a misericórdia que Deus nos
concede gratuitamente, ou seja, a graça. Sem a graça não se pode dar um passo
em frente na vida cristã. Tudo é graça. Não basta aceitar o convite para seguir
o Senhor, é necessário estar aberto a um caminho de conversão que mude o
coração. O hábito da misericórdia, que Deus nos oferece incessantemente, é um
dom gratuito do seu amor, é precisamente a graça. E requer ser recebido com
maravilha e alegria: “Obrigado, Senhor, por me teres concedido este dom”."
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
sábado, 3 de outubro de 2026
DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM
Neste domingo a temática da vinha mantém-se, mas surge numa perspetiva diferente, pois o Senhor mostra-nos até onde vai o Seu amor pela vinha, que somos nós. Deus espera que O reconheçamos e a Ele nos entreguemos na totalidade do nosso ser, de forma a produzirmos “boas uvas”.
Na 1ªleitura (Is 5, 1-7) o profeta Isaías apresenta-nos O Senhor a cuidar com todo o carinho do Seu povo, que lhe responde com infidelidades e traições.
“Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços. E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha: Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços? Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva. A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava retidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.”
Como respondemos nós, hoje, ao Amor que Deus nos tem?
Para que não tenhamos dúvidas, S. Paulo, na 2ªleitura (Filip 4, 6-9) diz-nos o que se espera de nós, como resposta ao Amor de Deus. Escutemo-lo de coração sincero e façamos o que nos propõe.
“Irmãos: Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.”
No Evangelho (Mt 21, 33-43) é próprio Jesus que nos conta uma nova parábola sobre a vinha. E nela fala-nos do profundo amor de Deus por todos os homens, a ponto de enviar o Seu próprio Filho pela salvação da humanidade. Quanto nos amas Senhor! Ninguém pode ficar indiferente perante a manifestação do Amor de Deus!
“Naquele
tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi
outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma
sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns
vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os
seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém,
lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro
apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os
primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu
próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem
o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua
herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o
dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Eles responderam: «Mandará matar
sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe
entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura:
‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto
veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á
tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».”
Senhor, que eu
me deixe amar por Ti, na totalidade do meu ser.
Amados irmãos
e irmãs, bom dia!
Hoje o
Evangelho apresenta-nos uma parábola dramática, com um epílogo triste (cf. Mt
21, 33-43). O proprietário de um terreno plantou ali uma vinha e cuidou bem
dela; depois, tendo de partir, confia-a a alguns camponeses. Na altura da
colheita, manda os seus servos fazer a colheita. Mas os camponeses
maltratam-nos e matam-nos; depois o dono manda o seu filho, e também o matam.
Porquê? O que é que correu mal? Há uma mensagem de Jesus nesta parábola.
O dono faz
tudo bem, com amor: trabalha ele próprio, planta a vinha, rodeia-a com uma sebe
para a proteger, cava um buraco para o lagar e constrói uma torre de vigia (cf.
v. 33). Em seguida, confia a vinha a agricultores, alugando-lhes a sua preciosa
propriedade e tratando-os assim com equidade, para que a vinha seja bem
cultivada e dê fruto. Tendo em conta estas premissas, a vindima deveria
terminar de forma feliz, num ambiente de festa, com uma partilha justa da
colheita, para satisfação de todos.
Em vez disso,
pensamentos ingratos e ávidos insinuaram-se no espírito dos
agricultores. Vede que, na origem dos conflitos, há sempre pensamentos de
ingratidão e de avidez, de posse imediata de coisas. “Não precisamos de dar
nada ao patrão. O produto do nosso trabalho é só nosso. Não temos de prestar
contas a ninguém”! Assim é o discurso desses trabalhadores. E isso não é
verdade: deviam estar gratos pelo que receberam e pela forma como foram
tratados. Pelo contrário, a ingratidão alimenta a avidez e cresce neles um
progressivo sentimento de revolta, que os leva a ver a realidade de uma forma
distorcida, a sentirem-se em crédito e não em dívida para com o dono que lhes
deu trabalho. Quando veem o filho, chegam até a dizer: «Este é o herdeiro.
Matemo-lo, e ficaremos com a sua herança»! (v. 38). E, de agricultores,
tornam-se assassinos. É tudo um processo. E este processo acontece muitas vezes
no coração das pessoas, também no nosso coração.
Com esta
parábola, Jesus recorda-nos o que acontece quando o homem se ilude é
autossuficiente e esquece a gratidão, esquece a realidade fundamental da vida:
que o bem vem da graça de Deus, que o bem vem do seu dom gratuito. Quando se
esquece disto, da gratuidade de Deus, acaba por viver a própria condição e a
própria limitação já não com a alegria de se sentir amado e salvo, mas com a
triste ilusão de não precisar nem de amor nem de salvação. Não nos deixamos
amar e ficamos prisioneiros da própria avidez, prisioneiros da necessidade de
ter algo mais do que os outros, de querer sobressair sobre os outros. É feio,
este processo, e acontece-nos muitas vezes. Pensemos seriamente nisto. Daí
nascem tantas insatisfações e recriminações, tantas incompreensões e tanta
inveja; e, movidos pelo ressentimento, podemos precipitar-nos no vórtice da
violência. Sim, queridos irmãos e irmãs, a ingratidão gera violência, tira-nos
a paz e faz-nos ouvir e falar aos gritos, sem paz, enquanto um simples
“obrigado” pode trazer a paz!
Perguntemo-nos
então: tenho consciência de que recebi a vida e a fé como um dom? Apercebo-me
de que eu mesmo, eu mesma sou um dom? Tenho consciência de que tudo começa com
a graça do Senhor? Apercebo-me de que sou beneficiado sem mérito, amado e salvo
gratuitamente? E, sobretudo, em resposta à graça, sei dizer “obrigado”? Sei
dizer “obrigado”? As três palavras que são o segredo da convivência humana:
obrigado, com licença, perdão. Será que sei dizer estas três palavras?
Obrigado, com licença, perdão, desculpa. Sei como dizer estas três palavras? É
uma pequena palavra, “obrigado” - é uma pequena palavra, “com licença”, é uma
pequena palavra, “perdão” - esperada todos os dias de Deus e dos irmãos.
Perguntemo-nos se esta pequena palavra, “obrigado”, “com licença”, “perdão,
desculpa”, está presente na nossa vida. Sei agradecer, sei dizer “obrigado”?
Sei pedir desculpa, perdão? Sei como não ser intrusivo – “com licença”?
Obrigado, perdão, com licença.
Que Maria, cuja alma enaltece o Senhor, nos ajude a fazer da gratidão a luz que nasce todos os dias do coração.
sábado, 26 de setembro de 2026
XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
O Senhor
continua na Sua vinha. Hoje, vem até nós e dirige-nos um pedido especial
“Filho, vai hoje trabalhar na vinha”. Cabe a cada um dar-Lhe a sua resposta:
sim, sim; não, não. Mais do que as palavras, o que interessa verdadeiramente é
fazer a Sua vontade, nada mais é necessário.
Na 1ªleitura (Ez 18, 25-28) Ezequiel continua, na linha das leituras
dos últimos domingos, a revelar-nos Deus como o único justo, como Aquele que
vai sempre mais além, quando se trata de nos amar. A medida da justiça de Deus
é o Seu Amor infinito por todo e cada ser, hoje e sempre, para além do tempo e do espaço.
“Eis o que diz o Senhor: «Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há de viver e não morrerá».”
S.Paulo, na 2ªleitura (Filip 2, 1-11) exorta-nos a amar os nossos irmãos, tendo como expoente o Amor de Jesus Cristo por cada um de nós. Deixemo-nos amar totalmente por Jesus, entreguemo-nos de coração e seremos elos na cadeia de transmissão do Seu Amor, por este mundo além.
“Irmãos: Se há em Cristo alguma consolação, algum
conforto na caridade, se existe alguma comunhão no Espírito, alguns sentimentos
de ternura e misericórdia, então completai a minha alegria, tendo entre vós os
mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração. Não
façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os
outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses,
mas aos interesses dos outros. Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em
Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade
com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo,
tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,
obedecendo até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um
nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se
ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus
Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
No
Evangelho (Mt 21,
28-32) o Senhor Jesus conta-nos uma parábola em que nos
desafia a colocarmo-nos totalmente nas mãos de Deus. Se Lhe dissermos sim, que
a nossa palavra corresponda aos nossos atos, caso contrário, mais vale fazermos
como o primeiro filho.
“Naquele
tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos
parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho,
vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois,
porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do
mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos
dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus
disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão
diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o
caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de
má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes,
acreditando nele».”
Senhor, que
aprenda de Ti a dizer sim, por palavras, mas também de coração. Que, ainda que
te diga não, mesmo nessas alturas, me coloque nas Tuas mãos e faça o que Tu
queres de mim.
Amados irmãos
e irmãs, bom dia!
Hoje o
Evangelho fala de dois filhos, a quem o pai pede que vão trabalhar na vinha (cf. Mt 21, 28-32).
Um deles responde imediatamente “sim”, mas depois não vai. O outro, pelo
contrário, diz que não, mas depois arrepende-se e vai.
O que dizer
destes dois comportamentos? Pensa-se imediatamente que ir trabalhar na vinha
requer sacrifício, e que o sacrifício custa e não é espontâneo, mesmo na beleza
de saber que somos filhos e herdeiros. Mas o problema aqui não está tão ligado
à resistência a ir trabalhar na vinha, mas à sinceridade ou não diante
do pai e de si próprio. Com efeito, na realidade nenhum dos dois filhos se
comporta corretamente, o primeiro mente, enquanto que o outro erra mas é
sincero.
Vejamos o caso
do filho que diz “sim” mas depois não vai. Ele não quer fazer a vontade do pai,
mas também não quer discutir e falar sobre isso. Por isso, esconde-se por
detrás de um “sim”, de um falso assentimento, que esconde a sua preguiça e lhe
salva a cara momentaneamente, é um hipócrita. Passa sem conflitos, mas engana e
desilude o seu pai, desrespeitando-o de uma forma pior do que teria feito com
um “não” direto. O problema de um homem que se comporta assim é que não é
apenas um pecador, mas um corrupto, porque mente sem problemas
para cobrir e disfarçar a sua desobediência, sem aceitar qualquer diálogo ou
confronto honesto.
O outro filho,
o que diz “não” mas vai, é sincero. Não é perfeito, mas é sincero. Claro que
teríamos gostado de o ver dizer “sim” imediatamente. Não o faz, mas, pelo
menos, manifesta diretamente e num certo sentido com coragem a sua relutância.
Ou seja, assume a responsabilidade pelo seu comportamento e age à luz do dia.
Depois, com esta honestidade básica, acaba por se questionar, por se aperceber
de que estava errado e por retomar os seus passos. É, podemos dizer, um pecador,
mas não um corrupto. Ouvi bem: é um pecador, mas não é um corrupto. E
para o pecador há sempre uma esperança de redenção; para o corrupto, porém, é
muito mais difícil. De facto, os seus falsos “sins”, as suas aparências
elegantes mas hipócritas e os seus fingimentos que se tornaram hábitos são como
uma espessa “parede de borracha”, atrás da qual ele se protege das chamadas de
consciência. E estes hipócritas fazem tanto mal! Irmãos e irmãs, pecadores sim
- todos o somos -, corruptos não! Pecadores sim, corruptos não!
Olhemos agora
para nós próprios e, à luz de tudo isto, coloquemo-nos algumas questões.
Perante o esforço de viver uma vida honesta e generosa, de me empenhar segundo
a vontade do Pai, estou disposto a dizer “sim” todos os dias, mesmo que isso
custe? E quando não consigo, sou sincero no confronto com Deus sobre as minhas
dificuldades, as minhas quedas, as minhas fragilidades? E quando digo “não”,
volto atrás? Falemos com o Senhor sobre isto. Quando cometo um erro, estou
disposto a arrepender-me e a corrigir-me? Ou faço vista grossa e vivo com uma
máscara, preocupando-me apenas de me mostrar uma boa pessoa e honesto? Em
última análise, sou um pecador, como toda a gente, ou há algo de corrupto em
mim? Não esqueçais: pecadores sim, corruptos não.
Maria, espelho
de santidade, nos ajude a ser cristãos sinceros.
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