DOMINGO VI DO TEMPO COMUM -2026- Ano A
Na quarta-feira, da semana que hoje se inicia, vamos
entrar na Quaresma e a liturgia deste domingo,
como que , por antecipação, indica-nos, como ajuda para a vivência desse tempo especial de conversão, que devemos seguir os mandamentos da lei de Deus.
Jesus veio a este mundo e não desfez a Lei antiga, mas levou-a à perfeição,
ensinando o seu sentido profundo e a observá-la no íntimo do coração, no
espírito e não na letra.
Na 1ªleitura Sir 15, 16-21 (15-20) o autor sagrado dá-nos uma leitura dos preceitos da lei que vai para
além do cumprimento obrigatório de um ritual, passa antes por uma
adesão pessoal, por uma escolha consciente e não imposta. O resultado dessa
opção virá depois, porque o Senhor é fonte de alegria e de esperança e a
ninguém deu licença para pecar.
“Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade.
Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares.
Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado.
Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as
coisas. Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas
do homem. Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de
cometer o pecado.”
Na 2ª leitura (1 Cor 2, 6-10) S. Paulo fala-nos do que verdadeiramente é importante para cada um nós,
Jesus Cristo. Só em Jesus tudo ganha sentido e, pela ação do Espírito Santo
vai-nos sendo revelado o plano de salvação que Deus tem para o mundo, o Amor
infinito de Deus por todos e por cada um de nós, individualmente.
“Irmãos: Nós falamos de sabedoria entre os perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que vão ser destruídos. Falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória. Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito, «nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam». Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus.”
No Evangelho (Mt 5, 17-37) abre-se perante nós a cartilha
do Amor de Deus, que são os mandamentos. Jesus, nesta leitura, revela-nos que
as leis, os mandamentos, não são uma série de nãos, mas um sim total ao Amor,
ao nosso Deus e também ao próximo.
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo. Portanto, se fores apresentar a tua oferta ao altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher com maus desejos já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um só dos teus olhos do que todo o corpo ser lançado na geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um só dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de união ilegítima, expõe-na ao adultério. E quem se casar com uma repudiada comete adultério. Ouvistes ainda que foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás diante do Senhor o que juraste’. Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».”
“Abri,
Senhor, os meus olhos para ver as maravilhas da vossa lei”, “ensinai-me,
Senhor”, “dai-me entendimento”, para viver de Ti na minha vivência com todos os
que puseres no meu caminho.
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia!
No Evangelho
da liturgia de hoje Jesus diz: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os
Profetas: não vim revogá-la, mas completá-la» (Mt 5, 17). Completar:
esta é uma palavra-chave para compreender Jesus e a sua mensagem. Mas o que
significa “completar”? Para o explicar, o Senhor começa por dizer o que não
é completar. A Escritura diz “não matarás”, mas para Jesus isto não é
suficiente se depois alguém ferir os irmãos com palavras; a Escritura diz “não
cometerás adultério”, mas isto não é suficiente se alguém viver um amor
manchado pela duplicidade e falsidade; a Escritura diz “não darás falso
testemunho”, mas não é suficiente fazer um juramento solene se alguém agir com
hipocrisia (cf. Mt 5, 21-37). Assim, não é completar.
Para nos dar
um exemplo concreto, Jesus concentra-se no “rito do ofertório”. Ao fazer uma
oferenda a Deus, retribui-se a gratuidade dos seus dons. Era um rito muito
importante - fazer uma oferta para retribuir simbolicamente, digamos, a
gratuidade dos seus dons - tão importante que era proibido interrompê-lo exceto
por motivos graves. Mas Jesus afirma que é preciso interrompê-lo se um irmão
tiver algo contra nós, para ir primeiro reconciliar-se com ele (cf. vv. 23-24):
só então se completa o rito. A mensagem é clara: Deus ama-nos
primeiro, gratuitamente, dando o primeiro passo na nossa direção sem que o
mereçamos; e depois não podemos celebrar o seu amor sem, por nossa vez, dar o
primeiro passo para nos reconciliarmos com aqueles que nos feriram. Assim, há o
completamento aos olhos de Deus, caso contrário a observância externa,
puramente ritual, é inútil, torna-se uma farsa. Por outras palavras, Jesus
faz-nos compreender que as normas religiosas são úteis, são boas, mas são
apenas o início: para as completar, é necessário ir além da letra e viver o seu
significado. Os mandamentos que Deus nos deu não devem ser encerrados nos
cofres asfixiados da observância formal, caso contrário, permanecemos numa
religiosidade externa e desapegada, servos de um “deus-patrão” e não filhos de
Deus Pai. Jesus quer isto: não ter a ideia de servir um Deus patrão, mas o Pai;
e para isso é necessário ir além da letra.
Irmãos e
irmãs, este problema não existia apenas no tempo de Jesus, existe também hoje.
Às vezes, por exemplo, ouvimos: “Padre, eu não matei, não roubei, não fiz mal a
ninguém...”, como se dissesse: “Estou bem”. Eis a observância formal, que se
contenta com o mínimo indispensável, enquanto Jesus nos convida
ao máximo possível. Isto é, Deus não raciocina por cálculos nem
tabelas; Ele ama-nos como um apaixonado: não ao mínimo, mas ao máximo! Não nos
diz: “Amo-te até a um certo ponto”. Não, o amor verdadeiro nunca chega a um
certo ponto e nunca se sente perfeito; o amor vai sempre mais além, não pode
fazer diferentemente. O Senhor mostrou-nos isto ao dar a vida na cruz e
perdoando os seus assassinos (cf. Lc 23, 34). E confiou-nos o
mandamento que lhe é mais querido: que nos amemos uns aos outros como
Ele nos amou (cf. Jo 15, 12). Este é o amor que
completa a Lei, a fé, a vida verdadeira!
Então, irmãos
e irmãs, podemos perguntar-nos: como vivo a fé? É uma questão de cálculos, de
formalismos, ou é uma história de amor com Deus? Contento-me apenas em não
fazer mal, em manter “a fachada”, ou procuro crescer no amor a Deus e ao
próximo? E, de vez em quando, verifico-me sobre o grande mandamento de Jesus,
pergunto a mim mesmo se amo o meu próximo como Ele me ama? Pois talvez sejamos
inflexíveis no julgamento dos outros e nos esqueçamos de ser misericordiosos,
como é Deus para connosco.
Que Maria, a
qual observou perfeitamente a Palavra de Deus, nos ajude a cumprir a nossa fé e
a nossa caridade.
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