domingo, 7 de dezembro de 2025

 Ano A - 2025

SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA


O Advento é, sem dúvida, o lugar litúrgico da devoção mariana, por nele se entender melhor o significado de Maria. Ela mesma é Advento, isto é, expetativa ansiosa do nascimento do Filho de Deus que encarnou em seu seio, conforme as palavras do Anjo na anunciação que lemos no Evangelho.

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Neste dia, tão especial para nós, a liturgia convida-nos a contemplar Maria, como aquela que soube dizer sempre Sim ao Senhor. A Virgem Maria é o modelo do crente, de todo aquele que confia totalmente em Deus e se deixa “fazer” por Ele. Entreguemo-nos ao seu amor de Mãe e deixemos que nos leve a Jesus.

Na 1ªleitura (Gen 3, 9-15.20) escutamos como, desde sempre, a criatura quis ser superior ao Criador. Como o fruto proibido é sempre o mais apetecido! É velha esta história, mas como continua atual! Que, olhando para Maria, aprendamos a servir, a amar Deus nos irmãos.

Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». O homem deu à mulher o nome de ‘Eva’, porque ela foi a mãe de todos os viventes.

A segunda leitura (Ef 1, 3-6.11-12) é um dos mais belos hinos de louvor a Deus que podemos escutar. Só S.Paulo para nos levar a contemplar assim Deus, no Seu Amor imenso por cada um de nós. Obrigada, Senhor, por nos amares a este ponto, mesmo sabendo de que "massa" somos feitos.

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperamos em Cristo.

No evangelho (Lc 1, 26-38) inicia-se a concretização do projeto amoroso  de Deus para com a Humanidade. Só o nosso Deus, Amor sem fim, podia ter encontrado esta forma única de nos ganhar para Ele. Bendito e louvado sejas Senhor, hoje e sempre pelos séculos sem fim. Ámen! 

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Maria, Imaculada, Mãe do meu Senhor, no silêncio do meu coração quero aprender contigo a acolher a voz de Deus, o Seu olhar e os Seus desafios. Sei que não é fácil dizer e viver a tua disponibilidade: “Eis a escrava do Senhor, faça-se segundo a Tua palavra”, porque estas palavras podem levar-me até ao limite da entrega, no mistério da cruz. Ensina-me a alegria de dizer sim, sem o medo das consequências.

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Amados irmãos e irmãs, bom dia e boa festa!

Hoje, na solenidade da Imaculada Conceição, o Evangelho narra um dos momentos mais importantes, mais belos, na história da humanidade: a Anunciação (cf. Lc 1, 26-38), quando o “sim” de Maria ao Arcanjo Gabriel permitiu a Encarnação do Filho de Deus, Jesus. É uma cena que suscita a maior maravilha e comoção, porque Deus, o Altíssimo, o Omnipotente, por meio do Anjo dialoga com uma jovem de Nazaré, pedindo a colaboração dela para o seu projeto de salvação. Se hoje tiverdes um pouco de tempo, procurai no Evangelho de São Lucas e lede esta cena. Garanto-vos que vos fará bem, muito bem!

Tal como na cena da criação de Adão, pintado por Miguel Ângelo na Capela Sistina, onde o dedo do Pai celeste toca o do homem; também aqui o humano e o divino se encontram, no início da nossa Redenção, encontram-se com uma delicadeza maravilhosa, no instante abençoado em que a Virgem Maria pronuncia o seu “sim”. Ela é uma mulher de uma pequena aldeia periférica e é chamada para sempre para centro da história: da sua resposta depende o futuro da humanidade, que pode de novo sorrir e esperar, porque o seu destino foi colocado em boas mãos. Será Ela a trazer o Salvador, concebido pelo Espírito Santo.

Portanto, Maria, como a saúda o Arcanjo Gabriel, é a «cheia de graça» (Lc 1,28), a Imaculada, inteiramente ao serviço da Palavra de Deus, sempre com o Senhor, a quem se confia completamente. Nela não há nada que resista à sua vontade, nada que se oponha à verdade e à caridade. Eis a sua bem-aventurança, que todas as gerações cantarão. Alegremo-nos também nós porque a Imaculada nos deu Jesus, que é a nossa salvação!

Irmãos e irmãs, contemplando este mistério, podemos perguntar-nos: no nosso tempo, agitado por guerras e concentrado no esforço de possuir e dominar, onde ponho eu a minha esperança? Na força, no dinheiro, nos amigos poderosos? É ali que ponho a minha esperança? Ou na misericórdia infinita de Deus? E perante tantos falsos modelos brilhantes que circulam nos meios de comunicação social e na internet, onde procuro a minha felicidade? Onde está o tesouro do meu coração? Está no facto de que Deus me ama gratuitamente, que o seu amor me precede sempre e está pronto a perdoar-me quando volto arrependido para ele? Nessa esperança filial no amor de Deus? Ou iludo-me procurando fazer valer o meu eu e a minha vontade a todo o custo?

Irmãos e irmãs, ao aproximar-se a abertura da Porta Santa do Jubileu, abramos as portas do coração e da mente ao Senhor. Ele nasceu de Maria Imaculada: imploremos a intercessão de Maria. E dou-vos um conselho. Hoje é um belo dia para decidir fazer uma boa Confissão. Se não puderdes ir hoje, nesta semana, até ao próximo domingo, abri o vosso coração e o Senhor perdoa tudo, tudo, tudo. E assim, nas mãos de Maria, seremos mais felizes.

Papa Francisco
(Angelus, 8 de dezembro de 2024)

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