DOMINGO III DO ADVENTO -2025- Ano A
Esta semana iniciamos a oitava do Natal. De 17 a 25 de dezembro a liturgia centra-se nos momentos próximos do nascimento de Jesus. Trata-se de um desafio a percorrermos, de forma mais intensa, o grande mistério da encarnação de Deus. A semana começa com o chamado “domingo Gaudete” (domingo da alegria) o qual remete para o sentimento profundo que anima os crentes na encarnação. De facto, a alegria deveria ser a marca dos cristãos. Estes são os que acreditam nos dois grandes mistérios da fé: a encarnação e a ressurreição. Haverá no mundo alguma coisa mais importante que mereça a nossa atenção e a nossa alegria? Por um lado, temos um Deus que se fez homem e habitou no meio de nós para ser companheiro de viagem. Não estamos, por isso sozinhos. Não é este um motivo para estarmos alegres?
Na 1ªleitura (Is 35, 1-6a.10) o profeta Isaías, ao querer animar o povo exilado e deportado na Babilónia,
projeta-nos para a vinda do Salvador, para os tempos de Jesus e, por
antecipação, coloca-nos no diálogo que Cristo tem com os discípulos de João
Batista. É assim a fé que professamos, o nosso Deus é de ontem, de hoje e de
amanhã, não tem princípio, nem fim. Alegremo-nos, pois o Amor infinito de Deus,
por cada um de nós, e por toda a humanidade, é de sempre e para toda a
eternidade.
“Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida,
cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada
a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do
Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os
joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais:
Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio
vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os
ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo
cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão de chegar a Sião com
brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o
prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.”
Na 2ªleitura (Tg 5, 7-10) é S.Tiago quem nos incita a
olhar para o agricultor e a ser, na fé, como ele, isto é, paciente e
perseverante numa espera positiva, pois sejam quais forem as condições e
situações da nossa vida, temos a certeza de que Jesus está tão próximo, que já
vive connosco, no nosso coração. Confiemo-nos ao Menino Deus, cuja festa de
nascimento vamos celebrar dentro de muito pouco tempo.
“Irmãos: Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor
espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a
tardia. Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a
vinda do Senhor está próxima. Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não
serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. Irmãos, tomai como modelos de
sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor.”
No Evangelho (Mt 11, 2-11) S.Mateus coloca-nos nos
primeiros tempos da pregação de Jesus, quando S.João Batista ainda estava vivo.
E é nas palavras de Jesus que percebemos como Ele é o pleno cumprimento das
promessas do Antigo Testamento. Efetivamente Jesus veio dar-nos a conhecer quem
era Deus, e o quanto somos amados infinitamente pelo nosso Pai, que está nos
Céus. Ao prepararmos o nascimento do Menino Deus, damo-nos conta deste mistério
de Amor sem fim do Senhor, por cada um de nós. Não há palavras que possam
explicar esta loucura maravilhosa de Deus Amor.
“Naquele tempo, João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e
mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há de vir, ou devemos
esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis:
os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os
mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele
que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram,
Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma
cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas
delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos
reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que
profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro,
para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher,
não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus
é maior do que ele».
Bendito e louvado sejas hoje e sempre, pelos séculos sem fim, meu Senhor e
meu Deus.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio,
agora e sempre. Ámen.
Prezados
irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho
deste terceiro domingo de Advento fala-nos de João Batista que, enquanto está
na prisão, envia os seus discípulos a perguntar a Jesus: «És tu aquele que há
de vir, ou devemos esperar por outro?» (Mt 11,
4).
Com efeito, ouvindo falar das obras de Jesus, João é tomado pela dúvida sobre
se Ele é realmente o Messias ou não. Efetivamente, pensava num Messias severo,
que viria e faria justiça com o poder, castigando os pecadores. Agora, ao
contrário, Jesus tem palavras e gestos de compaixão para com todos, no centro
do seu agir está a misericórdia que perdoa, pelo que «os cegos recuperem a
visão, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos
ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres» (v. 5). Mas faz-nos bem meditar sobre
esta crise de João Batista, pois pode dizer algo importante também a nós.
O texto realça
que João está na prisão, e isto, para além do lugar físico, faz-nos pensar na
situação interior que ele vive: na prisão há escuridão, não há possibilidade de
ver claramente e de ver além. Com efeito, o Batista já não pode reconhecer
Jesus como o Messias esperado. Assaltado pela dúvida, envia os discípulos para
verificar: “Ide ver se é o Messias ou não”. Surpreende-nos que isto aconteça
precisamente com João, que batizara Jesus no Jordão e que o tinha indicado aos
seus discípulos como o Cordeiro de Deus (cf. Jo 1,
29).
Mas isto significa que até o maior crente atravessa o túnel da dúvida. E isto
não é um mal; pelo contrário, às vezes é essencial para o crescimento
espiritual: ajuda-nos a compreender que Deus é sempre maior do que o
imaginamos; as obras que realiza são surpreendentes em relação aos nossos
cálculos; o seu agir é sempre diferente, supera as nossas necessidades e
expetativas; e por isso nunca devemos deixar de o procurar e de nos
convertermos à sua verdadeira face. Um grande teólogo dizia que Deus «deve ser
redescoberto por etapas... às vezes acreditando que o perdemos» (H. DE LUBAC, Sulle vie di
Dio, Milão 2008, 25). É o que faz o Batista: na dúvida,
volta a procurá-lo, interroga-o, “discute” com Ele e finalmente redescobre-o.
João, definido por Jesus como o maior entre os nascidos de mulher (cf. Mt 11, 11),
ensina-nos, em síntese, a não fechar Deus nos nossos esquemas. Este é sempre o
perigo, a tentação: fazer um Deus à nossa medida, um Deus para usar. E Deus é
outra coisa.
Irmãos e
irmãs, também nós às vezes podemos encontrar-nos na sua situação, numa prisão
interior, incapazes de reconhecer a novidade do Senhor, que talvez mantenhamos
prisioneiro, na presunção de que já sabemos tudo sobre Ele. Caros irmãos e
irmãs, nunca sabemos tudo sobre Deus, nunca! Talvez tenhamos em mente um Deus
poderoso, que faz o que quiser, e não o Deus da mansidão humilde, o Deus da
misericórdia e do amor, que intervém respeitando sempre a nossa liberdade e as
nossas escolhas. Talvez também nós gostássemos de lhe dizer: “És realmente Tu,
tão humilde, o Deus que vem para nos salvar?”. E pode acontecer-nos algo
semelhante também em relação aos irmãos: temos as nossas ideias, os nossos
preconceitos, e atribuímos aos outros - especialmente a quem sentimos que é
diferente de nós - etiquetas rígidas. Então, o Advento é um tempo de
inversão de perspetivas, onde nos deixarmos surpreender pela grandeza da
misericórdia de Deus. O enlevo: Deus surpreende sempre (…). Deus é sempre
Aquele que desperta em nós a admiração. Um tempo – o Advento - em que,
preparando o presépio para o Menino Jesus, aprendemos de novo quem é o nosso
Senhor; um tempo para sair de certos esquemas, de certos preconceitos em
relação a Deus e aos irmãos. O Advento é um tempo em que, em vez de pensar nos
dons para nós, podemos oferecer palavras e gestos de consolação a quem está
ferido, como fez Jesus aos cegos, aos surdos e aos coxos.
Que Nossa
Senhora nos pegue pela mão, como mãe, nestes dias de preparação para o Natal e
nos ajude a reconhecer na pequenez do Menino a grandeza de Deus que vem!




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