sábado, 27 de dezembro de 2025

 FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

JESUS, MARIA E JOSÉ - 2025-

 Ano A


Ainda dentro da oitava do Natal, a Igreja propõe-nos a contemplação da Sagrada Família. Nos tempos que correm José, Maria e o Menino trazem-nos uma família concreta, a viver num tempo real, a braços com situações como as que experimentam as nossas famílias de hoje. É impressionante como os tempos mudam tanto e tão depressa, mas os problemas sociais e humanos permanecem tão parecidos! Mas o que mais nos desafia nos textos litúrgicos, é a forma como esta família respondeu aos sinais de Deus e foi instrumento da realização dos planos do Senhor, dizendo sempre sim ao que lhe era pedido. Ousemos seguir o exemplo de S.José, de Maria e de Jesus.

Na 1ªleitura (Sir 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)) o autor sagrado dá-nos como modelo Deus Amor, comunidade trinitária, que gera vida. Deus é  família, cria-nos por amor, para vivermos felizes, pelo que só temos de agir segundo os Seus preceitos amorosos. 

“Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.”

Na 2ªleitura (Col 3, 12-21) S.Paulo apela ao nosso ser cristão, isto é, à essência do viver do cristão, que  é o Amor: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Seja qual for a comunidade familiar (de sangue, ou espiritual, ou ideológica, ou profissional,…) de que fazemos parte, seja qual for o estado em que os seus elementos se encontrem, somos sempre desafiados a revestirmo-nos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Centremo-nos em Jesus, vivamos no Amor e tudo nos será possível. 

“Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e prediletos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em ação de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.”


No evangelho (Mt 2, 13-15.19-23) acompanhamos a vida desta família especial, que nos revela o quanto Deus nos ama infinitamente e damo-nos conta de quão importante foi o papel de S.José, enquanto guardião da Sagrada Família. S.José desafia-nos a ser assim na vida, alguém que torna possível a realização das promessas de Deus, permitindo que Deus Amor seja “o mais que tudo” na vida de todos os homens da terra. 

“Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo Profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: «Há de chamar-Se Nazareno».”

Senhor, ensina-me a amar sempre todos os que fazem parte da minha família.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste primeiro domingo depois do Natal, a liturgia convida-nos a celebrar a festa da Sagrada Família de Nazaré. De facto, todos os presépios nos mostram Jesus com Nossa Senhora e são José, na gruta de Belém. Deus quis nascer numa família humana, quis ter uma mãe e um pai, como nós.

E hoje o Evangelho apresenta-nos a sagrada Família no doloroso caminho do exílio, em busca de refúgio no Egito. José, Maria e Jesus experimentam a condição dramática dos prófugos, marcada por medo, incerteza e dificuldades (cf. Mt 2, 13-15.19-23). Infelizmente, nos nossos dias, milhões de famílias podem reconhecer-se nesta triste realidade. Quase todos os dias a televisão e os jornais dão notícias de prófugos que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as suas famílias.

Em terras distantes, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os prófugos e os imigrantes encontram acolhimento verdadeiro, respeito, apreço dos valores dos quais são portadores. As suas expectativas legítimas entram em conflito com situações complexas e dificuldades que às vezes parecem insuperáveis. Portanto, enquanto olhamos para a sagrada Família de Nazaré no momento em que foi obrigada a tornar-se prófuga, pensemos no drama daqueles migrantes e refugiados que são vítimas da rejeição e da exploração, que são vítimas do tráfico de pessoas e do trabalho escravo. Pensemos também nos outros «exilados»: eu chamá-los-ia «exilados escondidos», os que existem dentro das próprias famílias: os idosos, por exemplo, que muitas vezes são tratados como presenças incómodas. Penso que um sinal para saber como está uma família é observar como são tratados crianças e idosos.

Jesus quis pertencer a uma família que enfrentou estas dificuldades, para que ninguém se sinta excluído da proximidade amorosa de Deus. A fuga para o Egito devido às ameaças de Herodes mostra-nos que Deus está presente onde o homem está em perigo, onde o homem sofre, para onde se refugia, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas Deus está também onde o homem sonha, espera voltar à pátria em liberdade, projeta e escolhe a vida e a dignidade para si e para os seus familiares.

Hoje o nosso olhar para a sagrada Família deixa-se atrair também pela simplicidade da vida que ela conduz em Nazaré. É um exemplo que faz muito bem às nossas famílias, ajuda-as a tornar-se cada vez mais comunidades de amor e de reconciliação, nas quais se sente a ternura, a ajuda e o perdão recíprocos. Recordemos as três palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado, desculpa. Quando numa família não somos invasores e pedimos «com licença», quando na família não somos egoístas e aprendemos a dizer «obrigado», e quando na família nos damos conta de que fizemos algo incorreto e pedimos «desculpa», nessa família existe paz e alegria. Recordemos estas três palavras. Mas podemos repeti-las juntos: com licença, obrigado, desculpa. (Todos: com licença, obrigado, desculpa!). Gostaria também de encorajar as famílias para que tomem consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade. De facto, o anúncio do Evangelho passa sobretudo através das famílias, para depois alcançar os diversos âmbitos da vida diária.

Invoquemos com fervor Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, e são José, seu esposo. Peçamos que nos iluminem, confortem, guiem todas as famílias do mundo, para que possam cumprir com dignidade e serenidade a missão que Deus lhes confiou.

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
despertai, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projeto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.

Papa Francisco
(Angelus, 29 de dezembro de 2013)

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