FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA
JESUS, MARIA E JOSÉ - 2025-
Ano A
Ainda dentro
da oitava do Natal, a Igreja propõe-nos a contemplação da Sagrada Família. Nos
tempos que correm José, Maria e o Menino trazem-nos uma família concreta, a
viver num tempo real, a braços com situações como as que experimentam as nossas
famílias de hoje. É impressionante como os tempos mudam tanto e tão depressa,
mas os problemas sociais e humanos permanecem tão parecidos! Mas o que mais nos
desafia nos textos litúrgicos, é a forma como esta família respondeu aos sinais
de Deus e foi instrumento da realização dos planos do Senhor, dizendo sempre
sim ao que lhe era pedido. Ousemos seguir o exemplo de S.José, de Maria e de Jesus.
Na
1ªleitura (Sir 3,
3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)) o autor sagrado dá-nos como
modelo Deus Amor, comunidade trinitária, que gera vida. Deus
é família, cria-nos por amor, para vivermos felizes, pelo que só
temos de agir segundo os Seus preceitos amorosos.
“Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.”
Na
2ªleitura (Col 3, 12-21) S.Paulo apela ao nosso ser cristão, isto é, à
essência do viver do cristão, que é o Amor: “amai-vos uns aos outros
como eu vos amei”. Seja qual for a comunidade familiar (de sangue, ou
espiritual, ou ideológica, ou profissional,…) de que fazemos parte, seja qual
for o estado em que os seus elementos se encontrem, somos sempre desafiados a
revestirmo-nos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Centremo-nos em Jesus,
vivamos no Amor e tudo nos será possível.
“Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e prediletos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em ação de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.”
“Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo Profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: «Há de chamar-Se Nazareno».”
Senhor, ensina-me a amar sempre todos os que fazem
parte da minha família.
Queridos
irmãos e irmãs, bom dia!
Neste primeiro
domingo depois do Natal, a liturgia convida-nos a celebrar a festa da Sagrada
Família de Nazaré. De facto, todos os presépios nos mostram Jesus com Nossa
Senhora e são José, na gruta de Belém. Deus quis nascer numa família humana,
quis ter uma mãe e um pai, como nós.
E hoje o
Evangelho apresenta-nos a sagrada Família no doloroso caminho do exílio, em
busca de refúgio no Egito. José, Maria e Jesus experimentam a condição
dramática dos prófugos, marcada por medo, incerteza e dificuldades (cf. Mt 2,
13-15.19-23). Infelizmente, nos nossos dias, milhões de famílias
podem reconhecer-se nesta triste realidade. Quase todos os dias a televisão e
os jornais dão notícias de prófugos que fogem da fome, da guerra, de outros
perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as
suas famílias.
Em terras
distantes, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os prófugos e os
imigrantes encontram acolhimento verdadeiro, respeito, apreço dos valores dos
quais são portadores. As suas expectativas legítimas entram em conflito com
situações complexas e dificuldades que às vezes parecem insuperáveis. Portanto,
enquanto olhamos para a sagrada Família de Nazaré no momento em que foi
obrigada a tornar-se prófuga, pensemos no drama daqueles migrantes e refugiados
que são vítimas da rejeição e da exploração, que são vítimas do tráfico de
pessoas e do trabalho escravo. Pensemos também nos outros «exilados»: eu
chamá-los-ia «exilados escondidos», os que existem dentro das próprias
famílias: os idosos, por exemplo, que muitas vezes são tratados como presenças
incómodas. Penso que um sinal para saber como está uma família é observar como
são tratados crianças e idosos.
Jesus quis
pertencer a uma família que enfrentou estas dificuldades, para que ninguém se
sinta excluído da proximidade amorosa de Deus. A fuga para o Egito devido às
ameaças de Herodes mostra-nos que Deus está presente onde o homem está em
perigo, onde o homem sofre, para onde se refugia, onde experimenta a rejeição e
o abandono; mas Deus está também onde o homem sonha, espera voltar à pátria em
liberdade, projeta e escolhe a vida e a dignidade para si e para os seus
familiares.
Hoje o nosso
olhar para a sagrada Família deixa-se atrair também pela simplicidade da vida
que ela conduz em Nazaré. É um exemplo que faz muito bem às nossas famílias,
ajuda-as a tornar-se cada vez mais comunidades de amor e de reconciliação, nas
quais se sente a ternura, a ajuda e o perdão recíprocos. Recordemos as três
palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado,
desculpa. Quando numa família não somos invasores e pedimos «com licença»,
quando na família não somos egoístas e aprendemos a dizer «obrigado», e quando
na família nos damos conta de que fizemos algo incorreto e pedimos «desculpa»,
nessa família existe paz e alegria. Recordemos estas três palavras. Mas podemos
repeti-las juntos: com licença, obrigado, desculpa. (Todos: com licença,
obrigado, desculpa!). Gostaria também de encorajar as famílias para que tomem
consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade. De facto, o
anúncio do Evangelho passa sobretudo através das famílias, para depois alcançar
os diversos âmbitos da vida diária.
Invoquemos com fervor Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, e são José, seu esposo. Peçamos que nos iluminem, confortem, guiem todas as famílias do mundo, para que possam cumprir com dignidade e serenidade a missão que Deus lhes confiou.
Jesus,
Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.
Sagrada
Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.
Sagrada
Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.
Sagrada
Família de Nazaré,
despertai, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projeto de Deus.
Jesus,
Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.




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