segunda-feira, 22 de maio de 2023

   TEMPO PASCAL - 2023

Terça-feira da semana VII do Tempo Pascal - dia 45 - 23/05/2023

Evangelho Jo 17, 1-11a

«É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo.» ;

«Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste e eles guardam a tua palavra.»;

«É por eles que Eu rogo»

O capítulo 17 de João abre com uma atitude nova de Jesus. Os dias da paixão aproximam-se e Jesus sabe que não pode contar com os seus discípulos. Eles não chegaram a compreender a palavra que lhes comunicou, nem entenderam o seu caminho. Permaneceram na mentalidade humana e terrena em que sempre estiveram e não vão ser capazes de permanecer junto de Jesus acolhendo a sua proposta. Jesus sente-se só. Volta-se, então, para o Pai. Só o Pai o pode glorificar, porque só o Pai conhece o projeto de salvação e o entende, porque foi o Pai que o encarregou de o executar. Quanto aos discípulos, resta-lhe pedir por eles, para que a Palavra que neles depositou, realize o que falta para que creiam realmente e vivam no mundo mesmo não sendo do mundo.

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Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com aquela glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti».

Jesus coloca diante de mim o drama da solidão de quem enfrenta o sofrimento. Há muitas pessoas que não têm ninguém que esteja perto delas no meio do sofrimento. Mas há também pessoas que, estando rodeadas de gente, não têm quem entenda o que se está a passar nos seus corações. Jesus está a viver este momento de solidão. Os discípulos não o entendem. Às vezes sinto necessidade de que alguém me entenda mesmo que não possa fazer nada. Às vezes tenho que olhar o outro com um coração que o entende, para além de todas as razões, mesmo que não possa solucionar o seu sofrimento.

Chegou a hora. A tua hora Jesus, a minha hora, a hora de todos os que estão sós no sofrimento. Em ti se revê cada homem, cada sofredor, cada solidão. Em ti me encontro com todos os que sofrem e em cada homem que sofre posso encontrar-me contigo. Também em mim, no meu sofrimento, me posso encontrar contigo. Dá-me, Senhor, um coração capaz de entender, em ti, o sofrimento de todos os homens.

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(...)

Uma das páginas mais belas do evangelho de São João é aquela que nos dá a chamada «oração sacerdotal» de Jesus. Antes de enfrentar a paixão e a morte, dirige-Se ao Pai manifestando a sua obediência na realização da missão que Lhe fora confiada. As suas palavras são um hino ao amor, incluindo também o pedido de que sejam guardados e protegidos os discípulos (cf. Jo 17, 12-15). Ao mesmo tempo, porém, Jesus reza por todas as pessoas que no futuro hão de acreditar n’Ele, graças à pregação dos seus discípulos, para que também elas sejam congregadas e conservadas na unidade (cf. Jo 17, 20-23). Na frase «esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste» (Jo 17, 3), toca-se o auge da missão de Jesus.

Como bem sabemos, conhecer Deus não é primariamente um exercício teórico da razão humana, mas um desejo inextinguível impresso no coração de cada pessoa. É o conhecimento que provém do amor, porque encontramos o Filho de Deus no nosso caminho (cf. Carta enc. Lumen fidei, 28). Jesus de Nazaré caminha connosco para nos introduzir, com a sua palavra e os seus sinais, no mistério profundo do amor do Pai. Este conhecimento fortalece-se dia após dia com a certeza, que nos dá a fé, de nos sentirmos amados e, consequentemente, inseridos num desígnio repleto de sentido. Quem ama quer conhecer melhor a pessoa amada, para descobrir a riqueza que se esconde nela e que dia a dia aparece como uma realidade sempre nova. (...)

Papa Francisco

(in XXV aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica, 11-10-2017)

domingo, 21 de maio de 2023

  TEMPO PASCAL - 2023

Segunda-feira da semana VII do Tempo Pascal - dia 44 - 22/05/2023

Evangelho Jo 16, 29-33

«Eu não estou só, porque o Pai está comigo.»;

«Digo-vos isto, para que em Mim tenhais a paz.»; 

«No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo».

Este pequeno diálogo entre Jesus e os discípulos contém indicações preciosas para a nossa reflexão. O diálogo é provocado pela afirmação de Jesus: “Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e vou para o Pai”, que é feita imediatamente antes deste texto. Os apóstolos dizem, então: “Agora vemos… por isso acreditamos que saíste de Deus”. Jesus, porém, não está muito confiante nas suas palavras, não tem a certeza de que será mesmo assim e responde: “Agora acreditais?”. E coloca-os perante o futuro próximo, a hora que estão para viver, uma hora de tribulação. Essa hora dirá se acreditam ou não, se veem de verdade ou se estão na ilusão. Uma coisa garante Jesus: com Ele podem estar tranquilos porque essa hora de tribulação não o afetará a Ele porque ele é o vencedor e nele vencerão todos os que confiarem.

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Naquele tempo, disseram os discípulos a Jesus: «De facto agora falas abertamente, sem enigmas. Agora vemos que sabes tudo e não precisas que ninguém Te faça perguntas. Por isso acreditamos que saíste de Deus». Respondeu-lhes Jesus: «Agora acreditais? Vai chegar a hora – e já chegou – em que sereis dispersos, cada um para seu lado, e Me deixareis só; mas Eu não estou só, porque o Pai está comigo. Digo-vos isto, para que em Mim tenhais a paz. No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo».

Sinto a leviandade das minhas palavras insensatas e mal refletidas. Diante da vida apresento-me muito facilmente como o otimista que não vê mais do que a hora presente e não mede as forças com a possibilidade da tribulação. Até onde sou capaz de ver? Até onde creio que sou capaz de ir? Jesus questiona a minha vida e as minhas forças e mede as minhas palavras. Estou realmente com Ele? Ele é o vencedor e não eu. Se não estou com Ele não terei as forças necessárias para enfrentar a tempestade.

Dá-me a Tua paz, Senhor, que ela habite o meu coração e o dilate até à tua medida. Dá-me a tua paz e que encontre em ti a confiança para não me dispersar na confusão do mundo insensato que não te conhece. Que eu veja realmente o que me ofereces e acredite que estás no Pai e o Pai está em ti e que eu posso estar em ti e encontrar em ti a minha vitória sobre o mundo.

aliturgia.com

(...)

«O medo — explicou o Papa — é uma atitude que nos faz mal, nos enfraquece, nos diminui e até nos paralisa». A ponto que «uma pessoa que tem medo nada faz, não sabe o que fazer: é temerosa, medrosa, concentrada em si mesma para que nada de mal, de errado, lhe aconteça». Portanto «o medo leva a um egocentrismo e paralisa». (...)

Mas deve-se «distinguir o medo do temor de Deus, com o qual nada tem a ver». O temor de Deus «é santo, é o temor da adoração diante do Senhor e é uma virtude». Com efeito, ele «não diminui, não debilita nem paralisa»; ao contrário, «leva em frente na missão que o Senhor confia». E a propósito o Pontífice acrescentou: «O Senhor, no capítulo 18 do Evangelho de Lucas, fala de um juiz que não temia Deus nem tinha consideração por ninguém, e fazia o que queria». Isto é «um pecado: a falta de temor de Deus e também a auto-suficiência». Porque «afasta da relação com Deus e também da adoração».

Por isso, «uma coisa é o temor de Deus, que é bom; mas outra é o medo». E «um cristão medroso é insignificante: não compreendeu qual é a mensagem de Jesus».

A «outra palavra» proposta pela liturgia, «depois da Ascensão do Senhor», é «alegria». No trecho do Evangelho de João (16, 20-23), o «Senhor fala da passagem da tristeza para a alegria», preparando os discípulos «para o momento da paixão: “Vós estareis na tristeza, mas a vossa tristeza transformar-se-á em alegria”». (...) «E ninguém vos poderá privar da vossa alegria» garante o Senhor.

Mas «a alegria cristã não é um simples divertimento, não é uma alegria passageira». Ao contrário, «a alegria cristã é um dom do Espírito Santo: é ter sempre o coração jubiloso porque o Senhor venceu, o Senhor reina, o Senhor está à direita do Pai, o Senhor olhou para mim e enviou-me e deu a sua graça e tornou-me filho do Pai».

Eis o que é a verdadeira «alegria cristã». Por isso, um cristão «vive na alegria». Mas, perguntou Francisco, «onde está esta alegria nos momentos mais tristes, nos momentos da dor? Pensemos em Jesus na Cruz: sentia alegria? Não! Mas paz, sim!». Com efeito, explicou o Papa, «a alegria, no momento da dor, da provação, torna-se paz». Ao contrário «um divertimento no momento da dor torna-se escuridão».

Eis por que «um cristão sem alegria não é cristão; um cristão que vive continuamente na tristeza não é cristão». A «um cristão que perde a paz, no momento das provações, das doenças, de muitas dificuldades, falta alguma coisa».

Francisco convidou a «não ter medo e a ser jubilosos», explicando: «Não ter medo significa pedir a graça da coragem, a coragem do Espírito Santo; e sentir alegria é pedir o dom do Espírito Santo, até nos momento mais difíceis, com aquela paz que o Senhor concede».

E o que «acontece com os cristãos, acontece nas comunidades, na Igreja inteira, nas paróquias, em muitos ambientes cristãos». Com efeito «há comunidades medrosas, que se movem sempre nas certezas: “Não, não, não façamos isto... Não, isto não se pode”». A ponto que «parece que na porta da entrada tenham escrito “proibido”: tudo é proibido por medo». Assim «quando se entra naquela comunidade o ar está viciado, porque a comunidade está doente: o medo faz adoecer uma comunidade; a falta de coragem faz adoecer uma comunidade!».

Mas «também uma comunidade sem alegria é doente, porque quando não há a alegria há o vazio. Não, aliás: há o divertimento». E assim, afinal, «será uma bonita comunidade divertida, mas mundana, doente de mundanidade porque não tem a alegria de Jesus Cristo». E «um efeito, entre outros, da mundanidade é o de falar mal dos outros». Portanto, «quando a Igreja é medrosa e quando não recebe a alegria do Espírito Santo, adoece, as comunidades adoecem, os fiéis adoecem».

Na oração do início da missa, recordou o Papa, «pedimos ao Senhor a graça de nos elevarmos para Cristo sentado à direita do Pai». Precisamente «a contemplação de Cristo sentado à direita do Pai nos dará a coragem, a alegria, nos tirará o medo e nos ajudará também a não cair numa vida superficial e divertida».

«Com esta intenção de elevar o nosso espírito para Cristo sentado à direita do Pai prossigamos a nossa celebração, pedindo ao Senhor: eleva o nosso espírito, tira-nos qualquer receio e dá-nos a alegria e a paz».

Papa Francisco

(Capela de Santa Marta 15 de maio de 2015)

LVII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS - Mensagem do Papa Francisco

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA O LVII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

(21 de maio de 2023)

«Falar com o coração. “Testemunhando a verdade no amor” (Ef 4, 15)»

Estimados irmãos e irmãs!

Depois de ter refletido, nos anos anteriores, sobre os verbos «ir e ver» e «escutar» como condição necessária para uma boa comunicação, com esta Mensagem para o LVII Dia Mundial das Comunicações Sociais gostaria de me deter sobre o «falar com o coração». Foi o coração que nos moveu para ir, ver e escutar, e é o coração que nos move para uma comunicação aberta e acolhedora. Após o nosso treino na escuta, que requer saber esperar e paciência, e o treino na renúncia a impor em detrimento dos outros o nosso ponto de vista, podemos entrar na dinâmica do diálogo e da partilha que é, em concreto, comunicar cordialmente. E, se escutarmos o outro com coração puro, conseguiremos também falar testemunhando a verdade no amor (cf. Ef 4, 15). Não devemos ter medo de proclamar a verdade, por vezes incómoda, mas de o fazer sem amor, sem coração. Com efeito «o programa do cristão – como escreveu Bento XVI – é “um coração que vê”» [1]. Trata-se de um coração que revela, com o seu palpitar, o nosso verdadeiro ser e, por essa razão, deve ser ouvido. Isto leva o ouvinte a sintonizar-se no mesmo comprimento de onda, chegando ao ponto de sentir no próprio coração também o pulsar do outro. Então pode ter lugar o milagre do encontro, que nos faz olhar uns para os outros com compaixão, acolhendo as fragilidades recíprocas com respeito, em vez de julgar a partir dos boatos semeando discórdia e divisões.

Igreja/Ecologia: Papa lança Semana «Laudato Si» 2023 - oitavo aniversário da sua encíclica ecológica e social -Ecclesia

 

sábado, 20 de maio de 2023

 TEMPO PASCAL - 2023

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR

Domingo da semana VII do Tempo Pascal - dia 43 - 21/05/2023

EVANGELHO Mt 28, 16-20

«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.» 

«Ide e ensinai todas as nações»

«Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»

Nas leituras de hoje continuamos a celebrar o grande dia de Páscoa, que iniciámos a 9 de abril, a quando da festa da Ressurreição de Jesus. É como se se tratasse de um só dia que culminará com a festa que, se Deus quiser, celebraremos no próximo domingo. Hoje, centramo-nos na Ascensão de Jesus, dia para o qual Jesus nos tem vindo a preparar desde a Sua Ressurreição, até hoje, deixando-nos as Suas instruções e recomendações finais. Na solenidade de hoje celebramos a partida de Jesus para o Pai.  Do Céu saiu, para lá volta, e para aí nos atrai, através da ação do Espírito Santo, que nos move a fazer o bem, a testemunhar a presença de Jesus entre nós, a anunciá-l’O onde nos movemos e existimos. Sim, porque Jesus não nos deixou sós, continua vivo e atuante em cada um de nós, no meio de nós.

 

Na 1ªleitura (Atos 1, 1-11) o autor projeta-nos para a Ascensão de Jesus ao Céu. Ao mesmo tempo, desafia-nos a, sobre a ação do Espírito Santo, continuarmos, hoje, no nosso tempo, a ação evangelizadora dos primeiros cristãos, dos que conheceram e conviveram com Jesus, o Filho de Deus, que encarnou entre nós. Deixemos que o Espírito Santo, que recebemos no dia do nosso batismo, nos preencha por inteiro e nos transforme, no nosso dia a dia, no concreto da vida, em verdadeiros anunciadores da Boa Nova do Amor, que quer comunicar-se, revelar-se, amar a todos, sem exceção.

“No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João batizou com água; vós, porém, sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».”

 

Na 2ªleitura  (Ef 1, 17-23) S.Paulo exorta-nos a glorificar Jesus e a contemplar, na Sua Ascensão, a volta da humanidade para o Pai.

“Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.”

 

No evangelho (Mt 28, 16-20) S.Mateus propõe-nos, tal como o fez S. Lucas,na 1ªleitura, a continuação do anúncio do Evangelho de Nossos Senhor Jesus Cristo, hoje, no nosso tempo e na nossa história, em Igreja. Com a certeza de que, apesar de subir para o Pai, Jesus continua connosco, no meio da humanidade inteira, agora, já não de forma física, mas de um modo diferente, pois sobre a ação do Espírito Santo habita-nos por inteiro. Se Lhe quisermos abrir o nosso coração será um connosco, até ao fim dos tempos.

“Naquele tempo, os Onze discípulos partiram para a Galileia, em direção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».”

Senhor Jesus, que eu me deixe habitar pelo Espírito Santo, na totalidade do meu ser.

Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

«Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). Estas últimas palavras do Evangelho de Mateus evocam o anúncio profético que encontramos no início: «Ele chamar-se-á Emanuel, que significa Deus connosco» (Mt 1, 23; cf. Is 7, 14). Deus estará ao nosso lado todos os dias, até ao fim do mundo. Jesus caminhará ao nosso lado todos os dias, até ao fim do mundo. O Evangelho inteiro está encerrado entre estas duas citações, palavras que comunicam o mistério de Deus cujo nome, cuja identidade é estar-com: não é um Deus isolado, mas um Deus-com, de modo particular connosco, ou seja, com a criatura humana. O nosso Deus não é um Deus ausente, raptado por um céu remoto; ao contrário, é um Deus «apaixonado» pelo homem, tão ternamente amante que chega a ser incapaz de se separar dele. Nós, humanos, somos peritos em romper vínculos e pontes. Ele, ao contrário, não! Se o nosso coração arrefece, o seu permanece sempre incandescente. O nosso Deus acompanha-nos sempre, inclusive se, por desventura, nos esquecêssemos dele. No ponto que divide a incredulidade da fé, é decisiva a descoberta de que somos amados e acompanhados pelo nosso Pai, que Ele nunca nos deixa sozinhos.

A nossa existência é uma peregrinação, um caminho. Até aqueles que são impelidos por uma esperança simplesmente humana sentem a sedução do horizonte, que os leva a explorar mundos ainda desconhecidos. A nossa alma é uma alma migrante. A Bíblia está cheia de histórias de peregrinos e viajantes. A vocação de Abraão começa com esta exortação: «Deixa a tua terra» (Gn 12, 1). E o patriarca abandona aquele recanto de mundo que conhecia bem e que era um dos berços da civilização do seu tempo. Tudo conspirava contra a sensatez daquela viagem. E no entanto Abraão parte. Não nos tornamos homens e mulheres maduros, se não sentirmos a atração do horizonte: aquele limite entre o céu e a terra que pede para ser alcançado por um povo de caminhantes.

No seu caminhar no mundo, o homem nunca está sozinho. Sobretudo o cristão nunca se sente abandonado, porque Jesus nos garante que não nos aguardará apenas no final da nossa longa viagem, mas que nos acompanhará em cada um dos nossos dias.

Até quando perdurará a atenção de Deus pelo homem? Até quando o Senhor Jesus, que caminha connosco, até quando cuidará de nós? A resposta do Evangelho não deixa margem a dúvidas: até ao fim do mundo! Passarão os céus, passará a terra, serão anuladas as esperanças humanas, mas a Palavra de Deus é maior do que tudo e não passará. E Ele será o Deus connosco, o Deus Jesus que caminha ao nosso lado. Não haverá um dia da nossa vida em que cessaremos de ser uma solicitude para o Coração de Deus. Contudo, alguém poderia dizer: «Mas o que dizes?». Digo isto: não haverá um dia da nossa vida em que deixaremos de ser uma solicitude para o Coração de Deus. Ele preocupa-se connosco, caminha ao nosso lado. E por que faz isto? Simplesmente porque nos ama. Entendestes isto? Ele ama-nos! E sem dúvida Deus proverá a todas as nossas necessidades, não nos abandonará no tempo da prova e da escuridão. É preciso que esta certeza se aninhe no nosso espírito, para nunca mais se apagar. Há quem lhe dê o nome de «Providência». Ou seja, a proximidade de Deus, o amor de Deus, o caminhar de Deus ao nosso lado chama-se também «Providência de Deus»: Ele provê à nossa vida.

Não é por acaso que entre os símbolos cristãos da esperança existe um do qual eu gosto muito: a âncora. Ela exprime que a nossa esperança não é vaga; não deve ser confundida com o sentimento mutável de quem deseja aperfeiçoar as situações deste mundo de maneira irrealista, apostando unicamente na própria força de vontade. Com efeito, a esperança cristã encontra a sua raiz não na atração do futuro, mas na segurança daquilo que Deus nos prometeu e realizou em Jesus Cristo. Se Ele nos garantiu que nunca nos abandonará, se o princípio de cada vocação é um «Segue-me!», com o qual Ele nos assegura que permanecerá sempre à nossa frente, então por que devemos recear? Com esta promessa, os cristãos podem ir por toda a parte. Inclusive atravessando as regiões de um mundo ferido, onde a situação não é boa, nós estamos entre aqueles que até ali continuam a esperar. O salmo reza: «Ainda que eu atravesse um vale escuro, nada temerei, pois estais comigo» (Sl 23, 4). Exatamente onde se propaga a obscuridade é necessário manter acesa uma luz. Voltemos à âncora. A nossa fé é a âncora no céu. Mantemos a nossa vida ancorada no céu? Que devemos fazer? Segurar a corda: ela está sempre ali. E vamos em frente, porque estamos certos de que a nossa vida tem a sua âncora no céu, naquela margem onde chegaremos.

Sem dúvida, se confiássemos apenas nas nossas forças, teríamos razão de nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo se demonstra muitas vezes refratário às leis do amor. Prefere frequentemente as leis do egoísmo. Mas se em nós sobreviver a certeza de que Deus não nos abandona, que Deus ama com ternura tanto a nós como a este mundo, então a perspetiva muda imediatamente. «Homo viator, spe erectus», diziam os antigos. Ao longo do caminho, a promessa de Jesus «Eu estou convosco» leva-nos a estar de pé, erguidos, com esperança, convictos de que o bom Deus já age para realizar aquilo que humanamente parece impossível, porque a âncora está na praia do céu.

O santo povo fiel de Deus é um povo que está de pé — «homo viator» — e caminha, mas de pé, «erectus», caminha na esperança. E onde quer que vá, sabe que o amor de Deus o precedeu: não há região do mundo que evite a vitória de Cristo Ressuscitado. E qual é a vitória de Cristo Ressuscitado? A vitória do amor. Obrigado!

Papa Francisco

(Audiência Geral, 26 de abril de 2017)