sábado, 3 de outubro de 2015

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM


As leituras deste domingo centram-nos na temática da família, mas numa dimensão diferente do que habitualmente se entende por família. Não conheço todas as realidades a que hoje a sociedade dá o nome de família, já que lhe são associados sentidos muito diversos, mas em Jesus é claro que a família, quando situada na sua verdadeira dimensão, é a melhor forma de nós homens entendermos o quanto somos amados por Deus. 



Desde sempre  Deus  criou  o  homem  para que fosse feliz. Esta 1ªleitura ( I Gen 2, 18-24) é o espelho do cuidado de Deus para com o ser humano, pois sempre velou pelo homem de forma a que tudo tivesse para se sentir amado. Foi assim no princípio de tudo e continua hoje a ser da mesma forma. Tudo nos é dado, a criação inteira está à nossa responsabilidade, para a cuidarmos e gerirmos de forma a estar ao serviço de todos. Foi assim que Deus quis, mas o que fizemos, e continuamos a fazer, com tudo o que Deus põe à nossa disposição, isso é da nossa inteira responsabilidade.


Numa liturgia dedicada à família, esta 2ªleitura revela onde tudo assenta, onde a família há de encontrar a força, o segredo para testemunhar o Amor de Deus presente no meio de nós. Quem se ama em Deus, espelha, testemunha, esta entrega sem limites para o bem de todos. Só n'Ele reside a fonte do verdadeiro amor. Só Deus, que é o Amor, ama assim, incondicionalmente, sem limites. Mas, em Jesus Cristo, cada um de nós é chamado a testemunhar Deus enamorado de cada homem, a ponto de em Seu Único Filho se fazer um de nós. 

Irmãos: Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos. Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos.
Hebr 2, 9-11

No evangelho (Mc 10,2-16) Jesus, que é Amor, fala sobre o que é amar e quais as suas implicações. Para os dias de hoje, em que tudo se esgota no momento em que se consome, a permanência do amor parece ser demais, mas quando há amor verdadeiro, numa perspetiva de serviço, de entrega ao outro, com o desejo de que todos sejam felizes, percebe-se que é uma aprendizagem para toda a vida e que se faz caminhando devagarinho, degrau a degrau, descendo algumas vezes, para voltar a subir com todo o cuidado para não cair, nem se magoar ninguém. Quem melhor do que as crianças ( que verdadeiramente ainda o são) para nos ensinarem a amar. Se tivermos um coração como o delas entraremos no reino dos Céus, é Jesus quem no-lo diz.


Oh Senhor que eu aprenda de Ti a ter um coração puro, verdadeiro e humilde como o das crianças.

sábado, 26 de setembro de 2015

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM



Hoje senti mais dificuldade em encontrar um tema comum às 3 leituras, mas a ideia geral que me ficou, foi a de que o Espírito Santo sopra em quem quer, quando e como quer, seguindo apenas os desígnios de Deus. 
Ninguém pode apresentar o registo de propriedade sobre o Espírito Santo!


Na 1ª leitura (Num 11, 25-29) é Josué que, perante Moisés, desempenha o papel que tantas vezes é o nosso: "«Moisés, meu senhor, proíbe-os». Mas Moisés, porém, respondeu-lhe: «Estás com ciúmes por causa de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!»." Deus compadece-se e usa de misericórdia igualmente para com todos. Ama a todos infinitamente e não é por se ser "fiel leigo" da Igreja que se tem direito a regalias especiais. Aprendíamos no domingo passado que o que nos distingue é estar ao serviço dos demais, apoiados unicamente no Senhor, nada mais.



Na 2ªleitura continuamos a escutar os ensinamentos práticos de S.Tiago. Hoje alerta-nos para o perigo de acumular riquezas à custa do esquecimento dos direitos dos outros, especialmente dos que se encontram ao nosso cuidado, ou sobre a nossa responsabilidade.

"Agora, vós, ó ricos, chorai e lamentai-vos, por causa dasdesgraças que vão cair sobre vós. As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Acumulastes tesouros no fim dos tempos. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo. Levastes na terra uma vida regalada e libertina, cevastes os vossos corações para o dia da matança. Condenastes e matastes o justo e ele não vos resiste."
Tg 5, 1-6


No evangelho de hoje (Mc 9, 38-43.45.47-48), à semelhança de Josué (na 1ªleitura), é João que pede ao Senhor Jesus algo parecido:«Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós.» 
No evangelho somos ainda confrontados por Jesus quanto à nossa forma de lidar com os mais pobres, os mais frágeis, no fundo os excluídos da nossa sociedade. Jesus,  no Seu amor infinito, quer chegar a todos sem exceção. Cabe-nos ser instrumentos, veículos de transmissão do Seu Amor por eles. Na sequência de domingo passado, a nossa missão é estar ao serviço de todos, sem fazer aceção de pessoas.


Senhor Jesus faz com que eu seja instrumento de transmissão do teu amor.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Leitura faseada da carta pastoral, para o próximo biénio, do Bispo de Leiria Fátima (IV)
 Carta Pastoral 2015-2017 – No Centenário das Aparições
Maria, Mãe de Ternura e de Misericórdia 

† António Marto
Leria, 15 de setembro de 2015,
Memória de Nossa Senhora das Dores

LINHAS DE ORIENTAÇÃO PASTORAL

Após toda a reflexão anterior, quero agora apresentar algumas linhas-chave de orientação pastoral para o próximo biénio.

26. O nosso amor filial a Maria é uma expansão do amor de Cristo
A verdadeira devoção a Nossa Senhora nasceu no seio da comunidade cristã como consequência da crescente compreensão do mistério da Encarnação do Filho de Deus. Já aflora na saudação de Isabel a Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre... Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42.45). 
O Papa Paulo VI explicita esta realidade de uma maneira simples e profunda: “Cristo veio a nós por Maria, recebemo-lo dela; se queremos pois ser verdadeiros cristãos, devemos reconhecer a relação essencial e vital que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que a Ele conduz. Nem podemos desviar o olhar daquela que é a criatura mais semelhante a Cristo e é “a figura” da Igreja e é, como afirma o Concílio, ‘o modelo perfeito na fé e na caridade’ (LG 53.61.65)” (Discurso ao Congresso Mariológico de 1975).
Leitura faseada da carta pastoral, para o próximo biénio, do Bispo de Leiria Fátima (III)
 Carta Pastoral 2015-2017 – No Centenário das Aparições
Maria, Mãe de Ternura e de Misericórdia 
† António Marto
Leria, 15 de setembro de 2015,
Memória de Nossa Senhora das Dores

 18. Centralidade eucarística
Quer na oração do Anjo na terceira aparição, quer sobretudo na visão de Lúcia com que encerram as aparições, o mistério da misericórdia de Deus-Amor Trinitário está centrado na oblação de Cristo na Cruz, donde flui no sinal do sangue para o altar da Eucaristia. Um mistério que a iconografia do Ocidente traduz de forma sintética na representação do “Trono da Graça”: O Pai que entrega o Filho para ser solidário com os homens e sofre na dor do seu amor; o Filho que se entrega a Si próprio pela multidão dos irmãos; o Espírito de Amor que sustenta o Filho na sua entrega de amor.
É este mistério de amor misericordioso que celebramos na Eucaristia e que está no centro da espiritualidade de Fátima, seja na adoração eucarística seja na Comunhão reparadora, para, na união com Cristo, vivermos a orientação da nossa vida e renovar o sim da oferta de nós mesmos a favor dos outros.
Nesta perspetiva, recomendamos a participação no Congresso Eucarístico Nacional em Fátima, de 10 a 12 de junho de 2016, com o tema “Eucaristia, fonte de misericórdia”.

domingo, 20 de setembro de 2015

Leitura faseada da carta pastoral, para o próximo biénio, do Bispo de Leiria Fátima (II)
 Carta Pastoral 2015-2017 – No Centenário das Aparições
Maria, Mãe de Ternura e de Misericórdia 
† António Marto
Leria, 15 de setembro de 2015,
Memória de Nossa Senhora das Dores



FÁTIMA HOJE: A ATUALIDADE DA MENSAGEM

Vamos agora meditar e aprofundar a singular mensagem que Nossa Senhora glorificada, “a toda vestida de branco”, nas Aparições de 1917, na Cova da Iria, confiou aos três Pastorinhos que foram objeto, porta-voz e testemunhas da sua ternura e complacência maternal. A autenticidade e verdade das Aparições e da mensagem foram reconhecidas pela Igreja, pertencendo ao âmbito das chamadas revelações privadas.


 13. Uma revelação privada
As revelações privadas não são um novo evangelho; mas são um eco, um apelo ou imperativo do Evangelho numa determinada situação histórica de gravidade para a Igreja e o mundo. Conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica, elas nada acrescentam de novo ao essencial da fé, “o seu papel não é ‘aperfeiçoar’ ou ‘completar’ a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente numa determinada época histórica” (CIC 67).
Com frequência, em relação às aparições encontra-se uma curiosidade doentia que se fixa em pormenores periféricos sem captar o fundamental. No caso de Fátima, muitos olham-na como um conjunto de práticas ou devoções avulsas, fragmentadas, dispersas e até rotineiras, sem ligação ao núcleo da mensagem e sem o respetivo enquadramento. Os órgãos de comunicação social, quando focam só as promessas, o consumo das velas e as penitências de joelhos, deixam na sombra o essencial e o mais belo do tesouro e da experiência espiritual que ali se encontra.