DOMINGO XI DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje são um apelo ao anúncio vivo, porque vivido no concreto da vida e por isso testemunhado, do Amor, que é Deus, que nos ama infinitamente a nós e a cada um dos que fazem parte da nossa labuta diária.
“Naqueles dias, os filhos de Israel partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam, em frente da montanha. Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe: «Assim falarás à casa de Jacob, isto dirás aos filhos de Israel: ‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’».”
Na 2ªleitura (Rom 5, 6-11) S.Paulo
desperta-nos para a dimensão do amor de Deus por cada um de nós. Traz-nos Jesus
como Aquele que se dá todo por nós, quando ainda éramos fracos e pecadores. É
assim, tal qual somos, imperfeitos, que Jesus nos ama gratuita e
infinitamente, para que n’Ele nos tornemos perfeitos, para que vivamos no Amor.
Deixemos que Jesus nos estreite nos seus braços e entreguemo-nos de coração,
deixando cair tudo o que d’Ele nos afasta. Se assim fizermos, também nós
seremos reconciliados com Deus, e n’Ele amaremos o nosso
próximo.
“Irmãos: Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.”
No evangelho (Mt 9, 36 – 10, 8) somos
desafiados a fazer como os apóstolos, como Santo António e tantos outros santos
e santas de Deus: responder sim ao chamamento que Jesus nos faz para
anunciarmos com a nossa vida, em tudo o que somos e na forma como vivemos, o
Amor infinito de Deus por cada ser criado.
“Naquele
tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam
fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus
discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor
da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus
doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar
todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos:
primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e
João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho
de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O
entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não
sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide
primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai
que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos,
sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».”
Senhor, a messe é grande e os operários são poucos. Enviai Senhor operários para a vossa messe.
Queridos
irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho de
hoje recorda-nos a importância da missão, à
qual todos somos chamados, cada um segundo a própria vocação, nas situações
concretas em que o Senhor o colocou.
Jesus envia
os seus discípulos. (...)
Ao mesmo
tempo, Jesus diz: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao
dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
Por um lado,
como um semeador, Deus saiu pelo mundo para semear com generosidade e colocou
no coração do homem e da história o desejo do infinito, de uma vida plena, de
uma salvação que o liberte. Por isso, a seara é grande: o Reino de Deus, como
uma semente, germina no solo e as mulheres e os homens de hoje, mesmo quando
parecem dominados por tantas outras coisas, esperam uma verdade maior, procuram
um sentido mais pleno para as suas vidas, desejam a justiça, levam dentro de si
um anseio de vida eterna.
Por outro
lado, são poucos os operários que vão trabalhar no campo semeado pelo Senhor e
que, além disso, são capazes de reconhecer, com os olhos de Jesus, o bom trigo
que está pronto para a colheita. Há algo
grande que o Senhor quer fazer na nossa vida e na história da humanidade, mas
poucos são aqueles que se apercebem disso, que param para acolher o dom, que o
anunciam e o levam aos outros.
Queridos
irmãos e irmãs, a Igreja e o mundo não precisam de pessoas que cumprem os seus
deveres religiosos mostrando a sua fé como um rótulo exterior; precisam, pelo
contrário, de operários desejosos de trabalhar no campo da missão, de
discípulos apaixonados que testemunhem o Reino de Deus onde quer que estejam.
Talvez não faltem os “cristãos de ocasião”, que só de vez em quando dão lugar a
algum sentimento religioso ou participam em algum evento; mas poucos são
aqueles que estão prontos a trabalhar todos os dias no campo de Deus,
cultivando no seu coração a semente do Evangelho para depois a levar à vida
quotidiana, à família, aos locais de trabalho e de estudo, aos vários ambientes
sociais e àqueles que se encontram em necessidade.
Para fazer
isso, não são necessárias muitas ideias teóricas sobre conceitos pastorais: é
preciso, acima de tudo, rezar ao Dono da messe. Com efeito, em primeiro lugar
está a relação com o Senhor, cultivando o diálogo com Ele. Então, será Ele que
nos tornará seus operários e nos enviará ao campo do mundo como testemunhas do
seu Reino.
Peçamos à
Virgem Maria – Ela que participou na obra da salvação oferecendo generosamente
o seu “Eis-me aqui” – que interceda por nós e nos acompanhe no caminho do
seguimento do Senhor, para que também nós possamos tornar-nos operários alegres
do Reino de Deus.
Papa Leão XIV
(Angelus, 6 de julho de 2025)




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