SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO
A semana IX do tempo comum, este ano, é especial,
pois começámo-la com a solenidade da Santíssima Trindade e agora, mais ou menos
a meio, celebramos outra solenidade igualmente forte e fundamental para nós
cristãos, a do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, popularmente designada por
“Festa do Corpo de Deus”. Na celebração presencial da Eucaristia, hoje, o nosso
coração sente, de forma mais intensa e profunda, a força, a presença vital do
Mistério de Jesus Eucarístico na nossa vida. Nunca agradeceremos o suficiente a
Deus por este mistério insondável do Seu Amor, presente, vivo no meio de nós,
que é a celebração de cada Eucaristia.
Na 1ªleitura (Deut 8,
2-3.14b-16a) o autor
sagrado traz, até nós, a forma como a Aliança de Deus com o Seu Povo se foi
efetivando e reconstruindo ao longo de um caminho de relação. Tal
como nos tempos antigos, Deus nunca nos abandona, está sempre connosco, e já
não precisamos do maná de outros tempos, podemos mesmo dizer que temos um novo
maná: Jesus Cristo, morto, ressuscitado, vivo no meio de nós, o nosso Pão
repartido.
“Moisés
falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te
fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à
prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou
não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer
o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer
compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da
boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do
Egito, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível
deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi
Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer
o maná, que teus pais não tinham conhecido».”
Na 2ªleitura (1 Cor 10, 16-17) S. Paulo, de uma forma
muito clara, interpela-nos sobre a forma como vivemos, na vida, a comunhão no
Corpo e Sangue de Jesus. Afinal, se o Pão que comungamos, é um só, porque será
que não formamos um só Corpo, em Cristo Jesus?! Divino Espírito Santo inunda
todo o nosso ser e ilumina-nos para que, radicados e alimentados por Jesus,
caminhemos para a unidade do Povo de Deus.
“Irmãos:
Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não
é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? Visto que há um só pão,
nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo
pão.”
No evangelho (Jo 6, 51-58) S. João apresenta-nos as palavras de Jesus, que nos dão a certeza de que o Pão que comungamos em cada Eucaristia é verdadeiramente o Corpo de Senhor.
“Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».”
Senhor, alimenta todo o meu ser, habita-me por inteiro, para que, em Ti, dê testemunho do Amor, junto dos que vais colocando nos caminhos da minha vida.
Mil graças Senhor pelo dom da Eucaristia. Bendito e louvado sejas hoje e sempre, pelos tempos sem fim.
“Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia,
quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se
condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do
sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo… Tomai e bebei, isto é o meu sangue».
O gesto levado a cabo por Jesus na Última Ceia é a extrema ação de graças
ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. (...)
Por conseguinte, a celebração eucarística é muito mais do que um simples
banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da
salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples
lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento
participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A
Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito,
fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua
misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa
existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento,
dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa
que, no poder do Espírito Santo, a
participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e
profundo, levando-nos a prelibar desde já a
plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde
juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a
face.
(…)
Ali, é Cristo quem age, Cristo sobre o altar! É um dom de Cristo, que se
torna presente e nos reúne ao redor de Si, para nos alimentar com a sua Palavra
e a sua vida. Isto significa que a própria missão e identidade da Igreja
derivam dali, da Eucaristia, e ali sempre adquirem forma. Uma celebração pode
até ser impecável sob o ponto de vista exterior, maravilhosa, mas
se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não oferecer alimento
algum ao nosso coração e à nossa vida. Através
da Eucaristia, ao contrário, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la
com a sua graça, de tal modo que em cada comunidade cristã haja coerência entre
liturgia e vida.
O coração transborda de confiança e de esperança, pensando nas palavras de
Jesus, citadas no Evangelho: «Quem comer a minha carne e beber o
meu sangue terá a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de
penitência, de júbilo comunitário, de solicitude pelos necessitados e pelas
carências de numerosos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá
aquilo que nos prometeu: a vida eterna."
Papa Francisco
(excertos de uma Catequese sobre a Eucaristia)




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