DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM
As leituras de hoje projetam-nos para o Amor maior, isto é, para Aquele em quem o Amor é de tal maneira intenso, infinito e total, que se transmite apenas porque Ele é. Dito de outra forma, se permanecermos em Deus, se nos deixarmos habitar por Ele, e só por Ele, entraremos na dinâmica do Amor, pois é Ele quem ama em nós. Este é, para mim, o maior desafio da nossa vida, enquanto cristãos, deixarmo-nos amar totalmente por Deus. Quando Deus, e só Ele, for a razão de ser da nossa vida, o nosso amor primeiro, Aquele por quem vale a pena viver e existir, então n’Ele será possível amar, viver no amor, no concreto da vida, junto do nosso próximo, seja ele (a) quem for, mesmo quando humanamente não gostamos deste(a) ou daquele(a).
Ó Amor Eterno, faz de cada um de nós, teus
filhos no Filho, transmissores do Amor, de Ti, junto do nosso próximo, junto de
cada um(a) que colocas nos nossos caminhos de cada dia.
Na 1ªleitura (2 Reis 4,
8-11.14-16a) é Eliseu quem nos demonstra,
através do testemunho de vida de “uma distinta senhora” que todo o que acolhe o
próximo, seja ele quem for, mas mais ainda, se for um homem de Deus, entra na
dinâmica da comunicação da vida, do Amor de Deus, pois a verdade é que é Deus
quem, em cada um(a), se comunica e Deus é a Vida, o Amor.
“Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora, que o convidou com insistência a comer em sua casa. A partir de então, sempre que por ali passava, era em sua casa que ia tomar a refeição. A senhora disse ao marido: «Estou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, é um santo homem de Deus. Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto com paredes de tijolo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Quando ele vier a nossa casa, poderá lá ficar». Um dia, chegou Eliseu e recolheu-se ao quarto para descansar. Depois perguntou ao seu servo Giezi: «Que podemos fazer por esta senhora?». Giezi respondeu: «Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada». «Chama-a» – disse Eliseu. O servo foi chamá-la e ela apareceu à porta. Disse-lhe o profeta: «No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços».”
Na 2ªleitura (Rom 6, 3-4.8-11) S.Paulo centra-nos no Amor, na verdadeira Vida,
pois, diz-nos ele, fomos batizados em Cristo Jesus, que ressuscitou dos mortos
e nos resgatou para a vida em Deus, para o Amor. Que, em Jesus ressuscitado,
também cada um de nós viva uma vida nova, pela glória do Pai.
“Irmãos: Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos; sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.”
No evangelho (Mt 10, 37-42) Jesus aponta a fasquia para a dimensão maior da
nossa vida: amar primeiro a Deus e só depois, n’Ele, amar o pai, a
mãe, os filhos, o próximo, seja ele(a) quem for. Só Deus é Amor e n’Ele podemos
amar todos os que o Senhor colocar no nosso caminho, porque o Seu Amor é sempre
total e infinito por cada ser criado, nunca se esgota e está sempre disponível,
assim o queiramos receber e testemunhar junto de todos, mas principalmente com
os mais fracos e desprotegidos ou abandonados.
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».”
Senhor, que Tu sejas o meu único amor, o centro, a razão de ser da minha vida.
Amados irmãos e irmãs, bom dia!
No Evangelho
deste domingo (cf. Mt 10,
37-42)
ressoa fortemente o convite a viver plenamente e sem hesitação a nossa adesão
ao Senhor. Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do
Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço.
O primeiro
pedido exigente que Ele faz àqueles que O seguem é que coloquem o amor a Ele
acima dos afetos familiares. Ele diz: «Quem amar o pai ou a mãe, [...] o filho
ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim» (v. 37).
Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe
que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro lugar, podem desviar do
verdadeiro bem. Vemo-lo: acontecem algumas corrupções nos governos precisamente
porque o amor à parentela é maior do que o amor à pátria, e dão cargos aos
parentes. O mesmo acontece com Jesus: não é bom quando o amor [aos familiares]
é maior do que [o amor a] Ele. Todos nós poderíamos dar muitos exemplos a este
respeito. Sem mencionar as situações em que os afetos familiares se misturam
com escolhas opostas ao Evangelho. Quando, por outro lado, o amor aos pais e
filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente
fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela. Neste
sentido Jesus diz esta frase. Recordemos também como Jesus admoesta os doutores
da lei que fazem faltar o necessário aos pais com a pretensão de o oferecer ao
altar, de o dar à Igreja (cf. Mc 7,
8-13).
Repreende-os! O verdadeiro amor a Jesus exige um amor autêntico aos pais e aos
filhos, mas se procurarmos primeiro o interesse familiar isto leva sempre pelo
caminho errado.
Então Jesus
diz aos seus discípulos: «Quem não tomar a sua cruz para Me seguir, não é digno
de mim» (v. 38).
É uma questão de O seguir no caminho que Ele próprio percorreu, sem procurar
atalhos. Não há amor verdadeiro sem cruz, ou seja, sem um preço a pagar
pessoalmente. E dizem-no muitas mães, muitos pais, que tanto se sacrificam
pelos filhos e suportam verdadeiras dificuldades e cruzes, porque amam. E
carregada com Jesus, a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre ao nosso
lado para nos apoiar na hora da prova mais dura, para nos dar força e coragem.
Também não é necessário preocupar-se por preservar a própria vida, com uma
atitude temerosa e egoísta. Jesus admoesta: «Aquele que tenta conservar para si
a vida, perdê-la-á, e quem tiver perdido a própria vida por Minha causa – isto
é, por amor, por amor a Jesus, por amor ao próximo, pelo serviço aos outros -
encontrá-la-á» (cf. v. 39).
Este é o paradoxo do Evangelho. Mas temos, graças a Deus, também muitos
exemplos como este! Vemo-lo nestes dias. Quantas pessoas, quantas pessoas
estão a carregar cruzes para ajudar os outros! Sacrificam-se para ajudar o
próximo em necessidade (...) Mas com Jesus é sempre possível.
Encontramos a plenitude da vida e da alegria através da doação de nós
mesmos pelo Evangelho e pelos irmãos, com abertura, aceitação e benevolência.
Ao fazê-lo,
podemos experimentar a generosidade e a gratidão de Deus. Jesus lembra-nos:
«Quem vos recebe, a Mim recebe [...]. Quem der de beber a um destes pequeninos
[...] não perderá a recompensa» (vv.
40; 42).
A generosa gratidão de Deus Pai tem em conta até o mais pequeno gesto de amor e
serviço aos seus irmãos. Nestes dias ouvi um sacerdote dizer que estava
comovido porque na paróquia uma criança se aproximou dele e disse-lhe: “Padre,
estas são as minhas poupanças, são poucas, são para os teus pobres, para
aqueles que hoje estão em necessidade (...)”. É pouco mas é
muito! É uma generosidade contagiosa, que ajuda cada um de nós a sentir
gratidão para com aqueles que se preocupam com as nossas necessidades. Quando
alguém nos oferece um serviço, não devemos pensar que tudo nos é devido. Não,
muitos serviços fazem-se por gratuidade. Pensai no voluntariado, que é uma das
maiores realidades que existem na sociedade italiana. Os voluntários... e quantos
deles perderam a vida (...)! Faz-se por amor, simplesmente por
serviço. A gratidão, o reconhecimento, é antes de mais um sinal de boas
maneiras, mas é também um distintivo do cristão. É um sinal simples mas genuíno
do reino de Deus, que é reino de amor gratuito e reconhecido.
Maria
Santíssima, que amou Jesus mais do que a sua própria vida e o seguiu até à
cruz, nos ajude a colocarmo-nos sempre diante de Deus com o coração disponível,
deixando que a Sua Palavra julgue o nossos comportamentos e as nossas escolhas.




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