sexta-feira, 31 de outubro de 2025

 SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - 2025

Nesta solene festa de Todos os Santos, a Igreja convida-nos a refletir sobre a grande esperança que se fundamenta na ressurreição de Cristo: Cristo ressuscitou e nós também estaremos com Ele. Os Santos e os Beatos são as testemunhas mais influentes da esperança cristã, porque a viveram plenamente na sua existência, entre alegrias e sofrimentos, praticando as bem-aventuranças que Jesus pregou e que hoje ressoam na Liturgia (cf. Mt 5, 1-12a). (1-continua após o Salmo)
Papa Francisco
(Angelus, 1 de novembro de 2020)

Os Santos que celebramos hoje na liturgia são irmãos e irmãs que admitiram na sua vida que precisavam desta luz divina, abandonando-se a ela com confiança. E agora, diante do trono de Deus (cf. Ap 7, 15), cantam a sua glória para sempre. Eles constituem a “Cidade Santa”, para a qual olhamos com esperança, como a nossa meta definitiva, enquanto somos peregrinos nesta “cidade terrestre”. Caminhamos para aquela “cidade santa” onde estes santos irmãos e irmãs nos esperam. É verdade, estamos cansados pela aspereza do caminho, mas a esperança dá-nos a força para avançar. Olhando para a vida deles, somos estimulados a imitá-los. Entre eles há muitas testemunhas de uma santidade da porta ao lado, «daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus» (Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, 7)."

Papa Francisco
(Angelus, 1 de novembro de 2019)

Na 1ªleitura (Ap7,2-4.9-14), através da visão de fé de João, também a nós nos é dado encontrar Deus como Aquele que se consome de amor e ternura por cada um de nós. Ele caminha connosco no dia a dia desta vida atribulada sem nunca nos largar da Sua mão e, por Seu Filho Único, branqueia-nos e conduz-nos à salvação.

"Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: «Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: «Ámen! A bênção e a glória, a sabedoria e a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Ámen!». Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro»."

Na 2ªleitura (1Jo 3, 1-3) João convida-nos a ver muito para além da realidade humana, isto é, a vivermos na esperança, enquanto caminhamos no mundo, de que virá o dia em que Ele se vai manifestar e nós, purificados, seremos absorvidos pelo amor com que sempre nos amou.

"Caríssimos:Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro."

No evangelho  (Mt 5, 1-12a) Jesus, do alto do monte, apresenta-nos o Reino, como uma realidade feliz, uma boa notícia. É verdade que Jesus faz o contraponto entre o presente e o futuro, anuncia-nos um reino de gente feliz, com lágrimas, mas para todo aquele que alterar o seu comportamento e for construtor da justiça, da verdade e da paz a alegria brilhará, será chamado filho de Deus.

"Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem- aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes,porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa»."

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

(1-continuaçãoCom efeito, as bem-aventuranças evangélicas são o caminho da santidade. Agora medito sobre duas bem-aventuranças, a segunda e a terceira.

A segunda é esta: «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados» (v. 4). Parecem palavras contraditórias, pois o pranto não é sinal de alegria e felicidade. Motivos de pranto e de sofrimento são a morte, a doença, as adversidades morais, o pecado e os erros: simplesmente a vida de todos os dias, frágil, débil e marcada por dificuldades. Uma vida às vezes ferida e provada por ingratidões e incompreensões. Jesus proclama bem-aventurados aqueles que choram por estas realidades e, apesar de tudo, confiam no Senhor, colocando-se sob a sua sombra. Não são indiferentes, nem endurecem o coração na dor, mas esperam com paciência a consolação de Deus. E experimentam esta consolação já nesta vida.

Na terceira bem-aventurança Jesus afirma: «Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra» (v. 5). Irmãos e irmãs, a mansidão! A mansidão é caraterística de Jesus, que de si mesmo diz: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Mansos são aqueles que sabem dominar-se a si próprios, que dão lugar ao outro, que o ouvem e o respeitam no seu modo de viver, nas suas necessidades e exigências. Não tencionam oprimi-lo nem menosprezá-lo, não querem dominar ou prevalecer sobre tudo, nem impor as próprias ideias e interesses em detrimento dos outros. Estas pessoas, que a mentalidade mundana não aprecia, são ao contrário preciosas aos olhos de Deus, que lhes concede em herança a terra prometida, ou seja, a vida eterna. Também esta bem-aventurança começa aqui na terra e cumprir-se-á no Céu, em Cristo. A mansidão. Neste momento da vida, também mundial, onde existe tanta agressividade...; e inclusive na vida quotidiana, a primeira coisa que sai de nós é a agressão, a defesa... Precisamos de mansidão para seguir em frente no caminho da santidade. Ouvir, respeitar, não agredir: mansidão!

Amados irmãos e irmãs, escolher a pureza, a mansidão e a misericórdia; escolher confiar-se ao Senhor na pobreza de espírito e na aflição; comprometendo-se em prol da justiça e da paz, tudo isto significa ir contra a corrente em relação à mentalidade deste mundo, contra a cultura da posse, da diversão insensata, da arrogância para com os mais frágeis. Este caminho evangélico foi percorrido pelos Santos e Beatos. A solenidade de hoje, que celebra Todos os Santos, recorda-nos a vocação pessoal e universal à santidade, propondo-nos os modelos certos para este caminho, que cada um percorre de modo único e irrepetível. É suficiente pensar na inesgotável variedade de dons e histórias concretas que existe entre os Santos e as Santas: não são iguais, cada um tem a sua personalidade e desenvolveu a sua vida na santidade, segundo a própria personalidade. Cada um de nós pode fazer isto, percorrer este caminho. Mansidão, por favor, mansidão, e assim caminharemos rumo à santidade.

Esta imensa família de discípulos fiéis de Cristo tem uma Mãe, a Virgem Maria. Nós veneramo-la com o título de Rainha de Todos os Santos, mas é antes de tudo a Mãe, que ensina cada um a acolher e a seguir o seu Filho. Que Ela nos ajude a alimentar o desejo de santidade, percorrendo o caminho das bem-aventuranças.

Papa Francisco
(Angelus, 1 de novembro de 2020)

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