O tema comum das leituras de hoje é a oração. Somos convidados a refletir, interpelados a viver, e desafiados, em todo o nosso ser, a orar continuamente. Eu acredito que a verdadeira oração tem uma força imensa, chega ao coração de Deus!
Na 1ª leitura (Ex 17, 8-13) o que mais
impressiona é a força da oração de Moisés. Como ele teve a ajuda de Aarão e de
Hur, também nós somos desafiados a recorrer ao auxílio de outros, se
necessário, para permanecermos em oração. Mais do que nunca, o pedido que Nossa
Senhora fez em Fátima aos pastorinhos, de rezarem muito, continua atualíssimo.
Não nos cansemos de orar ao Senhor.
“Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão». Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.”
S.Paulo
indica-nos, na 2ª leitura (2Tim 3, 14 – 4, 2) , a melhor fonte a que podemos
recorrer, para fazermos face às dificuldades que sentimos em rezar: a Sagrada
Escritura.
“Caríssimo: Permanece firme no que aprendeste e
aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. Desde a infância conheces
as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela
fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar,
persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim o homem de Deus será
perfeito, bem preparado para todas as boas obras. Conjuro-te diante de Deus e
de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e
pelo seu reino: Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito,
argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.”
No
Evangelho (Lc 18,
1-8) Jesus conta-nos uma parábola que demonstra a
necessidade de insistir e perseverar na oração. Quanto mais dialogamos e
estamos em união com Deus na oração, tanto mais aprendemos a entregarmo-nos nos
seus braços e a confiarmos n’Ele. Deixemo-nos cativar por Ele, pois nunca
nos deixa sós e está sempre atento às nossas súplicas. Ele nunca passa sem nos
escutar. Depois faz sempre o que for melhor para nós. Se o juíz, que era
iníquo, atendeu a viúva que nunca desistiu de pedir justiça, quanto mais não
fará Deus por nós!
"Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»."
Senhor,
ensina-me a rezar.
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho da
liturgia de hoje termina com uma pergunta preocupada de Jesus: «Mas, quando o
Filho do Homem voltar encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18, 8).
Como se dissesse: quando eu voltar no final da história - mas, podemos pensar,
também agora, neste momento da vida - encontrarei alguma fé em vós, no vosso
mundo? Trata-se de uma questão séria. Imaginemos que o Senhor vinha hoje à
terra: ele veria, infelizmente, tantas guerras, tanta pobreza e tantas
desigualdades, e ao mesmo tempo grandes conquistas da tecnologia, meios
modernos e pessoas sempre a correr, sem nunca parar; mas será que ele
encontraria aqueles que lhe dedicam tempo e afeto, aqueles que o colocam em
primeiro lugar? E sobretudo, perguntemo-nos: se o Senhor viesse hoje, o que
encontraria Ele em mim, na minha vida, no meu coração? Que prioridades na minha
vida veria Ele?
Nós, muitas
vezes, concentramo-nos em tantas coisas urgentes, mas desnecessárias,
ocupamo-nos e preocupamo-nos com muitas realidades secundárias; e talvez, sem
nos darmos conta, negligenciamos o que mais importa e permitimos que o nosso
amor por Deus arrefeça, arrefeça pouco a pouco. Hoje, Jesus oferece-nos o
remédio para aquecer uma fé tíbia. E qual é o remédio? Oração. A oração é o
remédio da fé, a restauradora da alma. Deve, no entanto, ser uma oração
constante. Se tivermos de seguir uma cura para melhorar, é importante
segui-la bem, tomar os medicamentos de forma correta e no momento estabelecido,
com constância e regularidade. Em tudo na vida há necessidade disto.
Pensemos numa planta que temos em casa: devemos nutri-la com constância todos
os dias, não a podemos encharcar e depois deixá-la sem água durante semanas!
Isto também é válido para oração: não podemos viver apenas de momentos fortes ou de
encontros intensos de vez em quando e depois “entrar em hibernação”. A nossa fé
secará. Precisamos da água diária da oração, precisamos de tempo dedicado a
Deus, para que Ele possa entrar no nosso tempo, na nossa história; momentos
constantes em que Lhe abrimos o nosso coração, para que Ele possa derramar
amor, paz, alegria, força, esperança em nós todos os dias; isto é, alimentar a
nossa fé.
Por isso Jesus
fala hoje aos seus discípulos - a todos, não apenas a alguns! - «sobre a
obrigação de orar sempre, sem desfalecer» (v. 1). Mas pode-se
objetar: “Mas como faço? Não vivo num convento, não tenho muito tempo para
rezar”. Talvez uma prática espiritual sábia possa vir em auxílio desta
dificuldade, que é verdadeira, que hoje está um pouco esquecida, que os nossos
idosos, especialmente as nossas avós, conhecem bem: a das chamadas
orações jaculatórias. O nome está um pouco desatualizado, mas a
substância é boa. Do que se trata? Orações muito curtas, fáceis de memorizar,
que podemos repetir frequentemente durante o dia, no decorrer de várias
atividades, para ficarmos “sintonizados” com o Senhor. Tomemos alguns exemplos.
Assim que acordamos, podemos dizer: “Senhor, agradeço-te e ofereço-te este
dia”: esta é uma breve oração; depois, antes de uma atividade, podemos repetir:
“Vem, Espírito Santo”; e entre uma coisa e outra podemos rezar assim: “Jesus,
confio em ti, Jesus, amo-te”. Pequenas orações, mas que nos mantêm em contacto
com o Senhor. Quantas vezes enviamos “pequenas mensagens” a pessoas que amamos!
Façamo-lo também com o Senhor, para que o coração permaneça ligado a Ele. E não
nos esqueçamos de ler as suas respostas. O Senhor responde, sempre. Onde as
encontramos? No Evangelho, que deve sempre estar à mão para ser
aberto algumas vezes durante o dia, para receber uma Palavra de vida que nos é dirigida a cada um de nós.
E voltemos
àquele conselho que tantas vezes dei: tende convosco um pequeno Evangelho, no
bolso, na bolsa, e assim, quando tiverdes um minuto, abri-o e lede algo, e o
Senhor responderá.
Que a Virgem Maria, fiel na escuta, nos ensine a arte de rezar sempre, sem nos cansarmos.




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