sábado, 1 de novembro de 2025

DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM -2025- Ano C

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

A comemoração de todos os fiéis defuntos remonta ao final do primeiro milénio: foi o Abade de Cluny, Santo Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos desde o princípio até ao fim do mundo.

Este costume depressa se espalhou: Roma oficializou-o no século XIV e no século XV foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de celebrar três Missas neste dia, prática que se difundiu nos domínios espanhóis e portugueses e ainda na Polónia.

Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915). 

Ecclesia

Vou seguir as leituras da 1ªMissa


Na 1ªleitura (Job 19, 1.23-27a) sentimos que Job atingiu o auge do sofrimento e está no limite das suas forças humanas e espirituais. Meus Deus, como é impressionante o testemunho de fé e de esperança que Job nos dá, no meio de toda a sua dor e desalento. Ao escutar esta leitura, o meu coração exclama: eu creio em Ti, Senhor, mas aumenta a minha fé!

"Job tomou a palavra e disse: «Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou gravadas em bronze com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. Revestido da minha pele, estarei de pé; na minha carne verei a Deus. Eu próprio O verei, meus olhos O hão de contemplar»."

Na 2ªleitura (2 Cor 4, 14 – 5, 1) é bem verdade que experimentamos, vemos, na vida, o que S. Paulo nos diz, quando refere que, há medida que os anos vão passando, “o homem exterior se vai arruinando”. No entanto, S.Paulo desinstala-nos e desafia-nos: a não desanimarmos; a irmos para além do que experimentamos; a deixarmo-nos renovar dia a dia pelo Senhor; a olharmos para as coisas invisíveis, que são eternas.

"Como sabemos, irmãos, Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens."

No evangelho (Mt 11, 25-30 ) é Jesus quem nos convida a escutá-l’O e a descansar n’Ele. Que o nosso coração todo se Lhe entregue e então, como prometeu, Ele nos aliviará. Jesus pode tudo, Ele e o Pai são um só. Confiemos e tenhamos esperança, pois Ele deu a Sua vida por cada um de nós, ama-nos infinitamente.

"Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve»."

A morte, na visão cristã, não é um fatalismo, mas uma passagem. Paulo usa a imagem da nossa vida terrena como uma “tenda”, uma morada provisória. A morte é o momento em que esta tenda é desfeita para recebermos “nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus”. Esta verdade de fé convida-nos a reorientar o nosso olhar: a não nos fixarmos no visível, que é passageiro, mas a projetarmo-nos no invisível, que é eterno. A nossa saudade é real, mas a vida para a qual os nossos defuntos foram chamados é infinitamente mais real e duradoura.

Para onde nos leva esta esperança? Qual o rosto do nosso Redentor? O Evangelho dá-nos a resposta na oração emocionada de Jesus. Ele, que conhece o Pai, revela-nos o Seu coração. E a seguir, lança o convite mais consolador de toda a Escritura: “Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”.

Neste dia, quem está mais “cansado e oprimido” do que aqueles que sentem o peso da perda, mais recente ou mais distante? Jesus é o destino daqueles que partiram e o descanso dos que ficaram. Com a sua palavra Jesus alivia o sofrimento e a saudade, dando-nos a certeza de que o “jugo é suave” e a “carga é leve”. O encontro final com Deus não é um tribunal temível, mas a chegada a casa, ao colo de um Pai que nos acolhe através do seu Filho “manso e humilde de coração”.

É confiados nesta certeza que nos unimos aos que partiram através da oração, porque sabemos que é na comunhão da fé que nos encontramos uns com os outros. A nossa oração não é falar para o vazio, mas acompanhar com o nosso amor e a nossa fé aqueles que nos precederam na viagem para o Pai. Ao rezar por eles, afirmamos a nossa fé na ressurreição e a nossa esperança de, um dia, nos reunirmos com eles na “terra dos vivos”, como espera o salmista.

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