sábado, 5 de abril de 2025
sexta-feira, 4 de abril de 2025
QUARESMA PASSO A PASSO - 2025
Sábado IV da
Quaresma – dia 28 – 05/04/2025
EVANGELHO Jo
7, 40-53
«Porque não O trouxestes?». Os guardas responderam:
«Nunca ninguém falou como esse homem».
Aproxima-se a Paixão. As leituras fazem-nos escutar o grito sofrido de
Jeremias e as interrogações sobre a identidade de Jesus. O profeta faz-nos ver
até que ponto havemos de estar dispostos a sofrer para sermos fiéis a Deus, e
servi-l'O de coração puro. O evangelho dá-nos conta do avolumar das
controvérsias e das hostilidades contra Jesus, verdadeiro cordeiro que
serenamente se encaminha para o matadouro.
Os guardas, enviados a prender Jesus, voltam sem cumprir a ordem, porque
«Nunca nenhum homem falou assim». Mas os fariseus, de coração cada vez mais
endurecido, ripostam: «Será que também vós ficastes seduzidos?». Barricados nos
seus preconceitos, não querem ouvir nada sobre Jesus. Apenas O querem prender.
"Naquele tempo, alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão: «Ele é realmente o Profeta». Outros afirmavam: «É o Messias». Outros, porém, diziam: «Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?» Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos. Então os guardas do templo foram ter com os príncipes dos sacerdotes e com os fariseus e estes perguntaram-lhes: «Porque não O trouxestes?». Os guardas responderam: «Nunca ninguém falou como esse homem». Os fariseus replicaram: «Também vos deixastes seduzir? Porventura acreditou n’Ele algum dos chefes ou dos fariseus? Mas essa gente, que não conhece a Lei, está maldita». Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles: «Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?» Responderam-lhe: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta». E cada um voltou para sua casa."
Também hoje as opiniões se dividem acerca de Jesus. Muitos fecham-se nas
suas dúvidas e na sua indiferença, porque recusam Aquele que pode trazer a paz
aos corações e a união entre os homens. Muitos não buscam realmente a verdade,
mas apenas confirmar os seus preconceitos. Também não faltam ameaças,
perseguições, condenações de inocentes. Felizmente também não faltam pessoas
corajosas, como Nicodemos, capazes de desafiar a opinião dos «poderosos»,
porque estão decididamente apaixonados pela verdade. Para estar com Cristo, é
preciso estarmos cordialmente abertos aos desejos de Deus, à verdade de Deus, à
luz de Deus. Então seremos capazes de acolher a Cristo em todos os momentos e
situações da vida.
De facto, Jesus só tem lugar na vida daqueles que se deixam seduzir. A Jesus não se aceita com argumentos, mas com a relação. Ninguém pode ficar indiferente diante de Jesus, mas reconhecê-l'O como o Messias exige deixar-se seduzir pela proximidade, pela abertura do coração, pela relação de amor.
Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Ámen.
«E cada um voltou para a sua
casa» (Jo 7, 53): após a discussão e tudo o mais, cada um voltou às
suas convicções. Há uma rutura no povo: as pessoas que seguem Jesus escutam-n'O - não se dão conta do muito tempo que passam ouvindo-O, porque Ele entra no coração - e o grupo de Doutores da Lei que a priori rejeitam
Jesus porque não age de acordo com a lei, de acordo com eles.
São dois grupos de pessoas. O povo que ama Jesus, que O segue, e o grupo dos intelectuais da Lei, os chefes de Israel, os líderes do povo. Isto é claro «quando os guardas foram ter com os chefes dos sacerdotes, os quais lhes disseram: «Por que não o trouxestes aqui?»; perante a resposta obtida, os fariseus interpelaram-nos: «Também vós vos deixastes seduzir? Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!» (Jo 7, 45-49). Este grupo de doutores da Lei, a elite, sente desprezo por Jesus. Mas também desprezam o povo, “aquelas pessoas”, que são ignorantes, que não sabem nada. O povo santo e fiel de Deus acredita em Jesus, segue-O, e o pequeno grupo de elite, os Doutores da Lei, afasta-se do povo e não recebe Jesus. Mas como é possível, se eles eram ilustres, inteligentes, tinham estudado? Contudo eles tinham um grande defeito: tinham perdido a memória da própria pertença a um povo. O povo de Deus segue Jesus... eles não conseguem explicar porquê, mas seguem-n'O e as Suas palavras chegam ao seu coração. Não se cansam. Pensemos no dia da multiplicação dos pães: passaram o dia inteiro com Jesus, a ponto de os apóstolos lhe dizerem: « Manda embora o povo para que possa comprar algo para comer» (cf. Mc 6, 36). Também os Apóstolos se distanciaram, não consideraram, não desprezaram, mas não consideraram o povo de Deus. «Deixa-os ir comer». Com a resposta de Jesus: «Dai-lhes vós de comer» (cf. Mc 6, 37), Ele insere-os de novo no povo.
Este afastamento entre a elite
dos líderes religiosos e o povo é um drama que vem de longe. Pensemos também,
no Antigo Testamento, na atitude dos filhos de Eli no templo: eles usavam o
povo de Deus; e se alguns deles, que eram um pouco ateus, viessem para cumprir
a Lei, diziam: «Eles são supersticiosos». Desprezo pelo povo. O desprezo pelo
povo «que não é educado como nós que estudamos, que sabemos...». Em vez disso,
o povo de Deus tem uma grande graça: o seu instinto. A intuição de saber onde
está o Espírito. É pecador, como nós: é pecador. Mas possui a intuição de
conhecer os caminhos da salvação.
O problema das elites, de
clérigos de elite como estes, é que tinham perdido a memória da sua pertença ao
Povo de Deus; tornaram-se sofisticados, passaram para outra classe social,
sentem-se dirigentes. É o clericalismo que já existia. (...) Fala-se disto
nestes dias: o mesmo assunto. «São pessoas de segunda classe: nós somos a
classe dirigente, não devemos sujar as mãos com os pobres».
Muitas vezes penso: são pessoas
boas - sacerdotes, religiosas - que não têm coragem de ir e servir os pobres.
Falta alguma coisa. O que faltava aos doutores da Lei. Perderam a memória,
perderam o que Jesus sentia no coração: que faziam parte do próprio povo. Eles
perderam a memória do que Deus disse a David: «Eu escolhi-te do rebanho».
Perderam a memória da própria pertença ao rebanho.
E eles, cada um, cada um voltou
para casa (cf. Jo 7, 53). Um afastamento. Nicodemos, que
via - era um homem inquieto, talvez não tão corajoso, muito diplomático,
mas inquieto - foi então ter com Jesus, mas era fiel com o que podia; procurou
mediar e citou a Lei: «Julga porventura a nossa Lei um homem antes de o ter
ouvido e de saber o que ele faz?» (Jo 7, 51). Responderam-lhe; mas
não responderam à pergunta sobre a Lei: «Dar-se-á o caso de que também
tu és da Galileia? Examina, e verás que
da Galileia não se levanta profeta» (Jo 7,
52). E assim concluíram a história.
Pensemos também hoje em tantos
homens e mulheres qualificados no serviço de Deus que são bons e vão
servir o povo; tantos sacerdotes que não se afastam do povo. Anteontem recebi
uma fotografia de um padre, um pároco de montanha, de muitas aldeias pequenas,
num lugar onde neva, e na neve levava o ostensório pelas aldeias a fim de
conceder a bênção. Ele não se importava com a neve, não se importava com
a dor que o frio lhe fazia sentir nas mãos em contacto com o metal do
ostensório: ele só se importava com levar Jesus ao povo.
Pensemos, cada um de nós, de
que lado estamos, se estamos no meio, um pouco indecisos, se estamos com o
sentimento do povo de Deus, o povo fiel de Deus que não pode falhar: eles têm
essa infallibilitas in credendo. E pensemos na elite que se separa
do povo de Deus, no clericalismo. E talvez o conselho que Paulo dá ao seu
discípulo, o jovem bispo Timóteo, nos faça bem a todos: «Lembra-te da tua mãe e
da tua avó» (cf. 2 Tm 1, 5). Lembra-te da tua mãe e da tua
avó. Se Paulo aconselhava isto, era porque conhecia bem o perigo a que conduzia
este sentido de elitismo na nossa liderança.
quinta-feira, 3 de abril de 2025
QUARESMA PASSO A PASSO - 2025
Evangelho Jo 7,
1-2.10.25-30
«No entanto, Eu não vim por minha própria vontade e é verdadeiro Aquele que Me enviou e que vós não conheceis.»;
«Mas Eu conheço-O, porque d’Ele venho e foi Ele que Me enviou».
Jesus não é um provocador. Mas a Sua pessoa suscita interrogações e
inquietações crescentes nos Seus contemporâneos, enquanto os chefes Judeus,
movidos pela sua aversão, decidem matá-l'O. Jesus aguarda serenamente a hora do
Pai. Não foge, mas também não apressa os tempos. Evita a Judeia e, quando
decide subir a Jerusalém, fá-lo «quase em segredo. Mas é rapidamente
reconhecido e logo as opiniões se dividem, agora sobre a Sua messianidade. Para
alguns, membros de círculos apocalípticos, se Jesus vem de Nazaré, não é mais
do que um impostor pois, para eles, «quando chegar o Messias, ninguém saberá
donde vem». Entretanto, Jesus sabia bem donde vinha. (...) Com subtil ironia,
afirma que a Sua origem é efetivamente desconhecida dos que julgam saber muito
e, por isso, não O reconhecem como enviado de Deus. Estas palavras ecoam nos
ouvidos dos adversários como ironia, insulto e blasfémia. Tentam apoderar-se
d'Ele, mas não conseguem, pois é Ele o Senhor do tempo e das circunstâncias.
Submeteu-Se totalmente aos desígnios do Pai, e a Sua hora ainda não tinha
chegado.
https://www.dehonianos.org
"Naquele tempo, Jesus percorria a Galileia, evitando andar pela
Judeia, porque os judeus procuravam dar-Lhe a morte. Estava próxima a festa dos
Tabernáculos. Quando os seus parentes subiram a Jerusalém, para irem à festa,
Ele subiu também, não às claras, mas em segredo. Diziam então algumas pessoas
de Jerusalém: «Não é este homem que procuram matar? Vede como fala abertamente
e não Lhe dizem nada. Teriam os chefes reconhecido que Ele é o Messias? Mas nós
sabemos de onde é este homem, e, quando o Messias vier, ninguém sabe de onde
Ele é». Então, em alta voz, Jesus ensinava no templo, dizendo: «Vós Me
conheceis e sabeis de onde Eu sou! No entanto, Eu não vim por minha própria
vontade e é verdadeiro Aquele que Me enviou e que vós não conheceis. Mas Eu
conheço-O, porque d’Ele venho e foi Ele que Me enviou». Procuravam então
prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a Sua
hora."
O texto de hoje deixou-me preso a algumas expressões: “Jesus percorria a
Galileia”. Senti desejo de ser essa Galileia por onde passam os pés de Jesus e
onde se firmam os seus passos como um caminho a seguir. Ele sabe por onde
passar e à Sua passagem, em mim, tudo se revela, “Em segredo”. Esta passagem de
Jesus acontece no segredo, no íntimo, sem ruído, mas com verdade e de modo
eficaz. Desejei estar atento para O perceber chegar em segredo. “Vós Me
conheceis e sabeis de onde Eu sou”; “Mas Eu conheço-O”. Creio que Jesus me está
a dizer para não ficar apenas no Seu conhecimento como alguém que pertence a um
lugar, mas para chegar a conhecê-l’O como aquele que pertence a Alguém, ao Pai
e desejar entrar na mesma intimidade.
Em segredo, Senhor. No segredo do meu coração, da minha vida, do meu quarto. Aí chegas Tu para me visitar, para percorreres os recônditos do meu ser e revelares as intenções mais escondidas. À Tua chegada, conheço-Te conhecendo-me a mim, na minha pequenez. Vem a mim e e converte-me de coração.
A primeira leitura (Sab 2,1s.12-22) é quase uma crónica (uma previsão) do que acontecerá com Jesus. É uma crónica antecipada, é uma profecia. Parece uma descrição histórica do que aconteceu depois. O que dizem os ímpios? Armemos ciladas ao justo, pois nos estorva: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da Lei e nos difama por pecarmos contra a nossa tradição. Tornou-se uma censura para os nossos pensamentos e simplesmente vê-lo já é insuportável. A sua vida é muito diferente da dos outros. Se, de facto, é «filho de Deus», Deus o defenderá e livrará das mãos dos seus inimigos» (Sb 2, 12). Pensemos no que diziam a Jesus na cruz: «Se és o Filho de Deus, desce; que Ele te venha salvar» (cf. Mt 27, 40). E depois, o plano de ação: ponde-o à prova «com violências e tormentos para conhecer a sua mansidão e testar o seu espírito de resistência, e condenemo-lo a uma morte vergonhosa porque, segundo as suas palavras, será socorrido» (cf. Sb 2, 19). Trata-se de uma profecia, precisamente, do que aconteceu. E os judeus estavam a procurar matá-lo, diz o Evangelho. Então, eles também estavam a procurar prendê-lo - diz-nos o Evangelho – mas « a sua hora ainda não tinha chegado» (Jo 7, 30).
Esta profecia é muito
detalhada; o plano de ação destas pessoas malvadas é precisamente detalhe sobre
detalhe, não poupemos nada, pomo-lo à prova com violências e tormentos, e
testemos o espírito de resistência... prendamo-lo com armadilhas [para ver] se
cai... Isto não é um simples ódio, não há um plano de ação maléfico -
certamente - de uma parte contra outra: isto é outra coisa. Isto chama-se
obstinação: quando o diabo que está por trás, sempre, em cada
obstinação, procura destruir e não poupa os meios. Pensemos no início do Livro
de Job, que é profético a este respeito: Deus está satisfeito com o modo de
vida de Job, e o diabo diz-lhe: «Sim, porque ele tem tudo, não tem provações!
Põe-no à prova!» (Cf. Job 1, 1-12; 2, 4-6). E primeiro o diabo
tira-lhe os bens, depois tira-lhe a saúde, e Job nunca, nunca se afastou de
Deus. Mas que faz o diabo: obstinação. Sempre. Por trás de cada obstinação está
o diabo, para destruir a obra de Deus. Por detrás de uma discussão ou
inimizade, pode ser o diabo, mas de longe, com as tentações normais. Mas quando
há obstinação, não duvidemos: há a presença do diabo. E a obstinação é subtil.
Pensemos em como o diabo foi feroz não só contra Jesus, mas também nas
perseguições contra os cristãos; como procurou os meios mais sofisticados para
os levar à apostasia, para os distanciar de Deus. Como dizemos normalmente,
isto é diabólico: sim; inteligência diabólica.
Alguns bispos de um dos países
que sofreram a ditadura de um regime ateu disseram-me que chegaram a detalhes
como este: na segunda-feira depois da Páscoa os professores tiveram que
perguntar às crianças: «O que comestes ontem", e as crianças diziam o que
almoçaram. E alguns respondiam: «Ovos», e aqueles que diziam «ovos» eram então
perseguidos para verificar se eram cristãos, porque naquele país comiam ovos no
Domingo de Páscoa. Até a este ponto, para ver, para espiar, onde há um cristão
para o matar. Isto é perseguição obstinada e isto é o diabo.
E o que se faz no momento da
perseguição? Só duas coisas podem ser feitas: não é possível discutir com
essas pessoas porque elas têm as suas próprias ideias, ideias fixas, ideias que
o diabo semeou no [seu] coração. Já ouvimos qual é o plano de ação delas. O que
pode ser feito? O que fez Jesus: ficar em silêncio. A nós impressiona-nos,
quando lemos no Evangelho que diante de todas estas acusações, antes de todas
estas coisas, Jesus ficou em silêncio. Diante do espírito de obstinação, só
silêncio, nunca justificação. Nunca. Jesus falou, explicou. Quando entendeu que
não havia palavras, silêncio. E em silêncio Jesus viveu a sua Paixão. É o
silêncio do justo diante da obstinação. E isto também é válido para -
chamemos-lhes assim - as pequenas obstinações diárias, quando um de nós ouve
uma tagarelice, contra si, e dizem-se coisas que no final não são
verdadeiras... calemo-nos. Silêncio. Suportar e tolerar a dureza da tagarelice.
A tagarelice também é um assédio, um assédio social: na sociedade, no bairro,
no local de trabalho, mas sempre contra alguém. É uma obstinação. Não tão forte
como esta, mas é uma obstinação, destruir o outro porque se vê que perturba,
incomoda.
Peçamos ao Senhor a graça de lutar contra o espírito malvado, de discutir quando devemos de discutir; mas diante do espírito de obstinação, tenhamos a coragem de permanecer em silêncio e deixemos que outros falem. O mesmo diante desta pequena obstinação diária que é a tagarelice: deixemos que falem. Em silêncio, diante de Deus.
quarta-feira, 2 de abril de 2025
QUARESMA PASSO A PASSO - 2025
Quinta-feira IV da Quaresma – dia 26 – 03/04/2025
Evangelho Jo
5, 31-47
«Se Eu der testemunho de Mim mesmo, o meu testemunho não será considerado verdadeiro.»;
«É outro que dá testemunho de Mim e Eu sei que o testemunho que Ele dá de Mim é verdadeiro.»;
«as obras que o Pai Me deu para consumar – as obras que realizo – dão testemunho de que o Pai Me enviou.»;
«E o Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim.»
No evangelho de hoje, escutamos a segunda parte do discurso que Jesus faz em Sua defesa. Está em causa a Sua autoridade. Na Sua exposição mostra que há uma diferença entre os judeus e ele, duas forças contrárias. Ele veio para os judeus e estes não O querem receber. Jesus apresenta-se com testemunhas fidedignas da sua condição diante do Pai: João Batista, as obras que ele realizou em Jerusalém e em Caná; o próprio Pai; as Escrituras e Moisés. Perante tantas testemunhas porque não creem n’Ele? Porque na verdade eles, que dizem conhecer a voz de Deus, nunca a ouviram nem viram a figura de Deus, nem habita neles a Sua palavra. No fundo, eles são uma mentira. A prova disso é que as Escrituras dão testemunho de Jesus e Moisés fala de Jesus.
"Naquele tempo, Jesus disse aos judeus: «Se Eu der testemunho de Mim mesmo, o meu testemunho não será considerado verdadeiro. É outro que dá testemunho de Mim e Eu sei que o testemunho que Ele dá de Mim é verdadeiro. Vós mandastes emissários a João Batista e ele deu testemunho da verdade. Não é de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para que sejais salvos. João era uma lâmpada que ardia e brilhava e vós, por um momento, quisestes alegrar-vos com a sua luz. Mas Eu tenho um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai Me deu para consumar – as obras que realizo – dão testemunho de que o Pai Me enviou. E o Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua figura e a sua palavra não habita em vós, porque não acreditais n’Aquele que Ele enviou. Examinais as Escrituras, pensando encontrar nelas a vida eterna; são elas que dão testemunho de Mim e não quereis vir a Mim para encontrar essa vida. Não é dos homens que Eu recebo glória; mas Eu conheço-vos e sei que não tendes em vós o amor de Deus. Vim em nome de meu Pai e não Me recebeis; mas se vier outro em seu próprio nome, recebê-lo-eis. Como podeis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não procurais a glória que vem só de Deus? Não penseis que Eu vou acusar-vos ao Pai: o vosso acusador será Moisés, em quem pusestes a vossa esperança. Se acreditásseis em Moisés, acreditaríeis em Mim, pois ele escreveu a meu respeito. Mas se não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas minhas palavras?»."
Os Judeus estão sob processo porque não procuram «a glória que vem do Deus Único» mas tomam a glória uns dos outros. Caíram, assim, numa cegueira radical, interior. Agarrados à Lei, recusam o Espírito. Jesus revela-lhes o risco que correm e avisa-os: pensam alcançar a vida eterna perscrutando os escritos de Moisés, mas são esses mesmos escritos que os acusam. O intercessor deverá tornar-se seu acusador? O texto termina convidando cada um a examinar a autenticidade e a verdade da própria fé.
Senhor Jesus, que Te manifestas como Filho de Deus, realizando as Suas
obras, tem piedade de nós. Acolhe-nos no Teu Coração misericordioso e dá-nos a
vida. Tu, que és a testemunha fiel e verdadeira do Pai, faz-nos ouvir a Sua
voz. Filho obediente do Pai, faz-nos recordar a paixão que sofreste por nós, e
a descobri-la naqueles que continuam a vivê-la no corpo e na alma. Filho
inocente do Pai, intercede por nós pecadores e permite-nos solidarizar-nos
conTigo nessa intercessão. Queremos ir a Ti para termos a vida, a Ti que és a
presença incarnada de Deus-misericórdia. Ámen.
terça-feira, 1 de abril de 2025
QUARESMA PASSO A PASSO - 2025
Quarta-feira IV da Quaresma – dia 25 – 02/04/2025
Evangelho Jo 5, 17-30
«O Pai não julga ninguém: entregou ao Filho o poder de tudo julgar, para que todos honrem o Filho, como honram o Pai.»;
«Eu não posso fazer nada por Mim próprio: julgo segundo o que oiço e o meu juízo é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou».
Jesus mostra que se conforma em tudo ao agir de Deus. (...) A total
unidade de ação entre o Pai e o Filho resulta da total obediência do Filho, que
ama o Pai e partilha do Seu amor pelos homens pecadores. O Pai doa ao Filho o
que só a Ele pertence, o poder sobre a vida e a autoridade no juízo. Esta
íntima relação entre o Pai e o Filho pode alargar-se aos homens pela escuta
obediente da palavra de Jesus.
"Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Meu Pai trabalha
incessantemente e Eu também trabalho em todo o tempo». Esta afirmação era mais
um motivo para os judeus quererem dar-Lhe a morte: não só por violar o Sábado,
mas também por chamar a Deus seu Pai, fazendo-Se igual a Deus. Então Jesus
tomou a palavra e disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: O Filho nada
pode fazer por Si próprio, mas só aquilo que viu fazer ao Pai; e tudo o que o
Pai faz também o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho e Lhe
manifesta tudo quanto faz; e há de manifestar-Lhe coisas maiores que estas, de
modo que ficareis admirados. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá
vida, assim o Filho dá vida a quem Ele quer. O Pai não julga ninguém: entregou
ao Filho o poder de tudo julgar, para que todos honrem o Filho, como honram o
Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que O enviou. Em verdade, em
verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou
tem a vida eterna e não será condenado, porque passou da morte à vida. Em
verdade, em verdade vos digo: Aproxima-se a hora – e já chegou – em que os
mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem, viverão. Assim como
o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho que tivesse a vida
em Si mesmo; e deu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do homem. Não vos
admireis do que estou a dizer, porque vai chegar a hora em que todos os que
estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz: Os que tiverem praticado boas obras irão
para a ressurreição dos vivos e os que tiverem praticado o mal para a
ressurreição dos condenados. Eu não posso fazer nada por Mim próprio: julgo
segundo o que oiço e o meu juízo é justo, porque não procuro fazer a minha
vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou»."
Como Filho muito amado do Pai, Jesus vem convidar todos os homens para a
festa da vida. A ninguém é negado esse convite. O único abandonado é
precisamente o Filho muito amado, que um Amor maior entrega à morte para a
todos dar a vida.
Intimamente unido ao Pai, o Filho fez-Se solidário connosco e veio
revelar-nos o amor misericordioso de Deus. Jesus Cristo é aliança de Deus
connosco para nos dar a vida. Transmite-nos a palavra de Deus para nos
transmitir a vida de Deus: «assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz
viver, também o Filho faz viver aqueles que quer». Os mortos são os que vivem
em pecado, porque, desligados de Deus, não têm em si a vida divina e não podem
amar a Deus nem aos irmãos. Só a Palavra de Deus, que revela o amor, o Seu amor
misericordioso, comunica a vida e dá capacidade para amar.
O evangelho de hoje revela-nos que, para estarmos unidos a Deus, precisamos
de estar unidos a Cristo. É permitindo e realizando essa união com o Pai que
Cristo Se revela aliança de Deus para nós.







