sábado, 7 de dezembro de 2019


SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO 
da VIRGEM SANTA MARIA
8 de dezembro de 2019


Neste 2ºDomingo do Advento a igreja convida-nos, primeiro que tudo, a contemplar o mistério de Deus em Maria, na sua Imaculada Conceição. Para o fazer recorro às palavras de D.António Marto, que, no dia 8 de dezembro de 2016, dizia o seguinte: “A riqueza dos dons de Deus é para todos os discípulos de Cristo, mas realizou-se, de um modo especial em Maria, desde logo na sua imaculada conceição. De facto, no evangelho ela é saudada deste modo: “«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Esta expressão tão bela, com que Maria é saudada pelo anjo, “cheia de graça”, oferece-nos a explicação do mistério que celebramos, pois é o nome escolhido e dado por Deus a Maria. Este nome indica que Maria é, desde sempre, a escolhida e, por isso, a cheia da graça do amor e da santidade de Deus, em todo o seu ser para poder acolher o dom mais precioso, Jesus, o Filho do Deus Altíssimo, o Amor de Deus incarnado. Deus preparou-a como a toda santa, a toda bela e pura, a imaculada, para ser morada do Salvador do Mundo, no meio dos homens. Contemplando assim a Imaculada Conceição, nós contemplamos simultaneamente, como num espelho, a grandeza do amor de Deus, que vem ao nosso encontro pessoalmente, que ama cada um com nome próprio, não em massa anónima e indistintos, e que quer comunicar-nos o seu amor, a sua ternura e misericórdia, que é mais forte do que todo o pecado. Podemos confiar neste amor como Maria a quem é dito “Não temas. O Senhor está contigo”!"


Confiemos em Deus e deixemo-nos desafiar pela Igreja, que nos impele a fazer como Maria, a dar o nosso Sim, de entrega total, ao projeto de Amor de Deus, através da missão que dá a cada um de nós. E, para este desafio, recorro às palavras do Pe.Nélio Pita,CM, que escreveu o seguinte: “Sim! Foi desse modo que a jovem acolheu o projeto de Deus. «Sim», um sim para sempre. «Sim», um sim inteiro e definitivo. O consentimento de Maria transformou o curso da história dos Homens. Antes era uma sucessão de acontecimentos escravos do não de Eva e Adão, intervalados com alguns «sins» muito limitados e de fraco impacto temporal.

sábado, 30 de novembro de 2019

DOMINGO DO ADVENTO
Iniciamos hoje um novo ano litúrgico, um novo tempo, em que fundamentalmente somo convidados a estar vigilantes, porque o Senhor virá, para a todos salvar. É preciso estarmos preparados para vivermos cada dia, deste novo tempo, atentos ao que se passa à nossa volta e disponíveis para, por um lado, agradecermos mais esta oportunidade de irmos “crescendo” na fé, no conhecimento do Amor infinitamente grande que Deus tem por cada ser vivente, logo também por cada um de nós. Por outro lado, para darmos o melhor de nós próprios em benefício daqueles a quem o Senhor também quer chegar, através do nosso testemunho de cada dia. É tempo de estar vigilante e atento aos sinais que o Senhor vai colocando no nosso caminho. Vem, vem Senhor Jesus!

Na 1ªleitura (Is 2, 1-5) Isaías anuncia-nos um tempo novo, o tempo em que Jesus há de reinar nos nossos corações e no de todos e de cada homem, em particular.  Quando todos vivermos em, e de, Jesus, diz-nos Isaías, então as guerras acabarão, então as espadas converter-se-ão em relhas de arado e as lanças em foices e, acrescento eu, todos nos uniremos e entreajudaremos na defesa e proteção dos mais pobres, dos abandonados e dos oprimidos. Como é bela esta visão de fé de Isaías! Deixemos que a Luz do Senhor, que vem, ilumine os nossos caminhos. 
“Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: Sucederá, nos dias que hão de vir, que o monte do templo do Senhor se há de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.” 

Na 2ªleitura (Rom 13, 11-14) S.Paulo diz-nos como deve ser a nossa espera vigilante do Senhor, cuja vinda, está, com o passar dos anos, cada vez mais perto. Sigamos os conselhos de S.Paulo, abandonemos as obras das trevas e deixemos que a Luz brilhe, ilumine os nossos caminhos e revista os nossos corações. 
“Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes; não vos preocupeis com a natureza carnal para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.”
No evangelho (Mt 24, 37-44) , em que a Igreja, neste novo ano litúrgico, seleciona fundamentalmente textos de S.Mateus, Jesus convida-nos a estarmos vigilantes, pois não sabemos em que dia virá o Senhor. Todos os momentos, que Deus nos dá a graça de vivermos, são ocasião para exercitarmos esta espera atenta e vigilante. Que o Senhor Jesus seja o centro da nossa vida, Aquele que nos faz mexer, andar e saltar por montes e vales. Sem Ele nada valemos, com Ele tudo podemos! 
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.”

Vem, vem Senhor Jesus ao meu coração. Que sejas o único amor da minha vida.

sábado, 23 de novembro de 2019

DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM



Eis-nos chegados ao último domingo do Ano Litúrgico C. Ao terminar, este ciclo de 3 anos, as leituras, de hoje, propõem-nos a contemplação do trono de glória do nosso Deus. Sim, o nosso rei, Jesus Cristo, como todos os reis, também tem um trono, que é a Cruz. É verdade que venceu a morte e ressuscitou, mas a Sua entrega total na Cruz, para que cada um de nós pudesse aí, na entrega infinita de Jesus ao Pai, numa comunhão sem fim, encontrar Deus Amor, faz da Cruz o Seu trono de Glória. Instrumento de escândalo para os gentios, de confusão para os incrédulos, é, para todos nós, cristãos, a árvore da vida em cujas raízes crescemos e em cujos braços nos estendemos.


Na 1ªleitura (2 Sam 5, 1-3) o profeta Samuel, ao trazer até nós a eleição do rei David e a força unificadora que ele representou para o povo de Israel,  conduz-nos, por associação, a Jesus, nosso rei e Senhor e ao que Ele significa para nós hoje, no dia a dia da vida. Efetivamente Jesus, o nosso rei e Senhor, é quem nos revela Deus Amor, no concreto da vida, nas situações que carregamos, com as quais: sofremos, ou nos alegramos;  nos perdemos, ou nos encontramos;  nos afundamos, ou ressuscitamos; nos embrulhamos, ou nos esticamos… É só  Ele que nos acompanha e nos guia sempre, de forma a encontramos, aí, em toda e qualquer situação da nossa vida, por mais complicada que nos possa parecer, na altura em que a vivenciamos, o Amor, que é Deus, que nunca, por nunca ser, nos deixa sós, ou nos abandona. Se temos dúvidas, contemplemos a Cruz de Jesus Ressuscitado, que entregou a Sua vida por cada um de nós. 
“Naqueles dias, todas as tribos de Israel foram ter com David a Hebron e disseram-lhe: «Nós somos dos teus ossos e da tua carne. Já antes, quando Saul era o nosso rei, eras tu quem dirigia as entradas e saídas de Israel. E o Senhor disse-te: ‘Tu apascentarás o meu povo de Israel, tu serás rei de Israel’». Todos os anciãos de Israel foram à presença do rei, a Hebron. O rei David concluiu com eles uma aliança diante do Senhor e eles ungiram David como rei de Israel.”


Na 2ª leitura (Col 1, 12-20) S. Paulo faz uma verdadeira demonstração da sua fé em Jesus Ressuscitado. Por outro lado, podemos aprender, deste texto de S.Paulo, a louvar e a dar graças a Deus pelo Seu Amor infinito, por cada um de nós, Seus queridos filhos, no Único e muito amado Filho, de uma forma profunda, mas, ao mesmo tempo, também muito bela. Louvemos e demos graças ao nosso Deus. 
“Irmãos: Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; Porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.”


No evangelho (Lc 23, 35-43) S.Lucas transporta-nos para o momento da morte de Jesus na Cruz. Mas, mais especificamente, para o diálogo de Jesus com o bom e o mau ladrão. Ao escutar este diálogo, fiquei com uma certeza, isto é, sempre que alguém se arrepende e se entrega, de coração sincero, a Jesus, escutará estas palavras: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso». 
“Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más ações. Mas Ele nada praticou de condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».”


Senhor Jesus, eu creio que és o Filho de Deus, que ressuscitou dos mortos. Vem, Senhor Jesus e preenche-me por inteiro. 

domingo, 17 de novembro de 2019

DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM


As leituras deste domingo, utilizando uma linguagem simbólica, que nos encaminha para o fim do tempo litúrgico, desafiam-nos a crescer na confiança e a perseverar no caminho do bem, no dia a dia da vida.


Na 1ª leitura (Mal 3, 19-20a) o profeta Malaquias exorta-nos a confiar no Senhor, a entregarmo-nos a Deus de alma e coração, a deixar que Ele, e só Ele, seja sempre Aquele que dá sentido à nossa existência e é o suporte, a raiz, dos nossos passos de cada dia. 
“Há de vir o dia do Senhor, ardente como uma fornalha; e serão como a palha todos os soberbos e malfeitores. O dia que há de vir os abrasará – diz o Senhor do Universo – e não lhes deixará raiz nem ramos. Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo nos seus raios a salvação.”

Adaptado de Dibujos de Fano
Na 2ªleitura (2 Tes 3, 7-12) S.Paulo parece um homem do nosso tempo, isto é do séc.XXI, a falar sobre alguns aspetos do mundo do trabalho. Às vezes, damo-nos conta de que há pessoas, que têm tantos dons, mas não querem pô-los a render, porque custa, faz suar, implica responsabilidade e empenhamento, entrega e amor e é muito mais fácil viver à custa de alguém, sem fazer nada. No entanto, toda a vida é uma entrega a Deus, em cada dia, a cada momento, de tudo o que temos e somos, para crescimento do Reino. Seja qual for o trabalho que desenvolvemos, ou o serviço que prestamos, este só tem sentido quando feito desta forma, isto é integrado no projeto de Deus Amor, para que um dia, na plenitude dos tempos, Deus seja tudo em todos. Assim, como é bom quando cada um trabalha, faz a sua parte, para que todos possamos beneficiar. Quem não trabalha, apenas porque não quer, deve olhar para tantos que queriam trabalhar e não o conseguem fazer, pelas mais variadas razões. É uma graça de Deus, um privilégio, podermos trabalhar. Abençoa Senhor o nosso trabalho, para que este seja uma forma de Te louvar, de Te dar glória e protege os que procuram trabalho,para que não desistam e consigam encontrar o que procuram. 
“Irmãos: Vós sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos entre vós na ociosidade, nem comemos de graça o pão de ninguém. Trabalhámos dia e noite, com esforço e fadiga, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não é que não tivéssemos esse direito, mas quisemos ser para vós exemplo a imitar. Quando ainda estávamos convosco, já vos dávamos esta ordem: quem não quer trabalhar, também não deve comer. Ouvimos dizer que alguns de vós vivem na ociosidade, sem fazerem trabalho algum, mas ocupados em futilidades. A esses ordenamos e recomendamos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente, para ganharem o pão que comem.”



No evangelho (Lc 21, 5-19)  Jesus exorta-nos a uma confiança sem limites em Deus, no dia a dia da vida. Só n’Ele seremos verdadeiramente livres e, se perseverarmos no caminho do bem, nada nem ninguém se perderá, porque o Senhor estará sempre connosco. 
“Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».”


Senhor, sê a minha força e salvação em todas as horas, minutos e segundos da vida.