SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - 2025
Os Santos que celebramos hoje na liturgia são irmãos e irmãs que admitiram
na sua vida que precisavam desta luz divina, abandonando-se a ela com
confiança. E agora, diante do trono de Deus (cf. Ap 7, 15), cantam a sua glória para sempre. Eles constituem a
“Cidade Santa”, para a qual olhamos com esperança, como a nossa meta
definitiva, enquanto somos peregrinos nesta “cidade terrestre”. Caminhamos para
aquela “cidade santa” onde estes santos irmãos e irmãs nos esperam. É verdade,
estamos cansados pela aspereza do caminho, mas a esperança dá-nos a força para
avançar. Olhando para a vida deles, somos estimulados a imitá-los. Entre eles
há muitas testemunhas de uma santidade da porta ao lado, «daqueles que vivem
perto de nós e são um reflexo da presença de Deus» (Exortação
Apostólica Gaudete et exsultate, 7)."
Na 1ªleitura (Ap7,2-4.9-14), através da visão de fé de João,
também a nós nos é dado encontrar Deus como Aquele que se consome de amor e
ternura por cada um de nós. Ele caminha connosco no dia a dia desta vida
atribulada sem nunca nos largar da Sua mão e, por Seu Filho Único, branqueia-nos
e conduz-nos à salvação.
"Eu,
João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele
clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à
terra e ao mar: «Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que
tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». E ouvi o número dos que
foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de
Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de
todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na
presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. E
clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e
ao Cordeiro». Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e
dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e
adoraram a Deus, dizendo: «Ámen! A bênção e a glória, a sabedoria e a ação de
graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos.
Ámen!». Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de
túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós
é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que
lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro»."
Na 2ªleitura (1Jo 3, 1-3) João convida-nos a ver muito para além da realidade humana, isto é, a
vivermos na esperança, enquanto caminhamos no mundo, de que virá o dia em que
Ele se vai manifestar e nós, purificados, seremos absorvidos pelo amor com que
sempre nos amou.
"Caríssimos:Vede
que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo
de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele.
Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos
de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a
Deus, porque O veremos tal como Ele é. Todo aquele que tem n’Ele esta esperança
purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro."
No evangelho (Mt 5, 1-12a) Jesus, do alto do monte, apresenta-nos o Reino, como uma realidade feliz,
uma boa notícia. É verdade que Jesus faz o contraponto entre o presente e o
futuro, anuncia-nos um reino de gente feliz, com lágrimas, mas para todo aquele
que alterar o seu comportamento e for construtor da justiça, da verdade e da
paz a alegria brilhará, será chamado filho de Deus.
"Naquele
tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os
discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem- aventurados os pobres em
espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes,porque
possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os
que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os
que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é
grande nos Céus a vossa recompensa»."
Prezados
irmãos e irmãs, bom dia!
(1-continuação) Com efeito, as bem-aventuranças evangélicas são o caminho da santidade. Agora
medito sobre duas bem-aventuranças, a segunda e a terceira.
A segunda é
esta: «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados» (v. 4).
Parecem palavras contraditórias, pois o pranto não é sinal de alegria e
felicidade. Motivos de pranto e de sofrimento são a morte, a doença, as
adversidades morais, o pecado e os erros: simplesmente a vida de todos os dias,
frágil, débil e marcada por dificuldades. Uma vida às vezes ferida e provada
por ingratidões e incompreensões. Jesus proclama bem-aventurados aqueles que
choram por estas realidades e, apesar de tudo, confiam no Senhor, colocando-se
sob a sua sombra. Não são indiferentes, nem endurecem o coração na dor, mas
esperam com paciência a consolação de Deus. E experimentam esta
consolação já nesta vida.
Na terceira
bem-aventurança Jesus afirma: «Bem-aventurados os mansos, porque
possuirão a terra» (v.
5).
Irmãos e irmãs, a mansidão! A mansidão é caraterística de Jesus, que de si
mesmo diz: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29).
Mansos são aqueles que sabem dominar-se a si próprios, que dão lugar ao outro,
que o ouvem e o respeitam no seu modo de viver, nas suas necessidades e
exigências. Não tencionam oprimi-lo nem menosprezá-lo, não querem dominar ou
prevalecer sobre tudo, nem impor as próprias ideias e interesses em detrimento
dos outros. Estas pessoas, que a mentalidade mundana não aprecia, são ao
contrário preciosas aos olhos de Deus, que lhes concede em herança a terra
prometida, ou seja, a vida eterna. Também esta bem-aventurança começa aqui na
terra e cumprir-se-á no Céu, em Cristo. A mansidão. Neste momento
da vida, também mundial, onde existe tanta agressividade...; e inclusive na
vida quotidiana, a primeira coisa que sai de nós é a agressão, a defesa...
Precisamos de mansidão para seguir em frente no caminho da santidade. Ouvir, respeitar,
não agredir: mansidão!
Amados irmãos
e irmãs, escolher a pureza, a mansidão e a misericórdia; escolher confiar-se ao
Senhor na pobreza de espírito e na aflição; comprometendo-se em prol da justiça
e da paz, tudo isto significa ir contra a corrente em relação à mentalidade
deste mundo, contra a cultura da posse, da diversão insensata, da arrogância
para com os mais frágeis. Este caminho evangélico foi percorrido pelos Santos e
Beatos. A solenidade de hoje, que celebra Todos os Santos, recorda-nos a
vocação pessoal e universal à santidade, propondo-nos os modelos certos para
este caminho, que cada um percorre de modo único e irrepetível. É suficiente
pensar na inesgotável variedade de dons e histórias concretas que existe entre
os Santos e as Santas: não são iguais, cada um tem a sua
personalidade e desenvolveu a sua vida na santidade, segundo a própria
personalidade. Cada um de nós pode fazer isto, percorrer este caminho.
Mansidão, por favor, mansidão, e assim caminharemos rumo à santidade.
Esta imensa
família de discípulos fiéis de Cristo tem uma Mãe, a Virgem Maria. Nós
veneramo-la com o título de Rainha de Todos os Santos, mas é antes de tudo a
Mãe, que ensina cada um a acolher e a seguir o seu Filho. Que Ela nos ajude a
alimentar o desejo de santidade, percorrendo o caminho das bem-aventuranças.




_2.png)




.png)





.png)
