sábado, 9 de novembro de 2019

DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM


Hoje, as leituras projetam-nos para o aprofundamento da nossa fé na Ressurreição. Desde sempre o Homem se interrogou sobre a vida para além da morte. Se, para uns, não oferece qualquer dúvida a possibilidade de, um dia, nos encontramos todos, em Deus, para além do nosso tempo e do espaço que agora conhecemos, para outros, que afirmam que Deus não existe,  parece que tudo acaba aqui, mas, acredito, que mesmo, para estes últimos, existirão momentos de interrogação e de procura de um sentido “maior” para a existência humana. Para nós, cristãos, não há dúvida de que Jesus ressuscitou, vive junto do Pai, é Deus na Trindade e, um dia, quando chegar a nossa vez, n’Ele, também cada um de nós há de ressuscitar. Recebei-nos Senhor no Vosso Reino.


Na 1ªleitura (2 Mac 7, 1-2.9-14) o autor sagrado coloca-nos como espetadores de um acontecimento dramático e terrível, para qualquer ser humano, quanto mais para aquela mãe. Deus do Céu! E, é aqui, nestas alturas tão violentas e brutais que somos questionados verdadeiramente sobre os fundamentos da nossa fé. Sem deixar de lutar pela vida, pela nossa dignidade enquanto seres humanos, pela possibilidade de vivermos e testemunharmos a fé no nosso Deus, quando a tragédia acontece, só há uma resposta possível, a que foi dada pelos filhos da viúva da leitura: “Vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará”. “Naqueles dias, foram presos sete irmãos, juntamente com a mãe, e o rei da Síria quis obrigá-los, à força de golpes de azorrague e de nervos de boi, a comer carne de porco proibida pela Lei judaica. Um deles tomou a palavra em nome de todos e falou assim ao rei: «Que pretendes perguntar e saber de nós? Estamos prontos para morrer, antes que violar a lei de nossos pais». Prestes a soltar o último suspiro, o segundo irmão disse: «Tu, malvado, pretendes arrancar-nos a vida presente, mas o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis». Depois deste começaram a torturar o terceiro. Intimado a pôr fora a língua, apresentou-a sem demora e estendeu as mãos resolutamente, dizendo com nobre coragem: «Do Céu recebi estes membros e é por causa das suas leis que os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo». O próprio rei e quantos o acompanhavam estavam admirados com a força de ânimo do jovem, que não fazia nenhum caso das torturas. Depois de executado este último, sujeitaram o quarto ao mesmo suplício. Quando estava para morrer, falou assim: «Vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará; mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida».”


Na 2ª leitura (2 Tes 2, 16 – 3, 5) S. Paulo exorta-nos a confiarmos sempre em Jesus e a orarmos, com perseverança, “para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e seja glorificada”. Só em Jesus seremos capazes de fazer o que Deus espera de nós, ou seja, testemunhar, no dia a dia da vida, o quanto Deus ama, infinitamente, cada ser vivente. “Irmãos: Jesus Cristo, nosso Senhor, e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, eterna consolação e feliz esperança, confortem os vossos corações e os tornem firmes em toda a espécie de boas obras e palavras. Entretanto, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e seja glorificada, como acontece no meio de vós. Orai também, para que sejamos livres dos homens perversos e maus, pois nem todos têm fé. Mas o Senhor é fiel: Ele vos dará firmeza e vos guardará do Maligno. Quanto a vós, confiamos inteiramente no Senhor que cumpris e cumprireis o que vos mandamos. O Senhor dirija os vossos corações, para que amem a Deus e aguardem a Cristo com perseverança.”

Adaptado de Dibujos de Fano
No evangelho (Lc 20, 27-38) Jesus, confundindo quem o quer apanhar em falso, aproveita a ocasião para nos ensinar que os que “forem dignos de tomar parte na ressurreição dos mortos já não podem morrer(…), pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus”. Quando se acredita na ressurreição, podemos fazer nossas as palavras com que Jesus termina o evangelho, pois verdadeiramente o nosso Senhor “Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”. “Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?». Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».”


Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Ámen.

sábado, 2 de novembro de 2019

DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM

Adaptado de Dibujos de Fano
As leituras deste domingo vêm de encontro ao nosso coração de pecadores, mas ao mesmo tempo, de filhos muito amados no Filho. A forma como nos revelam o quanto e o como Deus nos ama, num Amor sem fim, chega ao mais profundo da nossa alma e impele-nos a corresponder a tão grande Amor, com tudo o que temos e somos, debilidades e potencialidades, pobrezas e riquezas, tudo mesmo. Louvado sejas Senhor, porque nos amas infinitamente, assim, tal qual somos e, mesmo sabendo de todos os nossos pecados, continuas a apostar tudo em nós. Bendito sejas Senhor, hoje e sempre, pelos séculos sem fim.

Adaptado de Dibujos de Fano
Na 1ªleitura (Sab 11, 22 – 12, 2) o autor sagrado ao revelar-nos a forma como o Senhor trata o pecador, abre-nos o coração para a imensidão, a infinitude do Amor de Deus para com cada um de nós, Seus filhos, no Único Filho. O autor sagrado diz-nos que a gota de orvalho, o grão de areia, a casca de noz, que é cada um de nós, é preciosa para Deus. Deixemo-nos inundar, preencher por este Amor sem fim e sejamos, também cada um de nós, lá onde vive e se move, no dia a dia da vida, testemunhas de tão grande e maravilhosa notícia: Deus ama, hoje, em pleno séc.XXI, cada homem, cada mulher, cada ser por Ele criado, tal qual é, infinitamente. 
“Diante de Vós, Senhor, o mundo inteiro é como um grão de areia na balança, como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra. De todos Vos compadeceis, porque sois omnipotente, e não olhais para os seus pecados, para que se arrependam. Vós amais tudo o que existe e não odiais nada do que fizestes; porque, se odiásseis alguma coisa, não a teríeis criado. E como poderia subsistir, se Vós não a quisésseis? Como poderia durar, se não a tivésseis chamado à existência? Mas a todos perdoais, porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida. O vosso espírito incorruptível está em todas as coisas. Por isso castigais brandamente aqueles que caem e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados, para que se afastem do mal e acreditem em Vós, Senhor.”


Na 2ª leitura (2 Tes 1, 11 – 2, 2) é S. Paulo quem nos confirma que em Jesus, por Jesus e em Igreja é possível continuar a testemunhar, no dia a dia da nossa vida, o quanto Deus ama infinitamente cada um de nós, Seus filhos, no único e muito amado Filho. 
“Irmãos: Oramos continuamente por vós, para que Deus vos considere dignos do seu chamamento e, pelo seu poder, se realizem todos os vossos bons propósitos e se confirme o trabalho da vossa fé. Assim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós n’Ele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. Nós vos pedimos, irmãos, a propósito da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e do nosso encontro com Ele: Não vos deixeis abalar facilmente nem alarmar por qualquer manifestação profética, por palavras ou por cartas, que se digam vir de nós, pretendendo que o dia do Senhor está iminente.”


No Evangelho (Lc 19, 1-10), seja qual for a nossa situação atual, somos todos, e cada um individualmente, desafiados a fazer como Zaqueu: superar todo e qualquer obstáculo que nos impeça de ver Jesus e aderir à Sua proposta de Amor. Subamos à árvore e respondamos ao Seu olhar e consequente convite. Deixemo-nos cativar pelo Amor, que é Deus, pois só n’Ele experimentaremos a verdadeira felicidade.
“Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».”

Adaptado de "Dibujos de Fano"

Senhor, que eu me deixe sempre cativar por Ti.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

FESTA DE TODOS OS SANTOS


Hoje é dia de todos os santos e, por isso, sentimo-nos mais em comunhão com os que já se encontram a contemplar Deus, face a face, fazemos festa com eles, pois como nos diz o Papa Francisco na Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate” no nº4: “Os santos, que já chegaram à presença de Deus, mantêm connosco laços de amor e de comunhão”.
Segundo o Papa Francisco, mas agora no nº3, da “Gaudete et Exsultate”, são os santos que nos encorajam e acompanham na resposta que vamos dando ao chamamento que o Senhor continua a fazer-nos no dia a dia da nossa vida: “Podemos dizer que «estamos circundados, conduzidos e guiados pelos amigos de Deus. (...) Não devo carregar sozinho o que, na realidade, nunca poderia carregar sozinho. Os numerosos santos de Deus protegem-me, amparam-me e guiam-me».” E continua no nº5 do mesmo documento:Não pensemos apenas em quantos já estão beatificados ou canonizados. O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus, porque «aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente». O Senhor, na história da salvação, salvou um povo. Não há identidade plena, sem pertença a um povo. Por isso, ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa dinâmica popular, na dinâmica dum povo.”


Passando ao nº6 da“Gaudete et Exsultate”  diz-nos o Papa: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade»."

Primeira leitura (Ap 7, 2-4.9-14)
Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poderde causar dano à terra e ao mar: «Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: «Ámen! A bênção e a glória, a sabedoria e a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Ámen!». Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me:«São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

No nº7 da “Gaudete et Exsultate” o Papa Francisco diz o seguinte: "Deixemo-nos estimular pelos sinais de santidade que o Senhor nos apresenta através dos membros mais humildes deste povo que «participam também da função profética de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de fé e de caridade». Como nos sugere Santa Teresa Benedita da Cruz, pensemos que é através de muitos deles que se constrói a verdadeira história: «Na noite mais escura, surgem os maiores profetas e os santos. Todavia a corrente vivificante da vida mística permanece invisível. Certamente, os eventos decisivos da história do mundo foram essencialmente influenciados por almas sobre as quais nada se diz nos livros de história. E saber quais sejam as almas a quem devemos agradecer os acontecimentos decisivos da nossa vida pessoal, é algo que só conheceremos no dia em que tudo o que está oculto for revelado»"


Segunda leitura (1 Jo 3, 1-3) 

Caríssimos:Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

Diz o Papa no nº 25 da “Gaudete et Exsultate”: "Dado que não se pode conceber Cristo sem o Reino que Ele veio trazer, também a tua missão é inseparável da construção do Reino: «procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça» (Mt 6, 33). A tua identificação com Cristo e os seus desígnios requer o compromisso de construíres, com Ele, este Reino de amor, justiça e paz para todos. O próprio Cristo quer vivê-lo contigo em todos os esforços ou renúncias que isso implique e também nas alegrias e na fecundidade que te proporcione. Por isso, não te santificarás sem te entregares de corpo e alma, dando o melhor de ti neste compromisso."


Evangelho (Mt 5, 1-12a)

"Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem- aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa»."


Passando ao nº14 da “Gaudete et Exsultate”, diz-nos o Papa Francisco: "Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23). Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: «Senhor, sou um miserável! Mas Vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor». Na Igreja, santa e formada por pecadores, encontrarás tudo o que precisas para crescer rumo à santidade. «Como uma noiva que se adorna com as suas joias» (Is 61, 10), o Senhor cumulou-a de dons como a Palavra, os Sacramentos, os santuários, a vida das comunidades, o testemunho dos santos e uma beleza multiforme que deriva do amor do Senhor."

sábado, 26 de outubro de 2019

DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM


Na sequência das leituras de domingo passado, também a liturgia de hoje nos projeta para a oração, mas numa dimensão diferente, pois centra-nos na forma como esta deve ser feita, para ser verdadeiramente um encontro com o Senhor, no mais íntimo do nosso ser.

Na 1ªleitura (Sir 35, 15b-17.20-22a (gr. 12-14.16-18)) o autor sagrado torna bem claro que a oração do humilde chega sempre ao seu destino e nunca deixa de ser atendida por Deus. 
O Senhor é um juiz que não faz aceção de pessoas. Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. Não despreza a súplica do órfão, nem os gemidos da viúva. Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. Não desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.”
Na 2ªleitura (2 Tim 4, 6-8.16-18) S.Paulo, antevendo a proximidade da sua partida para Deus, faz uma despedida demonstrativa de um fé imensa no Senhor. Nem por um minuto, sabendo o que o espera, face aos executores romanos, perde a confiança no amor de Deus. Ele tem a certeza de que o Senhor está sempre a seu lado, nunca lhe faltará e que só Ele lhe dará a salvação, no Céu. 
“Caríssimo: Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Ámen.”


No evangelho (Lc 18, 9-14) Jesus conta-nos uma parábola, em que nos ensina como deve ser uma oração verdadeira: só um coração humilhado e contrito sente necessidade de Deus e se Lhe entrega na totalidade da sua debilidade. Realmente só quando nos sentimos pobres, frágeis, pecadores e, ao mesmo tempo, infinitamente amados e aceites, assim tal qual somos, por Deus Amor, é que deixamos cair todas as nossas defesas, seguranças, prisões e nos entregamos confiadamente, descansando nos braços dos Senhor, deixando que nos habite por inteiro. Louvemos o nosso Deus que nos olha assim, no Seu amor infinito por nós e deixemos que através de nós, possa chegar a outros que também O querem conhecer e experimentar o que é ser amado por Deus. 
“Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».


Senhor, tem compaixão de mim, que sou pecadora.

sábado, 19 de outubro de 2019

DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM


Há domingos em que é difícil encontrar o tema comum, que percorre as leituras escolhidas, para a liturgia do dia, mas hoje é diferente. A temática da oração, em que somos convidados a refletir, interpelados a viver, desafia claramente todo o nosso ser. A importância da comunhão com Deus, no mais íntimo do coração de cada homem, a transformação que opera naquele que se deixa transformar pelo imenso amor do Senhor, que é comunicado ao mundo, na relação amorosa que se estabelece entre o homem e Deus durante a oração, são realçadas nas leituras deste domingo. Eu acredito que a verdadeira oração tem uma força imensa,  tão grande que chega ao coração de Deus!


Na 1ª leitura (Ex 17, 8-13)  o que mais impressiona é a força da oração de Moisés. Como ele teve a ajuda de Aarão e de Hur, também nós somos desafiados a recorrer ao auxílio de outros, se necessário, para permanecermos em oração. Mais do que nunca, o pedido que Nossa Senhora fez em Fátima aos pastorinhos, de rezarem muito, continua atualíssimo. Não nos cansemos de orar ao Senhor.
“Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão». Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.”


S.Paulo indica-nos, na 2ª leitura  (2Tim 3, 14 – 4, 2) , a melhor fonte a que podemos recorrer, para fazermos face às dificuldades que sentimos em rezar: a Sagrada Escritura. 
Caríssimo: Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras. Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.”


No Evangelho  (Lc 18, 1-8) Jesus conta-nos uma parábola que demonstra a necessidade de insistir e perseverar na oração. Quanto mais dialogamos e estamos em união com Deus na oração, tanto mais aprendemos a entregarmo-nos nos seus braços e a confiarmos n’Ele. Deixemo-nos  cativar por Ele, pois nunca nos deixa sós e está sempre atento às nossas súplicas. Ele nunca passa sem nos escutar. Depois faz sempre o que for melhor para nós. Não fez assim o juíz iníquo? Quanto mais não fará Deus por nós! 
"Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»." 


Senhor, ensina-me a rezar.