sábado, 17 de janeiro de 2026

 DOMINGO II DO TEMPO COMUM -2026- Ano A

No domingo passado, estivemos em festa a celebrar o Batismo de Jesus. Hoje, continuando ainda nesse ambiente festivo, somos desafiados a assumir o nosso batismo, ou seja, a deixar que o Espírito  Santo, que, desde esse dia, nos habita, nos preencha por inteiro, de tal forma que possamos ir crescendo em e com Jesus e aprendendo a d'Ele dar testemunho.

Na 1ªleitura (Is 49, 3.5-6) o profeta Isaías antecipa a vinda do “Servo de Javé”, da “luz das nações”, cuja presença no meio de nós, nos é anunciada, no Evangelho, por João Batista. 

“Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».”

Na 2ªleitura (1 Cor l, 1-3) iniciamos neste domingo a escuta da primeira carta de Paulo aos Coríntios. No contexto da saudação inicial Paulo faz referência à sua vocação universal. Relembra-nos que, pelo batismo fomos gratuitamente chamados por Deus à fé e santificados em Jesus Cristo. Que o Senhor Jesus nos torne portadores da Sua paz.

“Irmãos: Paulo, por vontade de Deus escolhido para Apóstolo de Cristo Jesus e o irmão Sóstenes, à Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade, com todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco.”

No evangelho (Jo 1, 29-34) João Batista dá testemunho de que Jesus é o Filho de Deus. Dá a impressão de que João só no momento do batismo de Jesus é que reconheceu em Jesus, seu primo, o Filho de Deus. E, a partir daí, João, que já falava d’Ele, mesmo sem O conhecer, passou a anunciar a Sua vinda, a proclamar a Sua presença no meio dos homens, com todo o desassombro e ainda com mais autoridade.

“Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim batizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».”

Divino Espírito Santo, que nos habitas desde o dia do nosso batismo e nos fazes sentir verdadeiramente amados por Deus, ensina-me a anunciar, na minha vida, seja qual for a situação em que me encontre, Deus eternamente enamorado de cada um dos seus filhos.

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Este segundo domingo do Tempo Comum está em continuidade com a Epifania e com a Festa do Batismo de Jesus. O trecho do Evangelho (cf. Jo 1, 29-34) ainda nos fala da manifestação de Jesus. De facto, depois de ter sido batizado no rio Jordão, foi consagrado pelo Espírito Santo que pousou sobre Ele e foi proclamado Filho de Deus pela voz do Pai celeste (cf. Mt 3, 16-17 e par.). O Evangelista João, ao contrário dos outros três, não descreve o evento, mas propõe o testemunho de João Batista. Ele foi a primeira testemunha de Cristo. Deus chamou-o e preparou-o para isto.

O Batista não pode reter o desejo urgente de dar testemunho de Jesus e declara: «eu vi e dou testemunho» (v. 34). João viu algo perturbador, isto é, o amado Filho de Deus solidário com os pecadores; e o Espírito Santo fez-lhe compreender a novidade inaudita, uma verdadeira inversão. Na verdade, enquanto em todas as religiões é o homem que oferece e sacrifica algo a Deus, no evento Jesus é Deus que oferece o seu Filho para a salvação da humanidade. João manifesta a sua admiração e o seu consentimento a esta novidade que Jesus trouxe, através de uma expressão significativa que repetimos em todas as missas: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!» (v. 29).

O testemunho de João Batista convida-nos a recomeçar sempre de novo o nosso caminho de fé: recomeçar de Jesus Cristo, o Cordeiro cheio de misericórdia que o Pai nos deu. Surpreendamo-nos mais uma vez com a escolha de Deus de estar do nosso lado, de mostrar solidariedade para connosco, pecadores, e de salvar o mundo do mal, assumindo-o totalmente sobre si.

Aprendamos de João Batista a não presumir que já conhecemos Jesus, que já sabemos tudo sobre Ele (cf. v. 31). Não é assim. Paremos no Evangelho, talvez até contemplando um ícone de Cristo, uma “Sagrada Face”. Contemplemos com os olhos e ainda mais com o coração; e deixemo-nos instruir pelo Espírito Santo, que interiormente nos diz: É Ele! Ele é o Filho de Deus feito cordeiro, sacrificado por amor. Ele, só Ele trouxe, só Ele sofreu, expiou o pecado, o pecado de cada um de nós, o pecado do mundo, e também os meus pecados. Todos. Assumiu-os todos sobre si e libertou-nos deles para que finalmente fôssemos livres, já não escravos do mal. Sim, somos ainda pobres pecadores, mas não escravos, não, não escravos: filhos, filhos de Deus!

Que a Virgem Maria nos obtenha a força para dar testemunho do seu Filho Jesus; para o proclamar com alegria, com uma vida livre do mal e uma palavra cheia de fé, maravilhada e grata.

Papa Francisco
(Angelus, 19 de janeiro de 2020)

sábado, 10 de janeiro de 2026

 FESTA DO BATISMO DO SENHOR -2026- Ano A

É com a festa do “Batismo do Senhor Jesus” que a Igreja dá por concluídas as festividades do Natal e reinicia o Tempo  Comum. Depois de um tempo forte, em que somos chamados  a contemplar a manifestação do Mistério do Amor de Deus pelo homem, começa um tempo de interiorização na vida. Com Jesus, que agora inicia a Sua vida pública, vamos caminhando num conhecimento maior do Amor de Deus. É Ele, o Filho, no qual Deus colocou toda a Sua complacência, quem nos vai conduzindo até ao Pai, e no-L’O vai revelando como o Amor sem fim por cada um de nós em particular e por todos em geral.

A 1ª leitura (Is 42, 1-4.6-7) projeta-nos diretamente para o Evangelho, para o “Servo”, para o Eleito de Deus, para a Luz das nações que veio restabelecer a Aliança de Deus com os homens: Jesus Cristo. Deixemos que Ele nos abra os olhos e nos liberte das trevas, a fim de que sejamos instrumentos da Sua proclamação e estabelecimento da justiça para todos.

«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

Na 2ªleitura (Atos 10, 34-38) S. Pedro alarga a dimensão do batismo cristão a todos os homens de boa vontade que o desejem, independentemente do seu credo, povo, raça, ou língua. Ninguém, fica de fora, todos são convidados a receber a manifestação do Espírito Santo e a fazer parte da Igreja de Cristo, da família de Deus.

“Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».”

No evangelho (Mt 3, 13-17) o Céu desce à Terra e revela-nos Jesus, como o Filho muito amado de Deus Pai. Neste momento, Deus Uno e Trino revela-se presente na história humana. É, na verdade, um momento único em que se inicia uma caminhada de Amor sem fim, em que Jesus, Deus feito homem, a viver connosco, nos vai revelando Deus e o seu Amor infinito e total por cada um de nós, Seus filhos no Filho. 

“Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».”

Senhor, que o meu coração se deixe amar totalmente por Ti, em todos os momentos e circunstâncias.

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, festa do Batismo de Jesus, o Evangelho (Mt 3, 13-17) apresenta-nos a cena ocorrida na margem do rio Jordão: no meio da multidão penitente que caminha rumo a João Batista para receber o batismo encontra-se também Jesus. Estava na fila. João gostaria de o impedir, dizendo: «Eu devo ser batizado por ti!» (Mt 3, 14). Com efeito, João Batista está consciente da grande distância que existe entre ele e Jesus. Mas Jesus veio exatamente para preencher a lacuna entre o homem e Deus: se Ele está inteiramente da parte de Deus, está também totalmente da parte do homem, reunindo o que estava dividido. É por isso que pede a João que o batize, a fim de que se cumpra toda a justiça (cf. v. 15), ou seja, que se realize o desígnio do Pai que passa através do caminho da obediência e da solidariedade para com o homem frágil e pecador, da vereda da humildade e da plena proximidade de Deus aos seus filhos. Porque Deus está muito próximo de nós, muito!

No momento em que Jesus, batizado por João, sai das águas do rio Jordão, a voz de Deus Pai faz-se ouvir do alto: «Eis o meu Filho muito amado, em quem depositei a minha complacência» (v. 17). E ao mesmo tempo o Espírito Santo, em forma de pomba, pousa sobre Jesus, que dá publicamente início à sua missão de salvação; missão caracterizada por um estilo, o estilo do servo humilde e manso, munido unicamente da força da verdade, como Isaías tinha profetizado: «Ele não gritará, nunca elevará a sua voz, [...] Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião» (42, 2-3). Servo humilde e manso.

Eis o estilo de Jesus, e também o estilo missionário dos discípulos de Cristo: anunciar o Evangelho com mansidão e firmeza, sem gritar, sem repreender ninguém, mas com mansidão e firmeza, sem arrogância nem imposição. A verdadeira missão nunca é proselitismo mas atração a Cristo. Mas como? Como se faz esta atração a Cristo? Com o próprio testemunho, a partir da vigorosa união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta, que é serviço a Jesus presente no mais pequenino dos irmãos. À imitação de Jesus, Pastor bom e misericordioso, e animados pela sua graça, somos chamados a fazer da nossa vida um testemunho jubiloso que ilumina o caminho, que anuncia esperança e amor.

Esta festa leva-nos a redescobrir o dom e a beleza de ser um povo de batizados, isto é de pecadores — todos o somos — de pecadores salvos pela graça de Cristo, inseridos realmente, por obra do Espírito Santo, na relação filial de Jesus com o Pai, acolhidos no seio da Mãe Igreja e tornados capazes de uma fraternidade que não conhece confins nem barreiras.

A Virgem Maria ajude todos nós, cristãos, a conservar uma consciência sempre viva e reconhecida pelo nosso Batismo, e a percorrer com fidelidade o caminho inaugurado por este Sacramento do nosso renascimento. E sempre com humildade, mansidão e firmeza.

Papa Francisco
(Angelus, 8 de janeiro de 2017)

sábado, 3 de janeiro de 2026

 SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR -2026- A

Hoje, liturgicamente, a Igreja celebra o que na linguagem comum chamamos de "Dia de Reis". Muitas vezes o imaginário dos magos traz-nos suspensos desde a infância. Fabricámos sonhos, realizámos filmes, fizemos teatros, representámos figuras, mas precisamos de entrar no essencial da narração de Mateus. Três homens, guiados por uma luz, empreenderam uma aventura que os levou até Belém ao encontro de Jesus para o adorar.(...) Aqueles homens, chamados magos, não se deixaram convencer pela sabedoria dos homens e seguiram a luz que traziam no coração e, por isso, encontraram o menino, prostraram-se de rosto por terra e adoraram-no. Entregaram-lhe presentes e, nele, encontraram um novo caminho.

in www.aliturgia.com

Na 1ªleitura (Is 60, 1-6)   Isaías convida-nos a proclamar as glórias do Senhor, porque a luz chegou até nós e nos traz a verdadeira vida, na pessoa do Menino Jesus. Louvemos e demos glória a Deus, que assim manifesta o Seu amor por cada um de nós. 

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.”


Na 2ªleitura (Ef 3, 2-3a.5-6)  S.Paulo é categórico: para Deus não há gregos, nem romanos, nem escravos, nem homens livres, nem judeus, todos somos chamados a fazer parte do projeto de Amor, que Deus tem para todos os homens, de todos os tempos. Todos somos filhos no Filho, que agora, no Menino deitado sobre as palhas da manjedoura, somos convidados a contemplar e a louvar.

“Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.”

No Evangelho (Mt 2, 1-12)  , a catequese que S.Mateus nos apresenta, está cheia de sinais: o encontro; a estrela; os magos; as atitudes diante da estrela; os presentes; o caminho a seguir para procurar Jesus. Os magos encontram Jesus. Todo aquele que se deixa guiar, por Jesus, encontra Deus nos caminhos da sua vida. A estrela simboliza Jesus, a luz que nos guia. Os magos representam todos os povos, que se deixam guiar para Deus e O procuram de coração sincero. E, como eles, somos desafiados a oferecer o que de melhor temos a Deus.

"Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.  

Senhor, que, à semelhança dos magos, eu me deixe guiar por Ti, luz da minha vida. 

Estimados irmãos e irmãs, feliz festa da Epifania!

Hoje a Igreja celebra a manifestação de Jesus, e o Evangelho concentra-se nos Magos que, no final de uma longa viagem, chegam a Jerusalém para adorar Jesus.

Se prestarmos atenção, descobrimos algo um pouco estranho: enquanto aqueles sábios vêm de longe para encontrar Jesus, quantos estavam próximos não dão um passo rumo à gruta de Belém. Atraídos e orientados pela estrela, os Magos enfrentam grandes despesas, põem o seu tempo à disposição, aceitam os numerosos riscos e incertezas que, naquela época, nunca faltavam. No entanto, superam todas as dificuldades para chegar a ver o Rei Messias, pois sabem que este acontecimento é algo de único na história da humanidade e não querem faltar ao encontro. Tinham dentro de si a inspiração e seguiram-na.

Ao contrário, aqueles que vivem em Jerusalém, que deveriam ser os mais felizes e os mais dispostos a acorrer, ficam parados. Os sacerdotes, os teólogos interpretam corretamente as Sagradas Escrituras e dão aos Magos indicações sobre onde encontrar o Messias, mas não abandonam as suas “cátedras”. Estão satisfeitos com o que têm e não se põem em busca, não julgam que vale a pena sair de Jerusalém.

Isto, irmãs e irmãos, faz-nos refletir e, num certo sentido, provoca-nos, pois suscita uma interrogação: nós, eu, hoje, a que categoria pertencemos? Somos mais semelhantes aos pastores, que naquela mesma noite vão à pressa à gruta, e aos Magos do Oriente, que partem confiantes em busca do Filho de Deus que se fez homem, ou somos mais parecidos com aqueles que, embora fisicamente muito próximos d’Ele, não abrem as portas do seu coração e da sua vida, permanecendo fechados e insensíveis à presença de Jesus? Façamos esta pergunta. A que grupo de pessoas pertenço?

Segundo uma história, um quarto rei mago chega tarde a Jerusalém, exatamente durante a crucificação de Jesus - é um relato bonito, não é histórico, mas é uma história bonita - porque parou ao longo do caminho para ajudar todos os necessitados, distribuindo-lhes os dons preciosos que tinha trazido para Jesus. No final, chega já idoso e da cruz Jesus diz-lhe: “Em verdade te digo que tudo o que fizeste ao mais pequenino dos irmãos, foi a mim que o fizeste”. O Senhor sabe tudo o que fizemos pelos outros!

Peçamos à Virgem Maria que nos ajude a fim de que, imitando os pastores e os Magos, saibamos reconhecer Jesus próximo no pobre, na Eucaristia, no abandonado, no irmão, na irmã!

Papa Francisco
(Angelus, 6 de janeiro de 2025)