SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR -2026- A
Hoje, liturgicamente, a Igreja celebra o que na linguagem comum chamamos de "Dia de Reis". Muitas vezes o
imaginário dos magos traz-nos suspensos desde a infância. Fabricámos sonhos,
realizámos filmes, fizemos teatros, representámos figuras, mas precisamos de entrar no essencial da narração de Mateus. Três homens, guiados por uma luz,
empreenderam uma aventura que os levou até Belém ao encontro de Jesus para o
adorar.(...) Aqueles homens, chamados magos, não se deixaram convencer pela sabedoria dos
homens e seguiram a luz que traziam no coração e, por isso, encontraram o
menino, prostraram-se de rosto por terra e adoraram-no. Entregaram-lhe
presentes e, nele, encontraram um novo caminho.
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Na 1ªleitura (Is 60, 1-6) Isaías convida-nos a proclamar as glórias do
Senhor, porque a luz chegou até nós e nos traz a verdadeira vida, na pessoa do
Menino Jesus. Louvemos e demos glória a Deus, que assim manifesta o Seu amor
por cada um de nós.
“Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a
tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a
escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te
ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora.
Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão
chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires
ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os
tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma
multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá,
trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.”
“Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso
favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas
gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora
foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os
gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e
participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.”
No
Evangelho (Mt 2, 1-12) , a catequese que S.Mateus nos apresenta, está cheia de sinais: o encontro;
a estrela; os magos; as atitudes diante da estrela; os presentes; o caminho a
seguir para procurar Jesus. Os magos encontram Jesus. Todo aquele que se deixa
guiar, por Jesus, encontra Deus nos caminhos da sua vida. A estrela simboliza
Jesus, a luz que nos guia. Os magos representam todos os povos, que se deixam
guiar para Deus e O procuram de coração sincero. E, como eles, somos desafiados
a oferecer o que de melhor temos a Deus.
"Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está –
perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua
estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes
ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os
príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer
o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito
pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as
principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de
Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e
pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a
estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos
cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que
também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a
estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar
onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na
casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele,
adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro,
incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.
Senhor, que, à semelhança dos magos, eu me deixe guiar por Ti, luz da minha vida.
Estimados
irmãos e irmãs, feliz festa da Epifania!
Hoje a Igreja
celebra a manifestação de Jesus, e o Evangelho concentra-se
nos Magos que, no final de uma longa viagem, chegam a Jerusalém para adorar
Jesus.
Se prestarmos
atenção, descobrimos algo um pouco estranho: enquanto aqueles sábios vêm de
longe para encontrar Jesus, quantos estavam próximos não dão um passo rumo à
gruta de Belém. Atraídos e orientados pela estrela, os Magos enfrentam grandes
despesas, põem o seu tempo à disposição, aceitam os numerosos riscos e
incertezas que, naquela época, nunca faltavam. No entanto, superam todas as
dificuldades para chegar a ver o Rei Messias, pois sabem que este acontecimento
é algo de único na história da humanidade e não querem faltar ao encontro.
Tinham dentro de si a inspiração e seguiram-na.
Ao contrário,
aqueles que vivem em Jerusalém, que deveriam ser os mais felizes e os mais
dispostos a acorrer, ficam parados. Os sacerdotes, os teólogos interpretam
corretamente as Sagradas Escrituras e dão aos Magos indicações sobre onde
encontrar o Messias, mas não abandonam as suas “cátedras”. Estão satisfeitos
com o que têm e não se põem em busca, não julgam que vale a pena sair de
Jerusalém.
Isto, irmãs e
irmãos, faz-nos refletir e, num certo sentido, provoca-nos, pois suscita uma
interrogação: nós, eu, hoje, a que categoria pertencemos? Somos mais
semelhantes aos pastores, que naquela mesma noite vão à pressa à gruta, e aos
Magos do Oriente, que partem confiantes em busca do Filho de Deus que se fez
homem, ou somos mais parecidos com aqueles que, embora fisicamente muito
próximos d’Ele, não abrem as portas do seu coração e da sua vida, permanecendo
fechados e insensíveis à presença de Jesus? Façamos esta pergunta. A que grupo
de pessoas pertenço?
Segundo uma
história, um quarto rei mago chega tarde a Jerusalém, exatamente durante a
crucificação de Jesus - é um relato bonito, não é histórico, mas é uma história
bonita - porque parou ao longo do caminho para ajudar todos os necessitados,
distribuindo-lhes os dons preciosos que tinha trazido para Jesus. No final,
chega já idoso e da cruz Jesus diz-lhe: “Em verdade te digo que tudo o que
fizeste ao mais pequenino dos irmãos, foi a mim que o fizeste”. O Senhor sabe
tudo o que fizemos pelos outros!
Peçamos à
Virgem Maria que nos ajude a fim de que, imitando os pastores e os Magos,
saibamos reconhecer Jesus próximo no pobre, na Eucaristia, no abandonado, no
irmão, na irmã!

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