sábado, 3 de janeiro de 2026

 SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR -2026- A

Hoje, liturgicamente, a Igreja celebra o que na linguagem comum chamamos de "Dia de Reis". Muitas vezes o imaginário dos magos traz-nos suspensos desde a infância. Fabricámos sonhos, realizámos filmes, fizemos teatros, representámos figuras, mas precisamos de entrar no essencial da narração de Mateus. Três homens, guiados por uma luz, empreenderam uma aventura que os levou até Belém ao encontro de Jesus para o adorar.(...) Aqueles homens, chamados magos, não se deixaram convencer pela sabedoria dos homens e seguiram a luz que traziam no coração e, por isso, encontraram o menino, prostraram-se de rosto por terra e adoraram-no. Entregaram-lhe presentes e, nele, encontraram um novo caminho.

in www.aliturgia.com

Na 1ªleitura (Is 60, 1-6)   Isaías convida-nos a proclamar as glórias do Senhor, porque a luz chegou até nós e nos traz a verdadeira vida, na pessoa do Menino Jesus. Louvemos e demos glória a Deus, que assim manifesta o Seu amor por cada um de nós. 

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.”


Na 2ªleitura (Ef 3, 2-3a.5-6)  S.Paulo é categórico: para Deus não há gregos, nem romanos, nem escravos, nem homens livres, nem judeus, todos somos chamados a fazer parte do projeto de Amor, que Deus tem para todos os homens, de todos os tempos. Todos somos filhos no Filho, que agora, no Menino deitado sobre as palhas da manjedoura, somos convidados a contemplar e a louvar.

“Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.”

No Evangelho (Mt 2, 1-12)  , a catequese que S.Mateus nos apresenta, está cheia de sinais: o encontro; a estrela; os magos; as atitudes diante da estrela; os presentes; o caminho a seguir para procurar Jesus. Os magos encontram Jesus. Todo aquele que se deixa guiar, por Jesus, encontra Deus nos caminhos da sua vida. A estrela simboliza Jesus, a luz que nos guia. Os magos representam todos os povos, que se deixam guiar para Deus e O procuram de coração sincero. E, como eles, somos desafiados a oferecer o que de melhor temos a Deus.

"Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.  

Senhor, que, à semelhança dos magos, eu me deixe guiar por Ti, luz da minha vida. 

Estimados irmãos e irmãs, feliz festa da Epifania!

Hoje a Igreja celebra a manifestação de Jesus, e o Evangelho concentra-se nos Magos que, no final de uma longa viagem, chegam a Jerusalém para adorar Jesus.

Se prestarmos atenção, descobrimos algo um pouco estranho: enquanto aqueles sábios vêm de longe para encontrar Jesus, quantos estavam próximos não dão um passo rumo à gruta de Belém. Atraídos e orientados pela estrela, os Magos enfrentam grandes despesas, põem o seu tempo à disposição, aceitam os numerosos riscos e incertezas que, naquela época, nunca faltavam. No entanto, superam todas as dificuldades para chegar a ver o Rei Messias, pois sabem que este acontecimento é algo de único na história da humanidade e não querem faltar ao encontro. Tinham dentro de si a inspiração e seguiram-na.

Ao contrário, aqueles que vivem em Jerusalém, que deveriam ser os mais felizes e os mais dispostos a acorrer, ficam parados. Os sacerdotes, os teólogos interpretam corretamente as Sagradas Escrituras e dão aos Magos indicações sobre onde encontrar o Messias, mas não abandonam as suas “cátedras”. Estão satisfeitos com o que têm e não se põem em busca, não julgam que vale a pena sair de Jerusalém.

Isto, irmãs e irmãos, faz-nos refletir e, num certo sentido, provoca-nos, pois suscita uma interrogação: nós, eu, hoje, a que categoria pertencemos? Somos mais semelhantes aos pastores, que naquela mesma noite vão à pressa à gruta, e aos Magos do Oriente, que partem confiantes em busca do Filho de Deus que se fez homem, ou somos mais parecidos com aqueles que, embora fisicamente muito próximos d’Ele, não abrem as portas do seu coração e da sua vida, permanecendo fechados e insensíveis à presença de Jesus? Façamos esta pergunta. A que grupo de pessoas pertenço?

Segundo uma história, um quarto rei mago chega tarde a Jerusalém, exatamente durante a crucificação de Jesus - é um relato bonito, não é histórico, mas é uma história bonita - porque parou ao longo do caminho para ajudar todos os necessitados, distribuindo-lhes os dons preciosos que tinha trazido para Jesus. No final, chega já idoso e da cruz Jesus diz-lhe: “Em verdade te digo que tudo o que fizeste ao mais pequenino dos irmãos, foi a mim que o fizeste”. O Senhor sabe tudo o que fizemos pelos outros!

Peçamos à Virgem Maria que nos ajude a fim de que, imitando os pastores e os Magos, saibamos reconhecer Jesus próximo no pobre, na Eucaristia, no abandonado, no irmão, na irmã!

Papa Francisco
(Angelus, 6 de janeiro de 2025)

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