sábado, 10 de janeiro de 2026

 FESTA DO BATISMO DO SENHOR -2026- Ano A

É com a festa do “Batismo do Senhor Jesus” que a Igreja dá por concluídas as festividades do Natal e reinicia o Tempo  Comum. Depois de um tempo forte, em que somos chamados  a contemplar a manifestação do Mistério do Amor de Deus pelo homem, começa um tempo de interiorização na vida. Com Jesus, que agora inicia a Sua vida pública, vamos caminhando num conhecimento maior do Amor de Deus. É Ele, o Filho, no qual Deus colocou toda a Sua complacência, quem nos vai conduzindo até ao Pai, e no-L’O vai revelando como o Amor sem fim por cada um de nós em particular e por todos em geral.

A 1ª leitura (Is 42, 1-4.6-7) projeta-nos diretamente para o Evangelho, para o “Servo”, para o Eleito de Deus, para a Luz das nações que veio restabelecer a Aliança de Deus com os homens: Jesus Cristo. Deixemos que Ele nos abra os olhos e nos liberte das trevas, a fim de que sejamos instrumentos da Sua proclamação e estabelecimento da justiça para todos.

«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

Na 2ªleitura (Atos 10, 34-38) S. Pedro alarga a dimensão do batismo cristão a todos os homens de boa vontade que o desejem, independentemente do seu credo, povo, raça, ou língua. Ninguém, fica de fora, todos são convidados a receber a manifestação do Espírito Santo e a fazer parte da Igreja de Cristo, da família de Deus.

“Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».”

No evangelho (Mt 3, 13-17) o Céu desce à Terra e revela-nos Jesus, como o Filho muito amado de Deus Pai. Neste momento, Deus Uno e Trino revela-se presente na história humana. É, na verdade, um momento único em que se inicia uma caminhada de Amor sem fim, em que Jesus, Deus feito homem, a viver connosco, nos vai revelando Deus e o seu Amor infinito e total por cada um de nós, Seus filhos no Filho. 

“Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».”

Senhor, que o meu coração se deixe amar totalmente por Ti, em todos os momentos e circunstâncias.

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, festa do Batismo de Jesus, o Evangelho (Mt 3, 13-17) apresenta-nos a cena ocorrida na margem do rio Jordão: no meio da multidão penitente que caminha rumo a João Batista para receber o batismo encontra-se também Jesus. Estava na fila. João gostaria de o impedir, dizendo: «Eu devo ser batizado por ti!» (Mt 3, 14). Com efeito, João Batista está consciente da grande distância que existe entre ele e Jesus. Mas Jesus veio exatamente para preencher a lacuna entre o homem e Deus: se Ele está inteiramente da parte de Deus, está também totalmente da parte do homem, reunindo o que estava dividido. É por isso que pede a João que o batize, a fim de que se cumpra toda a justiça (cf. v. 15), ou seja, que se realize o desígnio do Pai que passa através do caminho da obediência e da solidariedade para com o homem frágil e pecador, da vereda da humildade e da plena proximidade de Deus aos seus filhos. Porque Deus está muito próximo de nós, muito!

No momento em que Jesus, batizado por João, sai das águas do rio Jordão, a voz de Deus Pai faz-se ouvir do alto: «Eis o meu Filho muito amado, em quem depositei a minha complacência» (v. 17). E ao mesmo tempo o Espírito Santo, em forma de pomba, pousa sobre Jesus, que dá publicamente início à sua missão de salvação; missão caracterizada por um estilo, o estilo do servo humilde e manso, munido unicamente da força da verdade, como Isaías tinha profetizado: «Ele não gritará, nunca elevará a sua voz, [...] Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião» (42, 2-3). Servo humilde e manso.

Eis o estilo de Jesus, e também o estilo missionário dos discípulos de Cristo: anunciar o Evangelho com mansidão e firmeza, sem gritar, sem repreender ninguém, mas com mansidão e firmeza, sem arrogância nem imposição. A verdadeira missão nunca é proselitismo mas atração a Cristo. Mas como? Como se faz esta atração a Cristo? Com o próprio testemunho, a partir da vigorosa união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta, que é serviço a Jesus presente no mais pequenino dos irmãos. À imitação de Jesus, Pastor bom e misericordioso, e animados pela sua graça, somos chamados a fazer da nossa vida um testemunho jubiloso que ilumina o caminho, que anuncia esperança e amor.

Esta festa leva-nos a redescobrir o dom e a beleza de ser um povo de batizados, isto é de pecadores — todos o somos — de pecadores salvos pela graça de Cristo, inseridos realmente, por obra do Espírito Santo, na relação filial de Jesus com o Pai, acolhidos no seio da Mãe Igreja e tornados capazes de uma fraternidade que não conhece confins nem barreiras.

A Virgem Maria ajude todos nós, cristãos, a conservar uma consciência sempre viva e reconhecida pelo nosso Batismo, e a percorrer com fidelidade o caminho inaugurado por este Sacramento do nosso renascimento. E sempre com humildade, mansidão e firmeza.

Papa Francisco
(Angelus, 8 de janeiro de 2017)

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