domingo, 29 de setembro de 2013

Voltei!

Há já muito tempo que deixei de registar, aqui, alguns dos pensamentos que as leituras dominicais suscitam no meu coração.
Os tempos têm sido difíceis e nem sempre é fácil encontrar a disposição e o espaço físico e temporal para partilhar o que sinto.
Como não há mal que sempre dure, aqui estou de novo.

XXVI Domingo do Tempo Comum




As três leituras do domingo de hoje enquadram-se de tal maneira na envolvente social que vivemos atualmente, que parecem escritas por alguns analistas contemporâneos. Tal como no tempo do profeta Amós, também nós convivemos com a pobreza e a miséria, da maioria, lado a lado com a opulência, o esbanjamento e o despesismo de um número muito pequeno de cidadãos. Acredito que, no meio dos ricos, haja alguns que verdadeiramente se preocupam e ajudam na transformação das condições sociais da grande maioria, mas os que mandam esquecem, com muita frequência, que os outros também são pessoas e que, como tal, devem ser tratadas, ou seja com toda a dignidade de filhos queridos de Deus. Sim, porque a distância entre o Céu e o Inferno, começa a desenhar-se e a alongar-se já aqui no nosso mundo! 

É preciso ir fazendo caminho nesta procura de Deus em todas as situações da nossa vida, mas sobretudo quando os mais elementares direitos da condição humana parecem ficar esquecidos no desenrolar das relações humanas que estabelecemos uns com os outros, onde quer que estejamos.

Jesus esteve sempre com todos, nunca deixando de demonstrar uma preferência especial pelos pobres, sozinhos e desprezados deste mundo. É tempo de também nós fazermos o mesmo, como nos exorta S.Paulo na segunda leitura:

"Caríssimo: Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas."
 1 Tim 6, 11-12

Senhor, Pai Santo, Deus do Amor, invade os nossos corações, habita-nos na totalidade do nosso ser e faz-nos verdadeiras testemunhas do Teu Amor em todos os momentos do nosso dia a dia.
Jesus, Filho de Deus, ensina-nos a entregarmo-nos a Deus sem medos, a vivermos completamente entregues a Ele.
Divino Espírito Santo ilumina-nos neste calcorrear dos caminhos que levam a Deus.
Mãe Santíssima protege-nos e guia-nos neste viver em comunhão com todos aqueles que Deus põe ao nosso lado. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Dar a vida por Jesus



Mas o que significa “perder a vida por causa de Jesus”? 
Isso pode acontecer de dois modos: explicitamente confessando a fé ou implicitamente defendendo a verdade. Os mártires são exemplos máximos do perder a vida por Cristo. Em dois mil anos há uma série imensa de homens e mulheres que sacrificaram a vida para permanecerem fiéis a Jesus Cristo e ao seu Evangelho. E hoje, em tantas partes do mundo, há tantos, tantos, – mais que nos primeiros séculos – tantos mártires que dão a própria vida por Cristo, que são levados à morte para não renegar Jesus Cristo. Esta é a nossa Igreja. Hoje temos mais mártires que nos primeiros séculos! 
Mas há também o martírio quotidiano, que não comporta a morte, mas também esse é um “perder a vida” por Cristo, cumprindo o próprio dever com amor, segundo a lógica de Jesus, a lógica da doação, do sacrifício. Pensemos: quantos pais e mães todos os dias colocam em prática a sua fé oferecendo concretamente a própria vida pelo bem da família! Pensemos nisto! Quantos sacerdotes, frades, irmãs desenvolvem com generosidade o seu serviço pelo reino de Deus! Quantos jovens renunciam aos próprios interesses para se dedicar às crianças, aos deficientes, aos idosos… Também esses são mártires! Mártires quotidianos, mártires do dia-a-dia!

E depois há tantas pessoas, cristãos e não cristãos, que “perdem a própria vida” pela verdade. E Cristo disse “eu sou a verdade”, então quem serve a verdade serve a Jesus.


Uma dessas pessoas, que deu a vida pela verdade, é João Batista: propriamente amanhã, 24 de junho, é a sua grande festa, a solenidade do seu nascimento. João foi escolhido por Deus para preparar o caminho diante de Jesus, e  indicou-o ao povo de Israel como o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cfr Jo 1, 29). João consagrou-se todo a Deus e ao seu enviado, Jesus. Mas, no final, o que aconteceu? Foi morto por causa da verdade, quando denunciou o adultério do rei Herodes e de Herodíades.
Quantas pessoas pagam por preço caro o compromisso pela verdade! Quantos homens justos preferem ir contracorrente, de modo a não renegar a voz da consciência, a voz da verdade! Pessoas justas, que não têm medo de ir contracorrente! E nós, não devemos ter medo! ...Devemos ir contracorrente! 


 Queridos amigos, acolhamos com alegria esta palavra de Jesus. É uma regra de vida oferecida a todos. E São João Batista  ajuda-nos a colocá-la em prática.

Neste caminho nos precede, como sempre, a nossa Mãe, Maria Santíssima: ela perdeu a sua vida por Jesus, até a Cruz, e recebeu-a em plenitude, com toda a luz e a beleza da Ressurreição. Maria nos ajude a fazer sempre mais nossa a lógica do Evangelho.

Papa Francisco, extrato do Angelus de 23/06/2013

domingo, 16 de junho de 2013

São-lhe perdoados os muitos pecados, porque muito amou.


E voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.»
Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.»
Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?»
E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»
                                                                                                                                      Lc 7,36-50.8,1-3. 


Deus detesta o pecado,  mas ama o pecador infinitamente, de tal modo que entregou a Sua Vida por cada um de nós. 
E é este o caminho, primeiro reconhecermos  que somos pecadores e depois entregarmo-nos de coração arrependido a este Deus "loucamente" enamorado de  cada um de nós, tal qual somos, capazes do melhor, mas também do pior.
É a certeza de que a quem muito é perdoado, Deus muito ama, que me consola e faz com que eu acredite, cada vez mais, neste imenso Amor de Deus por cada ser por Ele criado e, por isso também por mim.

Obrigada Senhor por amares o pecador!
Obrigada Senhor por estares sempre pronto a dar a mão ao que reconhece o seu pecado e te pede perdão, de coração arrependido.
Meus Deus obrigada, por sou pecadora e sou assim amada por Ti. Que eu nunca duvide deste Teus Amor,sem fim, pelos pecadores.

domingo, 9 de junho de 2013

Jesus compadeceu-se



Neste X Domingo do Tempo Comum, tive mais facilidade em escolher o que mais me marcou nas leituras de hoje. Depois de as escutar ecoou no meu coração com mais força este versículo do Evangelho:
 "Vendo-a, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: «Não chores.» Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o transportavam pararam. Disse então: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!»"                                                       Lc 7,13-14

Realmente este é o Deus que mexe comigo, me faz mudar e desinstalar das comodidades e rotinas de cada dia. Porquê? Porque é Deus e se comove com o sofrimento do homem, neste caso de uma viúva. O Senhor nunca fica indiferente ao sofrimento humano, seja de quem for. E depois age, transforma, anima, dá vida. Sim só Ele pode dar Vida, porque é A Vida. 
É este o meu Deus, Aquele que em mim conforta o outro que ao nosso lado está desanimado e triste. E fá-lo através de cada um de nós, que n'Ele acredita, mesmo quando não nos apercebemos que é Ele a agir.

Senhor que eu nunca deixe de acreditar em Ti, assim, Amor imenso que nunca se esgota e está sempre pronto para se derramar sobre cada um de nós que Te procura, Te deseja no mais íntimo de si mesmo.

Eu creio em Ti Senhor,  mas aumenta a minha fé.

domingo, 2 de junho de 2013

Solenidade do Corpo de Deus

Hoje, logo a seguir à Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja  festeja "Corpus Christi". É a festa do Amor revelado por Jesus que, em cada Eucaristia em que participamos, se torna realmente presente sobre o altar. 
E, depois de o comungarmos, somos portadores deste tesouro que continua, através de nós a revelar o Amor a cada um daqueles com quem nos encontramos no dia a dia das nossas vidas. Amor sempre presente, vivo e vivificante. É este o Senhor que hoje festejamos de uma forma mais solene, o Deus Amor por nós entregue e para nós memória viva, sempre presente, do quanto Deus ama cada um dos seus filhos, que habitam este Seu mundo.



Comentário do dia
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 272

Sede o que vedes, e recebei o que sois



O que vedes no altar de Deus é o pão e o cálice: eis o que os olhos identificam. Mas a vossa fé quer ser instruída e saber que este pão é o corpo de Cristo, e que este cálice é o seu sangue, o que se verbaliza numa fórmula breve, que poderá bastar à fé. Mas a fé procura instruir-se. [...] Como pode este pão ser o seu corpo, e este cálice, ou melhor, o seu conteúdo, ser o seu sangue?
Irmãos, é isto que se designa por sacramentos: eles mostram uma realidade e, a partir dela, fazem-nos compreender outra realidade. O que vemos é uma aparência corporal, mas o que compreendemos é um fruto espiritual. Se quereis compreender o que é o corpo de Cristo, escutai o Apóstolo, que diz aos fiéis: «Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro» (1Co 12,27). Logo, se sois corpo de Cristo e um dos seus membros, é o vosso mistério que está sobre a mesa do Senhor, e é o vosso mistério que recebeis. A isto que sois, respondeis: «Ámen», e com tal resposta o subscreveis. Dizem-vos: «Corpo de Cristo», e vós respondeis: «Ámen». Sede portanto membros do Corpo de Cristo, para que este ámen seja verídico.

Por conseguinte, porque está o corpo no pão? Também aqui, nada digamos sobre nós próprios, mas escutemos o Apóstolo que, ao falar deste sacramento, nos diz: «Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão» (1Co 10,17). Se compreenderdes estas palavras, estareis na alegria: unidade, verdade, piedade, caridade! «Um só pão»: Quem é este pão único? «Um só corpo, nós que somos uma multidão.» Lembrai-vos de que não se faz pão com um grão apenas, mas com muitos. Sede o que vedes, e recebei o que sois. 

Obrigada Senhor por este Sacramento da Eucaristia que nos deixaste para nos alimentarmos de Ti e te levarmos a todos os cantos do mundo, onde quer que estejamos. Bendito e Louvada sejas, meu Senhor e meu Deus.