Para que todos cumpram a
sua humanidade!!
A recuperação teológica e pastoral da dimensão
trinitária do mistério de Deus é decisiva para entender e viver o caminho
sinodal da Igreja, pois nos mostra que “caminhar juntos” não é estratégia do
momento, mas exigência do reflexo que somos da comunhão e reciprocidade vividas
intimamente em Deus – Trindade Santíssima. O Papa Francisco dizia-nos que este
é o estilo de vida que Deus espera da Igreja no Terceiro Milénio.
A fé num “Deus uno em três Pessoas” implica reconhecer
que Deus é unidade e diversidade, e que, por isso mesmo, em nós, antes da
distinção pelos dons e carismas recebidos, há uma radical e igual dignidade de
batizados, que não permite discriminações e a todos chama à participação
corresponsável na missão da Igreja; é, pois, necessário o diálogo, a formação,
a conversão de relações e de processos pela escuta recíproca para que os fiéis
participem no discernimento comunitário.
Contudo, embora se deva apelar e dar espaço ao
contributo de cada fiel, a verdade é que o protagonismo na Igreja não é
individual, mas de todo o Povo Santo de Deus. Assim como na Trindade toda a Sua
ação a nosso favor é coletiva, assim também a ação da Igreja no mundo é obra
comum, participando cada um segundo o dom recebido. Neste sentido, a missão da
Igreja sinodal é fazer transbordar para o mundo a comunhão trinitária e dela
ser sinal no meio de todos os povos e nações.
A Igreja vive deste dinamismo da comunidade eterna de
amor que é a Trindade e procura imitá-La, trabalhando para que, entre todos, a
igualdade e a diferença convivam em harmonia. Se, em Si mesma, a Trindade é
mistério de mútuo acolhimento e doação recíproca, para nós, além de modelo
inspirador de um novo estilo de relações, Ela é fonte de vida e missão,
levando-nos a viver para os irmãos, especialmente para os que mais
precisam.
Tal como a Trindade Santíssima, que pela incarnação do
Filho saiu de Si mesma para assumir a nossa frágil natureza humana, carente de
salvação, e Se derramou em nossos corações no dia do nosso batismo, com ternura
e misericórdia sem limites, assim também a Igreja é desafiada a sair de si
mesma para fazer o mesmo, refletindo na história o amor de Deus. Cumprimos este
mandato, quando vivemos em comunhão e juntos escutamos o Espírito Santo que nos
convoca para a missão.
Se a reciprocidade amorosa de Deus – Trindade faz com
que cada uma das pessoas divinas seja o que é – Pai, Filho e Espírito Santo –,
também nos fará plenamente filhos adotivos se vivermos ao Seu jeito, à Sua
Imagem e semelhança, em recíproco acolhimento e doação. O mesmo se diga da
Igreja: ela cumpre-se na missão de anunciar, com a vida e a palavra – a boa
nova do projecto de Deus – Trindade. Que o dinamismo trinitário de Deus informe
o nosso caminho sinodal.
Publicado em 11/maio/2026

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