sábado, 17 de abril de 2021

 MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA O 58º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

«São José: o sonho da vocação»

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de dezembro de 2020). Da minha parte, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se dá, só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

terça-feira, 13 de abril de 2021

58ªSemana de oração pelas vocações


Páscoa - Pastoral da Cultura

«O primeiro anúncio da Páscoa» é este: «É possível recomeçar sempre», afirma papa Francisco

«Irmã, irmão, se nesta noite trazes no coração uma hora sombria, um dia que ainda não despontou, uma luz sepultada, um sonho quebrado, vai, abre o coração com espanto ao anúncio da Páscoa: “Não tenhas medo, ressuscitou! Espera-te na Galileia”. As tuas expetativas não ficarão por cumprir, as tuas lágrimas serão enxugadas, os teus medos serão vencidos pela esperança. Porque, sabes, o Senhor precede-te sempre, caminha sempre à tua frente. E, como Ele, a vida recomeça sempre.»

O papa lançou na vigília pascal, a que presidiu na noite de sábado, uma proclamação forte e profunda de esperança, dirigida a quem perdeu a esperança na vida, a quem habita a desolação da noite e do vazio como num sepulcro, vencido pela convicção de que nunca mais verá a luz, e desafiou a uma fé que, em vez de viver do passado, inaugure sendas novas.

«Mesmo dos escombros do nosso coração – cada um de nós sabe, conhece os escombros do seu coração –, mesmo dos escombros do nosso coração Deus pode construir uma obra de arte, mesmo dos fragmentos arruinados da nossa humanidade Deus prepara uma história nova», apontou.

O «primeiro anúncio de Páscoa» que o papa entregou na “mãe de todas as vigílias” do catolicismo é este: «É possível recomeçar sempre, porque há sempre uma vida nova que Deus é capaz de fazer partir de novo em nós, para além de todos os nossos fracassos».

Para Francisco, não é possível isolar o calvário de Jesus das dores de cada ser humano, como também é inconcebível separar a vida eterna do Filho de Deus daquela a que cada pessoa é chamada.

«Ele precede-nos sempre: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, tal como na glória de uma vida que ressurge, de uma história que muda, de uma esperança que renasce. E nestes meses escuros de pandemia, escutamos o Senhor ressuscitado que nos convida a recomeçar, a nunca perder a esperança», afirmou.

O «segundo anúncio» pascal é que «a fé não é um repertório do passado, Jesus não é um personagem ultrapassado», pelo que o cristianismo não se pode conceber como «uma fé feita de hábitos, de coisas do passado, de bonitas recordações de infância, que já não tocam, já não interpelam».

«Ele está vivo, aqui e agora. Caminha contigo a cada dia, na situação que estás a viver, na provação que estás a atravessar, nos sonhos que transportas dentro de ti. Abre caminhos novos onde te parece que não existem, impele-te a andares contracorrente à nostalgia e ao “já visto”. Mesmo se tudo te parece perdido, por favor abre-te com espanto à sua novidade: surpreender-te-á», frisou.

Se querem continuar a ser discípulos de Jesus, que privilegiou a Galileia, região distante da sede religiosa do judaísmo e da sua «pureza ritual», Jerusalém, composta por habitantes de múltiplas origens, os católicos têm de ter as fronteiras no coração das suas prioridades.

«Jesus começou por ali (Galileia) a sua missão, dirigindo o anúncio a quem leva por diante com dificuldade a vida quotidiana, dirigindo o anúncio aos excluídos, aos frágeis, aos pobres, para ser rosto e presença de Deus, que vai procurar, sem se cansar, quem está desencorajado ou perdido, que vai até aos confins da existência, porque aos seus olhos ninguém é último, ninguém está excluído», vincou Francisco.

É nos lugares distantes e esquecidos que os católicos aprendem que podem «encontrar o Ressuscitado no rosto dos irmãos, no entusiasmo de quem sonha e na resignação de quem está desencorajado, nos sorrisos de quem está feliz e nas lágrimas de quem sofre, sobretudo nos pobres e em quem foi posto à margem», sublinhou o papa, que acrescentou: «Admirar-nos-emos de como a grandeza de Deus se desvela na pequenez, de como a sua beleza resplandece nos simples e nos pobres».

O «terceiro anúncio de Páscoa» é, por isso, este: «Jesus, o Ressuscitado, ama-nos sem fronteiras e visita cada situação da nossa de vida. Ele plantou a sua presença no coração do mundo e convida-nos, também a nós, a superar as barreiras, a vencer os preconceitos, a aproximar-se de quem está junto a nós a cada dia, para redescobrir a graça do quotidiano. Reconheçamo-lo presente nas nossas Galileias, na vida de todos os dias».

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagem): Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 04.04.2021

sábado, 10 de abril de 2021

DOMINGO II DA PÁSCOA ou da DIVINA MISERICÓRDIA


Nas leituras deste segundo Domingo da Páscoa somos desafiados a ser testemunhas do Senhor Ressuscitado nos nossos dias, onde quer que vivamos, nos encontremos, ou trabalhemos. Em todo e qualquer local, tempo, ou situação da nossa vida, Jesus Ressuscitado está connosco e, enraizados n’Ele, somos impulsionados a demonstrar, na nossa vida do dia a dia, o quanto Deus ama todos os homens. É o Amor de Deus, a Sua misericórdia infinita, por todos e por cada ser vivente, que somos chamados a celebrar, com mais intensidade, neste Domingo da Divina Misericórdia.

Na 1ªleitura (Atos 4, 32-35) somos introduzidos na vivência das primeiras comunidades cristãs que, unidas numa só fé, num só coração e numa só alma, agiam conforme os ensinamentos de Jesus, de forma a que todos partilhassem tudo o que tinham e ninguém passasse necessidades. Que o Senhor nos converta, de coração, para, pela Sua Divina Misericórdia, aprendermos a viver em verdadeiro espírito de comunidade, tal como faziam os primeiros cristãos.

“A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia. Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade.”

Na 2ªleitura (1 Jo 5, 1-6) S. João convida-nos a deixarmo-nos: mergulhar no Amor infinito de Deus; inundar pelo Espírito Santo ;ser transmissores, no quotidiano da vida da “loucura” do Amor de Deus por cada ser por Ele criado; dar testemunho, pela ação do Espírito Santo em nós, de que acreditamos em Jesus Ressuscitado.

“Caríssimos: Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d’Ele. Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos, porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.”

No evangelho (Jo 20, 19-31) se por um lado há uma mistura de sentimentos contraditórios que se digladiam no nosso coração, por outro lado há a certeza da ressurreição de Jesus, que nos enche de esperança e de vida. E são aqueles, que vivenciaram estes momentos, que nos transmitem a evidência dos acontecimentos. Contra factos não há argumentos, Jesus está vivo, Ressuscitou, habita-nos por inteiro: Meu Senhor e meu Deus! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

“Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.” 

 

«Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Batismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos».

Primeiro conteúdo português na plataforma on demand VatiVision é do Santuário de Fátima

A partir de sexta-feira, dia 2 de abril 2021, passou a estar disponível na plataforma VatiVision, o documentário produzido e realizado pelo Santuário de Fátima “Santos Vizinhos”.

Será o primeiro conteúdo português a estar disponível na plataforma `on demand´ que desde o passado dia 8 de junho de 2020 disponibiliza séries, filmes, documentários e conteúdos de carácter cultural, artístico e religioso inspirados na mensagem cristã e que conta com o alto patrocínio do vaticano.

Santos Vizinhos- duas crianças que se tornaram candeias para humanidade a partir de Fátima, é um documentário de uma hora sobre a vida dos primeiros dois santos de Fátima, Francisco e Jacinta Marto, marcada pela graça e pela misericórdia de Deus.

Nestas crianças vemos a mesma força paradoxal que sela toda a história da salvação posta em ação: a infinita desproporção entre a história dos orgulhosos e dos poderosos, com os seus esquemas, estratégias e conflitos e a história dos humildes que, na verdade da sua existência, são convidados por Deus a ser fermento transformador da humanidade. 

Santos Vizinhos é um documentário produzido e realizado pelo Santuário de Fátima para dar a conhecer as razões de uma santidade que se propõe a partir do `hoje´ da vida cristã.

Nele intervêm teólogos, historiadores, religiosos e a própria família da criança miraculada cujo milagre deu origem à canonização dos dois videntes pelo Papa Francisco em maio de 2017, procurando evidenciar o que torna estas duas crianças da Serra D´Aire tão especiais e apelativas para a vivência da fé nos dias de hoje.

O documentário, disponível em Italiano e em Inglês, permanecerá na plataforma VatiVision e terá estreia simbólica na sexta-feira santa.

Esta plataforma está disponível em Itália, Estados Unidos, México, Argentina, Colômbia, Brasil, Filipinas, Espanha e Polónia. Prevê-se que a VatiVision seja disponibilizada posteriormente em mais países, sendo já possível aceder a alguns dos conteúdos através do site, a partir de qualquer local e mediante um registo. 

Para aceder à plataforma, não é necessária uma subscrição, e os utilizadores pagarão apenas pelos conteúdos que pretendem ver. 

A VatiVision é fruto da união de duas empresas, a Officina della Comunicazione, uma produtora cinematográfica que colabora habitualmente com o Vaticano, e a Vetrya, uma empresa tecnológica italiana especializada em soluções digitais. O projeto conta com o patrocínio da Ubi Banca, o quarto maior grupo bancário de Itália.

                                        Santuário de Fátima