Tempo Quaresmal -2026- Ano A
Domingo V da
Quaresma
Na 1ª leitura, (Ez 37, 12-14) o profeta Ezequiel projeta-nos para a ressurreição, que vence a morte e nos
dá a vida. Também nós, nos tempos que vivemos, pela ação do Espírito Santo,
havemos de reconhecer o Senhor, que infunde em nós o Seu Espírito de Vida. Ele
está connosco, sempre presente nas nossas vidas, esta é a certeza que a fé nos
dá.
“Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».
Na 2ª leitura (Rom 8, 8-11) S.Paulo desafia-nos a
deixarmo-nos habitar pelo Espírito Santo, a deixarmo-nos repassar pelo Amor sem
fim, a deixarmo-nos amar por Deus, a entregarmo-nos de corpo e alma a Jesus
Cristo ressuscitado.
“Irmãos: Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós não
estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus
habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence.
Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o
espírito permanece vivo por causa da justiça. E se o Espírito d’Aquele que
ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo
Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu
Espírito que habita em vós.”
O Evangelho (Jo 11, 1-45) é uma revelação profunda
de Jesus homem e simultaneamente Deus. Não conseguimos separar estas duas
naturezas de Jesus. É impossível! Mas, contemplando o homem, como o sentimos
perto de nós, nestes dias. Ele tem amigos, emociona-se, chora porque sente como
seu, o sofrimento deles. Mas, continuando a nossa contemplação, Jesus eleva-nos
até Deus, levanta os olhos ao Céu e reza ao Pai. Dessa comunhão íntima vemos
Deus a agir, a dar a vida e a libertar. Jesus, eu creio que és o
Filho de Deus, que estás vivo e ressuscitado e que continuas a dar-nos a Vida e
a libertar-nos da morte.
“Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de
Marta e de Maria, sua irmã. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com
perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que
estava doente. As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está
doente». Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a
glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». Jesus era
amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que
ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois
disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». Os discípulos
disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e
voltas para lá?». Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém
andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite,
tropeça, porque não tem luz consigo». Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo
Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». Disseram então os discípulos: «Senhor,
se dorme, estará salvo». Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles
entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente:
«Lázaro morreu; por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá, para que
acrediteis. Mas, vamos ter com ele». Tomé, chamado Dídimo, disse aos
companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele». Ao chegar, Jesus
encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Betânia distava de Jerusalém
cerca de três quilómetros. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para
lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus
estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em
casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não
teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To
concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei
que há de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou
a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá;
e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?».
Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que
havia de vir ao mundo». Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse
em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». Logo que ouviu isto, Maria
levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas
estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam
com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e
sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar.
Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e
disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido».
Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela,
comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pusestes?».
Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». E Jesus chorou. Diziam então os judeus:
«Vede como era seu amigo». Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu
os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?».
Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com
uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã
do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». Disse Jesus: «Eu
não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?». Tiraram então a
pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me
teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da
multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou
com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados
com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e
deixai-o ir». Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que
Jesus fizera, acreditaram n’Ele.”
Jesus, fonte da Vida, dá-nos a Vida, liberta-nos de todo o mal.
Amados
irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho
deste quinto domingo de Quaresma narra-nos a ressurreição de Lázaro. É o ápice
dos «sinais» prodigiosos realizados por Jesus: trata-se de um gesto muito,
demasiado grande, claramente divino para ser tolerado pelos sumos sacerdotes,
os quais, tendo sabido do facto, tomaram a decisão de matar Jesus (cf. Jo 11, 53).
Lázaro já
estava morto há três dias; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que se
gravaram para sempre na memória da comunidade cristã. Jesus diz assim: «Eu sou
a ressurreição e a vida; quem acredita em Mim, mesmo morrendo, viverá; todo
aquele que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente» (Jo 11, 25).
Sobre esta Palavra do Senhor nós acreditamos que a vida de quem crê em Jesus e
segue os seus mandamentos, depois da morte será transformada numa vida nova,
plena e imortal. Assim como Jesus ressuscitou com o próprio corpo, mas não
voltou a uma vida terrena, também nós ressurgiremos com os nossos corpos que
serão transfigurados em corpos gloriosos. Ele espera por nós junto do Pai, e a
força do Espírito Santo, que O ressuscitou, ressuscitará também quem estiver
unido a Ele.
Diante do
túmulo fechado do amigo Lázaro, Jesus «bradou em voz alta: Lázaro, sai para
fora! E o morto saiu, com os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto
coberto com um sudário» (vv.
43-44).
Este brado perentório é dirigido a cada homem, porque todos estamos marcados
pela morte, todos nós; é a voz d’Aquele que é o dono da vida e quer que todos
«a tenhamos em abundância» (Jo 10,
10).
Cristo não se resigna com os sepulcros que nós construímos com as nossas
escolhas de mal e de morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele não
se resigna a isto! Ele convida-nos, quase nos ordena, que saiamos do túmulo no
qual os nossos pecados nos fizeram cair. Chama-nos insistentemente a sair da
escuridão da prisão na qual nos fechamos, contentando-nos com uma vida falsa,
egoísta, medíocre. «Sai!», diz-nos, «Sai!». É um bom convite à verdadeira
liberdade, a deixar-nos alcançar por estas palavras de Jesus que hoje repete a
cada um de nós. Um convite a deixar-nos libertar das «faixas», das faixas do
orgulho. Porque o orgulho torna-nos escravos, escravos de nós mesmos, escravos
de tantos ídolos, de tantas coisas. A nossa ressurreição começa por aqui:
quando decidimos obedecer a este mandamento de Jesus saindo para a luz, para a
vida; quando caem do nosso rosto as máscaras — muitas vezes nós estamos
mascarados pelo pecado, as máscaras devem cair! — e não encontramos a coragem
do nosso rosto original, criado à imagem e semelhança de Deus.
O gesto de
Jesus que ressuscita Lázaro mostra até onde pode chegar a força da Graça de
Deus, e portanto até onde pode chegar a nossa conversão, a nossa mudança. Mas
reparai: não há limite algum à misericórdia divina oferecida a todos! Não há
limite algum à misericórdia divina oferecida a todos! Recordai-vos bem desta
frase. E podemos dizê-la todos juntos: «Não há limite algum à misericórdia
divina oferecida a todos». Digamo-lo juntos: «Não há limite algum à
misericórdia divina oferecida a todos». O Senhor está sempre pronto a levantar
a pedra do sepulcro dos nossos pecados, que nos separa d’Ele, a luz dos vivos.




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