DOMINGO III DO TEMPO COMUM -2026- Ano A
VII DOMINGO DA
PALAVRA DE DEUS
Hoje, III Domingo do Tempo Comum, é um dia muito especial na Igreja, pois:
celebramos a Festa da conversão de S.Paulo; conclui-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos;
é o VII Domingo da Palavra de Deus.
A Palavra proclamada, em cada Eucaristia, é um momento único de comunhão de Deus com cada um que O escuta e faz, desse encontro íntimo, caminho, estrada, para em e com Jesus, ir comunicando, transmitindo o Amor que Ele é. Mais ainda, mesmo no local mais recôndito, sós, ou acompanhados, podemos sempre meditar e gravar no mais profundo do nosso ser, a Tua Palavra. Obrigada, Senhor, pelas Tuas maravilhas.
Na 1ªleitura (Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)) Isaías transmite-nos que o Senhor está sempre
connosco, que a Sua Luz nos ilumina e o Seu Amor nos alimenta, transforma e
liberta a nós e a todos aqueles a quem quer chegar através do nosso testemunho
de vida.
“Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali,
também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a
Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para
aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes
a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença,
como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem
despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo,
o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.”
Na 2ªleitura (1 Cor 1, 10-13.17) S.Paulo exorta-nos a
viver em unidade com todos os cristãos, num único e mesmo Senhor - Jesus
Cristo. Pelos vistos, desde o início houve divisões, mas a verdade é que só
Cristo, o Filho de Deus, é que deu a Sua vida por cada um de nós e nos reconquistou
para Deus Pai. Se, só um é o Nosso Senhor, o nosso Deus, porquê tanta divisão e
contenda? Que Deus tenha compaixão de nós e nos santifique.
“Irmãos: Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus
Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós,
permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. Eu soube, meus
irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, que há entre vós quem
diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». Estará
Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo
que recebestes o Batismo? Na verdade, Cristo não me enviou para batizar, mas
para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não
desvirtuar a cruz de Cristo.”
No evangelho de hoje (Mt 4, 12-23) Jesus inicia a Sua vida
pública, na Galileia, ao saber que João Batista tinha sido preso. E fá-lo dando
continuidade ao que o precursor tinha iniciado, apelando a uma conversão de
coração e ao arrependimento. É nesta fase inicial da Sua vida pública, que
Jesus chama os seus colaboradores diretos. Deus continua a chamar… Peçamos ao
Senhor por todos aqueles a quem Ele já chamou, mas também por aqueles a quem
ainda vai convidar. Que Jesus seja a única força de todos.
“Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso,
retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à
beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta
Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do
mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma
grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se
levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está
próximo o reino dos Céus». Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois
irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar,
pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós
pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco
mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão
João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as
redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois
começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o
Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.”
Senhor, que sejas sempre o único Amor da minha vida.
1. "O povo que andava nas
trevas viu uma grande luz" (Is.
9, 1).
São palavras do profeta Isaías, que
escutámos há pouco na primeira leitura. Elas, que evocam ainda o Natal,
apresentam-nos o povo numa situação de "angústia e trevas e de angustiosa
escuridão" (Is.
8, 22).
Mas eis que, de repente, brilha a luz: a "escuridão será
dissipada, pois não haverá mais obscuridade onde existe angústia" (cf. Is. 8, 23). As terras de
Zabulão e de Neftali, no norte da Palestina, expostas ao contínuo perigo de
invasões e saques, serão finalmente libertadas e o grande "caminho do
mar", que da Mesopotâmia chegava ao Egipto passando pela Palestina,
tornar-se-á glorioso.
O Evangelista São Mateus usa esta
profecia como prólogo da atividade de Jesus como mestre na Galileia, quando, da
casa de Nazaré, fora habitar na cidade de Cafarnaum. O primeiro Evangelho
sublinha o cumprimento das palavras do Livro de Isaías: "Jesus... foi
habitar em Cafarnaum, cidade à beira-mar, para que se cumprisse o que o profeta
Isaías anunciara: "Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, além do
Jordão, Galileia dos gentios. O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz, e
aos que jaziam na sombria região da morte, surgiu-lhes uma luz' " (Mt. 4, 13-16; cf. Is.
8, 22; 9, 1).
Jesus começa a ensinar em
Cafarnaum; e o conteúdo do seu magistério está contido nas palavras:
"Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mt. 4, 17).
"Arrepender-se"
significa exatamente ver "uma luz"!
Ver "uma grande luz"!
A luz, que provém de Deus.
A luz, que é Deus mesmo.
Mediante o Evangelho, anunciado por
Cristo, têm cumprimento as palavras proféticas de Isaías: "O povo que
andava nas trevas viu uma grande luz" (Is. 9, 1).
Nas trevas — símbolo de confusão,
de erro e também de morte — surge de repente a luz, que é o próprio Filho de
Deus, que assumiu a natureza humana; Ele, o Verbo, "a luz verdadeira que a
todo o homem ilumina" (Jo.
1, 9).
2. A liturgia deste domingo
concentra-se de modo particular nesta luz: "O Senhor é a minha luz e a
minha salvação" (Sl.
27/26, 1),
escutámos no Salmo responsorial, que é todo um hino, carregado de
confiança firme e de esperança indefectível em relação a Deus, que é a
luz da nossa salvação.
Imitando a atitude do Salmista, o
cristão abandona-se a Deus, com a plena segurança da criança que se lança nos
braços firmes e amorosos do próprio pai, porque se encontra segura de encontrar
nele o forte defensor: "O Senhor é o baluarte da minha vida,
de quem me amedrontarei?" (Sl.
27/26, 1);
não só, Deus é a fonte e a garantia da certeza e da coragem reconquistadas por
dádiva sua: "O Senhor abriga-me na Sua tenda no dia da adversidade" (ibid., 5); Deus é
a fonte da alegria verdadeira, que o cristão prova depois de ter
superado, com a graça divina, os perigos do mal, feliz de poder "habitar
na casa do Senhor todos os dias da sua vida" (ibid., 4); esta
"casa" de seguro refúgio, para o Salmista, era o Templo de Jerusalém,
centro religioso do inteiro Povo eleito; para o batizado, ela é a Igreja,
templo vivo, construído com pedras vivas (cf. 1
Ped. 2, 5).
Não só, mas a esperança cristã
abre-nos para o infinito: o homem é chamado à eterna e inefável visão de Deus!
Visão de Deus e presença eterna de Deus, que hão de satisfazer as exigências de
felicidade, contidas no coração humano! "A tua face, Senhor, eu procuro...
Creio firmemente poder contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos" (Sl. 27/26, 8.13).
Mas aqui, na terra, nós somos
peregrinos não na visão, mas na fé, que nos conduz à tão esperada e
sublime visão de Deus!
A vida do homem é apresentada
portanto, na meditação cristã do esplêndido Salmo responsorial, como uma corajosa
expetativa de Deus!
3. Tudo isto teve o seu início em
Jesus Cristo; no facto de que Ele estava no meio dos homens.
Anunciava o Evangelho (cf. Mt. 4, 23).
Curava as doenças e as enfermidades
(ibid.,
4, 24).
Desse modo Ele deu início a uma
nova Comunidade do Povo de Deus: a Comunidade da Luz e da Vida; a
Comunidade do Evangelho e da Fé.
Ele deu início a uma Nova Aliança e
a um novo Caminho. Deu início a uma nova Expectativa e deu uma nova coragem.
À existência
humana deu uma nova certeza.
Com isto Ele começa a plasmar a
Igreja; tendo-a em vista chama os Apóstolos a seguirem-n'O: Simão (Pedro),
André, Tiago, João (cf. Mt.
4, 18.21);
e diz-lhes: "Vinde após Mim e eu farei de vós pescadores de homens" (Mt. 4, 19).
Estas palavras indicam o empenho e
a missão da evangelização e também a nova Comunidade dos
crentes: a Igreja.
4. A Liturgia de hoje é realizada
durante o Oitavário de oração pela união dos cristãos e
mostra-nos também a verdade sobre a unidade da Igreja.
A unidade da Igreja tem o seu
fundamento na unidade de Cristo mesmo: "Estará Cristo dividido?" (1 Cor. 1, 13), exclama
perturbado São Paulo, a quem tinham sido referidas as dolorosas divisões,
provocadas por diversas fações existentes na jovem comunidade cristã de
Corinto.
O Apóstolo pede aos cristãos
daquela Igreja particular que superem e eliminem tais fações, causa de
profundas lacerações e de deploráveis discórdias; recomenda
"unanimidade" no falar e "perfeita união no mesmo espírito e no
mesmo parecer" (1
Cor. 1, 10).
Cristo é uno! Cristo não pode ser dividido! Cristo que foi crucificado por
todos os homens! É no nome de Cristo que os fiéis foram batizados!
Infelizmente divisões e discórdias
ao longo dos séculos dilaceraram dolorosamente a união dos cristãos, provocando
também nos não-crentes, perturbações e escândalos, e danificando a causa da
propagação do Evangelho.
O Concílio Vaticano II teve como um
dos seus intentos o restabelecimento da unidade entre todos os cristãos,
empenho que envolve a Igreja toda, quer os Fiéis, quer os Pastores, e cada um
segundo as próprias capacidades.
O mesmo Concílio sublinhou com
particular insistência que "não há verdadeiro Ecumenismo sem conversão
interior. É, que os anseios de unidade nascem e amadurecem a partir da
renovação da mente (cf. Heb.
4, 23),
da abnegação de si mesmo e da libérrima efusão da caridade... Esta conversão do
coração e esta santidade de vida, juntamente com as orações particulares e
públicas pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o
movimento ecuménico" (Decr. Unitatis redintegratio, 7.8).
Nesta Semana de oração pela união
dos cristãos, todos os que, espalhados pelo mundo, creem em Cristo são
convidados a meditar juntos no tema: "Chamados à unidade pela Cruz do
Senhor"; este tema — disse eu a 18 de janeiro corrente — é "central
no mistério da salvação; ele recorda o fundamento da nossa fé. Sim, é uma
graça, e grande, que os cristãos sejam chamados a estar juntos à sombra e
proteção da Cruz — daquela Cruz que para nós é ao mesmo tempo motivo de
sofrimento e de alegria, e é símbolo daquele 'escândalo' que para os crentes é
verdadeira alegria".
No dia 25 de Janeiro concluirei
solenemente o Oitavário de oração na patriarcal Basílica romana dedicada a São
Paulo, cujo incansável apostolado e cuja ardente palavra são um exemplo e um
estímulo para se viver e confirmar entre nós cristãos aquela plena unidade,
pela qual Cristo orou intensamente durante a sua dolorosa Paixão.
5. À Paixão de Jesus foi
intimamente unida e inserida a grande Santa, a quem é dedicada a vossa paróquia
e de quem vós sois profundamente devotos: Santa Rita de Cássia!
(...)
Sei quanto os vossos sacerdotes e
vós mesmos trabalhastes e continuais a trabalhar para que esta variedade
encontre na fé em Cristo o seu centro de serena união e de autêntica
fraternidade e solidariedade. Juntos, sacerdotes e leigos, deveis orientar os vossos
esforços para a construção de uma Comunidade paroquial que seja cada vez mais
viva e vital, segundo as exigências do Evangelho; e além disso, para que seja
mais consciente da própria vocação de seguir Jesus e de participar na missão
evangelizadora da Igreja.
É este o empenho que desejo dar
hoje a todos vós, a cada um de vós, nesta significativa e privilegiada
circunstância da minha visita pastoral.
Neste empenho generoso vos ajude e
vos sustenha a intercessão de Santa Rita, que na sua vida terrena tanto orou e
trabalhou pela Igreja de Deus.
6. Hoje, quando tenho a alegria de
poder visitar como Bispo de Roma a vossa paróquia, desejo que este meu serviço
constitua verdadeiramente uma continuação daquela missão evangélica que
o próprio Cristo iniciou na Galileia; desejo além disso que neste meu
serviço se realizem as palavras do Apóstolo: "Cristo enviou-me a pregar
o Evangelho, não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de se não
desvirtuar a Cruz de Cristo (cf. 1 Cor. 1, 17); desejo enfim
que este Evangelho se torne para todos nós, para mim e para vós, caros Irmãos e
Irmãs da Paróquia de Santa Rita em Torre Angela, "uma grande luz",
que nos preparará já desde esta terra para "contemplarmos a bondade do
Senhor na terra dos vivos" (Sl.
27/26, 13).
Amén!




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