sábado, 11 de abril de 2026

 DOMINGO II DA  PÁSCOA 

ou DA DIVINA MISERICÓRDIA

Nas leituras de hoje, continuamos a vivência do grande dia da Ressurreição do Senhor Jesus. A Páscoa, de Jesus Cristo, prolonga-se no tempo sem fim, mas, todo este tempo, desde o Domingo de Páscoa até à Sua Ascensão, parece tratar-se de um único dia, o grande dia da Páscoa de Jesus Ressuscitado. Sempre num crescendo, Jesus vai-nos abrindo o coração à certeza de que está sempre connosco, mesmo quando não O vemos, principalmente quando mais d’Ele precisamos. Não há portas, nem paredes, nem abismos, nem profundidades, que impeçam Jesus de ser um connosco, de nos habitar por inteiro, de ser a força que nos sustenta e diz: “ A Paz esteja convosco”.  Podemos, agora mais do que nunca anunciar, cantar: Jesus está vivo, ressuscitou. Aleluia!

Na 1ªleitura (Atos 2, 42-47) o que mais impressiona é a forma como os primeiros cristãos viviam em comunidade, em união e, ao mesmo tempo, eram assíduos e solidários. Um só era Aquele que os unia e d’Ele faziam a razão de ser das suas vidas. Tiveram problemas também, e muitos, por certo, mas o amor a Jesus era a sua força. Que o Espírito do Senhor repasse cada uma das fibras do nosso ser, nos encha a alma e, n´Ele possamos voltar a ser, quem sabe, um dia…, uma só Igreja unida no seu único Senhor.

“Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se.”

Na 2ªleitura (1 Pedro 1, 3-9) louvamos e damos graças a Deus, com S.Pedro, pelo dom do Seu infinito Amor. É Deus, quem nos ama assim perdidamente, de tal forma, que, por Jesus, Seu único Filho, morto e ressuscitado, fomos resgatados, fomos salvos. Hoje, por e em Jesus ressuscitado, somos, cada um de nós também, Seus filhos. Bendito e louvado sejas Senhor, hoje e sempre, pelos séculos sem fim.

“Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n’Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas.

No evangelho (Jo 20, 19-31) S.João vai-nos conduzindo, vai-nos preparando para a necessidade de descobrirmos Jesus em Igreja. Realmente, é numa dimensão comunitária, isto é em Igreja, que vamos descobrindo e compreendendo Jesus Cristo, que conduz ao Pai. Senhor, que aprendamos a descobrir-Te no outro, que caminha comigo, que não gosta de mim, ou, quem sabe, até me detesta, mas que é tão precioso para Ti, quanto eu, que até deste a vida por ele(a). Que verdadeiramente se possa dizer da Igreja, vede como eles se amam.

“Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Jesus está vivo. Ressuscitou dos mortos. Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, Domingo da Divina Misericórdia, o Evangelho narra-nos duas aparições de Jesus Ressuscitado aos discípulos e em particular a Tomé, o “Apóstolo incrédulo” (cf. Jo 20, 24-29).

Na realidade, Tomé não é o único que tem dificuldade em acreditar, aliás, representa um pouco todos nós. Com efeito, nem sempre é fácil acreditar, especialmente quando, como no seu caso, se sofreu uma grande desilusão. Depois de uma grande desilusão, é difícil acreditar. Seguiu Jesus durante anos, correndo riscos e suportando dificuldades, mas o Mestre foi crucificado como um bandido e ninguém o libertou, ninguém fez nada! Morreu e todos têm medo. Como voltar a ter confiança? Como confiar na notícia segundo a qual Ele está vivo? A dúvida estava dentro dele.

No entanto, Tomé demonstra que tem coragem: enquanto os outros, receosos, estão fechados no cenáculo, ele sai, correndo o risco de que alguém o possa reconhecer, denunciar e prender. Até poderíamos pensar que, com a sua coragem, mereceria mais do que os outros encontrar o Senhor ressuscitado. Ao contrário, precisamente porque se tinha afastado, quando Jesus aparece pela primeira vez aos discípulos na noite de Páscoa, Tomé não está presente e perde a ocasião. Afastou-se da comunidade. Como poderá recuperá-la? Só voltando a estar com os outros, voltando para aquela família que tinha deixado assustada e triste. Quando o faz, quando regressa, dizem-lhe que Jesus veio, mas ele tem dificuldade em acreditar; gostaria de ver as suas feridas. E Jesus satisfá-lo: oito dias depois, aparece novamente no meio dos seus discípulos e mostra-lhe as suas chagas, as mãos, os pés, aquelas feridas que são as provas do seu amor, que são os canais sempre abertos da sua misericórdia.

Reflitamos sobre estes acontecimentos. Para acreditar, Tomé gostaria de um sinal extraordinário: tocar as chagas. Jesus mostra-lhas, mas de modo ordinário, diante de todos, na comunidade, não fora. Como se lhe dissesse: se quiseres encontrar-me, não procures longe, fica na comunidade, com os outros; e não te vás embora, reza com eles, parte o pão com eles. E di-lo também a nós. É ali que me poderás encontrar, é aí que te mostrarei, gravados no meu corpo, os sinais das chagas: os sinais do Amor que vence o ódio, do Perdão que desarma a vingança, os sinais da Vida que derrota a morte. É aí, na comunidade, que descobrirás o meu rosto, enquanto partilhares momentos de dúvida e de medo com os irmãos, estreitando-te ainda mais fortemente a eles. Fora da comunidade, é difícil encontrar Jesus!

Caros irmãos e irmãs, o convite feito a Tomé também é válido para nós. Onde procuramos o Ressuscitado? Nalgum evento especial, nalguma manifestação religiosa espetacular ou marcante, unicamente nas nossas emoções e sensações? Ou na comunidade, na Igreja, aceitando o desafio de permanecer nela, mesmo que não seja perfeita? Apesar de todos os seus limites e quedas, que são os nossos limites e quedas, a nossa Mãe Igreja é o Corpo de Cristo; e é ali, no Corpo de Cristo, que estão gravados, ainda e para sempre, os maiores sinais do seu amor. Mas perguntemo-nos se, em nome deste amor, em nome das chagas de Jesus, estamos dispostos a abrir os braços aos feridos da vida, sem excluir ninguém da misericórdia de Deus, mas aceitando todos; cada um como irmão, como irmã. Deus acolhe a todos, Deus acolhe a todos!

Maria, Mãe de Misericórdia, nos ajude a amar a Igreja e a fazer dela uma casa acolhedora para todos!

Papa Francisco
(Regina Caeli - 16 de abril de 2023)

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