sábado, 4 de abril de 2026
DOMINGO DE PÁSCOA
DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
As leituras do
Domingo de Páscoa introduzem-nos no mistério maior da nossa fé, a ressurreição
de Jesus. Mergulhados no imenso Amor de Deus, que Seu Filho nos revela,
percebemos que a partir da ressurreição de Jesus tudo passa a ser diferente, a
vida ganha outro sentido. Sabemos, agora, o quanto somos preciosos para Deus, o
quanto Deus ama cada um de nós, a ponto de sermos redimidos pelo Seu
Único e Muito Amado Filho. Agora podemos branquear a nossa alma n’Ele, que
de braços abertos nos acolhe e estreita contra o Seu peito. Deixemo-nos habitar
por este Amor sem fim, para que também os que connosco convivem, ou se cruzam
nas estradas da vida, possam sentir-se totalmente amados por Deus.
Na 1ª
leitura (At.10,34a,37-43), escutamos Pedro,
completamente entregue à missão que Jesus lhe confiou, proclamando a Boa
Nova de Jesus ressuscitado com todo o desassombro e coragem, que só
quem se sente verdadeiramente amado, pelo Senhor, tem, apesar de saber os
riscos que corria.
“Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu
em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou:
Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo
o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava
com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em
Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao
terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às
testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com
Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e
testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele
que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe
pelo seu nome a remissão dos pecados».”
Na 2ª leitura (Col. 3, 1-4) S.Paulo reintroduz-nos no nosso batismo,
pelo qual recebemos o Espírito Santo e a garantia da ressurreição. N’Ele somos
exortados a viver conforme Jesus nos ensinou, afeiçoando-nos às coisas do alto
e não às da terra.
“Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde
Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e
não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo
em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos
haveis de manifestar com Ele na glória.”
No Evangelho (Jo 20,1-9) acompanhamos, primeiro Maria Madalena e depois
João e Pedro na ida ao sepulcro, onde estava depositado o corpo de Jesus. As
reações são diferentes, mas, com maior ou menor dificuldade, cada um ao seu
jeito, acabam por acreditar que Jesus ressuscitou. Se, para alguns deles, que
tinham convivido diariamente com Jesus, foi difícil acreditar que Ele tinha
ressuscitado, não admira que, ainda hoje, haja muita gente que não acredite na
ressurreição de Cristo. Que, pelo nosso testemunho e oração, testemunhemos que
Jesus ressuscitou, está vivo, nos habita por inteiro e que o Seu Amor por cada
um de nós não tem fim.
“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.”
Senhor, eu te louvo e bendigo por nos amares tão infinitamente. A ti o
louvor a glória a honra e o poder pelos séculos sem fim. Ámen
Queridos irmãos
e irmãs, bom dia! E bem-vindos a todos.
A Páscoa de Jesus é um acontecimento que não
pertence a um passado distante, agora sedimentado na tradição como tantos
outros episódios da história humana. A Igreja ensina-nos a fazer memória
atualizante da Ressurreição todos os anos no Domingo de Páscoa e todos os dias
na celebração eucarística, durante a qual se realiza de forma mais plena a
promessa do Senhor ressuscitado: «E eu estarei sempre convosco, até ao fim do
mundo» (Mt 28, 20).
Por isso, o mistério pascal constitui o eixo
da vida do cristão, em torno do qual giram todos os outros acontecimentos.
Podemos dizer, então, sem qualquer irenismo ou sentimentalismo, que todos os
dias são Páscoa. De que maneira?
Vivemos, de hora em hora, tantas experiências
diferentes: dor, sofrimento, tristeza, entrelaçadas com alegria, admiração,
serenidade. Mas, em todas as situações, o coração humano anseia pela plenitude,
por uma felicidade profunda. Uma grande filósofa do século XX, Santa Teresa
Benedita da Cruz, cujo nome de batismo era Edith Stein, que tanto aprofundou o
mistério da pessoa humana, recorda-nos este dinamismo de busca constante da
realização. «O ser humano – escreve ela – anseia sempre por receber novamente o
dom do ser, para poder aproveitar o que o momento lhe dá e, ao mesmo tempo, lhe
tira» (Essere finito ed Essere eterno. Per
una elevazione al senso dell’essere [Ser finito e ser eterno. Ensaio
de uma ascensão ao sentido do ser], Roma
1998, 387). Estamos imersos no limite, mas também nos esforçamos por superá-lo.
O anúncio pascal é a notícia mais bela,
alegre e comovedora que ressoou ao longo da história. É o “Evangelho” por
excelência, que atesta a vitória do amor sobre o pecado e da vida sobre a
morte, e por isso é o único capaz de saciar a demanda de sentido que inquieta a
nossa mente e o nosso coração. O ser humano é animado por um movimento
interior, voltado para um além que o atrai constantemente. Nenhuma realidade
contingente o satisfaz. Tendemos para o infinito e para o eterno. Isso
contrasta com a experiência da morte, antecipada pelos sofrimentos, pelas
perdas, pelos fracassos. Da morte «nullu homo vivente po skampare», canta São
Francisco (cf. Cântico do irmão sol).
Tudo muda graças àquela manhã em que as
mulheres, indo ao sepulcro para ungir o corpo do Senhor, o encontraram vazio. A
pergunta feita pelos Magos que chegaram do Oriente a Jerusalém: «Onde está
aquele que nasceu, o rei dos judeus?» (Mt 2,
1-2), encontra a sua resposta definitiva nas palavras do misterioso jovem
vestido de branco que fala às mulheres na madrugada pascal: «Vós procurais
Jesus Nazareno, o crucificado. Não está aqui. Ressuscitou» (Mc 16, 6).
Desde aquela manhã até hoje, todos os dias,
Jesus terá também este título: o Vivente, como Ele mesmo se apresenta no
Apocalipse: «Eu sou o Primeiro e o Último, o que Vive. Conheci a morte, mas
eis-me aqui vivo pelos séculos dos séculos» (Ap 1,
17-18). E n’Ele temos a certeza de poder encontrar sempre a estrela polar para
orientar a nossa vida de aparente caos, marcada por factos que muitas vezes nos
parecem confusos, inaceitáveis, incompreensíveis: o mal, nas suas múltiplas
facetas, o sofrimento, a morte, eventos que dizem respeito a todos e a cada um.
Meditando o mistério da Ressurreição, encontramos resposta à nossa sede de
significado.
Perante a nossa humanidade frágil, o anúncio
pascal torna-se cuidado e cura, alimenta a esperança diante dos desafios
assustadores que a vida nos apresenta todos os dias, a nível pessoal e
planetário. Na perspetiva da Páscoa, a Via
Crucis transfigura-se em Via
Lucis. Precisamos de saborear e meditar a alegria após a dor, reviver na
nova luz todas as etapas que precederam a Ressurreição.
A Páscoa não elimina a cruz, mas vence-a no duelo prodigioso que mudou a história humana. Também o nosso tempo, marcado por tantas cruzes, invoca o amanhecer da esperança pascal. A Ressurreição de Cristo não é uma ideia, uma teoria, mas o Acontecimento que está na base da fé. Ele, o Ressuscitado, através do Espírito Santo, continua a recordar-no-lo para que possamos ser suas testemunhas também onde a história humana não vê luz no horizonte. A esperança pascal não dececiona. Acreditar verdadeiramente na Páscoa através do caminho diário significa revolucionar a nossa vida, ser transformados para transformar o mundo com a força suave e corajosa da esperança cristã.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Sexta-feira Santa
Do Evangelho segundo São João (19, 28-30)
Depois
disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a
Escritura, disse: «Tenho sede!». Havia ali uma vasilha cheia de vinagre. Então,
ensopando no vinagre uma esponja fixada num ramo de hissopo, chegaram-lha à
boca. Quando tomou o vinagre, Jesus disse: «Tudo está consumado». E, inclinando
a cabeça, entregou o espírito.
Dos escritos de São Francisco de Assis (2Lfed 11-13: FF 184)
A vontade desse Pai foi que seu Filho, bendito e glorioso, que nos deu e nasceu por nós, se oferecesse por seu próprio sangue, como sacrifício e hóstia na ara da cruz; não para si, por quem foram feitas todas as coisas, mas por nossos pecados, deixando-nos exemplo, para que sigamos suas pegadas.
«Tudo está consumado». Não
significa que tudo acabou, mas que a razão pela qual Vós, ó Jesus, vos
tornastes um de nós chegou ao seu fim: cumpristes a missão que o Pai vos
confiou e agora podeis regressar a Ele e levar-nos convosco.
Doravante, sabemos que, ao
deixarmo-nos atrair por Vós, ao erguermos o nosso olhar para Vós,
encontramo-nos diante d’Aquele que nos reconcilia, que salda a nossa “dívida”,
que nos introduz no Santuário que é a própria vida de Deus. Encontramo-nos
diante d’Aquele que, realizando o fim da encarnação, nos dá a possibilidade de
realizar o sentido profundo da nossa própria vida: tornar-se filhos de Deus,
ser a obra-prima de Deus.
Ajudai-nos, Senhor, a acolher o
dom do Espírito Santo, que derramastes sobre nós já na hora da vossa morte na
cruz, e fazei com que, convosco, também nós possamos passar deste mundo para o
Pai.
Oremos dizendo: Dai-nos vosso Espírito, Senhor.
|
Para que nos
tornemos novas criaturas e vivamos em Deus: |
Dai-nos vosso Espírito, Senhor |
|
Para que experimentemos que a nossa dívida está perdoada: |
Dai-nos vosso Espírito, Senhor |
|
Para que
possamos clamar «Abba, Pai»: |
Dai-nos vosso Espírito, Senhor |
|
Para que acolhamos cada pessoa como irmão e irmã: |
Dai-nos vosso Espírito, Senhor |
Para que descubramos o sentido último da vida: |
Dai-nos vosso Espírito, Senhor |
.gif)




.png)



.png)
