DOMINGO V DO TEMPO COMUM -2026- Ano A
Após a proclamação das bem-aventuranças, somos chamados a testemunhar a luz que deve brilhar para todos. Mas de que luz se trata? Da luz que brota das boas obras de misericórdia. Hoje, a Palavra do Senhor também nos desafia a vivermos, no dia a dia da vida, seguros, radicados no Amor, “enraizados em Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado”.
Na 1ªleitura (Is 58, 7-10) o profeta Isaías torna presente
a forma como, os que nos rodeiam, se interrogarão, ou poderão compreender, quem
é Aquele que nos move, quem é a razão de ser da nossa existência, isto é,
relembra-nos que será através da prática das obras de misericórdia, que
chegaremos àqueles a quem o Senhor se quer revelar, através de cada um de nós.
“Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos
pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas
ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas
não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do
Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á:
‘Aqui estou’. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as
palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao
indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o
meio-dia».”
Na 2ªleitura (Cor 2, 1-5) S.Paulo, que dominava as
escrituras do seu tempo, como ninguém, não se arma em doutor da lei, mas, pelo
contrário, confessa-se cheio de temor e tremor ao anunciar o
Evangelho. É assim que nos revela o segredo do êxito da sua ação missionária,
quando nos diz que se apoia sempre e só em Jesus Cristo, crucificado,
deixando-se guiar pelo Espírito Santo. Que humildade, meu Deus! Bendito seja Deus, nos Seus anjos e nos Seus santos.
“Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus. Pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras. A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.”
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».”
Senhor, que arriscaste em nós, em cada um de nós, mesmo conhecendo-nos no
mais íntimo de nós próprios, habita-nos por inteiro, preenche todo o nosso ser
sempre, seja qual for a situação em que nos encontremos, ou venhamos a
encontrar. Bendito sejas Senhor por nos amares assim, infinitamente. A Ti, a
glória, hoje e sempre, pelos séculos sem fim. Ámen.
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
No Evangelho
de hoje (cf. Mt 5,
13-16),
Jesus diz aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra [...] Vós sois a luz do
mundo» (vv. 13.14).
Ele usa uma linguagem simbólica para indicar àqueles que pretendem segui-lo,
alguns critérios para viver a presença e o testemunho no mundo.
Primeira
imagem: o sal. O sal é o elemento que dá sabor, que conserva e
preserva os alimentos contra a corrupção. Portanto, o discípulo é chamado a
manter longe da sociedade os perigos, os germes corrosivos que poluem a vida
das pessoas. Trata-se de resistir à degradação moral, ao pecado, dando
testemunho dos valores da honestidade e da fraternidade, sem ceder às lisonjas
mundanas do arrivismo, do poder e da riqueza. É “sal” o discípulo que, não
obstante os fracassos diários – porque todos nós os temos – se
levanta do pó dos próprios erros, recomeçando com coragem e paciência, todos os
dias, a procurar o diálogo e o encontro com os outros. É “sal” o discípulo que
não busca o consentimento nem o elogio, mas que se esforça por ser uma presença
humilde e construtiva, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus que veio ao
mundo não para ser servido, mas para servir. E há tanta necessidade desta
atitude!
A segunda
imagem que Jesus propõe aos seus discípulos é a da luz: «Vós
sois a luz do mundo». A luz dissipa a escuridão e permite ver. Jesus é a luz
que dissipou as trevas, mas elas ainda permanecem no mundo e nas pessoas
individualmente. É tarefa do cristão dispersá-las, fazendo resplandecer a luz
de Cristo e anunciando o seu Evangelho. Trata-se de uma irradiação que pode
derivar até das nossas palavras, mas deve brotar principalmente das nossas
«boas obras» (v. 16).
Um discípulo e uma comunidade cristã são luz no mundo quando orientam os outros
para Deus, ajudando cada um a experimentar a sua bondade e misericórdia. O
discípulo de Jesus é luz quando sabe viver a sua fé fora dos espaços restritos,
quando contribui para eliminar preconceitos, para eliminar calúnias
e para fazer entrar a luz da verdade nas situações corrompidas pela hipocrisia
e pela mentira. Fazer luz. Mas não se trata da minha luz, é a
luz de Jesus: nós somos instrumentos para que a luz de Jesus
chegue a todos.
Jesus
convida-nos a não ter medo de viver no mundo, embora às vezes nele haja
condições de conflito e de pecado. Diante da violência, da injustiça e da
opressão, o cristão não pode fechar-se em si mesmo, nem esconder-se na
segurança do próprio espaço; nem sequer a Igreja pode fechar-se em si mesma,
não pode abandonar a sua missão de evangelização e de serviço. Na Última Ceia
Jesus pediu ao Pai para não tirar os discípulos do mundo, para os deixar aqui,
no mundo, mas para os proteger contra o espírito do mundo. A Igreja dedica-se
com generosidade e ternura aos pequeninos e aos pobres: este não é o espírito
do mundo, esta é a sua luz, é o sal. A Igreja escuta o grito dos últimos e dos
excluídos, porque está consciente de que é uma comunidade peregrina, chamada a
prolongar na história a presença salvífica de Jesus Cristo.
Que a Virgem
Santa nos ajude a ser sal e luz no meio do povo, levando a todos, com a vida e
a palavra, a Boa Nova do amor de Deus.




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